UOL Notícias Blogs
 

Blog

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

15h29 - 30/04/2010
 

420 cidades não têm biblioteca no Brasil

O 1° Censo Nacional das Bibliotecas Públicas constatou que não há bibliotecas públicas em 420 dos 5.565 municípios brasileiros. Outros 660 municípios, não incluídos no estudo, têm bibliotecas em fase de implatação ou reabertura. Os dados foram divulgados hoje (30.abr.2010) pelo Ministério da Cultura.

 

O estudo também indica que as doações respondem por 85% do acervo das 4.763 bibliotecas municipais do país. Apenas 429 delas oferecem serviços para deficientes visuais.

 

O Estado com o maior número de bibliotecas por habitante é o Tocantins, com 7,7 bibliotecas para cada 100 mil habitantes, informa o repórter  do UOL Fábio Brandt. Na sequência aparecem Santa Catarina (4,5 bibliotecas para cada 100 mil habitantes), Minas Gerais (4,1) e o Rio Grande do Sul (4). Os piores percentuais estão em São Paulo (1,62), Pará (1,6), Acre (1,44), Rio de Janeiro (0,86), Distrito Federal (0,76) e Amazonas (0,7).

 

João Pessoa, na Paraíba, é a única capital desprovida de biblioteca municipal. Mas apenas 3 capitais aparecem entre as 100 primeiras posições do ranking de bibliotecas por habitante: Curitiba (2,97 bibliotecas para cada 100 mil), Palmas (1,96) e Brasília (0,76). As outras ficam abaixo da 100ª colocação.

 

Em média, as bibliotecas de todo o país emprestam 296 livros por mês paras seus usuários levarem para casa. São 421 empréstimos por mês no Sudeste, 351 no Sul, 157 no centro Oeste, 118 no Nordeste e 90 no Norte.

 

Outra informação do estudo, que foi realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) a pedido do Ministério da Cultura, é que 84% dos dirigentes das bibliotecas municipais são mulheres.


A seguir, os links para quem se interessar em ter acesso aos dados do levantamento: municípios sem biblioteca;
bibliotecas por habitante; bibliotecas por região e bibliotecas por capital. 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
 

O Brasil repudia, mas não condena a tortura

Um comentário hoje (30.abr.2010) na "Folha de S.Paulo" sobre a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de manter a Lei da Anistia:

 

O Brasil repudia,
mas não condena

 

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ao votar pela manutenção da Lei da Anistia, o Supremo Tribunal Federal deu ontem sua contribuição para manter o Brasil na categoria dos países que preferem o caminho da conciliação e quase nunca o do confronto. Prevaleceu o medo atávico de enfrentar as vergonhas do passado.


Essa tem sido uma característica da história brasileira. A ditadura militar por aqui durou 21 anos, de 1964 a 1985. Exceto a de Cuba, foi uma das mais longas da América Latina.


A marca mais curiosa do período autoritário foi a oposição consentida. Os ditadores mantiveram, na maior parte do tempo, o Congresso aberto -manietado e subjugado.


Nunca faltou quem se refestelasse nesse modelo. Em 1973, a oposição consentida montou uma anticandidatura a presidente, com Ulysses Guimarães (1916-1992) à frente. A ideia era chamar a atenção para a fraude da eleição indireta que nomearia o próximo presidente, o general Ernesto Geisel. Na hora de desistir e desmoralizar o processo, Ulysses preferiu se manter na disputa e validou a "eleição" do novo ditador.


Essa predileção pela não agressão na política culminou na transição lenta e gradual maquinada por Golbery do Couto e Silva (1911-1987).


O regime estava falido, mas a ditadura queria um último favor da sociedade brasileira: o perdão para quem havia cometido toda ordem de desmandos. Veio a anistia "ampla, geral e irrestrita", inclusive para os torturadores. Foi aprovada por um Congresso ainda habitado por Arena e MDB.


Ao votarem pela validade da Lei da Anistia, vários ministros do STF ontem diziam que essa foi uma lei "possível" naquela circunstância. Uma pactuação cujo saldo foi a volta à democracia. Ninguém duvide, declarou o presidente da corte, Cezar Peluso, que todos ali têm "profunda aversão" por atos de tortura ou sequestros.


O relator Eros Grau, que puxou a votação, também fez uma ressalva: "É necessário dizer, vigorosa e reiteradamente, que a decisão (...) não exclui o repúdio a todas as modalidades de tortura, de ontem e de hoje, civis ou militares".


Dessa forma, o Brasil se mantém coerente com sua tradição de concertação, avesso ao confronto. Nas palavras da maioria dos ministros do Supremo, aqui os torturadores são repudiados, mas não condenados.

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
18h09 - 29/04/2010
 

Chico Buarque declara voto em Dilma, mas...

...afirma que se Serra fosse eleito “não haveria muita diferença”

 

O cantor e compositor Chico Buarque de Holanda declarou seu voto na eleição presidencial deste ano. Deve apoiar Dilma Rousseff (PT). “Vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula”. Em seguida, fez uma ressalva: “Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença”.

 

A declaração de Chico aparece na revista “Brazuka, uma publicação mensal distribuída gratuitamente em Paris, ile-de-France e Bruxelas. O compositor respondia a uma pergunta sobre declaração polêmica no ano passado de Caetano Veloso criticando Lula. Eis a íntegra da pergunta e o que respondeu Chico:

 

Revista Brazuca: E o que você acha da entrevista recente do Caetano Veloso, onde ele falou mal do Lula e depois acabou sendo desautorizado pela própria mãe?

 

Chico Buarque: “Nossas mães são muito mais lulistas que nós mesmos. Mas não sou do PT, nunca fui ligado ao PT. Ligado de certa forma, sim, pois conheço o Lula mesmo antes de existir o PT, na época do movimento metalúrgico, das primeiras greves. Naquela época nós tínhamos uma participação política muito mais firme e necessária do que hoje. Eu confesso, vou votar na Dilma porque é a candidata do Lula e eu gosto do Lula. Mas, a Dilma ou o Serra, não haveria muita diferença”.

 

A revista também pergunta a Chico sobre o comportamento da mídia brasileira, se haveria tratamento adequado à administração federal do PT (“Você acha que a mídia ataca o Lula injustamente?”). E a resposta: “Nem sempre é injusto, não há uma caça às bruxas. Mas há uma má vontade com o governo Lula que não existia no governo anterior”.

 

Tudo considerado, as declarações de Chico Buarque têm o poder de resumir mais ou menos o pensamento de uma certa parcela da intelectualidade quase sempre simpática a Lula, mas que não está alheia à realidade: 1) o lulismo ainda é forte entre certos intelectuais; 2) muitos acham que há um pouco de pegação no pé do governo (mas não a ponto de ser uma campanha persecutória como alguns petistas entendem) e 3) a tendência é votar em Dilma Rousseff para presidente, mas o apoio é muito menos convicto do que se possa imaginar.

 

Abaixo, imagens da revista “Brazuca” e das declarações de Chico Buarque:

 

 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
 

Serra, acreditem, dá parabéns a Lula

O pré-candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, acaba de elogiar o presidente Lula pelo fato de o atual ocupante do Planalto ter sido escolhido um dos líderes mais influentes do planeta pela revista norte-americana "Time". Eis o que postou tucano no seu perfil no Twitter:

 

Parabéns ao Presidente Lula, escolhido líder do ano pela revista americana Time. É bom para o Brasil”.

 

Aqui, a imagem do post de Serra:

 

 

Depois de fazer o elogio, Serra foi alertado por internautas de que não se tratava de um ranking no qual Lula teria sido o 1º colocado. Mas o tucano não se fez de rogado. Elogiou Lula assim mesmo. "Tem razão, @ReginaBrasilia. Não é um ranking. O Presidente Lula é um dos 25 líderes da revista Time. Bom do mesmo jeito para o Brasil", disse o pré-candidato do PSDB ao Planalto. Em outro post, escreveu: "Vi a notícia no UOL [obrigado pela audiência], @tomcsilva. Há pouco, o próprio UOL corrigiu e deu a informação certa: o Presidente Lula é um dos 25".

 

Eis as imagens desses comentários:

 

 


A estratégia do tucano tem sido a de elogiar sempre que pode o presidente Lula. Assim ele espera ser reconhecido pelos eleitores como o candidato mais bem preparado para continuar os aspectos positivos do atual governo.

 

Por enquanto, Serra tem se dado bem. Está na frente numericamente nas pesquisas de opinião. Sua principal adversária, Dilma Rousseff, a escolhida de Lula, está em 2º lugar. Aliás, registre-se, até quando este texto foi postado, Dilma no Twitter não havia ainda citado a distinção recebida por Lula

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
 

Marina Silva pede licença do Senado

candidata a presidente pelo PV quer mais tempo para fazer campanha

 

A senadora Marina Silva (PV-AC) anunciou hoje (29.abr.2010) em seu site que “encaminhou requerimento (...) à Mesa Diretora do Senado” formalizando um “pedido de licença de suas atividades, sem ônus para o Senado Federal, desta data até dia de 17 de junho”.

 

A pré-candidata do PV a presidente realmente precisa se dedicar de maneira mais intensa ao seu projeto eleitoral, pois há um risco de o processo se polarizar cada vez mais entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), como mostram as últimas pesquisas eleitorais.

 

Segundo a nota em seu site, Marina está encarregada pelo PV de uma “reestruturação programática” da legenda da “elaboração de um plano de governo com vistas à disputa eleitoral de outubro próximo”.

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
12h26 - 28/04/2010
 

PP decide decidir sobre apoio a Serra em maio

 

Deu a lógica hoje de manhã na reunião dos dirigentes do Partido Progressista, o PP (antiga Arena e PDS). Embora o nome do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) tenha sido muito citado nas últimas semanas como um possível candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por José Serra (PSDB), os pepistas resolveram não tomar nenhuma decisão agora.

 

Ficou tudo para a segunda quinzena de maio. Até lá o PP decide se vale a pena desembarcar do governo Lula (onde ocupa o Ministério das Cidades) para entrar na canoa da oposição.

 

Vai ser levado em conta: 1) a posição de Serra nas pesquisas de opinião no final de maio; 2) o esforço do PT para ajudar algumas seções estaduais do PP nas eleições locais e 3) a coragem de entregar cargos no governo Lula (o PP tem uma centena de vagas polpudas).

 

Até onde foi possível averiguar, o PP só embarcará na candidatura Serra se tiver muita segurança da vitória. Como isso é impossível, o mais provável é que o partido de Dornelles e Paulo Maluf fique sem apoiar ninguém para o Palácio do Planalto –ou, no limite, dê apoio a Dilma Rousseff (PT).

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui. 

 

Por Fernando Rodrigues
19h08 - 27/04/2010
 

Ciro fora, chance de polarização aumenta

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está conseguindo o que desejava. Aumentou a chance de polarização na sucessão presidencial entre PT e PSDB. O caminho foi pavimentado hoje com a saída, agora oficial, de Ciro Gomes (PSB) da disputa pelo Palácio do Planalto. Aqui, a nota do PSB. Aqui, a resposta de Ciro.

 

Lula desejava que a eleição presidencial se tornasse uma gincana exclusiva entre PT e PSDB, numa comparação dos 8 anos de Fernando Henrique Cardoso no Planalto com os 8 anos petistas.

 

O caminho está montado. Marina Silva (PV) está num longínquo terceiro lugar. Mas falta acontecer agora a tal aproximação de Dilma Rousseff (PT) do até o momento primeiro colocado na corrida pelo Planalto, José Serra (PSDB).

 

Aliás, é necessário agora os institutos de pesquisa investigarem nos seus levantamentos o cenário mais próximo da realidade das urnas em outubro. Ou seja, testar os nomes de todos os concorrentes. Até agora, só o Datafolha saiu na frente e na sua última pesquisa (de 15-16.abr.2010) apurou os seguintes números no cenário sucessório mais completo:

 

José Serra (PSDB): 40%

Dilma Rousseff (PT): 29%

Marina Silva (PV): 11%

Mário de Oliveira (PT do B): 1%

Zé Maria (PSTU): 1%

Brancos, nulos, indecisos e nenhum: 17%

 

No próximo levantamento deve também ser incluído o nome de Plínio de Arruda Sampaio, o ex-deputado federal por São Paulo que é agora pré-candidato a presidente pelo PSOL.

 

Nesse mar de nomes (há outros pelo menos 5 candidatos nanicos que não pontuam nas pesquisas) é que a tal polarização terá de ocorrer –de acordo com o imaginado por Lula. A saída de Ciro Gomes do páreo, de fato, facilitou o cumprimento da profecia de Lula. Mas ainda é cedo para dizer se de fato a realidade será tal qual o PT deseja.

 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

 

 

 

Por Fernando Rodrigues
 

Caso Battisti fica pronto para Lula decidir

acabou o processo no STF e italiano pode, em tese, ser extraditado

 

Agora só depende do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o destino do ex-ativista italiano de extrema esquerda Cesare Battisti. Terminou oficialmente no Supremo Tribunal Federal (STF) o processo de extradição de Battisti.

 

De acordo com o andamento do processo disponível na internet, ontem (26.abr.2010) ocorreu o chamado “trânsito em julgado”. Quando se chega a esse estágio, o processo termina. Eis o que foi publicado sobre o caso no site do STF:

 

 

Agora, com o processo concluído e não cabendo mais recursos, Lula poderá optar pela extradição de Battisti, como pede o governo da Itália. Ou conceder algum tipo de abrigo ao ativista italiano no Brasil. Mas certamente essa segunda opção causaria um desconforto, para dizer o mínimo, entre o Poder Executivo e o Poder Judiciário.

 

No momento, Battisti está preso na penitenciária da Papuda, em Brasília.


O ministro do STF Gilmar Mendes deu uma entrevista em 22.mar.2010 e foi indagado se haveria uma crise no caso de Lula não extraditar Battisti. Sua resposta não deixa dúvidas: “Vamos falar sobre hipóteses. Certamente não será compreensível a decisão do presidente se eventualmente reeditar as razões do refúgio, porque o tribunal as anulou expressamente. Se houver outras razões legais, terão de ser devidamente examinadas”.

 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
 

Tempo na TV: Dilma 10m29s X 6m46s Serra

 

petista deve dominar tempo de TV com 48% mais presença do que o tucano

 

As alianças projetadas para eleição presidencial deste ano dão ampla preponderância para Dilma Rousseff (PT) na comparação com José Serra (PSDB) quando se trata da distribuição do tempo de propaganda eleitoral em rádio e TV. A petista deve ter um tempo 48% superior ao do tucano.

 

Segundo reportagem de Ranier Bragon e de Maria Clara Cabral (aqui, para assinantes da “Folha de S.Paulo” e do UOL), a vantagem de Dilma pode ir a 55% sobre o tucano no caso de se confirmarem  as atuais tendências de coligação.

 

Na projeção mais realista, Dilma terá direito a 10min29s no horário nobre da TV e do rádio (em blocos de 25 minutos), contra 6min46s de Serra. Já Marina Silva (PV) terá apenas 1m03s.

 

Eis um quadro resumindo as projeções sobre a propaganda eleitoral em rádio e TV, que neste ano começa em 17 de agosto:

 

 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
10h10 - 26/04/2010
 

Deputado quer voto com força do pensamento

É a melhor história do dia: o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Giovani Cherini (PDT), diz conseguir votos com a força do pensamento.

 

Segundo excelente reportagem das repórteres Andreza Matais e Simone Iglesias (aqui, para assinantes do UOL e da “Folha”), o deputado Cherini “passou uma semana tentando aperfeiçoar-se na técnica, fazendo um curso midiaticamente chamado de ‘Avatar’ –referência ao blockbuster de James Cameron”.

 

Frase e uma foto de Giovani Cherini:

 


“A gente desenvolve [uma técnica] para poder falar com as pessoas onde a gente não estiver”.

 

[a] “transmutação de consciência” é “a coisa mais simples do mundo”.

 

“No futuro nós vamos falar entre as pessoas sem aparelho celular. Alguém já não te telefonou depois de você pensar nessa pessoa?”.

 

[pessoas têm capacidade de antena] “20 mil vezes maior do que a do rádio e a da TV”.

 

“Sou fruto disso, desde 1993 não perco uma eleição nem gasto muito dinheiro em minhas campanhas”. [na última eleição, conforme o TSE, Cherini gastou R$ 152 mil.

 

Enquanto falou à “Folha de S.Paulo por telefone, a ligação (por meio de celular) foi cortada. Mas ele disse ter continuado a entrevista. Como? Cherini respondeu quando a conversa foi retomada, por telefone: “Continuei falando em pensamento com você”.

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
 

As diferenças entre os institutos de pesquisa

conheça as metodologias que levam a resultados diferentes

 

Este blog mantém, desde o ano 2000, a página mais completa com todas as pesquisas eleitorais. Por essa razão, apresenta aqui uma explicação sobre as diferenças metodológicas entre os 4 principais institutos de pesquisas no país (texto publicado pela “Folha de S.Paulo” em 26.abr.2010).

 

Aqui, as explicações de Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi. A seguir, o texto publicado pela “Folha” e alguns gráficos com as últimas pesquisas sobre intenção de voto para presidente:

 

Institutos divergem sobre metodologia

Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi explicam critérios para seus levantamentos sobre a intenção de voto do brasileiro

Pontos de discordância são a definição do universo pesquisado e a formulação e ordem das perguntas mostradas no levantamento

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

De 30 de março a 18 de abril, o pré-candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, apareceu em quatro pesquisas de intenção de voto. Suas taxas variaram de 33% a 38%. No caso da ex-ministra Dilma Rousseff (PT), os percentuais foram de 28% a 32%. A diferença entre o tucano e a petista chegou a ser de um a dez pontos pontos percentuais nesse período.

 

Há várias razões para essa discrepância entre Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi, os institutos mais conhecidos do país. Entre as mais visíveis estão duas. Primeiro, a data de coleta de dados não foi exatamente a mesma. Segundo, a metodologia usada é diferente entre as quatro empresas.

 

Há grande divergência entre os institutos a respeito de qual é a melhor forma de coletar dados sobre intenção de votos. A Folha fez uma lista de perguntas e enviou para as quatro empresas detalharem seus procedimentos. A íntegra das respostas pode ser acessada aqui.

 

Os pontos principais de discordância são a definição do universo pesquisado (como escolher o grupo socioeconômico mais representativo do eleitorado) e a formulação e ordem das perguntas apresentadas.

 

O Datafolha faz sua escolha de universo a ser pesquisado mesclando dados do TSE (número de eleitores existentes em cada cidade) e do IBGE (sexo e faixa etária). "Não usamos cotas para variáveis como escolaridade ou renda familiar mensal pois não há dados atualizados para os municípios brasileiros", diz o diretor-geral do instituto, Mauro Paulino.

 

Para não ocorrer distorção, o Datafolha controla algumas variáveis (renda e escolaridade) conforme o histórico de sua ampla série pesquisas.

 

Já o Ibope usa um sistema "de cotas proporcionais em função das variáveis sexo, idade, grau de escolaridade e setor de dependência econômica", diz Márcia Cavallari Nunes, diretora-executiva de Atendimento e Planejamento. Para o diretor do Sensus, Ricardo Guedes, "os dados da divisão socioeconômica geográfica do IBGE representam adequadamente o país". O Vox Populi, de acordo com seu diretor-presidente, João Francisco Meira, "usa os dados censitários do IBGE".




Ordem das perguntas
Apenas um dos institutos abordados nesta reportagem, o Datafolha, começa suas pesquisas sobre eleição presidencial sem "esquentar" o entrevistado. Trata-se do jargão usado no meio para designar as perguntas que oferecem algum tipo de estímulo antes de indagar sobre intenção de voto.

 

"A ordem das perguntas pode influenciar as respostas dos entrevistados. Dependendo dos assuntos colocados antes da pergunta central da pesquisa, seja ela sobre a aprovação do governo ou confiança no político, a resposta pode ser afetada", diz Mauro Paulino.

 

Quando faz levantamentos regionais e o contratante pede uma pergunta "quebra-gelo" (outro sinônimo para "esquentar"), o Datafolha escolhe temas que não suscitem um juízo de valor sobre os candidatos.

 

Numa pesquisa sobre intenção de voto realizada no final de março no Rio Grande do Sul, por exemplo, o Datafolha perguntou qual era o interesse dos entrevistados pelo processo eleitoral. Só depois indagou sobre a intenção de voto. O Ibope há vários anos faz algumas perguntas de "quebra-gelo". No último levantamento sobre voto para presidente, concluído no dia 18, indagou sobre o interesse do entrevistado pelo processo eleitoral e sobre a satisfação em relação "à vida que vem levando hoje".

 

"É um tema polêmico", diz Márcia Cavallari, do Ibope. "A única forma de comprovarmos se a ordem do questionário faz diferença seria realizarmos duas pesquisas com a mesma metodologia amostral e mesmo período de tempo, apenas com questionários diferentes".

 

Para Ricardo Guedes, do Sensus, "é lícito ter perguntas que repliquem o processo natural de escolha do eleitor". Pelo seu argumento, na hora do voto, as pessoas fazem algum tipo de reflexão sobre o desempenho do governo. Na pesquisa, portanto, seria natural buscar um comportamento semelhante.

 

O Sensus foi o único dos quatro institutos cuja pesquisa apontou empate técnico entre José Serra, com 33%, e Dilma Rousseff, com 32%. É também o instituto que faz mais extensivamente perguntas para "esquentar" o entrevistado. No questionário do Sensus, antes de apurar a intenção de voto, o entrevistado é questionado sobre como avalia "o governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva". Em seguida, outra pergunta: "Por quê?". Só depois de o entrevistado refletir sobre esse assunto é que vêm as perguntas sobre sua intenção de voto. João Francisco Meira, do Vox Populi, acha que um instituto pode "desejar reproduzir determinada situação que vai influir na hora do voto". Para ele, "o questionário é relevante, mas não existe um jeito mais ou menos correto", afirma.

 

O Vox Populi faz primeiro a pergunta de intenção de voto com resposta espontânea (sem mostrar os nomes dos pré-candidatos). Mas antes de começar as perguntas com estimulação de resposta (mostrando os nomes de quem vai concorrer), apresenta duas indagações.
A primeira tenta aferir se o entrevistado conhece cada candidato. Em seguida, pergunta sobre cargos ocupados pelos principais políticos na disputa presidencial. O eleitor, portanto, é instado a refletir sobre quem são os candidatos antes de declarar o seu voto.

 

Há um outro aspecto metodológico a ser considerado: a consistência dos formulários ao longo da série de pesquisas de cada instituto.
No caso do Datafolha, o formulário se mantém inalterado ao longo de todo o processo eleitoral. O instituto também não faz pesquisas para partidos ou para políticos.

 

Todos as outras empresas de pesquisa aceitam serviços de partidos ou de políticos. E há também pesquisas comparadas como se fossem da mesma série, mas cujos formulários de coleta de dados são diferentes.

 

No caso das duas pesquisas Sensus deste ano, há diferença nas perguntas formuladas. Em janeiro, o instituto fez o seu tradicional levantamento para a CNT (Confederação Nacional do Transporte) no qual começa a coleta de dados com mais de dez perguntas sobre a situação do país, incluindo as áreas de saúde, emprego, educação, segurança pública e renda. Pergunta sobre a avaliação do governo Lula e só depois passa para o bloco de intenção de voto.

 

Já em abril, o Sensus fez nova pesquisa -desta vez para um sindicato de São Paulo. As perguntas prévias foram apenas sobre preferência partidária e avaliação do governo Lula, mas com uma novidade: pedia ao entrevistado que elaborasse uma resposta sobre a razão de aprovar ou desaprovar a administração do petista. É nesse levantamento que Serra e Dilma surgiram empatados.

 

Datafolha:

 

Ibope:

 

Vox Populi:

 

Sensus:

 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues
21h00 - 25/04/2010
 

Poder e política na semana – 26.abr.2010 a 2.mai.2010

Semana será marcada na 3a feira pelo já anunciado enterro da candidatura de Ciro Gomes (PSB) a presidente.

 

Marina Silva (PV) começa a semana nos EUA (no domingo, 25.abr comemorou o 40º Dia da Terra e encontrou por lá o diretor de Avatar, James Cameron). Na 2a feira, Marina dá entrevista coletiva e para a mídia dos EUA e tem reunião com a conselheira de qualidade ambiental da Casa Branca, Nancy Sutley. No restante da semana, vai a Minas Gerais e ao Paraná (mas não divulga quando).

José Serra (PSDB) visita a Bahia pela segunda vez em menos de 15 dias. Ele já esteve em Salvador em 14.abr.2010. Agora, visitará Alagoinhas e Feira de Santana na 3a feira.

 

Dilma Rousseff (PT) passará a maior parte da semana em Brasília, dando entrevistas, sobretudo para rádios, e gravando cenas a serem usadas em seus futuros comerciais eleitorais. A petista deve ir a São Paulo por 1 ou 2 dias (não diz a data certa), quando visitará Santos, no litoral, e uma cidade no interior, para ir a uma feira de agronegócio.

 

A seguir, o que moverá o mundinho político na semana que começa:

 


Segunda (26.abr.2010)

Marina nos EUA – em Washington, a pré-candidata do PV a presidente dá entrevista coletiva às 9h, na National Wildlife Federation. Às 14h, encontra-se com a assessora para o meio ambiente de Barack Obama, a conselheira de qualidade ambiental da Casa Branca, Nancy Sutley.


Cúpula Brasil-Caribe – em Brasília, Lula passa a o dia todo reunido com autoridades do bloco econômico Caricom (Comunidade do Caribe), integrado por 15 países caribenhos. A programação do encontro prevê reunião particular do presidente brasileiro com René Préval, presidente do Haiti, e com os primeiros-ministros da Jamaica e de Antígua e Barbuda. Às 17h40 os líderes concedem entrevista coletiva. Às 20h30, jantam na Granja do Torto.
comentário do blog: é Lula pavimentando o caminho para suas pretensões no cenário internacional a partir de 2011.

Prefeitos e o pré-sal – a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) discute o novo modelo regulador da exploração do petróleo no país e a partilha dos royalties do produto. Cerca de 100 prefeitos confirmaram presença na reunião, nesta 2a e 3a feiras, em Florianópolis (SC).


 

Terça (27.abr.2010)
Ciro ejetado –  a direção do PSB (Partido Socialista Brasileiro) tem reunião em Brasília e deve retirar formalmente seu apoio à candidatura de Ciro Gomes a presidente.
comentário do blog: Ciro apostou alto e errou feio ao traçar sua estratégia. Aqui, post a respeito.

 
Serra volta à Bahia – o pré-candidato do PSDB a presidente estará em Feira de Santana e Alagoinhas. Junto com ele, os herdeiros do carlismo –ACM Neto à frente.


Satisfação aos cubanos - na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, presta esclarecimentos sobre o que disse a respeito da morte de Orlando Zapata Tamayo –opositor do regime cubano morto após 83 dias em greve de fome.

Criação da Petro-Sal – está na pauta de discussão do Senado (já estava na semana passada). A Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A. (Petro-Sal) será uma nova empresa estatal, incumbida de gerir o pré-sal e negociar sua partilha com os investidores privados.

Lan Houses – lançamento do site www.edemocracia.gov.br pela comissão parlamentar especial que analisa a inclusão de regulamentação das Lan Houses no Estatuto da Criança e do Adolescente.


Empregados domésticos –
Lula recebe representantes dos trabalhadores domésticos.

CPI da dívida – mais uma vez, a Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a dívida pública planeja apresentar, discutir e votar seu relatório final às 14h30, no plenário 9 da Câmara dos Deputados. Criada em 2008, a CPI foi instalada em agosto de 2009. Objetivo foi avaliar “a composição da dívida pública da União, dos Estados e dos municípios, o pagamento de juros e amortizações, os beneficiários desses pagamentos e o impacto nas políticas sociais e no desenvolvimento sustentável do país”.
comentário do blog: as CPIs estão cada vez mais desmoralizadas.



Quarta (28.abr.2010)

Lula recebe Hugo Chávez – no Itamaraty, os presidentes do Brasil e da Venezuela fazem reunião bilateral pela manhã.

Juízes sem perdão – Senado discute emenda constitucional que impede o uso da aposentadoria como punição (sic) para magistrados –hoje, muitos juízes que cometem irregularidades são “punidos” com a aposentadoria. Pela proposta em debate, o juiz perderá o cargo e os direitos.
comentário do blog: esse costume dos juízes é uma aberração. Os senadores ajudam a melhorar o país se acabarem com essa mamata.



Quinta (29.abr.2010)

Aniversário da Embrapa – à tarde, Lula participa da solenidade de comemoração dos 37 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
comentário do blog: a Embrapa é uma das mais bem sucedidas iniciativas estatais brasileiras. Vida longa à Embrapa.

 

 

Sábado  (1°.mai.2010)

Dilma em São Paulo – a petista participa do 1° de Maio da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, na grande São Paulo.

 


Domingo (02.mai.2010)
PT em Minas Gerais – o partido tem eleição prévia para escolher entre Fernando Pimentel e Patrus Ananias. Quem ganhar será candidato a algum cargo majoritário na eleição mineira deste ano.as agendas não indicam eventos públicos relevantes no último dia útil da semana.

 

Por Fernando Rodrigues
 

 Separados no nascimento

Marcelo Branco e Alceu Valença

 

Mais um achado do blog, a pedidos, pois em Brasília só se fala a respeito dessa nova semelhança: Marcelo Branco, responsável pelas redes sociais na campanha presidencial do PT, é separado no nascimento do cantor Alceu Valença:




Outros famosos e seus iguais na seção Separados no nascimento.


Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

Por Fernando Rodrigues | Separados no nascimento
 

 
 

Separados no nascimento

Cezar Peluso (STF) e Ned Flanders (Simpsons)

 

De volta, a seção Separados no Nascimento traz o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cezar Peluso, e o famoso vizinho de Homer Simpson, o sempre certinho Ned Flanders:

 

 

Quer seguir o blog no Twitter? Aqui.

 

Por Fernando Rodrigues | Separados no nascimento
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

Regras de uso

Busca
Neste blog Na Web

Histórico