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Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

19h48 - 20/03/2010
 

O PT e o tempo

coluna de hoje (20.mar.2010) na Folha:

 

BRASÍLIA - Ninguém duvida que o tempo opere milagres e cicatrize feridas. O PT sabe disso. Sigla lulo-dependente em grau máximo e capacidade de formulação mínima, decidiu seguir o conselho do presidente. Lançará novamente ao governo de São Paulo o nome do senador Aloizio Mercadante.


A ideia de Lula parece lógica: "Lancem sempre o mesmo nome para o governo de São Paulo que um dia o PT ganha". Nunca até hoje um petista disputou duas vezes o Palácio dos Bandeirantes. Mercadante será o primeiro. Com esperança de o tempo se incumbir de envernizar e lustrar sua biografia.


Economista, o senador petista tem como obra mais genial o conselho dado a Lula e ao PT em 1994. Recomendou ao partido atacar o Plano Real. Para ele, seria um fracasso certo. Errou feio. Lula foi derrotado por FHC no primeiro turno. Eleito senador em 2002, Mercadante teve 10,5 milhões de votos.


Quatro anos depois, em 2006, conseguiu a proeza de disputar o Palácio dos Bandeirantes e encolher sua marca para 6,8 milhões de votos -em meio ao escândalo da mala de dinheiro usada por um de seus assessores na tentativa de comprar um dossiê antitucano.


Líder do PT no Senado, Mercadante brilhou pouco. Sem poder, chegou a anunciar no microblog Twitter sua renúncia ao cargo em caráter irrevogável. Não concordava com alguns petistas a favor de salvar José Sarney de uma merecida investigação. A nobreza durou pouco. Enquadrado por Lula, humilhado, revogou o irrevogável.


Como senador, sua ação mais positiva foi um apoio tardio à lei que liberou o uso da internet nas eleições. Nesta semana, tirou proveito disso. Punido por aparecer na TV fazendo propaganda fora de hora, colocou seu comercial na web.


Esse será o candidato do PT ao governo paulista. Pois o tempo opera milagres -e Lula deu a ordem para o nome ser repetido à exaustão.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
13h49 - 18/03/2010
 

TSE multa Lula em R$ 5 mil por propaganda antecipada

  • é a primeira punição a Lula neste ano, mas ato foi em 2009


O ministro auxiliar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Joelson Dias aplicou multa de R$ 5 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por entender que o petista fez campanha antecipada em favor da ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata do PT ao Palácio do Planalto.

 

Esse é o primeiro revés real que Lula e Dilma enfrentam depois de terem sido acusados várias de desrespeitar os prazos da lei eleitoral –que no Brasil proíbe campanha fora do seu rígido calendário.

 

A decisão do TSE (aqui, o comunicado) foi decorrente de uma ação do PSDB. Os tucanos argumentaram que houve propaganda eleitoral antecipada num evento realizado de 29 de maio de 2009, no Rio, quando Lula e Dilma estiveram na inauguração de um complexo poliesportivo em Manguinhos, construído com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

 

Ou seja, tratou-se de uma multa de R$ 5 mil para um evento de maio de 2009... Nesse ritmo, só em 2011, muito depois da eleição de outubro próximo, é que estarão sendo julgados os casos de hoje. Conclusão: propaganda antecipada está, na prática, liberada. Pior ainda: a Advocacia Geral da União vai recorrer da multa e o caso tende a se arrastar por mais alguns meses.

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Itamaraty quer manter sigilo eterno em documentos

  • Diplomatas defendem segredo em assuntos de negócios de Estado


  • Pela proposta, papéis da Guerra do Paraguai continuarão secretos

 

O projeto de lei de acesso a informações públicas está sofrendo um bombardeio final do Ministério das Relações Exteriores. Diplomatas foram até a Câmara nesta semana para reclamar com os deputados do trecho do projeto que acaba com o chamado “sigilo eterno”. Essa pressão atrasou a votação, que já poderia ter ocorrido.

 

Pelo projeto original que foi preparado pela Casa Civil havia a possibilidade de alguns documentos ultrassecretos terem o seu prazo de sigilo renovado de maneira indefinida –ou seja, para sempre. Era isso o que desejava o Itamaraty e setores das Forças Armadas.

 

Na Câmara, alterou-se o texto para que só uma renovação seja autorizada. Como o prazo máximo de sigilo é de 25 anos, com uma renovação extra de mais 25 anos, nenhum documento público no Brasil poderia ficar mais do que 50 anos longe dos olhos do público. Se aprovada essa medida, seria um grande avanço institucional para o país.

 

Defendem essa posição contra o sigilo eterno o presidente da comissão especial que analisou o projeto, José Genoino (PT-SP), e relator do texto, Mendes Ribeiro (PMDB-RS). Aliás, a votação do texto na comissão especial foi por unanimidade.

 

Mas agora o Itamaraty está argumentando que quando há assuntos envolvendo o Brasil e outros países é necessário que o prazo de reserva dos documentos seja maior do que 50 anos. Em alguns casos, argumentam os diplomatas, para sempre. É por essa razão que certas documentações sobre a Guerra do Paraguai e sobre a compra do Acre continuam secretas até hoje.

 

O projeto da lei de acesso foi amplamente debatido nos últimos anos. O Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas, com várias entidades da sociedade civil, defende que o “sigilo eterno” seja banido.

 

Como o projeto está em regime de tramitação com “urgência urgentíssima”, há uma chance de ser votado no início da próxima semana pela Câmara. Isto é, se o Itamaraty não conseguir atrasar a votação para tentar um recuo a respeito da regra dos prazos de sigilo.

 

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Por Fernando Rodrigues
16h49 - 17/03/2010
 

Mais de 100 mil servidores públicos acumulam cargos no Brasil

 

Um levantamento do Ministério do Planejamento, divulgado hoje (17.mar.2010), revelou que mais de 100 mil funcionários públicos acumulam funções nos Executivos estaduais e federal. Destes, 53.793 somam mais de 2 cargos no serviço público. Os servidores com contrato em regime de dedicação exclusiva e com mais de um cargo totalizam 47.360.Também foram descobertos 36.113 registro de funcionários com indícios de acumulações ilícitas. 

O estudo, realizado pelo Ministério do Planejamento em parceria com o Consad (Conselho de Secretários Estaduais de Administração), cruzou o banco de dados dos servidores da União com o de 13 Estados e encontrou 164 mil indícios de irregularidades. O número representa 5,3% dos mais de 3 milhões de registros de servidores analisados, conforme informa o repórter do UOL Edemilson Paraná.

A estimativa do ministério é de que a identificação e resolução das irregularidades gerem uma economia de R$ 1,7 bilhão ao cofres públicos, especialmente para os Estados, visto que os servidores que acumulam função dupla costumam optar pelo cargo na esfera federal. A soma dos gastos dos Executivos estudais e federal no Brasil chega a  R$ 16,5 bilhões.

O cruzamento serve de base para a criação de um cadastro único de servidores públicos do país. As unidades da Federação analisadas foram Sergipe, Tocantins, Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Ceará, Piauí, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e o Distrito Federal.

A adesão dos Estados no cruzamento não foi obrigatória. Os dados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que figuram entre os Estados com o maior número de servidores públicos do país, não foram contabilizados. Na prática, os dados de mais da metade dos servidores públicos dos Executivos estaduais e federal –3,91 milhões­– ainda não foram analisados. 

Nenhuma punição foi recomendada. O estudo foi entregue para os Estados, que deverão analisar os dados e tomar ações de correção. 

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Serra cai, mas fica em 1º lugar, diz Ibope

O pré-candidato a presidente pelo PSDB, José Serra, registrou queda nas intenções de voto, mas continua em primeiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto, segundo pesquisa Ibope que foi divulgada hoje (17.março.2010). Serra aparece com 35% (tinha 38% em novembro), à frente de Dilma Roussef (PT), que tem 30% (contra 17% em novembro).

 

Eis os principais dados da pesquisa:

 


 

 

Fatos a serem observados:

 

1) resiliência de Serra: o tucano cai em todos os levantamentos (aliás, todos registrados aqui nesta página), mas se mantém sempre na faixa de 30% ou um pouco acima. Para quem não está falando em público sequer que é pré-candidato, não deixa de ser uma demonstração de força. Mas vai resistir ao rolo compressor governista até outubro? Essa é outra história e ninguém tem a resposta;

 

2) Dilma se consolida: a pré-candidata petista declarada, em campanha quase aberta, realmente está consolidada. Chegou aos 30% na pesquisa estimulada. Na espontânea, já está com 14% (Serra tem 10%). A dúvida agora é: a petista continua a avançar ou reduz o ritmo?

 

3) Ciro e Marina: os dois não saem do lugar. Vai ser difícil furar o bloqueio da polarização formada por PSDB e PT.

 

4) nanicos: haverá pelo menos 8 candidatos de pequena expressão na corrida presidencial. Aqui abaixo, amplo material a respeito. Já passou da hora de incluir esses nomes no levantamento, pois os nanicos somados podem acabar sendo um fator relevante para que a eleição seja levada ao segundo turno.

 

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Por Fernando Rodrigues
 

2010 terá 8 nanicos na corrida pelo Planalto

Candidatos de siglas pequenas têm papel relevante para definir se haverá ou não 2º turno


Fim da verticalização facilita a vida de partidos desinteressados em fidelidade nas alianças estaduais

 

Aqui, as entrevistas que o blog fez (listadas em ordem alfabética) com cada um dos nanicos candidatos a presidente:

 

1 - Américo de Souza (PSL)

2 - José Maria Eymael (PSDC)

3 - Levy Fidelix (PRTB)

4 - Mario de Oliveira (PT do B)

5 - Oscar Silva (PHS)

6 - Rui Costa Pimenta (PCO)

7 - Zé Maria (PSTU)

8 - PSOL (candidato a definir)

 

 

Apenas 4 candidatos à Presidência atraem mais a atenção do mundo político –José Serra (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV). Só eles têm aparecido nas pesquisas eleitorais. Mas neste ano, pode chegar a 12 o número de postulantes ao Palácio do Planalto. Desses, 8 são os chamados nanicos, candidatos cuja votação fica na redondeza dos 3%, ou menos, dos votos válidos.

 

A importância dos nanicos é relativa. Tiveram algum protagonismo no passado, mas ficaram fragilizados nos últimos anos por causa da verticalização, um sistema que vigorou em 2002 e em 2006. Tratava-se da regra que obrigava um partido a seguir uma só lógica nas alianças para presidente e nas disputas por governo estaduais. Isso engessava as agremiações políticas. Os nanicos tiveram votações pífias nas últimas disputas. Eis o que o resultado das eleições presidenciais e o desempenho dos candidatos menos expressivos:

 

 

 

Agora, a verticalização acabou. Voltou a valer tudo em termos de alianças eleitorais. Ou seja, um partido pode muito bem lançar um candidato a presidente e ainda assim apoiar o PT ou o PSDB para o governo de um determinado Estado –ou até apoiar tucanos em São Paulo e petistas no Rio de Janeiro, mesmo sendo adversário das duas siglas na eleição presidencial.

 

Tudo somado, os nanicos podem ter (não se sabe ainda se terão) grande importância na definição da disputa presidencial deste ano. A era de ouro dessa turma foi nos pleitos de 1989 (5,5% dos votos válidos), 1994 (4%) e 1998 (4,3%). Agora, se juntos voltarem a somar algo em torno de 4% a 5% dos votos válidos (o que não é fácil, registre-se) podem embolar a disputa e levar a definição para o segundo turno –contrariando a expectativa de PT e PSDB, que esperam liquidar o assunto no primeiro turno.

 

Para que os nanicos tenham esse protagonismo é necessário que se repita um fenômeno. Trata-se da aparição de um “super nanico”: o candidato que, apesar de obter baixa votação no cômputo geral, se sobressai na comparação com os demais nanicos. É ele quem puxa a fila do voto de protesto. Em alguns pleitos, o “super nanico” sozinho tem mais votos do que a soma dos demais candidatos pequenos.

 

Esse papel de “super nanico” já teve o médico Enéas Carneiro (1938-2007) como epítome. Com seu bordão “meu nome é Enéas”, esse candidato e seus pouquíssimos segundos durante a propaganda eleitoral chegou a passar dos 7% dos votos recebidos em 1994 (em 1998, definhou para menos de 3%).

 

Quem poderá ser o “super nanico” agora, encarnando uma espécie de voto de protesto? Há um lumpensinato eleitoral, cerca de 10%, que nunca está contente com nada. Se esse grupo se encantar por algum dos nanicos deste ano, a eleição pode ter segundo turno.

 

Não é fácil saber quem poderá ser o novo Enéas. Há tipos exóticos entre os postulantes. Para citar dois, há Levy Fidelix (PRTB), “o homem do aerotrem”, como ele se define, e há também Mario de Oliveira (PT do B), negro, engenheiro e advogado e já apelidado de “o Obama brasileiro”.

 

Se a história ensina algo, vale lembrar que em 4 das 5 eleições diretas pós-ditadura militar ocorreu o fenômeno do “super nanico”.

 

Em 1989, o “super nanico” foi Roberto Freire (PCB) com 1,06 % dos votos válidos. Em 1994, foi a vez de Esperidião Amin (PPR), com 2,75% –até porque em 1994, Enéas Carneiro havia já se transformado em um candidato médio, com seus mais de 7%.

 

Em 1998, Enéas Carneiro voltou para a categoria dos nanicos, com 2,1% dos votos válidos. Puxou a fila da categoria naquele ano.

 

Em 2002, não houve um “super nanico”. A única explicação foi o advento da verticalização. Adotada pela primeira vez, a regra assustou as siglas pequenas. Enéas nem foi candidato a presidente (concorreu a deputado federal).

 

Em 2006, mesmo com a verticalização ainda válida, o movimento nanico começou a renascer. Houve então um “super nanico” inusitado, concorrendo por uma sigla de médio porte: Cristovam Buarque (PDT), que obteve 2,65% dos votos válidos.

 

Em 2010, sem a verticalização, o movimento nanico voltará com força total.

 

O Brasil tem 27 agremiações políticas registradas no TSE. Em tese, cada uma dessas legendas pode lançar um candidato a presidente. Quanto mais candidatos, mais chances há de a eleição ser decidida apenas no segundo turno –porque a regra é que o presidente é eleito apenas se obtém, pelo menos, 50% mais um dos votos válidos (os votos dados aos candidatos, ou seja, descontando-se os brancos e os nulos).

 

Nada indica que haverá um recorde de candidatos, como em 1989. Naquele ano, 21 candidatos estiveram habilitados a disputar o Planalto (o apresentador e empresário Silvio Santos seria o 22º, mas sua candidatura foi impugnada). O segundo maior número de candidatos foi em 1998, quando 12 concorreram. Agora, em 2010, é possível que essa marca seja repetida.

 

post scriptum: o internauta Igor Cerqueira, de Belo Horizonte (MG), informa: “Fiz esse levantamento dos prováveis candidatos alguns dias atrás. Você esqueceu do PCB (Partido Comunista Brasileiro) que também deverá lançar candidato. Seria Mauro Iasi ou Ivan Pinheiro”. A ver.

 

Nos posts abaixo, com a colaboração dos repórteres Edemilson Paraná e Piero Locatelli, o que dizem os possíveis candidatos nanicos deste ano de 2010.

 

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Por Fernando Rodrigues
 

1º nanico é Américo de Souza, do PSL

“Nossa representação parlamentar vai surpreender o mundo político”


Ex-ministro do TST, Américo de Souza 

O ex-ministro do TST Américo de Souza


O ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho e ex-deputado federal pelo Maranhão Américo de Souza, 77 anos, será o nome do PSL (Partido Social Liberal) à Presidência. Em 2006, Américo foi candidato a vice na chapa de Luciano Bivar, também do PSL. 

 

O Programa do PSL defende a “geral privatização praticada de forma racional e responsável, iniciando-se pelas empresas que apresentem prejuízos aos cofres públicos”. Ainda segundo o partido, “a intervenção do Estado é lastimável e inadmissível em todo e qualquer setor da vida nacional. O Estado foi criado para prestar serviços, impossíveis à iniciativa privada”.

 

Ao blog, Américo de Souza disse ter certeza da vitória em outubro.

 

Quais as expectativas do partido para a candidatura?

A nossa representação parlamentar vai surpreender o mundo político, eu asseguro. Eu acredito que nós vamos eleger uns 30 deputados federais. Adotando as propostas que o partido já absorveu como suas, nós vamos ganhar a eleição à Presidência.

 

Como o senhor tem tanta certeza da vitória diante da falta de tempo de TV e de bases eleitorais?

[A vitória] Não depende do tempo de TV. Vai depender das propostas que serão apresentadas.Visitaremos todos os estados.


E a base eleitoral?

Em 89, o Ulysses Guimarães foi candidato, tinha 26 governadores, e só obteve 4,1 %. O Aureliano Chaves era uma grande figura, homem de bem, teve pouco mais de 1%. Quem ganhou eleição, que foi o Collor, não tinha diretório, comissão, nada.

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

2º nanico é José Maria Eymael, do PSDC

“A proposta central é  a busca da felicidade”


 

 

José Maria Eymael, o "democrata cristão"

 

José Maria Eymael, 70 anos, será candidato à Presidência da República em 2010.  A decisão do PSDC (Partido Social Democrático Cristão) foi tomada no congresso nacional do partido realizado em Aracaju, Sergipe, em novembro de 2009. Aqui, programa partidário do PSDC na TV.

 

Será a terceira vez que Eymael tenta o cargo. Em 1998, foi o nono colocado entre os 12 postulantes (171.827 votos, 0,125% do total). Em 2006, a votação diminuiu e ele foi o penúltimo entre 7 candidatos (63.924 votos, 0,066% do total). No último pleito, reclamou constantemente da falta de Lula nos debates da Globo (aqui) e repetiu seu jingle à exaustão (“ei, ei, Eymael, um democrata cristão”). 

 

Em entrevista ao blog, Eymael falou das chances da sua candidatura em 2010 e da sua principal proposta, a felicidade. 

 

O senhor acha que sua votação será  melhor do que nos outros anos? 

O que nós sentimos é que hoje existe um outro cenário. Porque todas as pré-candidaturas são no mesmo estilo. Não há nenhuma alternativa no centro. E o PSDC, pelos valores que defende, é um partido do centro. Não sei prever a porcentagem, mas estaremos melhores. 

 

Quais são suas propostas principais? 

Na verdade, a proposta central, é  a busca da felicidade. Porque toda gestão pública tem que ser conduzida como uma busca só, a busca da felicidade do povo. 

 

Como assim? 

O que é felicidade para uma família? É a certeza que vai ter escola pro filho e vai ter saúde. Para o trabalhador, é a certeza que vai ter emprego. Esta é a tônica central da democracia cristã. 

 

Na prática, como um presidente pode fazer isso? 

Temos cinco ferramentas. A primeira ferramenta: cargo de gestor tem que ser cargo de carreira. Segunda: auditoria independente nas contas públicas. Terceira: planejamento. Ou seja, o conceito sempre antecedendo a ação. Quarta: controle de qualidade no serviço público. Isso pressupõe capacitação e treinamento. Quinta: que o tributo não seja instrumento de arrecadação, mas de desenvolvimento e inclusão. 

 

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

3º nanico é Levy Fidelix, do PRTB

“Aerotrem é a principal proposta, mas não é única”



 

Levy Fidelix, "o homem do areotrem"


Para quem acha que Lula foi persistente ao se eleger presidente após 3 derrotas consecutivas é porque não conhece Levy Fidelix, 58 anos. Desde 1986 ele tenta se eleger a algum cargo eletivo. Fracassou em todas as tentativas.

 

A governador de São Paulo se candidatou 2 vezes, em 1998 e 2002; a deputado federal 3, em 1986, 1990 e 2006. Tentou por duas vezes a prefeitura de São Paulo, em 1996 e 2008 e em 2004, concorreu para vereador da cidade de São Paulo.

 

Mesmo sem nunca ter sido eleito a nada, Levy Fidelix segue defendendo sua principal proposta: o aerotrem. Em todas as ocasiões em que apareceu no horário eleitoral gratuito, falou de seu projeto. A campanha consistia em mostrar um filme (aqui, vídeo 2008, da campanha a Prefeitura de São Paulo) do meio de transporte, sempre com a mesma música de fundo:

Vem, vem, vem

Vem que tem,

Levy Fidelix,

É o homem do aerotrem.

 

Neste ano, será candidato a presidente pelo PRTB. Em entrevista ao blog, comentou sobre suas chances... e explicou o que é o aerotrem.

 

O que faz do aerotrem sua principal proposta?
A mobilidade urbana é central para nós. Há anos levamos essa proposta. As cidades estão encharcadas de carros. É preciso quebrar com a lógica do transporte individual. O aerotrem é um trem em que os trilhos são suspensos no ar, diferente dos metrôs e trens subterrâneos. Por conta disso, se constrói com mais facilidade e é mais barato. Tem em Sidney, no Japão, em Dubai, o mundo todo caminha para o espaço.

 

O senhor tem outras propostas?
Sim. O aerotrem é a principal, mas não é única. Propomos, por exemplo, o programa “Cidadão da Fronteira” que dará 1 salário-mínimo para cada família que mora na fronteira do Brasil com outros países. Essas famílias garantem a nossa soberania. Outra proposta é o “Bolsa Cidadania”, em que o governo, ao registrar uma nova criança, criaria automaticamente uma conta bancária em seu nome, com R$ 1.000. Esse valor só poderia ser retirado quando a criança completasse 20 anos. Os juros fariam o dinheiro aumentar e o jovem teria um valor inicial para começar a vida.

 

Mas há recursos públicos para isso?
Sim. Tudo é como uma questão de como será aplicado o dinheiro do governo.

 

O senhor acredita na vitória nestas eleições?
Jamais. Entramos para disputar com idéias e conceitos. Acho que podemos até fazer uns 10 milhões de votos (na eleição de 2006 isso equivalia a mais de 10% dos votos válidos). Mas espero que o candidato que ganhar aplique nossas idéias para melhorar o pais.

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

4º nanico é Mario de Oliveira, do PT do B

Obama brasileiro quer 2 milhões doando R$ 20 cada pela internet

 

Mario de Oliveira, conhecido como o "Obama brasileiro"

 

O currículo do candidato do PT do B à Presidência é extenso. Mario de Oliveira Filho, 57 anos, é graduado em engenharia mecânica pela Unesp, bacharel em Direito pela PUC-SP e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP.

 

Foi engenheiro da Petrobras. Atuou como executivo no Grupo Odebrecht, desenvolvendo projetos em vários países como Portugal, Inglaterra, Rússia, Estados Unidos, Argentina, Colômbia e Venezuela. Foi presidente da multinacional Degremont e vice-presidente do Conselho de Administração da Vega Ambiental, ambas pertencentes ao grupo francês Suez. Hoje, é advogado e professor universitário em São Paulo.

 

Extrovertido, escolheu um título pitoresco para um livro que escreveu: “O entulho oculto dos privilégios oligárquicos”. A obra trata dos problemas do país e suas possíveis soluções.

 

Negro, advogado, passou a ser conhecido na internet como o “Obama brasileiro”. “As semelhanças param por aí”, diz Mario. “Sou mais parecido com o Lula por conta da origem humilde e da sensibilidade social e, ao mesmo tempo, parecido com o FHC, por conta da intelectualidade”, diz o candidato. Aqui, programa partidário do PT do B.

 

Em entrevista ao blog, Mario disse considerar praticamente certo que sua candidatura vá para o segundo turno com a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. 

 

Qual o cenário que o fará ir para o segundo turno?
Os dois principais candidatos, Serra e Dilma, terão, juntos uns 55% do eleitorado. Sobram aí, uns 45% a definir. Nós vamos ganhar esse eleitorado. Teremos no mínimo 30% e vamos para o segundo turno.


E qual será a estratégia para obter uma votação tão expressiva?
Eu sou um homem de centro. Somos a terceira via, e diferentemente deles [Serra e Dilma], já temos um projeto montado. Nesse projeto, o Estado é um regulador e indutor de desenvolvimento, que dará condições para que a iniciativa privada ajude o pais a crescer a taxas chinesas.

Mas e as estratégias?
Vamos trabalhar com mídias sociais, internet. Tenho ficha limpa, nunca me envolvi em escândalos e temos milhões de apoiadores em uma lista de emails. Tenho certeza que cada um deles vai doar pelo menos R$ 20 e teremos recursos.


Vocês tem um sistema específico para captar essas doações?
A doação será pela internet, através de transferência ou cartão de crédito. Temos 5 milhões de emails cadastrados em nossa lista e fizemos uma pesquisa que aponta que pelo menos 2 milhões irão doar. Vai depender das regras que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apresentar.

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

5º nanico é Oscar Silva, do PHS

“Proposta principal é o imposto único federal, de 2% sobre movimentação financeira”


 

O advogado Oscar Silva


Oscar Silva, 53 anos, tem certeza da vitória. Segundo ele, depois de passar para o segundo turno, seu partido, o PHS, chegará ao Planalto. “Não entramos para eleger deputados. Entramos para valer e vamos vencer”, diz ele, com o entusiasmo dos políticos.

 

Indagado sobre as estratégias que o levarão à vitória, Silva esconde o jogo. “Não da para saber, nem prever nada. Isso vai depender do rumo que tomarem as eleições”.

 

Quais são as principais propostas de sua candidatura?

Nosso plano de governo tem 12 temas. Mas a proposta principal é o imposto único federal. Queremos acabar com o imposto de renda e o IPI e substituí-los por um imposto de movimentação financeira no valor de 2%


Uma nova CPMF?

Exatamente. Há uma burocracia muito grande para arrecadar os impostos no Brasil. Nós temos estudos que provam que de cada 10 reais arrecadados 2 são gastos com a estrutura de arrecadação, servidores etc. Um imposto sobre a movimentação financeira evitaria isso. É uma economia para o pais.

 

Mas o valor deste novo imposto cobrirá os recursos arrecadados atualmente?

De acordo com os nossos estudos, sim. O IPI mais o Imposto de Renda arrecadam hoje R$ 190 bilhões. Um imposto de 2% sobre a movimentação financeira arrecadaria quase 200 bilhões. O aumento do valor arrecado é compensado pela economia dos gastos com estrutura de arrecadação. Ganha o Estado que recolhe mais impostos e ganha o cidadão que acaba pagando praticamente a mesma coisa por mais eficiência. Sem contar que nesse sistema seria mais difícil sonegar.

 

O senhor acredita na vitória mesmo com orçamento escasso e baixíssimo tempo de TV?
Não é o tempo de TV nem o dinheiro que nos fará vencer esta eleição. Iremos para o segundo turno e venceremos por conta de nossas propostas e pelo trabalho da militância de nosso partido. Visitaremos todos os estados. Nosso partido está em 1.800 cidades. Isso faz a diferença. Uma campanha muito rica é comprometedora. Trabalhamos com a meta de arrecadar R$ 10 milhões. É pouco mas queremos que os empresários que nos patrocinarem saibam que não receberão favores em troca, apenas a promessa de um país melhor.

 

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

6º nanico é Rui Costa Pimenta, do PCO

“O Brasil está fazendo sub-imperialismo no Haiti”


 

O trotskista Rui Costa Pimenta


Rui Costa Pimenta, 52 anos, foi candidato à Presidência pela primeira vez em 2002. Na ocasião, obteve 38.608 votos (0,05% do total de votos válidos).

 

Nas últimas eleições, foi candidato a vereador, a deputado federal e a prefeito de São Paulo pelo PCO (Partido da Causa Operária), legenda da qual é presidente. Perdeu todas. Aqui, propaganda eleitoral de 2006.

 

Marxista, seguidor das idéias de León Trotski, Rui Costa colocará seu nome mais uma vez à disposição dos brasileiros. Isso, se a Justiça Eleitoral permitir.

 

Em 2006, sua candidatura foi impugnada por problemas na prestação de contas. Em 2009, as contas do partido foram novamente recusadas pela Justiça. Rui Costa diz que é perseguição.

 

“A intenção do TSE é de que nosso partido não concorra. Talvez eles não gostem da nossa propaganda. Na última prestação de contas, o problema foi uma diferença de R$ 0,75. É grotesco ver a maioria dos corruptos participando de eleições e nós, que não temos dinheiro, corrermos o risco de ficar de fora novamente”, protesta o pré-candidato.

 

Em entrevista para o blog, Rui Costa Pimenta disse que sua candidatura servirá apenas para apresentar propostas.

 

 

Se o TSE permitir sua candidatura à Presidência, o que espera o PCO da disputa?

O objetivo é apresentar nosso programa. A eleição, em grande medida, é uma farsa. Há uma série de barreiras aos partidos, como recursos financeiros, acesso aos meios de comunicação e uma legislação proibitiva. Por isso, a democracia acaba sendo figurativa.O quadro é muito rígido. Dificilmente a eleição não será polarizada entre PSDB e PT.

 

E que o defenderá o programa do PCO? Apresentaremos uma crítica dura ao governo Lula, que fez uma política de favorecimento dos que sempre são favorecidos. A política econômica do Lula é a mesma do FHC e de Serra. Criticamos também a presença do Brasil no Haiti.

 

Por que?

Porque o que o Brasil está fazendo é sub-imperialismo. A tropas atuam em nome da ONU, mas a serviço dos Estados Unidos, a potência dominante. A organização política do país foi reprimida pelas tropas de ocupação. Colocaram um governo fictício no lugar no Haiti, que mostrou, com esse terremoto, não existir. O Brasil está envolvido na política dos norte-americanos.

 

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

7º nanico é Zé Maria de Almeida, do PSTU

Contra burguês, vote 16: “Só aceitamos dinheiro dos nossos trabalhadores”


O sindicalista Zé Maria


José Maria de Almeida, 52 anos, o Zé Maria, é dirigente nacional do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) e coordenador Nacional da central sindical Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas). Aqui, programa partidário do PSTU.

 

Foi candidato à Presidência por 2 vezes, em 1998 e 2002. Na primeira ocasião obteve 202.658 votos, contabilizando 0,3% dos votos válidos. Na segunda tentativa, praticamente duplicou a marca, obtendo 402.038 votos, 0,47% do total de votos válidos. Em 2006, seu partido engrossou a coligação que lançou Heloísa Helena (PSOL) candidata à presidente, a Frente de Esquerda.

 

Marxista de orientação trotskista, o PSTU defende mudanças econômicas profundas como o fim da propriedade privada, através da expropriação de grandes empresas, que ficariam a serviço da população. O número do PSTU na urna eleitoral e o slogan é sempre o mesmo, pronunciado de maneira sincopada: “Contra burguês, vote 16!”.

 

Ao blog, Zé Maria disse que a democracia no Brasil é apenas aparente e que em hipótese alguma aceitaria dinheiro de empresários na campanha.

 

Qual sua avaliação sobre o governo Lula?
O grande empresariado do país, de acordo com o próprio Lula, nunca ganhou tanto dinheiro como nos últimos 7 anos. Isso já diz muita coisa.

 

O PSTU se unirá a outros partidos para concorrer a Presidência?
O ideal seria a Frente de Esquerda, numa união com o PSOL e PCB. Mas a resposta que obtivemos foi a aproximação do PSOL com o PV. E para nós, isso [aliança com o PV] é impossível. A Marina [Silva] expressa, da mesma forma que o PSDB e o PT, os setores dominantes da sociedade. A nossa candidatura segue, então, defendendo uma frente de esquerda com PSTU e PCB.

 

Como será o financiamento de campanha?
Só aceitamos dinheiro dos nossos trabalhadores. Teremos uns R$ 200 mil. Não vai ser muito mais que isso. É o que permite que haja fidelidade entre os candidatos e mantém o compromisso do eleito com o povo.

 

Mas com isso vocês dificilmente serão eleitos...
Isso acontece porque a democracia, no que diz respeito ao processo eleitoral, é só aparente. O tempo de TV é quase simbólico. Mesmo que haja uma frente com os três partidos, a tendência é que seja menos de um minuto. A legislação permite que as empresas financiem as candidaturas. No processo eleitoral alguns candidatos gastarão R$ 250 milhões, R$ 350 milhões, igual foi com Lula e o Alckmin nas eleições passadas.

 

E os demais cargos eletivos, como deputados?
Nós vamos lutar para elegê-los, mas sem abrir mão das nossas opiniões e princípios.

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
 

8º nanico, PSOL tem 3 pré-candidatos a presidente

Disputam vaga Plínio, Babá e Martiniano Cavalcanti



Da esq. para a dir.: Babá, Plínio e Martiniano Cavalcante, os 3 pré-candidatos do PSOL


O PSOL terá candidato próprio a presidente, e não será Heloísa Helena. A mais famosa política do PSOL desta vez quer ser candidata ao Senado, por Alagoas. Assim, abriu-se um vácuo no partido.

 

O partido chegou a cogitar uma aliança com o PV, cuja candidata a presidente será Marina Silva. As negociações foram abandonadas após a aproximação do PV com a aliança DEM-PPS-PSDB no Rio de Janeiro. Aqui, propaganda partidária do PSOL.

 

O nome do PSOL para disputar o Palácio do Planalto será decidido numa disputa interna. Há 3 concorrentes: os ex-deputados Plínio de Arruda Sampaio (SP) e João Batista Oliveira de Araújo, o Babá (PA), e o presidente do diretório goiano do partido, Martiniano Cavalcanti.

 

Os pré-candidatos têm realizado intensos debates em várias regiões do país, e em algumas ocasiões chegaram a trocar acusações pessoais.

 

Plínio de Arruda Sampaio, 79 anos, intelectual da esquerda católica, foi um dos fundadores do PT em 1980. Em 1962, como deputado federal pelo PDC, foi relator do projeto de reforma agrária no governo João Goulart.

 

Babá, 56 anos, foi vereador da cidade Belém-PA (1989-1990), deputado estadual no Pará (1991-1999) e deputado federal (1999-2007). Engenheiro mecânico, pós graduado pelo ITA, trabalha atualmente como professor universitário no Rio.

 

O engenheiro civil Martiniano Cavalcanti, 51 anos, é presidente do diretório goiano do PSOL. Coordenador-geral da campanha de Heloísa Helena à presidência da República em 2006, concorreu sem sucesso à prefeitura de Goiânia em 2008, obtendo 5% dos votos.

 

A decisão deve sair até o fim de abril, quando o PSOL realiza suas prévias.

 

(Aqui, o post sobre quantos serão os nanicos na eleição presidencial de 2010)

 

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Por Fernando Rodrigues
21h49 - 16/03/2010
 

Decisão sobre Arruda é o jetinho brasileiro no seu melhor

 

José Roberto Arruda foi o pivô do mais bem documentado escândalo de corrupção da história brasileira. Ele alega ser inocente. Mas vídeos em profusão mostraram seus aliados escondendo maços de dinheiro nos lugares mais recônditos de suas vestimentas.

 

O caso estourou em novembro de 2009. O Democratas, de maneira pusilânime, não o expulsou do partido de maneira imediata. Negociações de bastidores ocorreram para que Arruda saísse sozinho da sigla.

 

Agora, o governador de Brasília está sendo cassado por um crime que, a rigor, não cometeu: o TRE de Brasília o cassou por infidelidade partidária. O que ocorreu, na realidade, foi que o Democratas (ex-Arena e ex-PFL) forçou Arruda a sair do partido. Só quem chegou de Marte agora não conhece essa história.

 

A decisão é conveniente a todos. É o jeitinho brasileiro elevado à máxima potência.

 

Se não recorrer da decisão, Arruda não é mais governador. Logo, não tem mais o poder do cargo para obstruir a Justiça –e pode, rapidamente, sair da cadeia.

 

Na Câmara Legislativa do Distrito Federal (essa anomalia), o processo de impeachment contra Arruda também terá de ser extinto. Afinal, como levá-lo adiante se não há mais ninguém para ser afastado? post scriptum: sim, claro, os nobres e íntegros deputados distritais até poderiam continuar o processo para tornar Arruda inelegível. Ganha uma viagem de ida para Brasília (sem volta) quem acreditar nessa hipótese.

 

A intervenção federal em Brasília também perde força.

 

Por fim, o próprio Arruda pode dar uma sumida e voltar quando bem entender candidato a alguma coisa –pois ele só perdeu os mandatos, não seu direito de concorrer nas próximas eleições.

 

É o início de um final melancólico para o grande escândalo que foi e tem sido o mensalão do DEM, em Brasília.

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Dilma não vai à festa de aniversário de Dirceu

 

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) decidiu não ir à festa de aniversário do ex-ministro José Dirceu, hoje (16.mar.2010) a noite. Preocupada com interpretações a respeito de sua proximidade com Dirceu, a pré-candidata a presidente pelo PT preferiu cumprimentar seu antecessor por telefone.


A festa de aniversário de Dirceu tem sido anualmente uma oportunidade para que petistas façam um ato de desagravo ao ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado federal, que caiu em desgraça por causa do escândalo do mensalão.


Dirceu, que hoje completa 64 anos, gosta de comemorações e costuma aproveitar seu aniversário para fazer política. Em 2009, celebrou 3 vezes: com a família, com “a turma de 68” e com “os amigos de Brasília” –na ocasião, reuniu nove ministros, o vice-presidente, José Alencar, e líderes do PT.


Neste ano de 2010, entretanto, a proximidade das eleições de outubro pode esvaziar um pouco o evento. A imagem polêmica de Dirceu não agrada a quem vai pedir voto aos eleitores.


A festa será no Lago Norte, em Brasília, na residência do empresário Jorge Ferreira, dono de uma rede de bares e restaurantes, e amigo de Dirceu. 

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Eleição será menos transparente, dizem procuradores

 

Para os procuradores regionais eleitorais, a eleição deste ano será menos transparente. Isso, segundo eles, por conta das alterações aprovadas na legislação com a minirreforma eleitoral de 2009. De acordo com os procuradores, “a nova lei (12.034/2009) retrocedeu no quesito da transparência das contas eleitorais dos candidatos, coligações e partidos”.


A crítica foi manifestada em uma carta elaborada pelos procuradores após um evento em Brasília, que, nos dias 10 a 12 de março, debateu a atuação do MPF (Ministério Público Federal) nas eleições de 2010 (Aqui, a íntegra da carta).


No texto, os procuradores argumentam contra o curto prazo de 15 dias, a partir da diplomação de um candidato, fixado pela lei para que o Ministério Público apresente denúncia por gastos ilícitos de recursos de campanha. Segundo eles, “o prazo inviabiliza a produção de prova suficiente dessas irregularidades, que não raro exigem providências de acesso a dados bancários e fiscais”.


Outra mudança na lei, que agora passa a permitir candidatos que tiveram suas contas rejeitadas pela Justiça Eleitoral a concorrer novamente, também foi motivo de protesto na carta.


Os procuradores manifestaram-se ainda contra a “flexibilização das regras sobre propaganda eleitoral” e “o uso da máquina administrativa e a compra de votos”. “A liberdade de imprensa e a regular divulgação de atos parlamentares não podem servir de pretexto para a campanha antecipada”, disseram.


No texto, os procuradores solicitaram a aprovação pelo Congresso Nacional, do projeto de lei “ficha-limpa”, que torna inelegíveis candidatos com condenações na Justiça. 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Cartilha do governo regula conduta nas eleições

  • AGU lança normas para disciplinar conduta de funcionários públicos durante as eleições

  • Aqui, a íntegra da cartilha

 

A AGU (Advocacia-Geral da União) lançou na manhã de hoje (16.mar.2010), em reunião no gabinete pessoal do presidente da República, uma cartilha sobre conduta de agentes públicos em período eleitoral. O objetivo da cartilha é disciplinar o comportamento dos funcionários públicos, dizendo o que é permitido e o que é proibido durante as eleições deste ano. Aqui, o documento em formato pdf.

 

O texto foi apresentado pelo ministro Luís Inácio Lucena Adams, advogado-geral da União, em reunião com a presença de representantes de todos os ministérios.

 

O governo resolveu editar a cartilha depois de sofrer várias contestações da Justiça. Um dos trechos do texto mostra com clareza o objetivo da iniciativa: "O ato do agente público é ilícito quando sua ação intervier no processo político-eleitoral, beneficiando partido, coligação ou candidato, de maneira a influenciar a consciência eleitoral do cidadão", e alerta que "atos que desviam da sua finalidade pública podem ser considerados de improbidade administrativa".

 

Entre as regras de anunciadas está a de que integrantes do governo não devem usar seus computadores e aparelhos de celulares funcionais para escrever mensagens em redes sociais como o Twitter e o Facebook (sobretudo mensagens de conteúdo político-eleitoral). Os nomes dessas redes sociais não são mencionado explicitamente, mas a AGU informa que a regra está contida na conduta geral dos servidores públicos –como informou post aqui do dia 10.mar.2010 sobre o assunto.

 

Esta não é primeira cartilha com regras de conduta produzida pelo governo. Em outras duas ocasiões –em 2006 e 2008– o governo lançou cartilhas para disciplinar o comportamento dos funcionários públicos durante as eleições. Aqui (2006) e aqui (2008), as cartilhas de 2006 e 2008, do Ministério do Planejamento e aqui, cartilha de 2008 da AGU.

 

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Por Fernando Rodrigues
22h41 - 14/03/2010
 

Poder e política na semana – 15 a 19.mar.2010

 

Lula no Oriente Médio tentando ajudar a construir a paz num cenário historicamente conflagrado. Em Brasília, Câmara tenta fazer agenda mínima para o semestre. O Banco Central define a taxa de juros, com possível alta.

 

Na sucessão presidencial, Dilma (PT) segue em campanha disfarçada. Serra (PSDB) segue disfarçando para não se lançar já oficialmente. E os tucanos mineiros farão um “mise-en-scène” para jurar fidelidade a Serra.

 

E nova pesquisa eleitoral (Ibope) para presidente, possivelmente na 4a feira. A seguir, o que vai mover o mundinho da política e do poder na semana que começa:

 

 

Segunda (15.mar.2010)

Mensalão do DEM – CPI da Codeplan começa seus trabalhos às 15h na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

 

Tucanos mineiros juram fidelidade a Serra – Executiva do diretório mineiro do PSDB se reúne para firmar uma posição de apoio incondicional à Serra como candidato a presidente.

 

Fiesp e Samuel Pinheiro – o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Samuel Pinheiro, explica ao Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, em São Paulo, os planos de longo prazo para a formulação de uma estratégia nacional, e os principais desafios para consolidá-los.

 

Gilmar Mendes na Alemanhano Consulado Geral do Brasil em Frankfurt (Alemanha), presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes participa da cerimônia de condecoração de dois integrantes do Grupo Luso-Alemão de Direito, professores Herbert Kronke e Thomas Pffeifer.

 

Lula em Israel  petista será recebido pelo presidente Shimon Peres, pelo primeiro-ministro Binyamin Netanyahu e pelo Presidente do Parlamento (Knesset), o deputado Reuven Rivlin. Receberá também a líder da oposição, a Deputada Tzipi Livni. Lula discursará no plenário do parlamento israelense.  Em companhia do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), que é judeu, o presidente visitará o Memorial do Holocausto e plantará árvore no Bosque de Jerusalém.

Comentário do blog: essa viagem é talvez a maior aposta da diplomacia lulista. O presidente diz acreditar poder ajudar a construir a paz na região. A ver.

 

 

Terça (16.mar.2010)

Lula na Palestina presidente Lula se reúne com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, em Belém, onde também visitará a Basílica da Natividade.

Comentário do blog: segue a estratégia. A ver.

 

Copom – Conselho de Política Monetária do Banco Central se reúne por 2 dias para definir a taxa Selic.

 

Reunião de líderes na Câmara – junto com o presidente da Casa, Michel Temer, decidem quais serão os projetos prioritários e o calendário de votações para este semestre.

Comentário do blog: o ano será quase inútil no Congresso.

 

Viagem de Tancredo – ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, lança, em São Paulo, o livro "Diário de Bordo - A Viagem Presidencial de Tancredo". Ricupero foi assessor internacional do presidente eleito Tancredo Neves.

 

TRE-DF julga Arruda – a Justiça Eleitoral de Brasília pode cassar o governador local, José Roberto Arruda, que está preso. Razão: infidelidade partidária, uma vez que Arruda se desfiliou do DEM. O processo foi iniciativa do Ministério Público Eleitoral.

 

 

Quarta (17.mar.2010)

Lula em Ramala na cidade palestina, Lula inaugurará a Rua Brasil, próxima ao complexo presidencial da Autoridade Palestina. Depositará oferenda floral no Mausoléu de Yasser Arafat e participará de conferência de imprensa. Está programada a assinatura de acordos de cooperação técnica, educacional e cultural e memorandos sobre saúde, esportes e turismo.

Comentário do blog: segue a estratégia. A ver.

 

Nova Selic – fim da reunião do Copom e divulgação da nova taxa Selic.

Comentário do blog: indicação é que haverá uma alta ou sinalização de viés de alta.

 

Mega-fusões – Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural instala e elege presidente da subcomissão especial para acompanhar os processos de fusão entre Perdigão e Sadia, JBS e Bertim, Marfrig e Seara, e avaliar a legislação sobre o tema.

 

Arruda na prisão – Os ministros do STJ julgam pedido de relaxamento de prisão de José Roberto Arruda, governador detido. Basta a defesa de Arruda requerê-la.

Nova pesquisa presidencial – deve ser divulgado levantamento do Ibope. Solicitada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), a pesquisa está registrada desde o dia 09.mar.2010 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Dúvida do blog: curvas de Serra e Dilma vão se cruzar ou haverá mudança de trajetória?

 

Quinta (18.mar.2010)
Mais Lula no oriente médio
 Na Jordânia, presidente terá jantar com o Rei Abdullah 2º. Visita presidente do Senado, Taher Masri, e terá reunião com o primeiro-ministro Samir Rifai.

PRB em rede nacional – partido terá seus 5 minutos no rádio e na TV.

Homenagem a Joaquim Nabuco – Senado faz, em plenário, homenagem ao escritor e diplomata brasileiro, Joaquim Nabuco (1849-1910).

Sexta (19.mar.2010)
Caged
– Ministério do Trabalho e Emprego divulga os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) referentes ao mês de fevereiro.

 

Por Fernando Rodrigues
 

Trem-bala no EUA: como aqui, muito dinheiro público e sem tecnologia mag-lev

Vale para leitura no domingo. Tal como no Brasil, nos EUA há vários projetos de trens-bala para os próximos 15 anos. Uma reportagem na Wired de fevereiro (em inglês) detalha os projetos (imagens abaixo).

 

Dá para intuir que lá, tal como no Brasil, a tecnologia que está sendo privilegiada é sobre trilhos, convencional. Nada de mag-lev, na qual se utiliza um sistema eltromagnético que faz o trem “flutuar” e ser ainda mais rápido.

 

Também nos EUA, o grosso dos investimentos deve vir mesmo dos cofres públicos (como no trem-bala que vai ligar Rio a São Paulo, uma das principais obras do PAC). Isso não fica bem explicado na reportagem da Wired, mas veja o que é dito sobre o sistema da Califórnia: “Em 2008, os eleitores aprovaram cerca de US$ 10 bilhões para começar [o custo total será de US$ 45 bilhões], e alguns dos estudos de impacto ambiental já estão quase prontos. Mas qual é o principal ponto a favor da Califórnia? Ego. O governador [republicano] Arnold Schwarzenegger quer deixar esse sistema como seu legado". 

 

(alguém disse Lula-Dilma querendo deixar uma marca de grande obra no eixo Rio-SP?).

 

Em outro trecho da reportagem, um inequívoco sinal de que os norte-americanos não enxergam nada de errado (e parecem até admirar) o emprego de dinheiro público na construção de grandes obras de infra-estrutura como o trem-bala: “Os EUA têm esperança de ter linhas de trem de alta velocidade operacionais na próxima década. Parece impossível? Não é. Outros países já mostraram o caminho. Em 1990, a rede ferroviária da Espanha estava num estado ainda pior do que a dos EUA hoje: trens lentos e equipamento dilapidado. Então o governo se comprometeu a modernizar. A Espanha tem agora uma das mais extensas redes de trens de alta velocidade do mundo”.

 

Abaixo, algumas imagens da reportagem da Wired sobre trens-bala. Mas vale mesmo a pena ler o texto completo (aqui, em inglês).

 

 

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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