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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

10h28 - 05/12/2009

A pior semana do ano para a trinca PSDB-DEM-PPS

Coluna de hoje (5.dez.2009), na Folha:

 

FERNANDO RODRIGUES

A pior semana da oposição

BRASÍLIA - Acaba hoje talvez a pior semana para a oposição num ano que já havia sido péssimo para a trinca PSDB-DEM-PPS. Nem o petista mais otimista poderia imaginar um presente de Natal antecipado e assim tão completo.


As três principais siglas anti-Lula foram chamuscadas ao mesmo tempo. O mensalão do DEM quase derrubou o único governador da sigla, José Roberto Arruda, em Brasília. O Supremo Tribunal Federal abriu ação para apurar o mensalão do PSDB, no qual o ex-presidente nacional da sigla Eduardo Azeredo é acusado de ser um dos mandantes. E o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, foi citado como beneficiário de propinas do panetonegate candango. Todos, por óbvio, negam ser culpados.


De camarote enquanto flanava pela Europa, Lula também observou de longe vários nomes da cúpula do PMDB serem mencionados no mensalão de Brasília. Para o PT, é uma benção manter os peemedebistas acuados. Há uma redução natural na voracidade atávica por cargos e verbas em troca do apoio a Dilma Rousseff em 2010.


Mesmo antes dos fatos devastadores recentes, as coisas já não estavam bem na seara da oposição. No final do ano passado, a Justiça Eleitoral havia cassado o então governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Há alguns meses, a governadora tucana do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, sofreu uma ameaça de impeachment.


A cereja do bolo da má fase da oposição é a renitente rixa entre José Serra e Aécio Neves sobre quem deve ser e quando será anunciado o nome do candidato a presidente pelo PSDB. Antes de saber o desfecho da disputa entre ambos, uma avaliação é unânime no meio político: seja quem for o ungido, terá de enfrentar o corpo mole do perdedor do embate interno.


O impacto de toda essa desgraça em 2010 ainda é incerto para tucanos e "demos". Mas, certamente, bom o efeito não deve ser.


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Por Fernando Rodrigues
19h15 - 04/12/2009

PDT vai ao STF contra minirreforma eleitoral

Uma grande dor de cabeça está a caminho para políticos e partidos em 2010. O PDT está questionando no Supremo Tribunal Federal diversos aspectos da lei eleitoral aprovada em setembro passado –e que vai regular as disputas do ano que vem.

 

O mentor intelectual da ação direta de inconstitucionalidade (ADI 4352) contra a Lei 12.034/09 é o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ). Um dos mais experientes congressistas na Câmara, ele já causou um terremoto em 2002: uma ação de Miro provocou o STF a adotar a regra da verticalização (as alianças nos Estados tiveram de ser coerentes com as coalizões partidárias no plano federal; hoje, essa regra não existe mais).

 

Desta vez, Miro Teixeira ataca diversos dispositivos da lei eleitoral. Por exemplo, as regras para debates em rádio e TV, a proibição de propaganda paga na internet, as normas sobre inelegibilidade e seus prazos e o formato da prestação de contas.

 

A ação do PDT pede uma liminar (decisão provisória) para que o STF suspenda os dispositivos questionados até o julgamento final. O processo terá como relator o ministro Eros Grau.

 

Aqui, a notícia no site do STF.

 

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Por Fernando Rodrigues

PMDB reúne Executiva para discutir mensalão do DEM

 

A crise política chegou também em cheio para o PMDB. A direção nacional da sigla marcou uma reunião para quarta-feira (9.dez.2009), às 10h. A pauta será discutir o envolvimento ou citação de nomes do partido no escândalo já conhecido como mensalão do DEM em Brasília.

 

Vários caciques peemedebistas foram citados numa das gravações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O empresário Alcyr Collaço afirma que os deputados do PMDB Michel Temer (SP), Henrique Eduardo Alves (RN), Eduardo Cunha (RJ) e Tadeu Filippelli (DF) seriam beneficiados pelo mensalão do DEM. Todos negam envolvimento no episódio e declararam ter intenção de processar Collaço.

 

A reunião da cúpula do PMDB na quarta-feira ocorrerá na véspera do encontro marcado pelo DEM para decidir sobre o futuro na legenda do governador de Brasília, José Roberto Arruda.

 

Até agora um pouco à margem do escândalo de Brasília, o PMDB acabou sendo tragado pelas acusações em série presentes nas gravações em vídeo do mensalão do DEM. O peemedebista Michel Temer está cotado para ser o candidato a vice-presidente numa chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT). A citação a respeito de Temer, embora sem o acompanhamento de provas, prejudica a formação da aliança tal como imaginada pelos dois partidos.

 

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Por Fernando Rodrigues

PT, GM e Ford, uma simbiose rara na propaganda

Parece até que foi combinado. A linguagem dos comerciais de PT, GM e Ford são muito semelhantes: dificuldades vencidas, obstáculos transpostos e o sucesso final.

 

Trata-se de uma simbiose o público e o privado. Um conceito quase idêntico. Falam a mesma língua as montadoras de automóveis (um dos setores mais favorecidos pelas medidas anti-crise como a redução de impostos) e o Partido dos Trabalhadores (a legenda que deseja ganhar mais 4 anos no Planalto em 2010).

 

É só assistir e comparar:

 

Os obstáculos do PT:


 

 

Os obstáculos da Ford:


 

 

A GM e as vitórias do Brasil:


 

Depois de assistir a esses 3 comerciais, cabe a pergunta: quem é governo e quem e iniciativa privada?

 

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Por Fernando Rodrigues
08h58 - 03/12/2009

Kassab espera defesa de Arruda e esfria onda pró-expulsão

 

Diferentemente do que se fala nos salões do Congresso, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não dá como certa a expulsão partidária do governador de Brasília, José Roberto Arruda. Também filiado ao Democratas, Arruda ganhou prazo até quinta-feira da semana que vem (10.dez.2009) para se defender.

 

Em entrevista hoje de manhã (3.dez.2009) para a rádio Jovem Pan, Kassab disse: “Eu defendi a abertura do processo de expulsão com o direito de defesa”. O prefeito paulistano disse acreditar “que é muito difícil a situação do governador”, mas não quis antecipar previsões sobre o desfecho do episódio.

 

Para Kassab, as acusações contra Arruda “são gravíssimas, com muita consistência”, mas que precisam ser comprovadas. Só então, “sendo ratificadas as denúncias”, defende “que as punições sejam exemplares”.

 

Indagado se as explicações de Arruda dadas até agora são suficientes, Kassab respondeu que não. Disse que os vídeos e os áudios são “quase autoexplicativos”, mas sempre faz uma ressalva: “O governador tem o direito à defesa”.

 

Essas declarações de Kassab são relevantes para Arruda. O prefeito de São Paulo é hoje a principal estrela do Democratas, ocupando o cargo eletivo mais importante conquistado pela sigla. Poderia dizer em público ser a favor da expulsão. Só que Kassab foi prudente e deu o benefício da dúvida para Arruda.

 

Enquanto o líder do DEM na Câmara, deputado Ronaldo Caiado (GO) diz ser certa a expulsão partidária do governador de Brasília, o prefeito Kassab coloca água na fervura. Repete sempre ser necessário aguardar até a defesa completa de Arruda ser apresentada.

 

É uma estratégia política que revela a temperatura do escândalo já chamado de mensalão do DEM. Ao conceder tempo para Arruda se defender, o partido está também se ajustando nos bastidores e verificando todas as conveniências de expulsar ou não o governador de Brasília.

 

Em um trecho de sua entrevista à rádio Jovem Pan nesta quinta-feira (3.dez.2009), Kassab foi questionado de forma direta se ele receberia também mensalão. “Evidente que não”, respondeu.

 

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Por Fernando Rodrigues
06h28 - 02/12/2009

Arruda diz ter recebido dinheiro só uma vez

O governador de Brasília, José Roberto Arruda (DEM), deu uma entrevista ontem (1.dez.2009) à noite para a Folha. Basicamente, repetiu todos os seus argumentos já conhecidos. Insistiu muito com a versão de que tudo foi uma trama "engendrada pelo Roriz". E que o vídeo no qual aparece recebendo dinheiro de Durval Barbosa foi um episódio único. Abaixo, a entrevista.

 

FERNANDO RODRIGUES

da Folha de S.Paulo, em Brasília

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), disse ontem que só recebeu dinheiro uma vez diretamente de Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais --no vídeo já mostrado amplamente na mídia.

Recebeu outras contribuições de Durval, mas por meio de "outras pessoas". Arruda faz sempre questão de mencionar que os vídeos agora divulgados foram gravados quando ele ainda não era governador de Brasília. Ele considera tudo uma trama engendrada por seu adversário político local, Joaquim Roriz (PSC).

No último dia 21 de outubro, quando recebeu Durval portando uma mala com R$ 400 mil, disse não ter visto o dinheiro. Recusa-se a explicar o conteúdo do diálogo, gravado em áudio monitorada pela Polícia Federal.

FOLHA - Por que o sr. manteve Durval Barbosa em seu governo?
JOSÉ ROBERTO ARRUDA Esse cidadão durante oito anos foi presidente da Codeplan, a empresa de informática do governo Roriz. Os gastos ali eram da ordem de R$ 500 milhões por ano. Ele, como outras pessoas do governo Roriz, vieram me ajudar na campanha. Quando terminou a eleição ele desejava continuar na mesma posição. Na transição, já avisado que tinha problemas nessa área, mas, por outro lado, muito grato à ajuda que ele tinha me dado na campanha --ajuda política, inclusive, trouxe apoio partidários, de deputados, evangélicos, o diabo a quatro. Eu então...

FOLHA - Ele deu ajuda tanto política quanto financeira para sua campanha?
ARRUDA - Eu diria que mais política que financeira. Porque a financeira, ao que eu saiba, ele pode ter intermediado apoios empresariais. Mas não dele diretamente. Eu não controlava. Para mim, pessoalmente, ele deu o que aparece naquele vídeo que apareceu, que deve ser de dezembro de 2004 ou dezembro de 2005. Foi para as minhas campanhas sociais de final de ano que eu faço há dez anos. Virou piada, porque é panetone, mas no fundo é verdade mesmo. Eu entrego panetone nas creches, nos asilos, tudo isso. Essa [doação em dinheiro de Durval] foi a única que eu recebi pessoalmente. Mas na campanha ele foi para o comitê. Ajudou muito.

FOLHA - Sim, mas aí o sr. o recolocou em seu governo?
ARRUDA - Terminada a eleição, e [ele] querendo ir para esse posto [Codeplan], eu achei que não deveria. Fui avisado inclusive pelo Ministério Público que ele não deveria ir, porque iria me dar problema. Não deixei ir para o mesmo cargo, mas coloquei-o num outro, mais burocrático, sem orçamento. E reduzi de R$ 500 milhões para R$ 130 milhões os gastos anuais com informática. Neste ano, vai chegar a R$ 209 milhões, mas ainda menos da metade do que no governo Roriz.

FOLHA - Sim, mas isso não resolveu o fato de Durval ter permanecido no seu governo...
ARRUDA - Mas isso foi gerando nele e nos grupos empresariais que foram prejudicados muita raiva. Mais tarde, uma aliança natural entre ele e o Roriz. Tanto que o porta-voz dele, hoje, são as pessoas do comitê do Roriz, [o deputado federal] Laerte Bessa [PSC-DF] e companhia. O Roriz dias antes dessa operação já a anunciava. Deu entrevistas. Na véspera, jantou com alguns jornalistas e disse que iria balançar Brasília. Na verdade, o Roriz acho que não ganharia mais de mim nas urnas e tentou fazer um grande escândalo.

FOLHA O episódio gravado em vídeo entre o sr. e Durval, no qual o sr. recebe R$ 50 mil, foi o único no qual o sr. recebeu dinheiro diretamente dele?
ARRUDA - Primeiro, não sei se foi R$ 50 mil. Eu acho que foi R$ 20 mil ou R$ 30 mil. Não sei. Que eu recebi diretamente, foi [a única vez]. Nos outros anos -2003, 2004, 2005 e 2006- ele também ajudou.

FOLHA - E como ele dava o dinheiro?
ARRUDA - A outras pessoas. Não diretamente a mim. Mas ele ajudou. Nessas campanhas de final de ano, eu pedia ajuda a pessoas físicas e jurídicas. Mais de 60. O Carrefour sempre dava. O Planaltão, o Super Maia [supermercados de Brasília]. Com esses recursos eu fazia festas nas creches e nos asilos. Há dez anos que eu faço isso.

FOLHA - Mas como o sr. declarava esses recursos?
ARRUDA - Não declarava. Eu pegava apenas os recibos das instituições. Fazia a festa, distribuía os cartões de Natal.

FOLHA - Não teria sido mais prudente registrar obedecendo o que manda a Receita Federal?
ARRUDA - Eu nunca me perguntei isso. Não sei te dizer. A verdade é que eu fiz uns dez anos. Mas nunca teve nada escondido, não. O Carrefour por exemplo me doava oficialmente.

FOLHA - E sempre foi assim?
ARRUDA - Neste ano de 2009, lá para março, eu peguei todos esses recibos e o livro de doações e registrei no Tribunal Eleitoral sem os recibos. Só a lista de doações. Para fazer a seguinte pergunta: como este ano é pré-eleitoral eu poderia fazer a mesma coisa sem que isso fosse crime eleitoral? O tribunal analisou e disse que não tinha problema. E arquivou, inclusive.

FOLHA - O sr. registrou todos os anos anteriores agora?
ARRUDA - Todos os anos anteriores.

FOLHA - Inclusive os registros que o sr. solicitou ao Durval que assinasse agora?
ARRUDA - Não, aí é outra história?

FOLHA - Qual é?
ARRUDA - Tem um livro de ouro no qual o nome dele consta e já estava lá no TRE. Todas as pessoas que doavam eu mandava uma cartinha agradecendo e prestando contas das entidades que receberam os recursos. Eu assinava e mandava esse recibo para todos. Todos recebiam e me mandavam o contrarecibo. Mas nem todos enviavam esse contrarecibo. Como ele não me mandou os contrarecibos e já havia os boatos de que teria vídeos e faria chantagem, eu o chamei pessoalmente e disse que todos os que doaram assinaram o contrarecibo. E ele assinou.

FOLHA - Como ele reagiu e quando foi esse encontro?
ARRUDA - Ele reagiu muito bem. "No problem". Foi recentemente.

FOLHA - Esses recibos serão periciados, pois suspeita-se que haveria uma ilegalidade...
ARRUDA - Não, o que é ilegal é fazer recibo com data anterior. Esses têm a data atual. E ele poderia não ter assinado se não quisesse.

FOLHA - Apesar dessas suas explicações todas, como um político experiente como sr., governador do Distrito Federal, sabendo com quem tratava, manteve Durval no cargo de secretário de Relações Institucionais?
ARRUDA - Respondo em duas partes. Primeiro, grande parte, se não todos esses vídeos que estão sendo divulgados dele dando dinheiro para quem quer que seja, referem-se ao período do governo anterior ao meu. Inclusive o meu próprio [vídeo], que foi em 2004 ou 2005. Eu não sei precisar. Segundo, até próximo à minha posse nem eu nem ninguém em Brasília tinha essa imagem. Ele foi uma pessoa extremamente útil na campanha.

FOLHA - Mas depois o sr. soube?
ARRUDA - O Ministério Público me informou que ele não deveria ficar na área de informática.

FOLHA - Mas ele ficou no governo. Não é a mesma coisa?
ARRUDA - Aí... é verdade. Eu o deixei num cargo burocrático, sem orçamento. Eu ganhei eleição por dentro, então herdei muita gente que trabalhou com o Roriz.

FOLHA - O sr. já está com quase três anos de governo. Nunca percebeu que Durval cometia atos impróprios e deveria ser demitido?
ARRUDA - Sinceramente, não.

FOLHA - Nunca?
ARRUDA - Houve dois momentos em que eu fiquei com a orelha em pé. Eu tinha criado uma agência técnica de informática. Fui avisado que nessa agência ele ainda exerceria influência. Eu extingui a agência. Demiti os servidores sob suspeita. O outro episódio foi esse, quando chegaram boatos dizendo que ele mostrava o tal vídeo no qual eu aparecia recebendo dinheiro.

FOLHA - O que o sr. fez?
ARRUDA - Eu o convidei a vir aqui. Tive uma conversa amistosa. E eu falei o que me diziam. Ele falou que não era assim. Foi quando eu mostrei o recibo de todos que haviam doado. Falei que ele deveria assinar. Ele me perguntou como fazer para declarar no Imposto de Renda e eu disse: "É um problema seu".

FOLHA - No encontro do dia 21 de outubro entre o sr. e o Durval ele portava uma mala com dinheiro...
ARRUDA - Eu não sei. Ele estava com uma pasta.

FOLHA - Ele mostrou o dinheiro para o sr.?
ARRUDA - Não. Não mostrou nada disso. Nem disse que estava com ele. Disse que o empresário queria fazer uma doação. Eu disse que não estava em campanha. O ano que vem eu vou ver isso. Agora, tem várias pessoas em campanha. Ajude os aliados. Isso eu falei.

FOLHA - O sr. está seguro que ele não mostrou o dinheiro?
ARRUDA - Estou seguro. Mas está no inquérito que o equipamento de filmagem superaqueceu. Eu me pergunto, se ele tivesse aberto uma mala de dinheiro, será que teria dado o mesmo defeito no equipamento?

FOLHA - O que o sr. está sugerindo?
ARRUDA - Nada. Só acho esquisito.

FOLHA - Mas nesse diálogo do dia 21 de outubro, o sr. fala várias vezes de despesas mensais com políticos, diz ser necessário unificar. O que é tudo isso?
ARRUDA - Tem muitas coisas misturadas. Tem pedaços que eu tenho certeza que a gente falava de um sujeito que indicou cargos numa administração e estava duplicando cargos numa outra.

FOLHA - Como assim?
ARRUDA - Há um exemplo do deputado Pedro do Ovo [PRP]. Ele tinha indicado pessoas para 12 cargos num valor total de R$ 15 mil de salários somados. Ele estava pedindo outros 15. Aí eu disse não.

FOLHA - Onde Pedro do Ovo tinha esses cargos?
ARRUDA - Ele tinha no Procon, no Conselho de Trânsito e na Administração do Gama [cidade-satélite].

FOLHA - A propósito, é correto ficar distribuindo cargos públicos para deputados preencherem com quem muitas vezes não trabalha como deve?
ARRUDA - É próprio que os deputados da base de apoio ao governo tenham alguns cargos nos quais as pessoas possam dar alguma contribuição. Eu diminui os cargos. Tinha 20 mil cargos em comissão. Reduzi para 10 mil. Pedro do Ovo foi o mais votado no Gama. Ele tem uma influência. Então algumas pessoas de influência política dele são chamadas para a administração para me ajudar.

FOLHA - Esse diálogo do dia 21 contém outros trechos que indicam sua participação numa conversa sobre divisão de dinheiro...
ARRUDA - Sobre esse diálogo eu não vou mais fazer comentários por uma razão: os meus advogados estão estudando isso. Essas supostas falhas técnicas precisam ser estudadas. Eu acho que está tudo muito truncado e esquisito. Olha, filme de bandido e mocinho, muitas vezes no meio do filme a gente acha que o bandido é o mocinho. No final, as coisas sempre ficam claras.

FOLHA - Apesar de todos os indícios o sr. está dizendo que não cometeu erros?
ARRUDA - Posso ter me equivocado ao manter no governo pessoas como essa [Durval].

FOLHA - O sr. nunca conseguiu discernir o que fazia essa pessoa?
ARRUDA - Ele ocupava uma posição secundária. As coisas que eu pedia, ele sempre me atendia muito bem. Um processo no Tribunal de Contas, uma pesquisa. Não me lembro de coisas erradas.

Mas eu sabia que ele e empresários amigos dele do governo anterior estavam insatisfeitos comigo, pois os cortes foram grandes. Mas eu tentava fingir que não via para não causar problemas.

FOLHA - Mas governador, são tantos vídeos com ele dando dinheiro para tanta gente, inclusive para o sr., e mesmo assim o sr. está dizendo que nunca soube de nada?
ARRUDA - Sinceramente, não. Nos últimos meses, começaram a surgir esses boatos. Coincidiu com a saída de Roriz do PMDB. O Roriz saiu no dia 16 de setembro. No dia 15 de setembro ele [Durval] recebeu uma condenação. No dia 17 ele fez a denúncia.

FOLHA - O que o sr. falou ao Democratas?
ARRUDA - Pedi ao partido que me ouça. A minha defesa será isso que estou falando.

FOLHA - Se o partido radicalizar, o sr. também vai radicalizar?
ARRUDA - A conversa foi cordial. Eu até brinquei e disse a eles que queria que me tratassem como o PSDB tratou a Yeda [Crusius, do PSDB, governadora do Rio Grande do Sul, ameaçada de impeachment].

FOLHA - Ocorre que trata-se de um problema político.
ARRUDA - Sim, mas essas imagens são quase todas, ou todas elas, do governo anterior.

FOLHA - Se o DEM resolver expulsá-lo, como o sr. reagirá?
ARRUDA - Daí, vamos pensar. Não quero criar problemas para ninguém.

FOLHA - Se for expulso, o sr. ficaria sem partido. Não disputaria então cargos em 2010?
ARRUDA - Essa coisa engendrada pelo Roriz é com medo de me enfrentar nas urnas. Eu gostaria muito de ultrapassar esse episódio, mostrar quem é quem, e depois poder enfrentá-lo nas urnas para poder comparar os dois governos.

FOLHA - E a organização das obras para a Copa do Mundo? Com a saída de Fábio Simão [responsável pelos contatos do governo de Brasília com a CBF] haverá algum atraso.
ARRUDA - Ele não cuidava disso. Quem cuida disso é a Novacap. E também é preciso ver porque parece que não há nada contra ele nesse processo.

FOLHA - Ele pode retornar ao governo?
ARRUDA - Se não tiver nada, pode. Por que não?

FOLHA - O sr. entrou em contato com Aécio Neves (governador de Minas Gerais) para tratar desse caso?
ARRUDA - Não.

 

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Por Fernando Rodrigues
13h49 - 01/12/2009

Comercial do PT segue onda da “publicidade-exaltação”

Enquanto oposição se esvai com mensalão do DEM, petistas falam de conquistas do país

 

Hoje (1.dez.2009) à noite entra no ar o comercial do PT de 30 segundos que será exibido em mídia nacional. Com belas imagens de um corredor negro pulando obstáculos, a temática do filme é muito semelhante à do automóvel Agile, da Chevrolet/GM. O roteiro exalta os “tabus” que foram quebrados no país ao longo do governo Lula.

 

“Era impossível crescer e distribuir renda”, diz o comercial. O corredor pula um obstáculo no qual está escrito “distribuir renda”. E o locutor: “Tabu quebrado”. Em outro trecho, ouve-se: “O Brasil nunca pagaria sua dívida externa”. O corredor pula o obstáculo “dívida externa”. E o locutor: “Tabu quebrado”. Ao final, fala-se que o país quebrou tabus e se tornou um “país vencedor”. E o slogan: “PT, vamos em frente com fé no Brasil” –uma frase já usada em comerciais regionais recentes, nos quais a estrela foi Dilma Rousseff (post abaixo).

 

A exaltação dos feitos do governo Lula já estão em algumas propagandas da iniciativa privada, como mostrou reportagem de Márcio Aith (aqui, para assinantes) na Folha, em 23.nov.2009. No caso do carro Agile, o narrador diz: “Há dez anos, quem poderia imaginar a gente emprestando dinheiro para o FMI?”.

 

 

O comercial petista, ao qual o blog teve acesso em primeira mão, é sobretudo muito belo plasticamente. Vai aparecer na TV bombardeando os eleitores num momento em que a oposição se esvai com o mensalão do DEM. Também serve de demonstração de como será o tom de otimismo a ser empregado na campanha eleitoral do ano que vem –cujo marketing deve ficar sob responsabilidade de João Santana, um dos criadores do comercial que o PT lança hoje.

 

A ficha técnica do comercial “Brasil vencedor”, do PT, é a seguinte:

 

Criação: João Santana e Eduardo Costa

Direção: Giovano Lima

Direção de fotografia: Douglas Machado

 

Aqui, o comercial do PT

 

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Estudantes se unem a MST e CUT para derrubar Arruda

 

 

  • Palavras de ordem:
  • "Ôoo Arruda, pode chorar, mas dessa vez sua cabeça vai rolar"
  • "Arruda na Papuda, PO no xilindró".

 

 

Se vai ser um movimento do tipo caras-pintadas ainda não se sabe, mas estudantes de Brasília preparam uma série de protestos para tentar derrubar o governador de Brasília, José Roberto Arruda, acusado de ser um dos operadores do ”mensalão do DEM”.

 

Ontem (30.nov.2009) à noite, na Universidade de Brasília, cerca de 150 universitários se reuniram para programar a agenda de mobilizações. O encontro contou com a presença dos diretórios centrais de 3 universidades locais (UCB, Uniceub e UnB) e representantes da UNE, MST e CUT, entidades que apóiam as manifestações.

 

Na reunião, conforme relata o repórter Edemilson Paraná, foram ensaiadas as palavras de ordem que darão o tom dos protestos: "Ôoo Arruda, pode chorar, mas dessa vez sua cabeça vai rolar" e "Arruda na Papuda, PO [Paulo Octávio, vice-governador] no xilindró".

 

Durante esta semana, os estudantes devem espalhar cartazes e faixas por Brasília pedindo o impeachment de Arruda. Estão previstas também intervenções artísticas com música e dança na Rodoviária e no Setor Comercial Sul, locais de grande circulação de pessoas na capital federal. Amanhã (2.dez.2009), os estudantes protestarão na parte da tarde em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal. No sábado, o plano é parar o trânsito nas avenidas vias W3 e EPTG, entre as mais movimentadas do Distrito Federal.

 

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Por Fernando Rodrigues

Extra! Extra! Socialismo imediato não é possível, diz PC do B

O presidente nacional do PC do B, Renato Rabelo, lança hoje (1.dez.2009), às 17h, no salão nobre da Câmara dos Deputados, o seu livro “Idéias e Rumos”. Uma coletânea de discursos realizados nos últimos 8 anos, a obra é descrita no site do partido como uma de mostra de que “as alterações positivas na geopolítica mundial e as possibilidades que vicejam da crise capitalista, somadas às conquistas da ‘Era Lula’, abrem uma janela de oportunidades para um terceiro passo civilizacional: a transição do capitalismo ao socialismo”.

 

Mas as coisas são assim tão promissoras para a realização da profecia de Marx, Lênin, Mao Tse-tung e Enver Hoxha (este ultimo, um ídolo do PC do B). Renato Rabelo faz uma ressalva: “Não se reúnem, no presente, condições políticas para a conquista imediata do socialismo". Ou seja, o PC do B, no fundo, tem dúvidas sobre quando virá a revolução socialista no Brasil.

 

Nascido em 1922, o PC do B é um dos partidos mais antigos do país. No seu estatuto, proclama no primeiro parágrafo: “Guia-se pela teoria científica e revolucionária elaborada por Marx e Engels, desenvolvida por Lênin e outros revolucionários marxistas”. No segundo parágrafo, o partido afirma, sem elaborar muito, que “luta contra a exploração e opressão capitalista e imperialista”e que “visa a conquista do poder político pelo proletariado e seus aliados, propugnando o socialismo científico. Tem como objetivo superior o comunismo”.

 

Depois de abandonar o stalinismo, o PC do B conviveu com uma adoração ao maoísmo e ao líder albanês Enver Hoxha. Desde 2002, o PC do B compõe a base aliada do governo Lula. De acordo com programa do partido, "atuar pelo êxito do governo Lula é atuar pela causa comunista".


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Por Fernando Rodrigues
18h14 - 30/11/2009

Arruda diz ter registrado e contabilizado todo o dinheiro recebido

Governador de Brasília não fala mais em panetones para pessoas carentes

 

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), divulgou uma nova nota oficial na qual diz que os “Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante, nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral”.

 

Arruda não apresentou os recibos e a contabilidade desse dinheiro, mas deve juntar os documentos na sua defesa. Não menciona desta vez que o dinheiro seria para a compra de panetones e brinquedos para crianças carentes. Fala em "ações sociais".

 

Sobre a conversa recente, em 21.out.2009, dele com Durval Barbosa, Arruda se apega a detalhes técnicos. No encontro, Durval Barbosa portava uma mala com R$ 400 mil em espécie. A transcrição do diálogo apresentada pela Polícia Federal indica que o governador de Brasília opina diretamente sobre como distribuir o dinheiro para aliados.

 

Nos autos do inquérito, entretanto, está registrado que a câmera de vídeo da PF pifou e só foi captado o áudio.

 

Eis o que argumenta Arruda: “A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos ‘defeitos’ ou ‘aquecimento’ e 'resfriamento' do aparelho de gravação, conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a ‘desconfiguração dos dados armazenados’. Os advogados estão estudando essa questão. O denunciante propunha, dias antes do encontro, a realização de pesquisas, conversas para acordos políticos e doações para campanha por empresários amigos dele. Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano, e sugerimos apoio às campanhas de deputados da base de apoio ao governo, na forma da lei”.

 

A seguir, a íntegra da nota oficial de Arruda:

 

 

 

COMUNICADO

 

Tendo em vista o que aconteceu nos últimos dias e depois de uma análise preliminar dos documentos disponíveis, julgo importante fazer as seguintes considerações:

 

1 - Durante 8 anos o denunciante, Durval Barbosa, hoje réu em 32 processos, todos por atos praticados no governo anterior, foi presidente da Codeplan, empresa de informática do governo Roriz.

 

2 - Recursos eventualmente recebidos por nós do denunciante para ações sociais, nos anos de 2004, 2005 e 2006, entre os quais o que foi exibido pela TV, foram regularmente registrados ou contabilizados, como o foram todos os demais itens da campanha eleitoral.

 

3 - Na montagem da equipe de governo, o denunciante desejou continuar na empresa de informática. Avisados de que ele respondia, como réu, a processos por condutas praticadas no governo anterior, não concordamos com sua permanência no mesmo posto, e o mantivemos no governo, em outro setor, meramente burocrático, já que não havia ainda nenhuma condenação.

 

4 - Criamos uma Agência Técnica de Informática. Mais tarde, informados que na nova Agência de Informática ainda havia problemas, extinguimos a Agência, demitimos os servidores sob suspeita e descentralizamos todos os serviços (decretos nºs 29.674 e 30.010, em anexo)

5 - O nosso governo reduziu os gastos de informática em mais de 50% em relação ao último ano do governo passado. Isto contrariou a muitos interesses políticos e empresariais que, agora fica claro, são ligados ao denunciante.

 

6 - Quanto ao diálogo gravado no dia 21 de outubro, fica claro que foi conduzido para passar uma versão previamente estudada. A avaliação preliminar dos nossos advogados me alerta que os supostos “defeitos” ou “aquecimento” e “resfriamento” do aparelho de gravação, conforme consta dos autos, acabaram por truncar e comprometer o teor e o sentido da conversa, inclusive com a “desconfiguração dos dados armazenados”. Os advogados estão estudando essa questão. O denunciante propunha, dias antes do encontro, a realização de pesquisas, conversas para acordos políticos e doações para campanha por empresários amigos dele. Deixamos claro que não aceitaríamos essas doações, pois só cuidaríamos de campanha no próximo ano, e sugerimos apoio às campanhas de deputados da base de apoio ao governo, na forma da lei.

 

7 - Quanto a outras imagens e/ou outros informes inseridos no inquérito relativos a doações que ele teria feito a outros políticos, é preciso que haja uma análise cuidadosa dos advogados para esclarecer melhor as datas e as responsabilidades.

 

8 - Finalmente, os nossos advogados estão analisando detalhadamente os autos para, no momento próprio, apresentar nossas posições. Além das investigações internas que determinei, com o apoio da Controladoria, da Procuradoria e da Polícia Civil, vamos colaborar com tudo que for necessário para as investigações do Ministério Público Federal e do Superior Tribunal de Justiça.

 

9 - Confiamos na justiça e vamos continuar trabalhando no dia a dia do governo, agora livres dessa herança maldita do governo anterior.

 

 

José Roberto Arruda

Governador do Distrito Federal

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Democratas adia decisão sobre Arruda

 

O Democratas (ex-PFL) adiou sua decisão a respeito do que fazer com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda –acusado de participar de um esquema já apelidado de mensalão do DEM.

 

A cúpula do Democratas esteve com Arruda hoje (30.nov.2009) numa longa reunião na residência oficial do governador do Distrito Federal. Saíram todos do local sem anunciar uma decisão.

 

Arruda pressionou para ter mais prazo para fazer sua defesa técnica. Mas há muita pressão no Democratas para que ele saia –espontaneamente ou para que seja expulso.

 

Agora, os líderes Democratas fariam uma nova reunião sem a presença do governador de Brasília, na casa do líder do Senado, José Agripino (RN). Em seguida, convocarão uma reunião da Comissão Executiva Nacional para tomar uma decisão formal.

 

Em resumo, pelo menos por mais uns 2 dias, Arruda permanece no Democratas.

 

Além de Arruda e de seu vice, Paulo Octávio, a reunião na residência oficial do governador do Distrito Federal teve a presença dos líderes do Democratas na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), no Senado, José Agripino (RN), o presidente nacional da legenda, deputado Rodrigo Maia (RJ), o senador Heráclito Fortes (PI), o deputado Osório Adriano (DF), que é suplente em exercício na vaga de Aleberto Fraga, também presente à reunião.

 

Os líderes do Democratas no Congresso, Caiado e José Agripino, eram os maiores defensores da saída de Arruda do partido imediatamente. Caiado está incomodado com o fato de Arruda estar dando apoio ao senador Marconi Perillo (PSDB), em Goiás. Já Agripino acredita que a permanência de Arruda seria danosa eleitoralmente para o DEM em todo país.

 

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Por Fernando Rodrigues

Deputado do dinheiro na meia diz ler a Bíblia

O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente (DEM), como se sabe, foi flagrado em vídeo escondendo dinheiro de procedência incerta até nas meias.

 

Um pouco antes de o escândalo estourar, ele falou sobre seus hábitos de leitura para uma revista local, a "Plano Brasília". Prudente apareceu neste mês na seção "Tá lendo o quê?". E respondeu: "A Bíblia". Segundo ele, esse é um livro que sempre relê. "Agora estou lendo o livro de Atos, do Novo Testamento, que se inicia com a ascensão de Jesus Cristo".

 

Abaixo, a reprodução da revista:

 

 

 

E aqui, uma reunião com a tropa que manipulava dinheiro em espécie. Prudente, de camisa branca, participa de uma rodada de oração. Eis o vídeo:

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Racha do PMDB lança Requião a presidente na 3a

 

Uma dissidência do PMDB lança amanhã (1.dez.2009) a pré-candidatura a presidente do governador do Paraná, Roberto Requião. O ato será no plenário da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, às 16h. São esperados representantes de até 15 dos 27 diretórios estaduais do partido.

 

Em tese, segundo contabilidade do próprio Requião, 24 dos 27 diretórios estaduais do PMDB apoiam a tese de o partido ter candidato próprio ao Planalto. O que não quer dizer que terá. A rigor, em eleições passadas, essa posição sempre foi a mesma –mas nunca houve um nome capaz de galvanizar os apoios na hora do lançamento oficial dentro da legenda.

 

Tudo considerado, é difícil a candidatura de Requião vingar no PMDB, pois é necessária a aprovação pela Convenção Nacional da sigla, em junho do ano que vem. Mas só o fato de existir a intenção de lançar um candidato próprio ao Planalto já é um sinal de que o caminho também não será tão suave para a ala peemedebista propensa a apoiar o nome de Dilma Rousseff (PT) à sucessão de Lula.

 

Além do próprio Requião, a candidatura própria do PMDB tem o apoio de alguns nomes históricos da sigla, como o senador Pedro Simon (RS), o ex-deputado federal Paes de Andrade (CE) e o atual governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira.

 

Do outro lado do muro estão os líderes do partido no Congresso, tendo à frente o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP) –este último cotado para ser o candidato a vice numa chapa encabeçada pelo PT, com Dilma Rousseff disputando a cadeira de Lula.

 

Amanhã, depois do ato formal da candidatura de Requião, os apoiadores da ideia levarão uma moção a favor de o PMDB ter candidato próprio até a presidente interna na sigla, deputada federal Íris Araújo (GO). Ocorre que Íris substitui ao presidente licenciado, Michel Temer, que é totalmente contra o lançamento de Requião.

 

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Por Fernando Rodrigues
23h02 - 29/11/2009

Poder e política na semana – 30.nov a 4.dez

 

Esta segunda-feira é feriado (dia do evangélico) em Brasília, mas é como se não fosse. O mundinho da política está em chamas por causa do mensalão do DEM. O Democratas faz uma reunião à tarde para decidir se expulsa ou se fica solidário ao governador José Roberto Arruda –flagrado em conversas e vídeos constrangedores manipulando dinheiro vivo. A OAB também pode pedir o impeachment de Arruda.

 

No Congresso, a CPI das tarifas de conta de luz deve acabar sem relatório final, numa manobra do Planalto. Lula assistirá tudo de longe, pois está em Portugal para a uma cúpula ibero-americana –depois, visita Ucrânia e Rússia.

 

Na quinta-feira, mais problemas para a oposição: o STF retoma o julgamento do mensalão do PSDB, cujo palco principal foi o Estado de Minas Gerais.

 

O único refresco de tucanos e “demos” será na quinta à noite, quando o PSDB terá seu programa partidário de 10 minutos em rádio e TV. Grande expectativa: quem vai aparecer mais e melhor: Serra ou Aécio?

 

A seguir, os fatos que vão mover o mundinho político na semana:

 

 

Segunda (30.nov)
CPI das tarifas de energia elétrica – o relatório final será apresentado na Câmara dos Deputados.

 

Dilma e Serra – a ministra da Casa Civil e o governador de São Paulo estarão juntos em debate sobre infraestrutura na sede da Fiesp, em São Paulo. O ministro Miguel Jorge (Desenvolvimento) e o presidente do BC, Henrique Meirelles, também estarão presentes.

 

Eleições em Honduras – o país apura as urnas de uma eleição que ninguém sabe como vai valer.

 

Lula em Portugal - participa da 19a Reunião de Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo. Fica no país até o dia seguinte.

 

OAB e Arruda – entidade dos advogados se pronunciará oficialmente. No fim de semana, presidentes da ordem nacional e do DF disseram que o impeachment pode ser pedido.

 

DEM e o panetonegate – o DEM, quer uma resposta objetiva do governador do DF sobre o mensalão ainda nesta segunda-feira.
Comentário do blog: é o início do desembarque. O DEM está entre ser pusilânime (expulsando Arruda) ou segurar a onda (e danificar ainda mais a imagem da legenda).

 

 

Terça (01.dez)
CPI do Mensalão do DEM – o PT tentará instalar uma CPI para investigar o governador Arruda na Câmara Distrital do DF.

 

PMDB e Requião – o governador do Paraná, Roberto Requião, lança-se candidato a presidente da República pelo PMDB. Às 16h, na CCJ do Senado.

Comentário do blog: é difícil essa candidatura prosperar.

 

CPI do MST? – o PMDB da Câmara pode indicar os integrantes da comissão caso a negociação do DEM, em torno do pré-sal, funcione.

 

Impostos no STF –quatro súmulas vinculantes sobre matéria tributária no plenário do Supremo.

 

Pré-sal – deputados retomam a votação

 

Twitter do Supremo – o STF lança seu canal no microblog. Não foi divulgado qual endereço irá utilizar (“STF” já está ocupado).

P.S. do blog: o internauta Murilo PInto avisa, e o blog agradece, que endereço será https://twitter.com/STF_oficial

 

 

Quarta (02.dez)
Lula na Ucrânia - se reúne com o presidente Viktor Yushchenko e primeira ministra Yulia Tymoschenko.

 

Rádio/TV - Reunião na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) para analisar 32 projetos de decreto legislativo dispondo sobre autorização para funcionamento de emissoras de rádio e TV.

 

Pauta no Senado – líderes têm reunião para definir votações em plenário até o final do ano.

 

Tabaco – a exemplo de diversos Estado, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado analisa a proibição do fumo em ambientes fechados.

 

 

Quinta (03.dez)
Lula na Alemanha - encontra o presidente Hurst Kohler e a chanceler Ângela Merkel. Dilma Rousseff  (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda) o acompanham.

 

Mensalão do PSDB/mineiro – STF  retoma o caso. O ministro Antônio Dias Tofolli apresentará seu voto sobre o processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

 

PSDB na TV – os tucanos terão dez minutos no rádio e na TV.

 

 

Sexta (04.dez)
Lula e o Muro – o presidente vai ao monumento de Neue Wache, construído em memória aos mortos nas duas guerras mundiais, e ao Portão de Brandemburgo.

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Em nota, Arruda nega culpa, diz ser "vítima" e fica no cargo

Conforme anunciado ontem à tarde por este blog, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), vai permanecer no cargo apesar de todos os indícios de que ele participou de um esquema de distribuição de propinas para aliados.

 

Arruda e seu vice, o empresário do setor imobiliário Paulo Octávio (também do DEM), divulgaram uma nota oficial hoje (29.nov.2009) alegando serem inocentes das acusações decorrentes de uma “trama” montada por "adversários políticos".

 

A terminologia da nota de Arruda e Paulo Octávio demonstra uma certa desconexão da realidade vista pelo país inteiro em vídeos no fim de semana. Apesar de toda a manipulação de dinheiro comprovada nas imagens, o governador e seu vice alegam estarem sendo "vítimas" de um "ato de torpe vilania". Acusam (sem mencionar o nome) o secretário Durval Barbosa, autor dos vídeos e áudios em conjunto com a polícia (transcrições aqui), de ter urdido tudo de maneira "capciosa e premeditada" para "manchar o trabalho sério e bem sucedido" que estaria sendo feito em Brasília.

 

Em resumo, Arruda e Paulo Octávio não respondem objetivamente a nenhuma das acusações veiculadas contra eles no fim de semana. Dizem estar tranquilos e não refutam tecnicamente a acusação de terem participado de um "mensalão do DEM" em Brasília. O Democratas esperava essa explicação hoje, conforme dura nota partidária emitida ontem (28.nov.2009).

 

Arruda e Paulo Octávio decidiram ficar onde estão --no comando do governo do Distrito Federal.

 

Eis a íntegra da nota:

 

"Ainda perplexos pelo ato de torpe vilania de que fomos vítimas por parte de alguém que, até recentemente, se mostrava um colaborador, vimos externar à população do Distrito Federal nossa indignação pela trama de que estamos sendo vítimas, engendrada por adversários políticos, valendo-se de pessoa que, à busca das benesses da delação premiada, por atos que praticou nos 8 anos do Governo anterior, urdiu, de forma capciosa e premeditada, versão mentirosa dos fatos para tentar manchar o trabalho sério e bem sucedido que tem sido feito pela nossa administração".

 

"Queremos dizer que estamos tranqüilos, porque sabemos de nossa inocência, e confiamos no sereno e isento trabalho da Justiça de nosso País, onde a verdade sempre acaba se afirmando".

 

"Repelimos os açodados juízos que, muito mais que atingir o princípio constitucional da presunção de inocência, colocam em risco a soberania da verdade democrática".

 

 

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Por Fernando Rodrigues

O slogan de Dilma: "Lula já nos ensinou o caminho"

Enquanto o Democratas se esvai com o escândalo em Brasília, enquanto o PSDB não se decide sobre quem será seu candidato a presidente, o PT vai usando como pode os seus tempos de propaganda partidária nos Estados para... fazer propaganda eleitoral aberta para Dilma Rousseff --o nome do PT escolhido por Lula para sucedê-lo no Planalto.

 

É o caso desse vídeo (abaixo) do PT do Ceará. Tem 30 segundos. Só Dilma Rousseff aparece na tela. Ela termina com sua possível ideia-força para a campanha de 2010: "É possível avançar ainda mais. O presidente Lula já nos ensinou o caminho". Na tela, a estrela vermelha do PT e a frase "Vamos em frente com fé no Brasil".

 

Essas frases e slogans estão em fase de testes com os eleitores. A imagem de Dilma, idem. A equipe de marketing da campanha da ministra da Casa Civil usa esses comerciais locais (cuja veiculação, "bien sûr", é paga com o dinheiro do contribuinte) para fazer testes com os eleitores. Sempre são realizadas pesquisas nos Estados nos quais a peça publicitária é assistida, para fazer ajustes em filmes para a futura campanha (oficial) à frente. 

 

 

 

P.S.: o blog "Os amigos da presidente Dilma" trata esse comercial partidário abertamente como "propaganda eleitoral". A Justiça Eleitoral permite?

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Democratas divulga nota e pressiona Arruda

O Democratas (ex-PFL) começou a roer a corda. Em nota lacônica (só 31 palavras) divulgada no final do sábado (28.nov.2009), o partido exige um posicionamento do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, filiado a essa legenda, sobre o caso revelado pela Operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Há indícios de que Arruda esteja por trás de um esquema de pagamentos de propinas a aliados políticos –um mensalão do DEM.

 

Até agora, Arruda não apareceu em público desde o surgimento do escândalo, na sexta-feira (29.nov.2009). Fala apenas com alguns assessores e advogados. A nota do DEM classifica as acusações contra Arruda como "graves". Em política, esse tipo de documento costuma ser o primeiro capítulo para um processo de desligamento ou expulsão de um filiado do partido. O blog apurou que, nos bastidores, os "demos" procuram meios de se livrarem do governador de Brasília o quanto antes.

 

Eis a íntegra da nota do Democratas:

“As graves denúncias feitas contra o governador José Roberto Arruda exigem esclarecimentos convincentes. O partido tem compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar”.

“Rodrigo Maia – presidente nacional do Democratas”

“José Agripino – líder do Democratas no Senado”

“Ronaldo Caiado – líder do Democratas na Câmara”

 

No início de novembro, Arruda foi o anfitrião de um encontro da cúpula do Democratas em Brasília com o intuito de influir na sucessão presidencial de 2010. Eis a foto após o encontro (Arruda está ao centro, com o pé engessado):

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Análise: crise com Arruda abala o Democratas

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), pode até demorar para acabar deixando o cargo. Pode até resistir e ficar na cadeira até o final do mandato (estratégia descrita no post abaixo). Pode dizer que o dinheiro (vídeo) era para comprar panetones para os pobres. Mas a sua carreira política está comprometida para sempre –para não dizer, acabada. E o seu partido, o Democratas, sobre um fortíssimo abalo.

 

O Democratas, como se sabe, chamava PFL. Nasceu de uma costela desmembrada do antigo PDS (ex-Arena, o partido de sustentação da ditadura militar). O Democratas escolheu esse nome (quase uma piada pronta para quem apoiou a ditadura) porque desejava renovar a imagem, pois há anos só via encolher seu poder, influência e tamanho.

 

Arruda é o único dos 27 governadores brasileiros filiado ao Democratas. Nem era um quadro histórico. Foi no passado do PSDB. No início da década, chegou a ser líder do governo tucano de FHC no Senado. Mas acabou renunciando ao mandato para não ser cassado –depois que ficou evidente seu envolvimento no caso de violação do sigilo do painel de votação da Casa.

 

Meticuloso, Arruda foi reconstruindo sua carreira em Brasília e achou porto seguro no PFL (agora Democratas). Chegou até a ser citado como possível candidato a vice-presidente numa chapa para o Planalto, em 2010, encabeçada pelo PSDB.

 

Agora, o Democratas terá apenas um “meio governador”, pois não há como imaginar que Arruda tenha condição de sair do atual escândalo com algum prestígio. Nem que possa ter alguma influência maior na sucessão em 2010. Pior ainda, o DEM passa agora a ter de conviver com o termo que mais usava para atacar o governo Lula no plano federal: mensalão. Sim, porque o que se passou no Distrito Federal, segundo todos os indícios disponíveis, foi algum esquema de pagamento ilegal, regular, para políticos aliados ao governo local. Em outras palavras, um “mensalão do DEM”.

 

E a política brasileira que já teve o mensalão do PT e o mensalão do PSDB (este, com origem em Minas Gerais), agora vai demonstrando que a tecnologia é usada de maneira quase generalizada entre as legendas maiores.

 

Mas quem está no foco agora é o DEM. Um partido em fase descendente e cada vez mais sem rumo nem muito futuro eleitoral.

 

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Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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