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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

19h27 - 21/11/2009

Battisti e os casos do passado

Coluna de hoje (21.nov.2009) na Folha com alguns dados históricos úteis para analisar o que se passa hoje:

 

FERNANDO RODRIGUES

Crime e perdão

BRASÍLIA - Um bando de celerados sequestrou o empresário Abílio Diniz em 1989. Pediram US$ 32 milhões para libertar o dono do Pão de Açúcar. Presos, alegaram estar praticando uma ação política. Alguns haviam recebido treinamento de guerrilha em países da América Central. O dinheiro seria para fazer revolução mundo afora.


Mas o Brasil estava em festa com a sua primeira eleição presidencial direta pós-ditadura militar. Era um despautério praticar sequestros de cunho político num país em plena democracia. O delito foi considerado crime comum.


Chamou a atenção entre os dez sequestradores um casal de canadenses. Caucasianos e ingênuos, encarnavam a teoria do bom burguês -riquinhos fazendo revolução num país pobre. Foram parar no Carandiru, condenados a 28 anos.


As famílias do casal contrataram lobistas. Torraram US$ 500 mil. Induziram o Brasil a assinar um tratado internacional com o Canadá: condenados dessas duas nacionalidades poderiam cumprir pena em seus países de origem.


Em 1998, o então presidente Fernando Henrique Cardoso, patrocinador do acordo, concedeu o benefício ao casal de canadenses. Os dois foram expulsos do Brasil para obrigatoriamente (sic) cumprir o restante da pena no Canadá. Meses depois, já estavam soltos.


A memória desse episódio é útil agora por causa da agitação sobre o caso do italiano Cesare Battisti, condenado em seu país pela participação em quatro assassinatos. Ele quer ficar no Brasil, dizendo ser perseguido político. O Supremo Tribunal Federal rebarbou a tese e determinou a sua extradição.


Mas o STF deu a Lula o poder final de extraditar o italiano. Se mantiver Battisti no Brasil, não será o primeiro presidente a perdoar um criminoso comum que alega ser preso de consciência. Afinal, o tucano FHC já concedeu liberdade a sequestradores canadenses.

 

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Por Fernando Rodrigues
15h50 - 19/11/2009

Dilma vai para o corpo-a-corpo no domingo

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, terá um contato direto com a militância política do PT no domingo (22.nov.2009). Ela vai a Porto Alegre para votar no PED (processo de eleições diretas) do partido. Terá ao seu lado Tarso Genro (ministro da Justiça) e pré-candidato ao governo gaúcho.

 

Será uma oportunidade de Dilma, pré-candidata do PT a presidente, interagir com os militantes petistas de maneira direta. Ela fez carreira no Rio Grande do Sul, mas foi filiada durante muitos anos ao PDT. O PED (tem até site próprio, aqui) é um processo único de eleições diretas internas entre partidos brasileiros --no processo, são eleitos os presidentes de todos os diretórios partidários, inclusive a direção nacional. Devem votar, pelo menos, 200 mil filiados petistas.

 

p.s.: não foi desta vez. Parece mesmo que Dilma preferiu ficar em Brasília e votar na capital federal. Por quê? Estava muito cansada.

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Câmara altera proposta do Planalto e quer acabar com sigilo eterno para documentos

Uma decisão muito relevante foi tomada ontem pela comissão especial que analisa, na Câmara, o projeto de lei de acesso a informações públicas: o relatório preliminar apresentado pelo deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) acaba com o instrumento conhecido como “sigilo eterno”.

 

No  projeto de lei 5.228, enviado ao Congresso no início deste ano, o Poder Executivo mantinha uma tradição brasileira no trato de informações públicas. Documentos classificados como ultrassecretos poderiam ficar por 25 anos em sigilo. Depois, esse prazo poderia ser renovado por igual período, sucessivamente, sem limites para essas renovações.

 

No relatório preliminar de Mendes Ribeiro, só será permitida uma única renovação. Dessa forma, no máximo, o Brasil passaria a ter documentos guardados em segredo por até 50 anos. Depois, tudo passaria a ser público.

 

Setores no governo –sobretudo nas Forças Armadas e no Itamaraty– são contra o fim do sigilo eterno por acreditarem que determinados fatos históricos não podem nunca ser revelados. Por exemplo, determinados acordos e acertos realizados durante a fase de delimitação das fronteiras do Brasil e episódios relacionados à Guerra do Paraguai (1864-1870).

 

Aqui, o texto do relatório preliminar de Mendes Ribeiro (com o texto marcado em azul quando for uma novidade introduzida pelo relator).

 

Outras novidades apresentadas pelo texto são sobre a abrangência da lei. Do jeito que estava redigido, havia uma ambivalência sobre quem e quais órgãos estariam submetidos à regra. No texto proposto por Mendes Ribeiro, a Lei de Acesso valerá para todos os órgãos públicos da administração federal: Executivo, Legislativo e Judiciário –além de contemplar Estados, Distrito Federal e municípios. Autarquias, fundações e empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União também deverão seguir as regras de transparência quando houver financiamento do Estado.

 

A partir de agora, haverá uma fase para que os deputados da comissão especial façam sugestões até o dia 25.nov.2009. As sugestões podem ser enviadas para o email do relator: dep.mendesribeirofilho@camara.gov.br. Em seguida, a ideia é votar o projeto na comissão e no plenário da Câmara antes do final do ano. Dessa forma, no início de 2010, o texto seguirá para o Senado.

 

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Por Fernando Rodrigues
08h47 - 18/11/2009

PSDB e DEM têm 13 candidatos a governador com chances em 2010

 

  • PMDB é o mais forte no Estados, com 9 candidatos competitivos

 

  • PT tende a manter apenas seu atual número de 5 governadores

 

 

 

A julgar pelas pesquisas eleitorais disponíveis até o momento (ainda sem as restrições impostas pela lei), os 2 principais partidos de oposição –PSDB e Democratas– têm hoje 13 candidatos competitivos e com chance de vitória em disputas dos 27 governos estaduais em 2010. É impossível que todos saiam vencedores, pois em alguns locais concorrem ao cargo entre si. Há tucanos ou “demos” com alguma chance de vitória nas seguintes 11 unidades da Federação: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Paraná, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

 

 

Esses dados demonstram como a preponderância da coalizão governista a ser formada em torno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no plano federal ainda não está sendo suficiente para garantir a esse grupo uma hegemonia também nos Estados.

 

Os petistas, por exemplo, só despontam com 5 candidatos competitivos (em 1º lugar ou empatados na margem de erro com o primeiro colocado) nas disputas para os governos estaduais –exatamente o número atual. Hoje, o PT governa Acre, Bahia, Pará, Piauí e Sergipe. Por enquanto, está com nomes fortes (em 1º lugar ou empatado na frente) nos seguintes Estados: Acre, Bahia, Pará, Rio Grande do Sul e Sergipe.

 

 

Individualmente, o PMDB é o partido mais forte nas disputas pelos Estados: tem candidatos competitivos em 9 disputas. Se for vitorioso em tudo, manterá o mesmo número de governadores que tem hoje. Há peemedebistas disputando, por enquanto, para valer os governos dos seguintes Estados: Amazonas, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba e Rio de Janeiro.

 

 

Todos esses dados fazem parte do mais amplo levantamento na web brasileira sobre pesquisas eleitorais disponíveis. Essa é uma tradição do UOL desde a eleição de 2000. Quando nenhum blog político existia, este site já coletava os dados e trazia tudo compilado para os internautas. Só aqui é possível saber com rapidez o que todas as pesquisas de intenção de voto diziam, por exemplo, em janeiro/fevereiro de 2002 sobre a eleição presidencial daquele ano (Lula tinha 30%, Roseana estava com 21% e José Serra só com 7%) ou sobre a disputa pelo governo paulista (Alckmin estava com 28% contra um ainda fortíssimo Paulo Maluf, com 39%).

 

Para quem deseja relembrar pesquisas mais antigas (e fazer uma arqueologia pelos layouts da web), eis os links de cada ano: 20002002200420062008.

 

Aqui, todas as pesquisas eleitorais de 2010. E uma ressalva relevantíssima: o blog e o UOL não se responsabilizam pelos dados aqui reproduzidos. A responsabilidade integral é dos próprios institutos de pesquisa.

 

A partir de janeiro de 2010, como se sabe, por ser um ano eleitoral, as pesquisas precisam ser necessariamente registradas na Justiça Eleitoral. Agora, essa regra ainda não vale. Este blog continuará a trazer todos os resultados para os internautas.

 

A seguir, uma compilação do que se pode enxergar hoje nas pesquisas sobre governos estaduais em 2010:

 

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
13h01 - 17/11/2009

Agora, Lula e Dilma recebem vereadores

 

Vai ser uma festa. De 1 a 3 dezembro, Brasília será a sede do 3º Encontro Nacional de Vereadores. Milhares estarão na capital para ficar ao lado de Lula e de Dilma Rousseff. Aqui, o site oficial do evento.

 

Eis uma imagem do press-release do encontro, no qual os vereadores são incentivados a comprarem uma carteira de identificação. Um show:

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
07h59 - 16/11/2009

ONS nega sabotagem e divulga laudo sobre apagão amanhã

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nega a possibilidade de ter havido sabotagem nas 3 linhas de transmissão de Itaipu que foram responsáveis pelo apagão da última terça-feira (10.nov.2009). 

 

“A hipótese de sabotagem está descartada. Temos a comprovação dos danos causados aos equipamentos, que estão chamuscados na subestação de Itaberá. Um ser humano não conseguiria fazer isso. Os oscilogramas mostram que os eventos ocorreram de maneira simultânea. No relatório da terça-feira saberemos o local exato nas linhas. Para ter sido sabotagem seria necessário que três pessoas, ao mesmo tempo, tivessem conseguido conectar um aparelho às linhas, gerado grande diferença de potencial, rompido os isolamentos e provocado os curtos-circuitos. Tudo num tempo total, nas três linhas, de 120 milissegundos”, explica o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp (integra no post abaixo).

 

O RAP (relatório de análise de perturbações) ficará pronto, segundo Chipp, “até o fim do dia na terça-feira”. O documento vai esclarecer o que de fato ocorreu durante o apagão. O ONS deve apresentar o relatório também em Brasília, na quinta-feira, na Comissão de Minas e Energia da Câmara.

 

Como é possível raios simultâneos terem atingidos 3 linhas de transmissão ao mesmo tempo? Como é possível esse fenômeno ter ocorrido quando não se tem notícias de grandes tempestades no local do acidente? Hermes Chipp diz não ser “relevante constatar se houve ou não incidência intensa de muitos raios”. Para ele, “o que importa é saber se houve descarga nas linhas a ponto de derrubar o circuito”. Isso estará, afirma, “comprovado nos oscilogramas”.

 

Mas, então, o sistema é vulnerável? Chipp acha que não. “Houve um fato inédito: descargas elétricas simultâneas que derrubaram três circuitos de uma só vez em um local próximo à mesma subestação”. Mas como fazer para evitar que isso ocorra no futuro? “A única forma de evitar um blecaute como o de terça-feira seria construir um sistema de pelo menos mais dois circuitos correndo em paralelo ao atual. Algo como um sistema redundante. É economicamente inviável”.

 

No post abaixo, a íntegra da entrevista com Hermes Chipp. Ele fala também longamente sobre a vulnerabilidade de computadores do sistema do ONS. Até 6a feira, como relatado em reportagem da Folha,  os computadores do ONS ainda estavam com várias falhas de segurança que permitiam com certa facilidade a invasão de piratas cibernéticos.

 

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Por Fernando Rodrigues

ONS era vulnerável a “crackers”, diz ter consertado falhas, sustenta versão de raios e promete relato para 3a feira

A seguir, entrevista concedida na 6a feira pelo diretor-geral do ONS, Hermes Chipp:

 

O que ocorreu no site da ONS? É possível haver invasões?

Hermes Chipp - Houve uma falha. Corrigimos. Não existe um sistema que tenha risco zero. Cada vez que acontece [a descoberta de um ponto vulnerável], a gente reavalia.

Nós não somos perfeitos. Alguém sempre pode entrar. Mas a rede corporativa é separada da rede operacional. Ocorre que não estamos isentos nem existe solução perfeita.

 

Como foi descoberto o problema?

Chipp - Uma pessoa noticiou em um blog e nós verificamos. Corrigimos o problema com a ajuda da comunidade de segurança de informações, especialistas em tecnologia. O sistema estava respondendo com uma mensagem de erro de maneira indevida. Isso não existe mais.

 

O ONS detectou se houve algum tipo de invasão ao sistema?

Chipp - Não houve registro de invasão nem há registro de tentativa de invasão.

 

Não deveria ter havido um trabalho preventivo?

Chipp - Foi e está sendo feito. O que ocorre é que há também muitos tentando descobrir uma forma de penetrar no sistema. E nós sempre estamos nos aperfeiçoando. Mas quem disser que tem 100% de proteção contra hackers está mentindo.

 

Ainda que o sistema operacional seja, como o sr. diz, separado do corporativo, a vulnerabilidade encontrada permitia a uma pessoa má intencionada modificar as informações do banco de dados do ONS.

Chipp - Qualquer alteração de dados é checada. Todos os comandos operacionais são dados por voz e ficam gravados. Não é o sistema de computadores que automaticamente faz alguma alteração.

 

Sim, mas a ordem por voz é dada com base nos dados do sistema. Se os dados são alterados, não pode ocorrer de uma ordem ser dada indevidamente?

Chipp - Não, porque nós temos uma atualização de dados a cada meia hora. São 48 atualizações por dia. Quem está envolvido percebe quando ocorre alguma mudança brusca e sempre faz uma checagem.

 

Nesse episódio do apagão de terça-feira, qual a chance de o sistema do ONS ter sido vítima de alguma invasão por meio da internet?

Chipp - Nenhuma. Não ocorreu isso. Já está esclarecida a razão do blecaute.

 

O sr. poderia descrever o que se passou?

Chipp - Tudo está documentado e será apresentado no que chamamos de RAP, ou relatório de análise de perturbações. Fica pronto até o fim do dia na terça-feira. Devo apresentar tudo em Brasília, inclusive na Comissão de Minas e Energia da Câmara, na quinta-feira. Nesse relatório estarão os oscilogramas mostrando as descargas e os curtos-circuitos que derrubaram as três linhas de transmissão vindas de Itaipu.

 

O sr. poderia esclarecer o que são esses oscilogramas?

Chipp - Há aparelhos chamados oscilopertubógrafos que registram o que se passa no sistema de transmissão quando há anormalidades. São curvas que são registradas com todas as variações possíveis. Nesse caso, há dados mostrando uma coincidência de descargas na região de Itaberá (SP), com a derrubada quase simultânea das três linhas.

 

Mas há relatos de que não houve chuva tão forte na região...

Chipp - É bom explicar essa aparente contradição. Neste momento, não é relevante constatar se houve ou não incidência intensa de muitos raios. O que importa é saber se houve descarga nas linhas a ponto de derrubar o circuito. E isso está comprovado nos oscilogramas. O tempo total para o desligamento dos três circuitos foi da ordem de 120 milissegundos, caracterizando praticamente três curtos-circuitos simultâneos.

 

Mas então aí está demonstrada uma vulnerabilidade do sistema. Esse tipo de apagão pode ocorrer de novo a qualquer momento?

Chipp - Essas linhas de Itaipu existem desde meados da década de 1980. Nunca tivemos um episódio desses com três circuitos caindo ao mesmo tempo. De 2000 para cá, já houve nove episódios em que três circuitos caíram, mas não exatamente ao mesmo tempo. Em todas essas nove vezes, o sistema foi capaz de se reequilibrar sem o que aconteceu na terça-feira. Agora, se você me perguntar se há hipótese de descargas elétricas derrubarem três circuitos de uma vez, vou dizer que essa possibilidade é remotíssima, mas não impossível.

 

O ONS tem sido criticado por não ter um sistema capaz de evitar um apagão semelhante. Por exemplo, detectar imediatamente a queda dos três circuitos e segregar uma parte do país.

Chipp - Isso seria impossível pelo tempo envolvido: 120 milissegundos. A única forma de evitar um blecaute como o de terça-feira seria construir um sistema de pelo menos mais dois circuitos correndo em paralelo ao atual. Algo como um sistema redundante. É economicamente inviável. Sou presidente de um grupo dos 12 maiores operadores de sistema elétricos do mundo e sei que inexiste esse tipo de plano de contingência ou critério de segurança em outros países. O custo seria muito alto para conter efeitos de eventos de remotíssima probabilidade.

 

Então o sistema continuará vulnerável?

Chipp - Não creio que essa seja a forma correta de descrever o sistema. Houve um fato inédito: descargas elétricas simultâneas que derrubaram três circuitos de uma só vez em um local próximo à mesma subestação. No ano passado tivemos em um dia a queda de sete torres dos circuitos vindos de Itaipu por causa de fortes ventos. Duas linhas caíram e o que sobrou segurou o sistema. Ou seja, há segurança no atual modelo, mas não para quando ocorrem fenômenos dessa natureza, com descargas elétricas que derrubam os três circuitos de uma vez.

 

O fato de terem ocorrido as descargas elétricas simultâneas em três linhas não abre a hipótese de ter ocorrido sabotagem? De que essas descargas tenham sido provocadas por alguém de forma deliberada? Os oscilogramas podem descartar essa teoria?

Chipp - A hipótese de sabotagem está descartada. Temos a comprovação dos danos causados aos equipamentos, que estão chamuscados na subestação de Itaberá. Um ser humano não conseguiria fazer isso. Os oscilogramas mostram que os eventos ocorreram de maneira simultânea. No relatório da terça-feira saberemos o local exato nas linhas. Para ter sido sabotagem seria necessário que três pessoas, ao mesmo tempo, tivessem conseguido conectar um aparelho às linhas, gerado grande diferença de potencial, rompido os isolamentos e provocado os curtos-circuitos. Tudo num tempo total, nas três linhas, de 120 milissegundos.

 

Mas alguém poderia ter sabotado o sistema de controle. Por exemplo, penetrado no sistema e trocado dados para forçar uma ordem errada?

Chipp - Não há evidência de dados trocados no nosso sistema. Além disso, para provocar tal acidente, a troca de dados teria de ser de tal magnitude que nunca passaria sem ser notada. Quando entra um dado atípico, há uma checagem. E o sistema não tem nenhum registro dessa natureza nem de que houve alguma ordem errada.

 

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Por Fernando Rodrigues
22h29 - 15/11/2009

Poder e política na semana – 16 a 22.nov.2009

 

Lula na Itália. Aécio e Ciro almoçando em BH. Na Câmara, começa votação de um projeto do pré-sal. Semana é meio capenga por causa do feriado de 6a (Consciência Negra). Brasília fica vazia já na 5 feira.

 

A seguir, o que vai mover o mundinho da política na semana que começa:

 

 

Segunda (16.nov)
Lula na Itália – com o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, em Roma. Participa da Cúpula Mundial sobre Segurança.

 

Terça (17.nov)
Aécio Neves e Ciro Gomes – os pré-candidatos almoçam juntos, em Belo Horizonte.
Comentário do blog: a orelha de José Serra vai arder. As de Lula e de Dilma, também.

 

COP-15 – os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Celso Amorim (Relações Exteriores) vão à Câmara explicar o que o Brasil levará a conferência sobre o clima de Copenhague (Dinamarca).

 

Embaixador na Argentina – Senado sabatina Enio Cordeiro, indicado para o comando do segundo posto mais importante da diplomacia brasileira.

 

“Lula, o filho do Brasil” – primeira exibição pública do filme acontece no Festival de Brasília. Lula não estará presente.

 

Pré-sal – começa na Câmara a votação do projeto de capitalização da Petrobras.

 

Vale-Cultura – o projeto do presidente Lula começa a ser discutido e votado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

 

 

Quarta (18.nov)
Battisti – o Supremo Tribunal Federal termina o julgamento de extradição do italiano.

Comentário do blog: o principal é saber se Lula continuará a ter o poder final. Ou não.

 

Bolsa Família e cia. – ministros da área social se reúnem com Lula. Pauta: unificar os programas sociais.

 

Cristina Kischner – a presidente argentina é recebida por Lula em Brasília.

 

Olimpíada 2016 – Lula se reúne com COB e ministros para discutir o evento no Rio de Janeiro.

 

 

Quinta (19.nov)
Congressistas no STF – os deputados Wladimir Costa (PMDB-PA) e Aline Correa (PP-SP) e os senadores Gilvam Borges (PMDB-AP) e Valdir Raupp (PMDB-RO) serão julgados pelo Supremo. Cada um por um crime específico.

 

Lula no Nordeste – o presidente visita assentamento em Porto Seguro (BA) e refinaria em Guanaré (RN).

 

PSC – o minúsculo Partido Social Cristão transmite sua propaganda na TV e no rádio.

 

 

Sexta (20.nov)
Dia da consciência negra – Feriadão. cerimônia na Bahia, com Lula e ministros, comemora a data. 757 cidades aderiram ao feriado. 

Mahmoud Abbas – o presidente da Autoridade Palestina será recebido por Lula em Salvador (BA).

 

 

Domingo (22.nov)
Eleições no PT – o partido elege pelo voto direito os seus novos dirigentes nacionais e locais. Pelo menos 200 mil eleitores devem participar. Em jogo o lançamento de candidatos próprios do PT em vários Estados, entre eles Rio e Minas Gerais.

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

A polêmica de FHC e o reconhecimento do filho

 

Fernando Henrique Cardoso, presidente da República de 1995 a 2002, decidiu reconhecer oficialmente o filho que teve com a jornalista Mirian Dutra, da Rede Globo. A revelação está na Folha de hoje, em reportagem (para assinantes) de Mônica Bergamo.

 

A blogosfera política entrou em parafuso.

 

Petistas e afins encheram a boca para dizer que a mídia cometeu um absurdo ao não noticiar o fato por 18 anos, idade do filho de FHC agora reconhecido. Por que nada foi publicado?

 

Outra opinião foi elogiar a forma como FHC e Miriam conduziram o caso, com discrição.

 

O assunto é polêmico. Há um pouco de razão em cada lado.

 

Os adversários do tucano citam o caso Luriam, a filha de Lula que surgiu no meio da campanha presidencial de 1989. Ou a filha, ainda bebê, de Renan Calheiros (PMDB) com uma jornalista, episódio surgido em 2007.

 

O que esses casos todos têm em comum? Políticos conhecidos nacionalmente tendo filhos fora do casamento. E qual é a diferença? No caso de FHC e Miriam nunca um dos dois apareceu em público para falar mal um do outro.

 

No caso de Luriam, a mãe da menina foi à TV (sob o incentivo da campanha de Fernando Collor) para descer a lenha em Lula.

 

No caso de Renan Calheiros, a mãe de sua filha também falou publicamente sobre o assunto.

 

Pergunta: o fato de FHC e Miriam Dutra nunca terem falado em público sobre o filho que tiveram foi argumento suficiente para que a grande mídia se calasse? Difícil responder de maneira peremptória.

 

Em 1994, numa conversa com FHC, o blogueiro perguntou numa conversa reservada: “O que o Sr. tem a dizer sobre os mexericos a respeito de um filho seu fora do casamento?”. E FHC: “Tem alguma mãe dizendo que tem um filho meu? Se não tem, não tem o que ser dito.”.

 

A mãe do filho de FHC foi procurada. Nunca quis falar.

 

Este blogueiro acha que todos os homens públicos têm necessariamente de arcar com ônus de perder parte de privacidade de suas vidas. Até porque um filho fora do casamento e não reconhecido oficialmente pode ser objeto de alguma pressão indevida sobre alguém que controla grandes orçamentos e toma decisões relevantes para o país.

 

Um cidadão vivendo estritamente na esfera privada não deve ter aspectos reservados do seu dia-a-dia relevados pela mídia. Seria um despautério. Mas a régua e compasso a serem usados para medir um homem público são diferentes.

 

No caso, FHC era candidato e depois presidente da República. Sabe-se lá que tipo de pressão sofreu (ou não) por conta de desejar manter em sigilo a história sobre seu filho não reconhecido oficialmente. Pode até ser que não houve pressão de nenhum tipo. Nunca saberemos.

 

O melhor nesses episódios é divulgar, com o cuidado e respeito devido, tudo o que for possível ser comprovado a respeito de homens públicos.

 

Mas como escreveu hoje Kennedy Alencar, uma das características da “imprensa brasileira é respeitar a privacidade dos políticos”, embora sempre ocorra “um excesso aqui e outro ali”.

 

Talvez até para evitar medidas diferentes para episódios iguais a mídia devesse refletir mais sobre o tema.

 

Tudo considerado, esse episódio do filho de FHC com a jornalista Miriam Dutra fica como um “case study” para imprensa.


 

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Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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