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Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

09h49 - 13/11/2009
 

Recreio de sexta-feira: o CD novo do Weezer

O viral da banda Weezer já teve mais de 1 milhão de acessos na web. O vídeo é hilário. Eles oferecem um cobertor com mangas (!). O CD novo, Raditude, vem de brinde. Super cool.

 

Eis o vídeo:

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
09h55 - 12/11/2009
 

Oposição explora o apagão;governo segura a onda

A oposição tem se agarrado como pode ao apagão para atacar o governo. Faz parte. O PT teria feito da mesma forma antes de chegar ao poder.

 

Os deputados federais do Democratas (ex-PFL) Marcio Junqueira (RR) e Paulo Bornhausen (SC) apresentaram ontem (11.nov.2009) requerimentos à Comissão de Minas e Energia para tentar emparedar o Palácio do Planalto.

 

Bornhausen apresentou 3 requerimentos para autoridades irem até a Câmara dar explicações sobre o sistema elétrico. Os convidados: 1) o ex-ministro de M & E Silas Rondeau; 2) o secretário de energia elétrica Josias Mattos; 3) a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Já o deputado Junqueira fez requerimento para trazer à Câmara o atual ministro das M & E, Edison Lobão.

 

No caso de Dilma e Lobão, trata-se de convocação. O requerimento precisa ser votado para que os ministros fiquem obrigados a comparecer.

 

O blog apurou que o governo vai ordenar sua tropa de choque a postergar o assunto o quanto for possível.  Mais adiante, se for o caso, sem risco de apagão à vista, os ministros de Lula poderiam até ir à Câmara –mas seria sem a pressão atual por causa da queda de energia desta semana.

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Cesare Battisti: 4 grandes dúvidas no STF hoje

 

Passado o impacto inicial do apagão, hoje o mundinho da política vai se voltar para o julgamento do caso do italiano Cesare Battisti no STF (Supremo Tribunal Federal), a partir das 14h. A decisão é se Battisti deve ser extraditado para a Itália (onde foi condenado à prisão perpétua acusado de ter cometido assassinatos na década de 70) ou se fica no Brasil (recebendo refúgio dado pelo governo federal sob o argumento de que o italiano cometeu crimes políticos e é perseguido em seu pais de origem).

 

Há 4 grandes dúvidas no STF hoje:

 

1) o novo ministro do Supremo, José Antônio Dias Toffoli, vai votar? Ele era advogado-geral da União até outro dia, ou seja, fazia parte do governo Lula –que defende a permanência de Battisti no Brasil.

 

2) Em caso de empate, o presidente do STF, Gilmar Mendes, vai votar? Haverá questionamento dos advogados de defesa do italiano contra o eventual voto de Gilmar.

 

3) Se o STF decidir pela extradição, a canetada final ainda é de Lula. O presidente tem poder constitucional para passar por cima da decisão do Supremo? Fará isso?

 

4) Por fim, se o STF resolver mesmo extraditar e Lula concordar, quanto tempo vai demorar até Battisti ser enviado para a Itália? Claro, pois o italiano também está respondendo por delito cometido no Brasil (falsificação de documentos). Além disso, a pena na Itália (prisão perpétua) não existe no direito brasileiro. Para receber Battisti, a Itália teria de se comprometer formalmente a mantê-lo preso apenas por, no máximo, 30 anos. Esse processo burocrático pode levar anos.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Na UnB, alunos nus protestam contra Uniban

Muito bacana o protesto dos cerca de 100 estudantes da UnB (Universidade de Brasília) que protestaram ontem (11.nov.2009) contra a atitude atrasada e preconceituosa da Uniban (a universidade de São Bernardo do Campo, SP, que quase expulsou uma aluna, Geisy Arruda, por usar vestido curto).

 

O alunos da UnB ficaram nus (ou semi-nus) e andaram pelo campus propondo que a direção da universidade de Brasília faça uma manifestação oficial contra a Uniban.

 

Abaixo, fotos do grade Lula Marques, da Folha:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
08h29 - 11/11/2009
 

Apagão: efeito eleitoral depende da extensão do problema

  • sob FHC, em 1999 e 2001, houve falha gerencial e pouca água nos reservatórios
  • custo do apagão/racionamento em 2001 foi de R$ 45,2 bi e eleitor ficou irritado
  • governo Lula e Dilma podem perder o discurso da boa capacidade gerencial

É muito cedo para prever o efeito eleitoral do apagão de ontem (10.nov.2009). Tudo vai depender da extensão do problema.


Em 1999 e em 2001, quando ocorreram grandes apagões, o custo eleitoral foi para as costas do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). O sistema elétrico era frágil e o volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas estava muito abaixo dos seus níveis históricos. Foi preciso impor aos brasileiros um racionamento de energia.


Luiz Inácio Lula da Silva (PT) explorou ao máximo o tema na campanha de 2002. O petista não foi eleito apenas por causa dos apagões de FHC. Mas essa incapacidade gerencial tucana certamente ajudou bastante a tornar possível a vitória lulista.


É fácil entender a razão. Segundo o TCU (Tribunal de Contas da União), o custo do apagão elétrico de 2001 foi R$ 45,2 bilhões, de acordo com uma contabilização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Quem pagou a maior parte foram os contribuintes brasileiros, de maneira direta: R$ 27,12 bilhões acabaram sendo cobrados nas contas de energia residenciais e comerciais. Como se sabe, há uma regra imutável na política: eleitor com menos dinheiro no bolso quase sempre prefere votar na oposição.


Agora, entretanto, há uma grande diferença em relação há 10 anos: os reservatórios de água das usinas hidrelétricas estão em níveis muito mais altos do que no final do governo FHC. Ou seja, o risco de blecautes por causa de falta de capacidade de geração de energia é menor hoje em relação ao que foi há uma década.


O problema parece ser mais de deficiência gerencial –sem contar as nunca totalmente explicadas vulnerabilidades do sistema elétrico brasileiro. Em 11 de março de 1999, às 22h16, um raio teria caído numa subestação de energia em Bauru (SP) e 50 milhões de brasileiros ficaram no escuro em 10 Estados. Ontem, às 22h14, um problema de transmissão de Itaipu teria ocorrido e 15 Estados mais o Paraguai ficaram sem energia.


Em resumo, é quase uma teoria do caos (aquela da borboleta que bate as asas na Austrália e causa um furacão nos Estados Unidos). Se de fato essa fragilidade existe no sistema de energia brasileiro, trata-se de um absurdo incompatível com um país que em alguns anos será a 5a maior economia do planeta, como Lula e seus assessores vivem a dizer.


Há também uma coincidência entre o apagão de ontem e a reportagem da rede de TV norte-americana CBS, no domingo, afirmando que o Brasil está sujeito a ataques de hackers no seu sistema de energia. Todas as autoridades no Brasil negam, mas ninguém dá uma boa resposta aos argumentos técnicos apresentados pela TV dos EUA. Aqui, a reportagem da CBS.


Outro aspecto político ruim do apagão é a demora para surgir alguma explicação verdadeira, crível e plausível. Itaipu, empresa estatal federal, divulgou ontem nota afirmando que o apagão foi causado “por efeito dominó”. Hoje (11.nov.2009) há a promessa de esclarecimentos completos sobre a razão da falta de energia.


Só o fato de o Brasil ter acordado nesta quarta-feira sem saber direito a causa do apagão já é alarmante. Países cujas condições climáticas são muito mais adversas –o norte dos EUA e o Canadá, por exemplo– não sofrem de quedas de energia generalizadas como as brasileiras. Há blecautes em cidades, mas dificilmente ocorre um incidente cujo resultado é deixar o país quase inteiro sem luz. O último grande apagão nos EUA (considerado o maior da história por lá) foi em 14.ago.2003. Naquela data, cerca de 45 milhões de pessoas ficaram sem energia (ou seja, menos do que o número de brasileiros no escuro ontem).


Não adianta o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, aparecer para as câmeras de TV dizendo que o sistema elétrico brasileiro é um dos mais seguros do mundo. Ontem, 60 milhões de brasileiros, pelo menos, constataram na prática que as coisas não são bem assim.


É evidente que o uso eleitoral desse tipo de episódio dependerá da consistência do fornecimento de energia nos próximos dias e semanas. Se, de fato foi uma fatalidade inusitada, um novo inacreditável “raio de Bauru”, sem conseqüências futuras, a oposição não terá muito a ganhar se quiser explorar o assunto.


Mas se ficar comprovada a incapacidade gerencial do governo Lula para prevenir o país desses apagões, as coisas ficam mais complicadas para a pré-candidata a presidente Dilma Rousseff. Aliás, Dilma começou no governo Lula como ministra da Minas e Energia. Hoje, na Casa Civil, comanda a execução da obras de infra-estrutura do país. Ficará prejudicada a imagem de boa gerente/administradora que ela sempre propagou para si própria.


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Por Fernando Rodrigues
17h15 - 10/11/2009
 

Aécio amplia alianças mais que Serra, diz Sérgio Guerra

Na entrevista com Sérgio Guerra, o presidente nacional do PSDB fala o seguinte:

 

Aécio Neves amplia mais do que José Serra os possíveis apoios ao PSDB em 2010. Aqui.

 

De 0 a 10, é só 3 a chance de haver uma chapa "puro sangue" Serra-Aécio. AquiAqui.

 

O Democratas, mais uma vez, deve ficar com a vaga de vice-presidente. Aqui, os nomes.

 

O dirigente tucano é a favor de liberar a maconha no Brasil. Aqui.

 

Aqui, o vídeo completo da entrevista de hoje (10.nov.2009) com Sérgio Guerra.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
18h40 - 09/11/2009
 

Que ironia: Uniban doou R$ 40 mil para Cristovam Buarque a presidente da República na eleição de 2006

A Uniban, a escola universitária que expulsou e de depois reintegrou uma estudante por usar um vestido curto, contribuiu para dois políticos em campanhas eleitorais recentes. Um deles, desconhecido: o candidato a vereador em Palhoça (SC) Jonas Dorvalino, do PPS, recebeu R$ 5 mil em 2008. O outro patrocinado pelo dinheiro da Uniban foi o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), cuja conta de campanha a presidente, em 2006, foi engordada em R$ 40 mil.


“Nem me lembro direito. Naquela época, eles não faziam o que fizeram agora”, disse Cristovam, conhecido pela sua cruzada a favor de uma educação de mais qualidade no Brasil. “O fato de ter recebido a doação não me deixa constrangido para criticar”, diz o senador. De fato, hoje (9.nov.2009), ele postou em seu twitter: “E se amanhã todas as alunas da Uniban fossem às aulas com roupa parecida da Gleyse? Expulsariam todas e ficaria universidade só de alunos?”.

 

Os dados sobre as doações feitas pela Uniban foram apurados para o blog pelo jornalista Fabiano Angélico, da Transparência Brasil, e que também pode ser seguido pelo Twitter.

 

Cristovam credita a doação que recebeu da Uniban em 2006 ao fato de “ter contato com muita gente do setor da educação”. Ele acha que agora o governo não deve intervir para tentar reverter o que considera “um preconceito” contra a estudante expulsa. “Quem tem de resolver é a comunidade. Se existe uma comunidade intolerante, temos de criticar esse obscurantismo, mas não recomendar a intervenção do governo”.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
 

"Cyber criminosos" atuam no Brasil e são destaque na CBS

A rede de TV norte-americana CBS deu ontem (8.nov.2009) extensa reportagem sobre as vulnerabilidades existentes nos EUA. Criminosos cibernéticos já teriam como invadir vários sistemas críticos daquele país.

 

Mas o Brasil também foi destaque (como informado no post abaixo). Segundo o programa "60 Minutes", o Brasil já foi vítima de ataques a suas empresas de energia por parte de invasores que usaram a web como porta de entrada. Abaixo, o vídeo do programa (em inglês). A parte sobre o Brasil está logo no início, após a fala de Barack Obama:

 

 


Watch CBS News Videos Online

 

A reportagem da CBS e outra já publicada pela Folha repercutiram na revista "Wired", que colocou em dúvida a certeza sobre a atuação de criminosos cibernéticos para apagar as luzes de cidades brasileiras. Aqui, o post da Wired sobre o assunto.

 

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Por Fernando Rodrigues
22h23 - 08/11/2009
 

Poder e política na semana – 9 a 13.nov.2009

 

Votações dos projetos do pré-sal devem dominar a Câmara na semana. Na internet, o PT lança seu novo portal (2a feira) e os partidos de oposição (PSDB, PPS e DEM) lançam (3a feira) conferências interativas na rede (o que é isso?).

 

Na Justiça, decisão sobre os novos 7.00 vereadores (tomam posse já ou em 2013?), a extradição do italiano Cesare Batisti e a cassação do governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP).

 

A seguir, o que move o mundinho da política na semana que começa:

 

 

Segunda (09.nov)
Pré-sal – o governo tem pressa. Deputados trabalham em plena 2a feira. Votarão o parecer de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) sobre o modelo de partilha.

 

Portal do PT – depois de dois adiamentos, estreia o novo portal do partido.

 

Lula e o Itaú – em São Paulo, o presidente recebe Roberto Setubal, diretor presidente do Itaú-Unibanco.

 

José Alencar na Fiesp – acompanhado pela ministra Dilma Rousseff e por Lula, o vice-presidente da República recebe o titulo de presidente emérito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

 

Censo do Senado – o recadastramento dos fantasmas terminou na última 6a feira. Dos 6.277 servidores efetivos e comissionados, 40 não concluíram o cadastro. Agora, falta saber se essa turma trabalha de fato. E se haverá demissões.

 

 

Terça (10.nov)

Rondônia no TSE – o Tribunal Superior Eleitoral decide se o governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP), continua no cargo.

 

Shimon Peres no Brasil – o presidente de Israel desembarca em Brasília. Ficará no pais até domingo, onde passará ainda pelo Rio de Janeiro e São Paulo.

Expectativa do blog: o que falará Peres da visita ao Brasil no próximo dia 23 do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

 

Pré-sal – os 4 projetos sobre o marco regulatório começam a ser votados no plenário da Câmara.

 

Hackers no TSE – o tribunal inicia os testes públicos de urnas eletrônicas para as eleições de 2010.

 

Oposição na Internet – PSDB, PPS e DEM lançam série de 12 conferências interativas na rede. Com o nome de “E agora, Brasil? O país que somos e o que queremos ser”, elas devem ajudar na elaboração do programa dos candidatos.

 

 

Quarta (11.nov)

3 PECs – o Congresso Nacional tem sessão para a promulgação de 3 emendas à Constituição: 1) a que transfere os servidores de Rondônia para a União; 2) a que retira da DRU os recursos destinados à educação e 3) a que torna o presidente do STF também do CNJ.

 

PEC dos Vereadores – o STF julga se as mais de 7 mil vagas devem ser criadas agora ou em 2013.

 

Venezuela no Mercosul – plenário do Senado decide sobre a entrada do pais no bloco.

  

PAC a jato X TCU – Lula fará reunião com ministros do TCU e com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para falar sobre a paralisação em obras do PAC.

 

Drogas – projeto que estabelece a detenção para usuários de drogas estará em votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara.

 

 

Quinta (12.nov)

Battisti – o Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento sobre se devolve ou não o italiano para a Itália.

 

PTB – o partido de Roberto Jefferson e Fernando Collor terá 10 minutos gratuitos na televisão e no rádio.
expectativa do blog: Jefferson é anti-PT. Collor virou pró-Lula desde criancinha. Qual será o tom do programa?

 

 

Sexta (13.nov)

COP-15 reunião do presidente Lula com ministros para definir possíveis metas de redução de emissões de carbono para levar ao encontro em Copenhague no próximo mês.
comentário do blog: é possível que não saiam essas metas. O Brasil perderá chance de liderar o processo.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
 

Hackers invadem site do governo, praticam extorsão e podem até apagar luzes de várias cidades no Brasil

Hackers e crimes cibernéticos são uma ameaça do século 21. Nenhum país está inteiramente preparado. Alguns estão mais à frente. Outros, mais atrasados. O Brasil está caminhando com algumas medidas (como um departamento no Planalto só para monitorar essa área), mas ainda falta muito, como mostram esses textos de hoje, na Folha.

 

Hacker troca senha de servidor de
um ministério e exige US$ 350 mil

Criminoso, que estava no Leste Europeu, invadiu o servidor de computadores de um órgão federal em maio do ano passado

Dinheiro não foi pago, e hacker não foi capturado; computadores do governo federal sofrem, por hora, 2.000 tentativas de ataque

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA 

Um hacker baseado num país do Leste Europeu invadiu o servidor de computadores de um órgão ligado a um ministério no ano passado. O criminoso trocou a senha do sistema. Paralisou a operação de acesso aos dados. Deixou apenas um recado: só recolocaria a rede novamente em operação após receber US$ 350 mil.
O ataque ocorreu em maio de 2008. Está até hoje cercado de sigilo. A Folha obteve a confirmação do crime, mas não a indicação de qual foi o ministério e o órgão atacado. O dinheiro não foi pago ao criminoso.


"Decidiu-se por não pagar. Esse órgão ficou 24 horas sem operar, com cerca de 3.000 pessoas sem ter acesso aos dados daquele servidor", relata Raphael Mandarino Junior, 55, o matemático no cargo de diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.


Uma espécie de ciberczar da administração federal, Mandarino comanda cem pessoas no seu departamento, criado em 2006. Só no ano passado, entretanto, passou a existir uma política geral e específica a respeito de crimes cibernéticos na esfera federal. Ele relata como foram as providências tomadas após o mais grave ataque de hacker sofrido até hoje pelo governo brasileiro.


"Foram momentos tensos. Acionamos a Polícia Federal. Havia um backup [cópia] de todos os arquivos em outro lugar. Uma equipe reconstruiu o servidor com as mesmas informações que o hacker havia tentado destruir. Mas ainda demorou uma semana para quebrar os códigos deixados pelo criminoso no servidor original."


Uma vez decodificada a senha deixada pelo hacker, notou-se que a máquina da qual partira o ataque estaria localizada no Leste Europeu. "Foi possível descobrir isso pela natureza do IP registrado no servidor atacado", diz Mandarino. "IP" é a sigla para "internet protocol", o número individual de cada máquina e que serve para indicar a localização possível do equipamento.

Aqui, o texto completo (para assinantes).

 

Para EUA, hacker causou apagão no Brasil

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Agentes de segurança e informação do governo dos Estados Unidos têm vários indícios de que empresas de energia do Brasil já sofreram ataques de hackers. Alguns apagões que deixaram dezenas de cidades no escuro nos últimos anos podem ter sido obra de cibercriminosos, como mencionou de forma indireta o presidente americano, Barack Obama.


Num discurso em maio deste ano, Obama disse: "Nós sabemos que esses invasores cibernéticos têm colocado à prova nosso sistema interligado de energia e que, em outros países, ataques assim jogaram cidades inteiras na escuridão".


A referência a "outros países" feita pelo chefe da Casa Branca incluía o Brasil, segundo a Folha apurou.


De acordo com agentes de segurança que fazem relatórios para dar subsídios aos discursos de Obama, os apagões brasileiros que teriam ocorrido por causa da ação de hackers foram os de janeiro de 2005 e de setembro de 2007, entre outros, sempre atingindo regiões no Espírito Santo e no Rio.

 

A responsável por aquela região é a estatal federal Furnas. AFolha entrou em contato com a empresa, que negou ter conhecimento da ação de hackers em seu sistema. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) também afirmaram desconhecer o envolvimento de criminosos cibernéticos nos apagões. As quedas de energia são sempre atribuídas a fenômenos climáticos, falha de manutenção ou sobrecarga do sistema.

 

Autoridades dos EUA já chegaram até a mencionar o assunto em público. Em junho de 2007, o então secretário assistente de Defesa dos EUA, John Grines, numa conferência em Paris, disse o seguinte: "Não faz muito tempo, houve um ataque [de hackers] ao sistema de energia do Brasil, à chamada rede Scada [um tipo de sistema de gerenciamento], que causou grandes distúrbios".

 

No mês passado, em uma reportagem publicada pela revista norte-americana "Wired", um ex-assessor especial no governo de George W. Bush (que deixou a Casa Branca neste ano), também mencionou o Brasil. "Dado o grau de seriedade com que a administração Obama trata a segurança cibernética e a rede inteligente [de transmissão de energia], nós podemos nos preparar para acontecer aqui o tipo de coisa que aconteceu no Brasil, onde hackers conseguiram, com sucesso, derrubar o fornecimento de energia", disse Richard Clarke, hoje presidente da Good Harbor, uma empresa que faz consultoria nessa área.

 

Raphael Mandarino Junior, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, diz ter checado o assunto com empresas de energia "sem encontrar rastros".

 

"Há sempre a possibilidade de um ataque de hackers para tentar derrubar uma subestação de energia, mas creio que estamos de certa forma protegidos pelo fato de termos chegado tarde aos avanços tecnológicos. As empresas não têm os seus sistemas operacionais conectados diretamente à internet. Isso dificulta muito a um hacker entrar na rede interna", diz Mandarino.

 

Mas ele acredita que quase todos os setores na administração pública no Brasil estão atrasados na preparação para enfrentar esse risco relativamente novo de ataques de hackers. "Quem trabalha na segurança muitas vezes é um gato gordo e lento. Quem está atacando é um rato magro e ágil, que sempre toma a iniciativa."

 

A fragilidade do fornecimento de energia no Brasil e o risco de ataques de hackers deve ser assunto hoje à noite no programa jornalístico "60 Minutes", da rede norte-americana CBS, segundo a Folha apurou.

 

A reportagem falará também das vulnerabilidades locais, mas o caso brasileiro será citado. Amanhã, a reportagem poderá ser assistida na internet, no site da emissora americana (www.cbsnews.com). (FR)

 

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Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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