Quem é, foi (ou será) o Judas de Lula?
Para explicar as alianças heterodoxas que ele e o PT fazem na política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou uma de suas famosas metáforas. Em entrevista a Kennedy Alencar (aqui), disse:
FOLHA - Nunca se sentiu incomodado por ter feito alguma concessão?
LULA - Nunca me senti incomodado. Nunca fiz concessão política. Faço acordo. Uma forma de evitar a montagem do governo é ficar dizendo que vai encher de petista. O que a oposição quer dizer com isso. Era para deixar quem estava. O PSDB e o PFL (hoje DEM) queriam deixar nos cargos quem já estava lá. Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.
FOLHA - É isso que explica o sr. ter reatado com Collor, apesar do jogo baixo na campanha de 1989?
LULA - Minha relação com o Collor é a de um presidente da República com um senador de um partido que faz parte da base da base. Os senadores do PTB têm votado sistematicamente com o governo.
FOLHA - Do ponto de vista pessoal, não o incomoda? Não lhe dá aperto no peito?
LULA - Não tenho razão para carregar mágoa ou ressentimento. Quando o cidadão tem mágoa, só ele sofre. A pessoa que é a razão de ele ter mágoa vive muito bem, e só ele sofre. Quando se chega à Presidência da República, a responsabilidade nas suas costas é de tal envergadura que você não tem o direito de ser pequeno. Tem de ter as atitudes de chefe de Estado. Fico sempre olhando quando a Alemanha e a França resolveram criar a União Européia. A grandeza daqueles dirigentes políticos, ainda com o gosto de sangue da Segunda Guerra Mundial.
Ao usar essa figura de linguagem, por analogia, Lula autoriza qualquer um a imaginar que alguns Judas já foram (ou ainda são) aliados do governo federal.
O blog quer saber: quem são ou foram os Judas de Lula e do PT? Eis (abaixo) uma lista de nomes de aliados controversos. Algum pode ser um... Judas?
- Antonio Palocci (enviado ao degredo depois da quebra do sigilo bancário do caseiro)
- Fernando Collor (inimigo histórico do PT, mas hoje um aliado de Lula e defensor de Dilma Rousseff)
- Geddel Vieira Lima (ministro da Integração Nacional, do PMDB-BA, ex-ardoroso defensor de FHC)
- Jader Barbalho (deputado pelo PMDB-PA, renunciou antes à presidência do Senado para não ser cassado)
- José Dirceu (deputado pelo PT-SP cassado na esteira do mensalão)
- José Sarney (presidente do Senado e protagonista de várias polêmicas no Congresso)
- Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente pelo PT, agora pré-candidata a presidente pelo PV)
- Michel Temer (presidente da Câmara, ex-aliado de FHC e Serra, sonha em ser vice de Dilma)
- Paulo Maluf (inimigo histórico do PT, mas hoje aliado)
- Roberto Jefferson (deputado cassado, do PTB-RJ, que contou a história do mensalão)
- Valdemar Costa Neto (donatário do PR, o partido-símbolo do mensalão)
- Waldomiro Diniz (assessor de José Dirceu citado no caso de Carlinhos Cachoeira)
E então? Quem é Judas nessa lista? Há algum? Deixe seu comentário.
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