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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

11h22 - 23/09/2009

Câmara quer enviar deputados a Honduras

Atualização em 27.set.2009: a missão está formada. Terá 6 deputados: Raul Jungmann (PPS-PE), Ivan Valente (PSOL-SP) , Marcondes Gadelha (PSB-PB), Claudio Cajado (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Maurício Rands (PT-PE).

Ou seja, 3 de Pernambuco, 1 de São Paulo, 1 da Bahia e 1 da Paraíba.

Emabracam na 3ª feira, mas não se sabe ainda o itinerário --aviões da FAB não podem pousar em solo hondurenho.

Abaixo, o post tal como saiu dia 23.set.2009:

............

A decisão deve ser tomada ainda hoje. Um grupo de 5 deputados deve embarcar para Honduras para acompanhar a situação de crise política naquele país. O grupo deve ser liderado por Raul Jungmann (PPS-PE) e ainda  vai contar com Ivan Valente (PSOL-SP) , Marcondes Gadelha (PSB-PB), Claudio Cajado (DEM-BA) e Maurício Rands (PT-PE).

 

O que farão esses deputados lá e como poderiam ajudar a debelar a crise política hondurenha? Ninguém sabe. Havia várias anedotas no Congresso nesta manhã de quarta-feira (23.set.2009) sobre quem deveria ser incluído no grupo. Em respeito aos citados, este blog se exime de dizer seus nomes.

 

Há um lado bom nessa comissão brasileira em Honduras: enquanto estão fora do Brasil, os deputados não votam emendas constitucionais para aumentar o número de vereadores ou para censurar a web durante o período eleitoral.

 

Abaixo, o comunicado expedido pela assessoria de Jungmann:

 

A Câmara dos Deputados deverá enviar um grupo de parlamentares a Honduras para acompanhar os conflitos que envolvem o retorno do presidente deposto, Manoel Zelaya, ao país e seu abrigo na embaixada brasileira. A comissão externa, comandada pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), ainda pretende avaliar a situação dos brasileiros que ocupam a embaixada, que está sitiada pelas forças hondurenhas. O governo local cortou o fornecimento de energia e água para o prédio.

 

O comissão é forma ainda pelos deputados Ivan Valente (PSOPL-SP) , Marcos Gadelha (PSB-PB), Claudio Cajado (DEM-BA, Maurício Rands (PT-PE). A criação da comissão será apreciada nesta quarta-feira pelo plenário da Câmara.

 

Jungmann informa que o grupo já está em contato com o Itamaraty para viabilizar a viagem dos parlamentares a Honduras o mais breve possível. Em reunião neste terça-feira os membros da comissão também repudiaram as retaliações a embaixada brasileira (corte de água, luz e cerco militar) e fizeram um apelo ao presidente Zelaya para que não se manifeste mais publicamente sobre a situação política do país, evitando aumentar o clima de tensão instalado na região.

 

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Por Fernando Rodrigues
13h00 - 22/09/2009

Conhecimento dos nomes dos candidatos por parte do eleitor: essa é a chave da pesquisa Ibope

 

O Brasil está a cerca de 1 ano da eleição presidencial (será em 3.out.2010). Por essa razão, um dos fatores mais relevantes das atuais pesquisas eleitorais é o grau de conhecimento que o eleitorado tem dos candidatos.

 

Quem já é mais conhecido, se for um nome bom de voto, tende a aparecer melhor nas pesquisas.

 

Quem é desconhecido, não importa se seja bom ou não de voto, sempre terá mais dificuldade de pontuar na pesquisa –há também uma tendência natural de as pessoas rejeitarem mais quem não conhecem.

 

Na pesquisa Ibope, divulgada hoje (22.set.2009), são as seguintes as taxas de conhecimento dos principais pré-candidatos a presidente da República em 2010:

 

José Serra (PSDB) – 66%

Aécio Neves (PSDB) – 27%

Ciro Gomes (PSB) – 45%

Dilma Rousseff (PT) – 32%

Heloísa Helena (PSOL) – 30%

Marina Silva (PV) – 18%

 

Agora, a taxa de rejeição de cada um:

José Serra (PSDB) – 30%

Aécio Neves (PSDB) – 37%

Ciro Gomes (PSB) – 33%

Dilma Rousseff (PT) – 40%

Heloísa Helena (PSOL) – 40%

Marina Silva (PV) – 37%


 

Nesse contexto, é natural que os políticos conhecidos por menos de 40% do eleitorado tenham desempenhos menos robustos em levantamentos de intenção de voto (casos de Dilma, Heloisa e Marina Silva). Também é nítida a correlação de quanto menos conhecido, mais rejeitado. O eleitor é, antes de tudo, um conservador. Arriscar e experimentar coisas novas não são atitudes típicas do votante brasileiro.

 

Números apresentados, um caso a ser considerado é o da petista Dilma Rousseff, que está 13 pontos percentuais atrás de Ciro Gomes em termos de “taxa de conhecimento”. Ainda assim, ambos estão com 14% de intenção de voto num cenário em que 5 candidatos são apresentados como opções ao eleitor (Serra lidera com 34%, Dilma aparece com 14%, Ciro também com 14%, Heloísa Helena tem 8% e Marina Silva fica com 6%).

 

Ou seja, do ponto vista estritamente estatístico eleitoral, Dilma parece ter mais chance de ampliar seu eleitorado do que Ciro –embora este blogueiro recomende muita calma com essa análise: não existe certeza absoluta nessa área, pois há muitos fatores que podem influir sobre como o eleitor vai se decidir.

 

Outro aspecto que chama a atenção é sobre os tucanos Serra e Aécio: eles têm entre si um abismo de taxa de conhecimento. Serra é conhecido por 66% dos eleitores e está 39 pontos percentuais à frente de Aécio quando se trata de saber quem já está na cabeça dos brasileiros. Ainda assim, o mineiro chega a pontuar 12% quando seu nome é colocado no cenário dos 5 nomes (Ciro fica com 25% das intenções de voto; Dilma tem 16%, Aécio tem 12%, Heloísa Helena tem 11% e Marina Silva fica com 8%).

 

O recado geral dessa pesquisa (como das outras recentes) é que há ainda uma desproporção grande entre os pré-candidatos quando se trata de medir o quanto cada um é conhecido. Essa diferença tende a ser aplainada no início do ano que vem, quando todos estarão muito mais explicitamente aparecendo como postulantes ao Planalto. Só então será possível saber quem de fato será competitivo.

 

Por fim, vale registrar que os menos conhecidos e que já pontuam acima de 10% não devem ser desprezados por ainda não terem rompido a barreira dos 20% para ameaçar o líder José Serra. A avaliação correta só será possível mais adiante.

 

A pesquisa do Ibope ouviu 2.002 pessoas de 11 a 14 de setembro em 142 cidades. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

 

 

Por Fernando Rodrigues

Caso Dilma x Lina: Planalto encerra o assunto dizendo que não há dados a respeito do encontro entre as duas

O Palácio do Planalto respondeu de forma detalhada a um requerimento de informações do Democratas a respeito da agenda da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Não há mesmo imagens disponíveis das câmeras de segurança da Presidência por um período superior a 30 dias. Aqui, cópia (em pdf) da resposta oficial do governo.

 

O Democratas queria esclarecer se houve ou não a tal reunião no final de 2008, no Planalto, no qual Dilma teria pedido à então secretária da Receita Federal, Lina Veira, para “agilizar” um processo tributário sobre empresas da família Sarney.

 

Não há imagens do sistema de segurança. Sobre os veículos que entram no Planalto, disse o governo: “Os  veículos que transportam autoridades, após reconhecidos, não têm suas placas anotadas”.

 

Em resumo, o caso vai acabando de morte morrida, pois será sempre a palavra de uma (Lina Vieira dizendo que houve a reunião) contra a palavra de outra (Dilma Rousseff negando o encontro).

 

E, mais importante, o país passou a conhecer em detalhes como (não) é feito controle de acesso de pessoas à Presidência da República.

 

Por Fernando Rodrigues

Internet tem quase 65 milhões de usuários no Brasil

 

Entre os portais de conteúdo, UOL é líder

 

O Ibope divulgou que a web no Brasil atingiu 64,8 milhões de usuários. Ou seja, dos 191,8 milhões de brasileiros, 33,8% têm acesso à internet. Como comparação, nos EUA a internet atingiu 50% da população daquele país no ano 2000.

 

O Brasil está quase uma década atrasado em relação aos EUA em termos de conexão digital. Esse aspecto deve ser levado em conta pelos que tentam analisar/prever o impacto da web na política e nas eleições de 2010. Haverá certamente um “efeito internet”, mas ainda estará longe de ser algo equivalente ao assistido na eleição de Barack Obama para a Casa Branca em 2008. Ainda assim, os políticos brasileiros que fincarem uma estaca nesse terreno sairão à frente dos demais.

 

Aqui, a notícia do Ibope.

 

O boletim ex-blog  de César Maia (disponível por e-mail apenas para cadastrados, aqui) detalha alguns dados do Ibope sobre os sites mais visitados do país.

 

“Os líderes em visitantes únicos, incluindo aplicativos, foram Google (34.173.000), MSN/ WindowsLive/Bing (32.579.000), Orkut (27.893.000), UOL (27.685.000), Microsoft (25.700.000), iG (23.999.000), Globo.com (22.918.000), Terra (22.776.000), YouTube (22.434.000) e Yahoo (21.871.000)”.

 

“Quando excluídos os aplicativos, os números mudam para: Google (34.137.000), Orkut (27.893.000), MSN/WindowsLive/Bing (27.707.000), UOL (27.685.000), iG (23.999.000), Globo.com (22.918.000), Terra (22.776.000), YouTube (22.434.000), Yahoo (21.781.000) e Blogger (19.134.000)”.

  

A liderança do UOL e a aparição de outros portais com tanta audiência explica um pouco a obsessão dos deputados e dos senadores para tentar colocar um cabresto no uso da internet.  Querem regular porque 1) tem medo do novo meio 2) não entendem o caráter de liberdade plena na web e 3) não existe no Brasil uma cultura consolidada de liberdade de expressão como um valor democrático inegociável.

 

É importante notar que a medição do Ibope leva em conta apenas quem usa internet a partir de suas residências ou locais de trabalho. Em agosto, esse universo foi de 37,3 milhões de pessoas –um aumento de 2,3% sobre os 36,5 milhões registrados em julho. No caso do UOL, em agosto, sua audiência de 27,685 milhões representa 74,2% de todos os internautas que acessam a web de casa ou do trabalho.

 

Mas como o país tem quase 65 milhões de pessoas com acesso à web, onde estão então todas essas pessoas? Além de acessar a internet em casa e no trabalho, milhões de brasileiros só conseguem ter conexão na escola, lan-houses, bibliotecas e telecentros.

 

Ou seja, a audiência dos principais sites deve ser maior do que apurada pelo Ibope. No caso do UOL, portal de notícias líder no Brasil, os 27,685 milhões de internautas em agosto representam apenas o piso da audiência. 

 

Por Fernando Rodrigues
19h38 - 20/09/2009

Poder e política na semana – 21 a 26.set.2009

Lula fora do país a semana inteira (ONU, Obama, G20, Chávez). No passado, quando o presidente ia para o exterior dizia-se que “a crise viajou”. Agora, nada disso. Sem Lula, Brasília apenas fica esvaziada.

 

No Congresso, pré-sal, CPI da Petrobras e PEC dos vereadores sendo aprovada em definitivo (na Câmara).

 

Várias definições partidárias vão ocorrer também porque o prazo de 1 ano antes da eleição termina em 2 de outubro. Henrique Meirelles (do BC), Paulo Skaf (Fiesp), Gabriel Chalita (vereador tucano em SP) e outros vão tomar uma posição nos próximos dias.

 

A seguir, o que vai mover a política na semana.

 

 

 

Segunda-feira (21.set)

Lula nos EUA – chega no fim da tarde em Nova York.  À noite, recebe o prêmio “Woodrow Wilson for Public Service”. O anfitrião da cerimônia será Eike Batista.

 

Toffoli no Supremo – a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado pedirá à Justiça de Macapá (AP) cópias dos processos contra o advogado-geral da União, Antônio Dias Toffoli, indicado por Lula para o STF (Supremo Tribunal Federal).

 

Temer e empresários – em São Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados se reúne com a cúpula da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo). Discutirão a tramitação da Lei de Execução Fiscal.

 

Paulo Cabral – enterro do ex-presidente da ANJ e condômino dos Diários Associados será as 11h, no Campo da Esperança, em Brasília.

 



Terça-feira (22.set)

Lula e Ban Ki-Moon – o apagado secretário-geral da ONU recebe o brasileiro em jantar.

 

Reforma eleitoral ressuscitada – o deputado Flávio Dino (PC do B-MA) deve apresentar projetos de lei ressuscitando as propostas do Senado rejeitas pela Câmara na última semana. Entre elas, está a eleição indireta para governadores cassados e o uso obrigatório de dados do IBGE por institutos de pesquisa.

Comentário do blog: de onde menos se espera... é de onde não sai nada mesmo.

 

Pré-sal - a Câmara instala as 4 comissões para analisar o marco regulatório de exploração do petróleo na camada pré-sal.

 

PEC dos vereadores – a proposta que aumenta o número de vereadores será votada em segundo turno no plenário da Câmara dos Deputados.

Pergunta do blog: o Brasil ficará melhor com 7.700 novos vereadores?

 

CPI da Petrobras - ouve 3 gerentes da estatal: Wilson Santarosa (Comunicação Institucional), Luís Fernando Maia Nery (Responsabilidade Social) e Eliane Sarmento Costa (Patrocínios).

 

 

Quarta-feira (23.set)

Lula 64ª Assembléia-Geral das Nações Unidas – por tradição, o presidente brasileiro discursa na abertura do evento em Nova York (EUA).

 

 

 

Quinta-feira (24.set)

Lula e Obama – reúnem-se em Pittsburgh (EUA). Depois, participam de jantar com os chefes de Estado do G-20. Eis aí motivo de ciúmes para os argentinos, cuja imprensa está sempre cobrando Cristina Kirchner por nunca ter sido recebida individualmente por Obama.

 

 

2º Congresso da CTB – sindicalistas da  Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (ligada ao PC do B) abrem seu congresso em São Paulo (SP). O encontro vai até sábado.

 

 

Áreas indígenas do STF – o Supremo Tribunal Federal decide sobre a legalidade da existência de 2 reservas criadas pelo presidente Lula.

 

 

PPS – o Partido Popular Socialista terá 5 minutos gratuitos na TV e no Rádio.

 

 

Sexta-feira (25.set)

G-20 – sessão de abertura da reunião do grupo em Pittsburgh (EUA). Lula lá.

 

 

 

Sábado (26.set)

Lula na Venezuela – vai à Isla Margarita, o balneário trash da classe média latina que acha o local bonito. Ao lado de Hugo Chávez, fechará acordo entre a Petrobras e a PDVSA para a construção da refinaria Abreu Lima.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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