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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

20h05 - 17/09/2009

Chalita vai ao PSB com a benção de Aécio e para ser o plano B de Geraldo Alckmin

O tucano e geraldista Gabriel Chalita está entrando no PSB. Essa é a informação conhecida. O bastidor é mais apimentado.

 

Chalita conversou reservadamente com Aécio Neves para receber a benção do tucano mineiro a respeito da troca da canoa tucana pelo PSB paulista. Foi abençoado. Ontem (16.set.2009), bateu o martelo com o principal cacique do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos.

 

Geraldo Alckmin tem em Chalita um de seus mais fortes puxadores de votos na região metropolitana da capital paulista. Em 2008, Chalita foi o mais bem votado vereador na cidade de São Paulo, com 102.048 votos.

 

Alckmin esboçou no final de 2008 um desejo de ele próprio pular para o PSB. Não deu certo. Lula não se animou em vê-lo num partido de sua base. O petista detesta Alckmin. Credita ao tucano alguns ataques que considera além do aceitável na disputa presidencial de 2006.

 

Mesmo assim, Alckmin estava determinado a sair do PSDB no final do ano passado. Achava que não teria espaço no partido para ser candidato a governador em 2010, pois não se dava com José Serra.

 

Por essa razão o próprio Serra ficou com medo de ter um candidato como Alckmin fora do PSDB em 2010. Trouxe Alckmin para seu secretariado estadual e acorrentou o antigo adversário à sigla.

 

Alckmin sabe o que se passa. Não tem mais como sair do PSDB. Resolveu então mover pedras importantes no tabuleiro de 2010. Se Serra acabar mudando de ideia mais adiante e não deixá-lo ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Alckmin terá uma excelente opção dentro do PSB para apoiar na disputa pelo governo estadual paulista: Gabriel Chalita.

 

Ainda mais agora que Aécio Neves também está ciente da estratégia e já deu seu nihil obstat para a entrada de Chalita no PSB. Aliás, se tudo der errado para Alckmin e Aécio no PSDB, Chalita pode tranquilamente subir em São Paulo no palanque presidencial da petista Dilma Rousseff. Seria um tucano avançado no campo adversário, com o objetivo de minar as chances de vitória de Serra na disputa pelo Planalto.

 

Como se observa, o jogo entre os tucanos ainda está longe de ser um jogo jogado.

Por Fernando Rodrigues

A história secreta da restrição à web-2010

Decisão de restringir debates na internet foi mantida em sigilo para passar na surdina na Câmara

  

Houve uma intenção deliberada de esconder da mídia o que seria exatamente votado sobre a lei eleitoral na Câmara na noite de ontem (16.set.2009). Os deputados queriam equiparar de maneira irregovável a web à TV e ao rádio no que diz respeito à realização de debates –no mínimo. Esconderam essa decisão o quanto puderam para que o assunto não vazasse para a blogosfera e contaminasse os telejornais do início da noite.

 

A estratégia foi um sucesso absoluto. O "Jornal Nacional”, da TV Globo, e vários sites na web, inclusive o UOL, passaram a dizer que a Câmara iria garantir a liberdade na internet –porque era essa a versão oficial no Congresso. O relator do tema na Câmara, Flávio Dino (PC do B-MA), alardeava pelo salão verde da Casa que tudo estaria liberado. Não era verdade.

 

Ao final da reunião de líderes que selou o acordo para a votação, no fim da tarde de ontem, os deputados anunciaram que aceitariam integralmente as 4 emendas do Senado liberando a internet. O artigo 57-D do Senado, onde constava a liberdade da web, seria totalmente acatado pelos deputados. Já as regras para debates impostas pelo Senado seriam derrubadas.

 

Não foi o que aconteceu. No seu relatório, Dino retomou o seguinte parágrafo do texto original da Câmara:

 

“§ 1º É facultada às empresas de comunicação social e aos provedores a veiculação na internet de debates sobre eleições, observado o disposto no art. 46.”

 

O artigo 46 da lei 9.504 é onde se encontram as restrições para TV e Rádio. Ou seja, a necessidade de chamar aos debates no mínimo dois terços do total de candidatos.

 

Se a equiparação à TV existe para debates, muitos políticos pelo país passarão também a exigir na Justiça Eleitoral que os portais, sites e blogs apliquem a mesma regra de equanimidade para entrevistas. Como há um vácuo jurídico a respeito, muitos juízes eleitorais podem facilmente conceder liminares favoráveis aos políticos nas eleições do ano que vem.

 

A existência destas restrições foi anunciada ao UOL por Flávio Dino quando a votação já estava quase no fim. Até ali, o deputado ACM Neto (DEM-BA), braço direito de Dino na elaboração da proposta, dizia que não haveriam restrições aos debates. ACM Neto não estava falando a verdade.

 

Descoberta a manobra, o UOL procurou os líderes da Câmara. Encontrou-os em um estado misto de ignorância e má-fé.

 

O líder tucano, José Anibal (PSDB-SP), chamou de “malandragem” a manobra de Dino. Não teria sido o acertado na reunião “confusa e apressada” que selou o acordo.

 

O líder dos Democratas, Ronaldo Caiado (DEM-GO) disse no plenário que as restrições aos debates já estavam acertadas entre os líderes e deveriam ser aprovadas. Porém, o goiano havia negado a existência de restrições aos debates um pouco antes, ao final da reunião de líderes.

 

Cândidao Vaccarezza (PT-SP) parecia não entender o que acontecia. Perguntava onde estava essa “tal restrição à internet nos debates”.

 

Artífice da manobra, Flávio Dino foi mudando sua atitude ao longo do dia. Durante a tarde, não queria ser responsável pelos males da proposta. Procurado para comentar, dizia: "O papel do relator é construir maioria, não é dar opinião". No final da votação, esqueceu o que havia dito anteriormente. Dava  opiniões abertamente, protestando contra seus opositores. “Isso não é uma restrição. Estamos preservando liberdade e o direito de uma minoria”. A blogosfera toda, ainda sem entender estava dando que a internet seria liberada. Os telejornais também tinham sido engambelados e falavam em liberdade na web.

 

Dino quis, e conseguiu, ganhar nas duas pontas: 1) restringir o que fosse possível na web e 2) passar uma imagem pública de alguém que estava liberando a web.

 

Em geral, dizia que a lei atual já era restritiva. Sim, mas agora continuou a haver restrição.

 

Mesmo o caput (introdução) do artigo que fala em liberdade para a web há uma frase sem o menor sentido: “É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores –internet”.

 

É bonito vedar o anonimato. Ninguém aprecia os comentários vitriólicos de pessoas que se escondem atrás de e-mails falsos. Esse é um ponto. Mas como resolvê-lo? Na web, só duas hipóteses: acabar com a interatividade e eliminar os comentários.

 

Sim, porque é absolutamente inviável que portais, sites e blogs possam assegurar a veracidade de quem escreve comentários. Há como fazer alguma moderação, retirando palavrões. Mas e como fazer se algum internauta, com e-mail falso, criticar durante o candidato do PT ou do PSDB, apresentando apenas argumentos sólidos, políticos? Algum candidato pode se sentir ofendido, processar o portal e não haverá como descobrir o autor. Para não pagar esse preço, empresas sérias de internet podem simplesmente optar por proibir de uma vez os comentários apensados por leitores em sites e blogs. Acaba uma das melhores partes da web, a sua possibilidade de interação.

 

O atual Congresso, com essa pequena frase, bonita, “vedado o anonimato durante a campanha eleitoral”, será o responsável por calar a web brasileira –pelo menos, o sites e portais sérios com sede no país.

 

Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, patrocinou a votação apressada da proposta de lei eleitoral ontem. O texto chegou do Senado para a Câmara apenas às 19h01. Às 20h38, a matéria já estava em votação no plenário. Às 23h10 o presidente encerrou a votação dizendo que aquela foi “uma noite muito próspera para o Parlamento”.

 

Foi uma noite muito próspera para o Parlamento, já que a divergência só faz alimentar a grandeza desta Casa.

De modo que quero cumprimentar o Deputado Flávio Dino, todos os que trabalharam nesse comissão, representantes de todos os partidos.

Quero agradecer ao Senado Federal que, por meio do Presidente Sarney, mandou o projeto rapidamente para cá, em face de um telefonema do Deputado Marco Maia, em menos de meia hora.

Quero agradecer também aos Líderes, que se reuniram e chegaram a um consenso que nos permitiu, depois de muito tempo, elaborar uma lei eleitoral substitutiva das tradicionais resoluções do TSE.

  

(com reportagem de Piero Locatelli, do UOL, em Brasília)

 

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Por Fernando Rodrigues

Por que a web não será livre na eleição de 2010

A versão oficial de muitos deputados e senadores é a de que a internet foi liberada na eleição de 2010. Não é verdade.

 

Saiba por que nos 2 itens abaixo:

 

1) artigo 57-D – o caput (introdução) desse artigo diz o seguinte: “É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato durante a campanha eleitoral, por meio da rede mundial de computadores –internet–, assegurado o direito de resposta”.

 

É bonito vedar o anonimato. Ninguém aprecia os comentários anônimos ou com nomes falsos cheios de ataques ou palavrões. Ao tentar eliminar esse lado ruim da internet, talvez os deputados e os senadores tenham pensado no que disse esta semana o presidente Lula: “A internet é uma coisa que fugiu ao controle do criador. O que é importante é que a gente tenha o seguinte cuidado: a gente precisa normatizar sem proibir a liberdade de internet”.

 

O problema é como conter esses comentários vitriólicos.

 

Os portais, sites e blogs sérios já fazem algum tipo de moderação. Eliminam palavrões e ofensas despropositadas. Mas é impossível checar tudo. Ninguém no planeta Terra consegue. Muito menos saber se aquele internauta que assina 123XPTO@hotmail.com existe ou não.

 

Durante uma eleição, eliminar palavrões não bastará. Se um internauta escrever que determinado candidato é um cretino, um hipócrita e um péssimo administrador, esse comentário poderá ser considerado ofensivo? Claro que sim. O portal então será comunicado. Se o comentário vier de alguém cuja identidade for falsa, a empresa que hospeda o blog ou site será responsabilizada.

 

Ou seja, fica portanto limitadíssima a possibilidade de haver interação e comentários durante o período eleitoral.

 

Se a lei for sancionada como está, qual será então a consequência? Há duas hipóteses. Primeiro, os portais, sites e blogs teriam de contratar exércitos de pessoas para ler os comentários e contatar um por um dos internautas para saber se existem de fato. Inexequível. Outra hipótese (essa, lamentável): acabar com a possibilidade de comentários e interação durante a campanha eleitoral. É o que vai acontecer.

 

 

2) equiparação da web à TV e ao rádio – do jeito que está a lei, debates eleitorais na web terão de se submeter às mesmas restrições aplicadas ao rádio e à TV. Ou seja, convidar pelo menos dois terços dos candidatos.

 

Mas a lei aprovada pelo Congresso é omissa a respeito de outros usos de áudio e vídeo na internet. Suponha-se que um blog, site ou portal decida entrevistar separadamente, em vídeo, só 2 candidatos a presidente. Nesse caso, todos os outros poderiam entrar na Justiça e requerer também que fossem entrevistados. Alegariam que as entrevistas individuais são uma forma disfarçada de debate para contornar a restrição legal.

 

Quem conhece o pensamento de juízes eleitorais sabe que não seria difícil centenas de políticos obterem decisões favoráveis que obrigassem portais, site e blogs a entrevistá-los.

 

A lei eleitoral precisa ser sancionada por Lula antes de 3 de outubro, que é quando o país estará a um ano da eleição de 2010. No Planalto, a informação é que a tradição manda presidentes nunca vetarem leis eleitorais, nem que seja parcialmente. Mas há uma pressão de alguns aliados para que o presidente conserte o ato de censura cometido pelo Congresso.

 

No post baixo, os nomes de todos os deputados que abriram a porteira para a restrição da internet em 2010.

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Conheça os deputados que censuraram a web

A lei eleitoral foi votada e a aprovada na Câmara por aclamação. Mas foram 221 os deputados que viabilizaram a aprovação do texto com as várias restrições à web durante o período eleitoral.

 

O plenário da Câmara estava sofrendo um processo de obstrução ontem (16.set.2009) porque havia sido requerida uma votação nominal. Nesse caso, são necessários pelo menos 257 deputados presentes (50% mais 1 dos 513 totais).

 

Tratava-se de uma votação sobre um tema adjacente –se seria permitida ou não a propaganda paga de candidatos na internet. Os partidos todos se mobilizaram, do PT ao Democratas, do PSOL ao PV, e colocaram os deputados em plenário para derrubar essa possibilidade. Só o PSDB estava contra. A votação foi 221 votos para vetar a publicidade paga e só 38 a favor.

 

Por conta dessa votação, a sessão pode prosseguir depois apenas com votações simbólicas. A lei eleitoral foi aprovada. No post acima, um detalhamento de quais são as restrições à web.

 

Um fato importante: Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, não aparece na lista de deputados censores. Mas ele foi o grande condutor do processo, presidindo a sessão.

 

Abaixo, em lista alfabética, os nomes dos 221 deputados responsáveis diretos pela censura à internet na eleição do ano que vem. É necessário dizer que alguns foram solapados pelo “centralismo democrático” de suas siglas, como Paulo Teixeira (PT-SP). Esse deputado era a favor de liberar a web, mas teve (sic) de votar com o PT e ajudou a engrossar a banda dos censores:

 

Quem votou para ajudar a censurar a web (e-mails desses deputados estão em www.camara.gov.br):

 

Abelardo Camarinha (PSB-SP); Abelardo Lupion (DEM-PR); Aelton Freitas (PR-MG); Albérico Filho (PMDB-MA); Alice Portugal (PCdoB-BA); Ana Arraes (PSB-PE); André de Paula (DEM-PE); Angela Amin (PP-SC); Angelo Vanhoni (PT-PR); Antonio Bulhões (PMDB-SP); Antônio Carlos Biffi (PT-MS); Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ); Antonio Carlos Chamariz (PTB-AL); Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA); Antonio Cruz (PP-MS); Antônio Roberto (PV-MG); Aracely de Paula (PR-MG); Ariosto Holanda (PSB-CE); Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); Arnaldo Jardim (PPS-SP); Arolde de Oliveira (DEM-RJ); Augusto Farias (PTB-AL); Bel Mesquita (PMDB-PA); Benedito de Lira (PP-AL); Betinho Rosado (DEM-RN); Bispo Gê Tenuta (DEM-SP); Brizola Neto (PDT-RJ); Cândido Vaccarezza (PT-SP); Capitão Assumção (PSB-ES); Carlos Abicalil (PT-MT); Carlos Bezerra (PMDB-MT); Carlos Eduardo Cadoca (PSC-PE); Carlos Sampaio (PSDB-SP); Carlos Zarattini (PT-SP); Celso Maldaner (PMDB-SC); Celso Russomanno (PP-SP); Cezar Silvestri (PPS-PR); Charles Lucena (PTB-PE); Chico Abreu (PR-GO); Chico Alencar (PSOL-RJ); Chico DAngelo (PT-RJ); Chico Lopes (PCdoB-CE); Claudio Cajado (DEM-BA); Colbert Martins (PMDB-BA); Darcísio Perondi (PMDB-RS); Davi Alves Silva Júnior (PDT-MA); Deley (PSC-RJ); Devanir Ribeiro (PT-SP); Domingos Dutra (PT-MA); Dr. Adilson Soares (PR-RJ); Dr. Paulo César (PR-RJ); Dr. Rosinha (PT-PR); Dr. Talmir (PV-SP); Edigar Mão Branca (PV-BA); Edio Lopes (PMDB-RR); Edmar Moreira (PR-MG); Edmilson Valentim (PCdoB-RJ); Edson Duarte (PV-BA); Edson Ezequiel (PMDB-RJ); Eduardo Cunha (PMDB-RJ); Eduardo Lopes (PSB-RJ); Elcione Barbalho (PMDB-PA); Eleuses Paiva (DEM-SP); Elismar Prado (PT-MG); Elizeu Aguiar (PTB-PI); Emiliano José (PT-BA); Eunício Oliveira (PMDB-CE); Fábio Faria (PMN-RN); Fábio Ramalho (PV-MG); Fábio Souto (DEM-BA); Fátima Bezerra (PT-RN); Felipe Bornier (PHS-RJ); Felipe Maia (DEM-RN); Fernando Coruja (PPS-SC); Fernando Ferro (PT-PE); Fernando Lopes (PMDB-RJ); Fernando Marroni (PT-RS); Fernando Melo (PT-AC); Fernando Nascimento (PT-PE); Flávio Bezerra (PMDB-CE); Flávio Dino (PCdoB-MA); Francisco Praciano (PT-AM); Francisco Rodrigues (DEM-RR); Francisco Rossi (PMDB-SP); Geraldinho (PSOL-RS); Geraldo Pudim (PMDB-RJ); Geraldo Resende (PMDB-MS); Geraldo Simões (PT-BA); Germano Bonow (DEM-RS); Gerson Peres (PP-PA); Gilmar Machado (PT-MG); Glauber Braga (PSB-RJ); Gorete Pereira (PR-CE); Guilherme Campos (DEM-SP); Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN); Hugo Leal (PSC-RJ); Ibsen Pinheiro (PMDB-RS); Ivan Valente (PSOL-SP); Jackson Barreto (PMDB-SE); Jaime Martins (PR-MG); Jair Bolsonaro (PP-RJ); Jairo Ataide (DEM-MG); Jairo Carneiro (PP-BA); Janete Rocha Pietá (PT-SP); Jilmar Tatto (PT-SP); Jô Moraes (PCdoB-MG); João Carlos Bacelar (PR-BA); João Matos (PMDB-SC); João Oliveira (DEM-TO); Joaquim Beltrão (PMDB-AL); Jorge Boeira (PT-SC); Jorge Khoury (DEM-BA); José Airton Cirilo (PT-CE); José Carlos Araújo (PR-BA); José Eduardo Cardozo (PT-SP); José Genoíno (PT-SP); José Guimarães (PT-CE); José Maia Filho (DEM-PI); José Mentor (PT-SP); José Rocha (PR-BA); Joseph Bandeira (PT-BA); Julião Amin (PDT-MA); Júlio Cesar (DEM-PI); Jurandil Juarez (PMDB-AP); Jurandy Loureiro (PSC-ES); Lázaro Botelho (PP-TO); Leandro Vilela (PMDB-GO); Lelo Coimbra (PMDB-ES); Leo Alcântara (PR-CE); Leonardo Monteiro (PT-MG); Lídice da Mata (PSB-BA); Lincoln Portela (PR-MG); Lindomar Garçon (PV-RO); Luciana Costa (PR-SP); Luiz Alberto (PT-BA); Luiz Bassuma (PT-BA); Luiz Bittencourt (PMDB-GO); Luiz Carlos Setim (DEM-PR); Luiz Carreira (DEM-BA); Luiz Couto (PT-PB); Lupércio Ramos (PMDB-AM); Magela (PT-DF); Major Fábio (DEM-PB); Manato (PDT-ES); Marçal Filho (PMDB-MS); Marcelo Castro (PMDB-PI); Marcelo Melo (PMDB-GO); Marcelo Ortiz (PV-SP); Marcelo Serafim (PSB-AM); Marcelo Teixeira (PR-CE); Marcio Junqueira (DEM-RR); Márcio Marinho (PR-BA); Marco Maia (PT-RS); Marcondes Gadelha (PSB-PB); Marcos Lima (PMDB-MG); Marcos Medrado (PDT-BA); Marcos Montes (DEM-MG); Maria do Rosário (PT-RS); Maria Helena (PSB-RR); Maurício Trindade (PR-BA); Mauro Nazif (PSB-RO); Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS); Mendonça Prado (DEM-SE); Nazareno Fonteles (PT-PI); Neilton Mulim (PR-RJ); Nelson Bornier (PMDB-RJ); Nilmar Ruiz (DEM-TO); Nilson Mourão (PT-AC); Odair Cunha (PT-MG); Odílio Balbinotti (PMDB-PR); Osmar Serraglio (PMDB-PR); Osvaldo Reis (PMDB-TO); Paes de Lira (PTC-SP); Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE); Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE); Paulo Piau (PMDB-MG); Paulo Pimenta (PT-RS); Paulo Rattes (PMDB-RJ); Paulo Rubem Santiago (PDT-PE); Paulo Teixeira (PT-SP); Pedro Chaves (PMDB-GO); Pedro Eugênio (PT-PE); Pedro Wilson (PT-GO); Pepe Vargas (PT-RS); Perpétua Almeida (PCdoB-AC); Professor Setimo (PMDB-MA); Professor Victorio Galli (PMDB-MT); Renato Molling (PP-RS); Ricardo Quirino (PR-DF); Roberto Alves (PTB-SP); Roberto Santiago (PV-SP); Rodrigo Rollemberg (PSB-DF); Rômulo Gouveia (PSDB-PB); Ronaldo Caiado (DEM-GO); Sandro Mabel (PR-GO); Saraiva Felipe (PMDB-MG); Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA); Sérgio Brito (PDT-BA); Sergio Petecão (PMN-AC); Silas Brasileiro (PMDB-MG); Solange Almeida (PMDB-RJ); Sueli Vidigal (PDT-ES); Takayama (PSC-PR); Tonha Magalhães (PR-BA); Valadares Filho (PSB-SE); Valdir Colatto (PMDB-SC); Valtenir Pereira (PSB-MT); Vander Loubet (PT-MS); Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM); Veloso (PMDB-BA); Vicentinho (PT-SP); Vinicius Carvalho (PTdoB-RJ); Washington Luiz (PT-MA); Wellington Roberto (PR-PB); Wilson Picler (PDT-PR); Wilson Santiago (PMDB-PB); Wladimir Costa (PMDB-PA); Zé Geraldo (PT-PA); Zequinha Marinho (PSC-PA); Zezéu Ribeiro (PT-BA); Zonta (PP-SC).

 

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Por Fernando Rodrigues

Câmara volta equiparar internet a rádio e TV para debates

Entenda como os deputados pioraram o que já veio ruim do Senado

 

A votação à jato da lei eleitoral na Câmara agora à noite ressuscitou a equiparação da internet ao rádio e à TV para efeito de realização de debates eleitorais em 2010.

 

Ontem (15.set.2009), o Senado havia flexibilizado a regra para o uso da internet na eleição. Em um artigo, falava-se sobre liberdade total para a web. Em outro, entretanto, restringia-se a rede para efeito de debates eleitorais.

 

Essa incongruência certamente seria derrubada mais adiante por meio de uma ação no STF. Não tinha pé nem cabeça.

 

A Câmara resolveu a parada. Reintroduziu a restrição no único artigo em que se fala sobre web. O caput (introdução) fala de liberdade na web, mas em seguida vem um parágrado fazendo uma exceção e impondo a restrição (regras do rádio e da TV) explícita à realização de debates. Agora, não restam dúvidas. Ficou mais difícil esse artigo ser derrubado na Justiça --embora o STF esteja caminhando para um entendimento sobre a liberdade total na web.

 

Portais, sites, blogs que tenham interesse em realizar um debate com candidatos a presidente ou a governador terão de convidar pelo menos 2 terços dos concorrentes. Se um reclamar, nada de debate. Se todos aceitarem, há apenas um encontro inútil, no qual o eleitor nunca sai esclarecido –exatamente como no rádio e na TV.

 

O relator da lei eleitoral na Câmara, deputado Flávio Dino (PC do B-MA), disse que a restrição é só para sites comerciais. Essa distinção é impossível. Todos os blogs e sites não comerciais estão hospedados em provedores comerciais. Ou seja, é tudo uma coisa só. A lei restringe os debates para todos os usuários da web.

 

 

P.S.1: conversei com alguns deputados durante o processo de votação. De vários partidos. PT, PSDB, PMDB, DEM, PDT e outros. A impressão nítida era a de que muitos não sabiam exatamente o que estavam votando. “Qual parágrafo...? Nãããooo... me disseram que nós estamos liberando tudo na internet... Ah... agora estou vendo aqui no texto... Então estão colocando isso dos debates, é...?”.

 

Enfim, um certo ambiente patético entre os deputados. Um pouco triste. Tudo coroado por aquele monte de elogios mútuos ao final da sessão. Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara, encerrou os trabalhos dizendo ter sido “uma noite muito próspera para o Parlamento”. É, pode ser. Próspera para os políticos.

 

 

 

P.S.2: internautas perguntam: a) "e se o debate for num site no exterior e dois candidatos aceitarem participar?" Resposta: os candidatos jamais aceitarão participar pois podem ser punidos pela Justiça Eleitoral. O site no exterior é livre, mas os políticos precisam seguir a lei brasileira. Outra b) "essa regra se aplica só a domínios brasileiros?" Sim, claro, os deputados e os senadores queriam mesmo era legislar para toda a galáxia. Mas não conseguiram. O problema é que os candidatos que poderiam participar do debate também ficam obrigados a seguir a lei, não importa em qual site, portal ou blog apareçam.

Aparentemente (esse ponto não está muito claro), as entrevistas com candidatos individuais estariam liberadas na web. Mas os políticos poderão ir à Justiça e talvez ganhar facilmente ações obrigando os portais, sites e blogs a seguir para as entrevistas as mesmas regras dos debates --por analogia, todos os candidatos teriam de ser convidados. Adeus liberdade de escolha.


 

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Por Fernando Rodrigues
12h28 - 16/09/2009

Conheça quem votou a favor das doações ocultas

Os senadores decidiram nesta terça-feira (15.set) que as doações para políticos devem continuar ocultas até o dia da eleição. Desta forma, o eleitor continuará tendo de votar sem saber de quem seu candidato recebeu dinheiro durante a campanha.

 

Atualmente, o político só é obrigado a fazer declarações genéricas antes da eleição. O candidato só deve divulgar quem são os doadores depois do pleito.

Já as declarações dos partidos são feitas no ano seguinte à eleição, o que dificulta a fiscalização das contas pela Justiça Eleitoral.

Emenda de autoria do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ao projeto de lei da reforma eleitoral daria aos eleitores acesso a uma lista com os doadores de cada candidato nos dias 6 e 30 de setembro do ano eleitoral.

O texto rejeitado também obrigava os partidos a declararem as doações antes das eleições realizadas no mês de outubro.

A emenda foi derrubada por 39 senadores. Outros 23 foram favoráveis à transparência nas doações.

A seguir, a lista de nomes e e-mails dos senadores e como eles votaram sobre as doações ocultas para suas campanhas.

Contra o fim das doações ocultas:

Adelmir Santana (DEM-DF)    - adelmir.santana@senador.gov.br
Alvaro Dias(PSDB-PR)- alvarodias@senador.gov.br
Arthur Virgílio (PSDB-AM) - arthur.virgilio@senador.gov.br
César Borges (PR-BA) - cesarborges@senador.gov.br
Cícero Lucena (PSDB-PB) - cicero.lucena@senador.gov.br
Eduardo Azeredo (PSDB-MG) - eduardoazeredo@senador.gov.br
Efraim Morais (DEM-PB) - efraim.morais@senador.gov.br
Epitácio Cafeteira (PTB-MA) - ecafeteira@senador.gov.br
Expedito Júnior (PR-RO) - expedito.junior@senador.gov.br
Fernando Collor (PTB-AL) - fernando.collor@senador.gov.br
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) - flexaribeiro@senador.gov.br
Francisco Dornelles (PP-RJ) - francisco.dornelles@senador.gov.br
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) - garibaldi.alves@senador.gov.br
Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) - geraldo.mesquita@senador.gov.br
Gerson Camata (PMDB-ES) - gecamata@senador.gov.br
Gilberto Goellner (DEM-MT) - gilberto.goellner@senador.gov.br
Gilvam Borges (PMDB-AP) - gilvamborges@senador.gov.br
Heráclito Fortes (DEM-PI) - heraclito.fortes@senador.gov.br
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) - jarbas.vasconcelos@senador.gov.br
João Tenório (PSDB-AL) - jtenorio@senador.gov.br
João Vicente Claudino (PTB-PI) - j.v.claudino@senador.gov.br
José Agripino (DEM-RN) - jose.agripino@senador.gov.br
Kátia Abreu (DEM-TO) - katia.abreu@senadora.gov.br
Lobão Filho (PMDB-MA) - lobaofilho@senador.gov.br
Lúcia Vânia (PSDB-GO) - lucia.vania@senadora.gov.br
Mão Santa (PMDB-PI) - maosanta@senador.gov.br
Marco Maciel (DEM-PE) - marco.maciel@senador.gov.br
Marconi Perillo (PSDB-GO) - marconi.perillo@senador.gov.br
Marisa Serrano (PSDB-MS) - marisa.serrano@senadora.gov.br
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) - mozarildo@senador.gov.br
Papaléo Paes (PSDB-AP) - gab.papaleopaes@senado.gov.br
Raimundo Colombo (DEM-SC) - raimundocolombo@senador.gov.br
Renan Calheiros (PMDB-AL) - renan.calheiros@senador.gov.br
Roberto Cavalcanti (PRB-PB) - robertocavalcanti@senador.gov.br
Romeu Tuma (PTB-SP) - romeu.tuma@senador.gov.br
Rosalba Ciarlini (DEM-RN) - rosalba.ciarlini@senadora.gov.br
Sérgio Guerra (PSDB-PE) - sergio.guerra@senador.gov.br
Tasso Jereissati (PSDB-CE) - tasso.jereissati@senador.gov.br
Valdir Raupp (PMDB-RO) - valdir.raupp@senador.gov.br

A favor do fim das doações ocultas:

Aloizio Mercadante (PT-SP) - mercadante@senador.gov.br
Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) - acmjr@senador.gov.br
Antonio Carlos Valadares (PSB-CE) - antval@senador.gov.br
Augusto Botelho (PT-RR) - augusto.botelho@senador.gov.br
Cristovam Buarque (PDT-DF) - cristovam@senador.gov.br
Delcídio Amaral (PT-MS) - delcidio.amaral@senador.gov.br
Eduardo Suplicy (PT-SP) - eduardo.suplicy@senador.gov.br
Fátima Cleide (PT-RO) - fatima.cleide@senadora.gov.br
Flávio Arns (Sem partido-PR) - flavioarns@senador.gov.br
Flávio Torres (PDT-CE) - flaviotorres@senador.gov.br
Ideli Salvatti (PT-SC) - ideli.salvatti@senadora.gov.br
Inácio Arruda (PcdoB-CE) - inacioarruda@senador.gov.br
Jefferson Praia (PDT-AM) - jefferson.praia@senador.gov.br
João Ribeiro (PR-TO) - joaoribeiro@senador.gov.br
Marcelo Crivella (PRB-RJ) - crivella@senador.gov.br
Marina Silva (PV-AC) - marinasi@senado.gov.br
Neuto De Conto (PMDB-SC) - neutodeconto@senador.gov.br
Osmar Dias (PDT-PR) - osmardias@senador.gov.br
Pedro Simon (PMDB-RS) - simon@senador.gov.br
Renato Casagrande (PSB-ES) - renatoc@senador.gov.br
Sérgio Zambiasi (PTB-RS) - zambiasi@senador.gov.br
Serys Slhessarenko (PT-MT) - serys@senadora.gov.br
Valter Pereira (PMDB-MS) - valterpereira@senador.gov.br

 

(com reportagem de Piero Locatelli, do UOL, em Brasília)

Por Fernando Rodrigues
20h50 - 15/09/2009

Debate eleitoral na web terá regra de rádio e TV

 

Eles venceram: web será equiparada ao rádio e à TV para efeito de regras de debates eleitorais

 

Os conservadores deram um nó tático nos senadores pró-web livre. Muitos saíram comemorando, tuitando, mas a liberação foi manca. Não dá para dizer que o Brasil tem web livre se debates seguem as regras da TV e do rádio.

 

A ideia era derrubar totalmente o artigo 57-D, que era assim:

 

“Art. 3º ….......................................

“Art. 57-D. Às empresas de comunicação social na Internet e aos conteúdo próprios dos provedores, a partir do dia 5 de julho do ano da eleição, é vedado:

I – veicular imagens de realização de pesquisa ou consulta popular de natureza eleitoral que permita a identificação de pessoa entrevistada ou que contenha manipulação de dados, ainda que sob a forma de entrevista jornalística;

II – fazer propaganda eleitoral de candidato, partido político ou coligação;

III – dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação, sem motivo jornalístico que justifique;

 

§ 1º A violação dos disposto neste artigo sujeitará o responsável pela divulgação da propaganda e, quando comprovado seu prévio conhecimento, o beneficiário à multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 30.000,00 (trinta mil reais).

 

§ 2º É facultada às empresas de comunicação social e aos provedores a veiculação de debates sobre eleições na internet, observando o disposto no art. 46.

 

§ 3º É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato e assegurado o direito de resposta, em blog assinado por pessoa física, rede social, sítio de interação e de mensagens instantâneas e assemelhados, e em outras formas de comunicação interpessoal mediante mensagem eletrônica, não lhes aplicando o disposto nos incisos II e III deste artigo.”

 

 

Apareceu Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e se fez de bonzinho. Disse que aceitava uma redação mais simples. Diria apenas que a internet era livre. Caso contrário, argumentou falaciosamente o mineiro, o TSE iria impor restrições. Todos ficaram maravilhados. Claro, a internet é livre. Em vez de derrubar o artigo 57-D, aprovaram o texto inócuo de Azeredo. E o mineiro enganou todo mundo –ou muitos até talvez tenham gostado de ser enganados.

 

Azeredo mostrou ser um grande engambelador. O TSE só impôs restrições na eleição passada porque a lei de 1997 tinha um dispositivo que seria eliminado com a exclusão do 57-D. Ou seja, ao derrubar o 57-D, o Senado estaria derrubando a resolução do TSE. O Senado tem mais de 10 mil funcionários, mas nenhum apareceu para alertar algum senador a respeito do assunto.

 

Aloizio Mercadante (PT-SP) e outros defensores da web livre caíram na cilada. Aceitaram a modificação.

 

Não deram a devida atenção a um outro contrabando no texto feito por Azeredo. Ele e Marco Maciel (DEM-PE) só concordaram em desidratar o 57-D porque tinha incluídoo todas as restrições para vídeo e áudio em debates na web (que estavam no artigo 57-D) em outro trecho da lei. Dessa forma, a principal, repito, principal restrição normativa à web foi totalmente mantida para o período eleitoral do ano que vem. Não há como conceber a cobertura da eleição pela internet sem usar imagem e áudio de debates. No Brasil, essa será a regra --a menos que o portal, site, blog etc. se disponha a dar espaço igual a todos. Uma anomalia.

 

Mercadante depois disse que tinha entendido que havia um acordo para que, com a definição de internet livre no artigo 57-D, ficaria “prejudicada” a equiparação da web ao rádio e à TV para debates. Azeredo desdenhou. Deu de ombros. E nada.

 

Fica a lição. Em votações importantes no Congresso não se pode entender nada. É preciso fazer acordos muito claros.

 

A chance de haver modificação agora na Câmara é mínima.

 

É sempre assim, de onde a gente acha que não vai sair nada (do Senado) é que não sai nada mesmo.

 

Ao final do processo, registre-se, só Aloizio Mercadante protestou. Foi o único. Os outros 80 senadores, com José Sarney (PMDB-AP) à frente, votaram a favor da limitação de áudio e vídeo na web. 

 

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Por Fernando Rodrigues
19h18 - 14/09/2009

Kassab, DEM, Serra e Alckmin: o prazo é 3.out

Até o dia 3 de outubro, 1 ano antes da eleição de 2010, José Serra não pode correr riscos.

 

Por exemplo, não pode nem pensar na hipótese de perder Geraldo Alckmin para algum outro partido.

 

Alckmin namorou várias siglas no final do ano passado. Ele estava quase rompido com Serra (porque Serra havia apoiado Gilberto Kassab na eleição de prefeito de São Paulo, contra Alckmin).

 

No final de 2008, Alckmin chegou a sondar o PSB. Pediu a petistas graúdos que contatassem Lula a respeito. Lula ficaria chateado se Alckmin entrasse no PSB para disputar o Bandeirantes em 2010?

 

Lula deu de ombros. Detesta Alckmin desde a eleição de 2006 –quando credita ao tucano paulista parte de uma operação que jogou a família Lula da Silva no meio da campanha daquele ano.

 

O fato é que Alckmin estava de malas prontas para sair do PSDB. Procuraria outro partido.

 

A luz amarela acendeu para Serra. Foi então que o governador paulista bolou a estratégia de dar uma posição de destaque a Alckmin no seu secretariado. E uma espécie de promessa tácita sobre a vaga de candidato ao governo em 2010.

 

Na realidade, tudo o que Serra precisa é fechar a porteira para Alckmin até 3.out.2009. É quando vence o prazo para troca de legenda. Depois dessa data, Alckmin está acorrentado ao PSDB.

 

Daí, até março do ano que vem, será outra a história. Em março vence o prazo de desincompatibilização para quem deseja concorrer na eleição de 2010.

 

É claro que se Serra tiver certeza de que disputa o Planalto com grandes chances de vencer, OK, Alckmin será o candidato tucano ao governo paulista.

 

Mas e se... houver dúvida sobre a vitória? Serra pode, em primeiro lugar, não ser candidato ao Planalto –preferiria disputar mais 4 anos no Bandeirantes. Ou, claro, pode tentar a sorte de qualquer forma. Nesse caso, porque Serra confiaria a disputa do governo de São Paulo a Alckmin? Haveria risco real de, digamos, dar Alckmin em São Paulo e derrota de Serra no plano nacional.

 

Alguém que conhece Serra acha que ele correria tal risco?

 

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Por Fernando Rodrigues
22h35 - 13/09/2009

Marcos Coimbra, do Vox Populi, é contra a web livre

 

No “Correio Brasilienze” deste domingo (13.set.2009, aqui para assinantes), o sociólogo e dono do instituto de pesquisas mineiro Vox Populi, Marcos Coimbra (marcoscoimbra.df@diariosassociados.com.br), defendeu que a internet deve, sim, ter regras durante o período eleitoral.

 

Para ele, a versão do projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) “era apenas coerente com o conjunto de nossa legislação sobre o tema, respeitando algo que ninguém parece querer discutir. Se toda ela gira em torno do princípio da regulação, por que razão a internet deveria ser tratada de maneira diferente?”.

 

O argumento de Coimbra é simples: se tudo é muito regulado no Brasil durante a eleição, por que a internet teria de ser livre?

 

Ele é explícito: “Para evitar que só nela [internet] prevalecesse uma outra filosofia, o lógico era fazer o que o relator [Eduardo Azeredo] fez: estender à internet, de maneira explícita, o que vale para a televisão e o rádio. Se sempre a internet foi equiparada às outras mídias, por que não agora? E, se é para equiparar, melhor fazê-lo de forma clara, para evitar futuros problemas de interpretação”.

 

Eis mais um trecho do incrível artigo de Coimbra:

 

O argumento de que TV e rádio são concessões públicas faz pouco sentido. Do fato de uma emissora de televisão ser uma concessão não se deduz que ela não possa exercer com liberdade (e a devida responsabilidade) sua função de informar e entreter quando trata de política e de eleições. Assim como não decorre que, por não o ser, um site da internet possa fazer o que bem lhe aprouver.

 

A menos que se tenha em mente o tipo de cobertura de uns e de outros. Quando alguns insistem na diferença entre as mídias e reivindicam para a internet uma liberdade que TV e rádio não possuem, talvez pensem que os internautas são diferentes do resto do eleitorado.

 

Será que quem faz assim imagina que telespectadores e ouvintes são, na sua maioria, mais susceptíveis à manipulação? Que podem ser mais facilmente enganados pelos candidatos? Que não conseguirão discernir um tratamento tendencioso ou o favorecimento a um político? Que, inversamente, os internautas são mais esclarecidos e mais capazes de raciocinar?

 

Pensando assim acreditam que precisamos disciplinar a presença da política e das eleições na TV e no rádio com regras minuciosas, enquanto defendem que a internet seja o território da liberdade responsável”.

 

É isso aí. O que pensam os internautas? Uma coisa é certa, o sociólogo Marcos Coimbra precisa ter realmente coragem para defender tal tipo de argumento. Por analogia, teria de defender também, quem sabe, impor as mesmas regras nas conversas de bar, nos sermões de igreja e nos bate-papos de amigos caminhando na calçada. Afinal, todos podem manipular dados e influir nas eleições. Por que deveriam ser livres durante o processo eleitoral?

 

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Por Fernando Rodrigues

Poder e política na semana – de 14 a 19.set

 

Eis o drive político da semana. Destaque principal: na 3a feira, a decisão do Senado sobre reforma eleitoral e internet. Fique ligado. Eles querem censurar a web.

 

 

Segunda (14.set)

Lula em Roraima – na cidade de Bonfim, brasileiro recebe o presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, e inaugura obras.

 

 

Terça (15.set)

Pré-sal – as 4 comissões especiais para analisar os projetos de lei sobre o marco regulatório do pré-sal serão instaladas na Câmara dos Deputados.

 

Conselhão – o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social se reúne no Itamaraty.

 

Municípios em apuros – Câmara vota o texto da Medida Provisória 462. A MP repassa R$ 1 bilhão a mais para o FPM (Fundo de Participação dos Municípios).

 

Reforma eleitoral + internet – no plenário do Senado, congressistas decidem sobre restrições à internet durante as eleições e a transparência nas doações.

 

Spread – o ministro Guido Mantega (Fazenda) está convidado para falar sobre o assunto na Comissão de Legislação Participativa da Câmara.

 

 

Quarta (16.set)

Código de Ética – projeto que acaba com o colegiado será analisado na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania no Senado.

 

Impostos no STF – o Supremo Tribunal Federal terá um dia dedicado a analisar a legalidade da incidência de ICMS em diversas operações.

 

IPEA, 45 anos – o instituto comemora seu aniversário com a presença do presidente Lula e ministros.

 

Maláui – em Brasília, Lula recebe o presidente do país africano, Bingu Wa Mutharika.

 

Pré-Sal – o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) vai à Comissão de Minas e Energia da Câmara  discutir sobre o marco regulatório.

 

Rafales – o ministro Nelson Jobim (Defesa) vai à Comissão de Relações Exteriores do Senado falar sobre o acordo militar feito com a França.

 

Quinta (17.set)

Baixo Clero no STF – o deputado Fernando Giacobo (PR-PR) será julgado pela apropriação indébita de um carro.

 

Lula no Paraná – participa da cerimônia de posse do primeiro juiz deficiente visual do país.

 

PHS – o nanico Partido Humanista da Solidariedade terá cinco minutos de fama no horário nobre de TV e Rádio.

 

Rodada Doha – o representante de Comércio dos Estados Unidos, Ron Kirk, faz sua primeira visita ao Brasil. Vai discutir  a Rodada de Doha e o comércio bilateral entre os países com autoridades brasileiras.

 

 

Sexta (18.set)

Lula no Rio Grande do Sul – o presidente vai ao Estado inaugurar obras.

 

 

Sábado (19.set)

ONU – Lula vai à reunião da ONU em Nova York (EUA).

 

 

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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