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Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

17h37 - 15/05/2009
 

Vaivém da CPI da Petrobras mostra fragilidade da base governista de Lula dentro do Senado

Por Fernando Rodrigues
 

Governistas têm lista de 5 senadores para tentar barrar CPI da Petrobras; operação abafa depende de mais 1

 

A completa descoordenação da bancada governista no Senado ontem (14.mai.2009) resultou na leitura hoje (15.mai.2009) do requerimento de abertura e instalação da CPI da Petrobras. Hoje de manhã e até o início da tarde, os aliados de Lula buscavam nomes de senadores dispostos a retirar suas assinaturas da CPI.

 

O requerimento contém 32 assinaturas. Se 6 retirarem seus nomes, a CPI não pode funcionar –o mínimo necessário é o apoio de 27 dos 81 senadores.

 

Até o momento, o governo foca em 5 nomes para possíveis defecções:


 

 

 

O problema está sendo achar o 6º nome. Até porque esses 5 acima só saem da lista se for para estar num grupo de 6 e sepultar de uma vez a CPI. Não querem passar pela humilhação de recuar e ver a CPI instalada de qualquer jeito.

 

O Palácio do Planalto tem até a meia-noite de hoje para resolver o assunto. Lula já partiu para uma viagem internacional (Arábia Saudita e China) e não terá como ajudar muito.

 

Por Fernando Rodrigues
 

Lula já gastou R$ 6,3 bi em propaganda

 

Saíram os números oficiais sobre propaganda estatal federal. Eis o número mágico: Lula já gastou R$ 6,3 bilhões com propaganda de 2003 a 2008, segundo dados oficiais divulgados nesta semana pela Presidência da República.

 

Eis os dados:

 

 

 

Fatos notáveis:


1) o valor de 2008 é quase idêntico ao de 2007. Houve uma estabilização. É natural que em anos pares (quando há eleições no Brasil) o valor gasto com publicidade estatal tenha um freio. Há restrições legais para o governo fazer propaganda o tempo todo;


2) os picos de Lula continuam sendo 2005 e 2006, o período em que o mensalão dominou o noticiário e quando foi necessário fazer um saneamento na imagem do presidente e do seu governo;

 

3) esses números se referem a toda a administração pública federal direta e indireta. Estão incluídos, portanto, gigantes como Petrobras, Banco do Brasil, CEF e outras estatais;

 

4) essas estatísticas não incluem valores de patrocínios, que chegam a aproximadamente R$ 1 bilhão por ano. Patrocínio vai desde colocar um logotipo na camiseta do time de futebol do Flamengo até dar apoio a bandinhas no interior do país;

 

5) na disputa entre os meios de comunicação por abocanhar um naco desse dinheirão de propaganda, a TV vem se mantendo no patamar dos 60%. Revistas começaram a era Lula recebendo 11,4% de todas as verbas publicitárias federais. Hoje, estão com 7,9%. Jornais aumentaram sua participação no bolo: tinham 10,3% em 2003; agora, estão com 13,1%. A publicidade estatal em internet ainda é percentualmente mínima, embora tenha mais que dobrado de tamanho: os veículos online ficavam com 1% do total no início da gestão Lula e agora estão com  2,6%;

 

6) não há números completos e atualizados para os 8 anos do governo FHC. O governo Lula divulgou com atualização monetária apenas os gastos publicitários dos últimos 3 anos do tucano (2000, 2001 e 2002). Nesse seu período final, FHC gastou bem, tanto como Lula. Eis a tabela:

 


 

Finalmente, uma observação e uma pergunta: O Brasil é um dos países do planeta com mais gastos estatais publicitários. Por que os governos no Brasil gastam tanto em publicidade?

 

Respostas?

 

 

Por Fernando Rodrigues
20h25 - 12/05/2009
 

Lei de acesso a informações junta Dilma e Serra

Os dois principais pré-candidatos a presidente da República estarão juntos nesta quarta-feira, em Brasília. José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estarão presentes à cerimônia de lançamento do projeto de lei de acesso a informações públicas. O evento será no Itamaraty, às 11h.

 

Dilma telefonou para Serra e o governador paulista confirmou presença.

 

A lei de acesso proposta por Lula preenche uma das inúmeras lacunas criadas pela Constituição de 1988 –dezenas de artigos sem regulamentação. O direito de acesso precisava normatizado por iniciativa do Executivo.

 

Serra foi convidado porque o Estado de São Paulo foi a primeira unidade da Federação a montar um arquivo público com documentos do período da ditadura militar.

 

A lei proposta por Lula ainda precisa ser aprovada por Câmara e Senado. Depois de sancionada, entrará em vigor em 120 dias. Mais de 60 países no planeta já tem esse tipo de legislação –na América Latina, entre outros, México, Chile e Colômbia.

 

O programa do evento de quarta-feira (13.maio.2009) no Itamaraty:

 

  • assinatura, pelo Presidente da República, de Mensagem ao Congresso Nacional sobre Projeto de Lei que regula o acesso à informação;
  • lançamento do Portal “Memórias Reveladas - Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985)” e;
  • assinatura de Portaria e Edital de chamamento para entrega de acervos particulares aos arquivos públicos.

Por Fernando Rodrigues
 

2 notícias: a) Serra é contra lista fechada e b) Marta volta a pensar no Bandeirantes

Serra quer voto distrital; lista fechada, não

Segundo o deputado federal Jutahy Júnior (PSDB-BA), um serrista de quatro costados, é lenda a informação muito ventilada em Brasília segundo a qual o governador de São Paulo seria a favor da reforma (sic) política proposta na semana passada na Câmara (a exótica lista fechada e o financiamento público exclusivo de campanhas eleitorais). José Serra, declara Jutahy, é a favor, mesmo, do voto distrital. Como voto distrital não haverá... Serra é contra as propostas colocadas no momento sobre a mesa.

 

É mais uma informação a reforçar a percepção geral: essa história de reforma política agora é só para boi dormir.

 

 

Marta Suplicy e o Bandeirantes

O raciocínio da ex-prefeita paulistana e ex-deputada federal (PT-SP) pode ser resumido numa frase que muitos relatam terem ouvido dela própria: “Se o Palocci não for candidato, vou apresentar meu nome”.

 

Antonio Palocci seria, em tese, o nome “in pectore” de Lula para disputar o governo de São Paulo em 2010. Enrolado com seu processo no STF, Palocci estaria ficando na estrada. Até Lula tem dado sinais de que as coisas ficam difíceis para o seu predileto. Não faz muito tempo, o próprio presidente chamou seu ministro da Educação, Fernando Haddad, e disse: “Vá à luta”.

 

Haddad é o plano B de Lula. Como se sabe, em política, quando há um plano B é porque o plano A deixou de existir.

 

Outro que aparece como nome do establishment partidário no PT é o prefeito de Osasco, Emídio de Souza. Não é o nome de Lula, mas é o preferido por muitos caciques petistas.

 

É nesse ambiente que ressurge Marta Suplicy. Ela acha que chegou a hora de reaparecer –ainda que sua candidatura contrarie a idéia geral petista –qual seja a de promover uma renovação de quadros na legenda a partir do ano que vem.

Por Fernando Rodrigues
16h53 - 11/05/2009
 

A farra no Judiciário continua

Coluna de hoje na Folha:

 

FERNANDO RODRIGUES

O sacrifício dos juízes

BRASÍLIA - Aconteceu de novo. Juízes passaram um feriadão num hotel de luxo acompanhados de mulheres ou maridos. Desta vez, eram magistrados ligados à Justiça do Trabalho. A conta do Tivoli Ecoresort Praia do Forte, na Bahia, foi paga pela pela Febraban, a federação dos bancos brasileiros.


Os juízes sempre dão a mesma explicação para esse tipo de estripulia. É tudo legal, feito às claras. Um magistrado não se venderia por um fim de semana num resort de luxo com todas as mordomias pagas. Para arrematar, é um "sacrifício" desfrutar uns dias diante do mar.


João Oreste Dalazen, vice-presidente do TST e membro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), declarou ter sido "um sacrifício muito grande" passar o feriado de 21 de abril no hotel de luxo.


Em setembro de 2006, o então corregedor nacional do CNJ, Antonio de Pádua Ribeiro, participou de um evento semelhante no hotel Transamérica da Ilha de Comandatuba -também na Bahia e com patrocínio da Febraban. Sua explicação: "Procurei, com o sacrifício do meu fim de semana, dar cumprimento ao preceito constitucional de ser o CNJ um órgão de interlocução do Judiciário com a sociedade".


O roteiro dos próximos dias já está escrito. Um punhado de gatos pingados ficará indignado. Em geral o indiferentismo prevalecerá em relação à magnífica reportagem do último sábado, da Folha, relatando o convescote no Tivoli Ecoresort.


Vigora no poder em Brasília um raciocínio binário: se um evento pago pelos bancos é realizado à luz do dia, não há problemas. É uma transparência parecida com a das famosas vitrines de Amsterdã.
O CNJ analisou o tema em 2006. Rebarbou proibir essas farras de juízes. A inação desse organismo destinado a moralizar o Judiciário é tão chocante como o sacrifício das excelências togadas aceitando passeios pagos pelos bancos.

Por Fernando Rodrigues
21h02 - 10/05/2009
 

Poder e política na semana – 11 a 17 de maio

A crise de indiferentismo se agrava. Já são mais de 50 escândalos no Congresso e... nada. No Judiciário, magistrados viajam para hotéis de luxo pagos por entidades como a Febraban... e nada.

 

No mundinho da política em Brasília, só baboseiras como reformas políticas estapafúrdia.

 

Nesta semana, o fato mais relevante é, na quarta-feira, o anúncio do projeto de lei de acesso a informações públicas.

 

 

Segunda (11.mai)

Reforma (sic) política – tucanos se reúnem nesta semana para dar seu parecer sobre o uso de lista fechada nas eleições e o financiamento público de campanha. O PSDB é a única grande legenda que ainda não deu sua opinião sobre a questão.

Comentário do blog: típico.

 

Seminário sobre a crise – organizado pela revista "Exame", em São Paulo. Participam José Serra três vencedores do Nobel de economia.

 

 

Terça (12.mai)

50 anos do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Lula voltará a suas origens na comemoração do aniversário do sindicato.

 

Com que roupa? – o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) deve definir qual o traje adequado para frequentar tribunais no país. Sobre convescotes de juízes país afora... nada. Assinante da Folha e/ou do UOL, conheça 2 exemplos de passeios de magistrados pagos pelos bancos em 2006 e em 2009. Aliás, este blog postou uma nota em 26.abr.2009 sobre outro desses convescotes. E o que acontece? Nada.

 

Reforma no Senado – FGV apresenta (ufa!) proposta de reforma administrativa.

 

Dilma no TSE – Tribunal julga se houve campanha antecipada.

 

Castelogate – Sérgio "estou me lixando para a opinião pública" Moraes (PTB-RS) pode perder relatoria do caso Edmar Moreira no Conselho de Ética.

 

 

Quarta (13.mai)

Lei de acesso a informações públicas – Executivo anuncia projeto.

Comentário do blog: é o fato mais relevante para o país nesta semana. Mais sobre o tema, aqui.

 

Castelogate – Edmar Moreira (MG) depõer no Conselho de Ética da Câmara. Se faltar, não há punição.

 

 

Quinta (14.mai)

Lula em Santa Catarina – inaugura sub-estação de energia elétrica de Joinville.

 

Segurança pública – Tarso Genro e Michel Temer (PMDB-SP) participam de seminário na Câmara.

 

 

Sexta (15.mai)

Lula na Arábia – vai a Riad.

 

 

Sábado (16.mai)

Lula e o rei – jantar oficial com o rei Abdullah bin Abdul Aziz Al-Saud.

 

 

Domingo (17.mai)

Lula vai a China – depois de café da manhã com líderes empresariais sauditas.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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