Paulo Skaf pediu doações para políticos em períodos eleitorais, mas diz ter sido sempre “dentro da lei”
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, lembra-se de em períodos eleitorais ter sido procurado por políticos que considera “sérios” e que “defendem bons projetos para o país e para a indústria”. Em alguns casos, esses políticos pedem a ele que interceda “para dar um toque, uma força” junto a empresas que podem fazer doações de campanha.
Hoje de manhã, Paulo Skaf lembrava a um interlocutor que esse tipo de atitude –“absolutamente legal e sem nenhum problema”– pode ter sido o que deflagrou o envolvimento do nome da Fiesp na operação Castelo de Areia, da Polícia Federal –cujo resultado foi a prisão de diretores da empreiteira Camargo Corrêa por suposto uso ilegal de recursos, inclusive doações a políticos.
O vice-presidente da Camargo Corrêa Fernando Arruda Botelho aparece em uma gravação da PF. No diálogo, diz ter sido procurado por Paulo Skaf.
Indagado se se lembrava de algum caso em particular, inclusive com a Camargo Corrêa, Skaf não entra muito em detalhes. Diz que são muitos os que pedem ajuda em períodos eleitorais, “mas nem um tostão passa pela Fiesp. A Fiesp não se envolve nisso”. Ele também diz nunca ter intermediado pessoalmente nenhum tipo de doação, no sentido de ter sido quem iniciou o processo de contato entre políticos e empresas.
“Em geral, são políticos sérios e que muitas vezes até nem têm projetos a favor da indústria, mas têm credibilidade. Quando falam comigo é porque já conversaram com empresas e pedem uma ajuda, pedem que eu dê um toque. Eu muitas vezes faço isso, o que é absolutamente legal. E não são só políticos. Quando o papa veio ao Brasil, pediram que empresas ajudassem a reformar o mosteiro [no qual o pontífice ficou hospedado]. Eu sempre peço, pois creio que são atitudes perfeitamente legais”, disse Skaf.
Pego de surpresa com a citação da Fiesp e de seu nome no noticiário da operação Castelo de Areia, Paulo Skaf não estava tão preocupado com o desfecho da apuração. Como disse hoje numa conversa matinal, afirma estar tranquilo sobre seus atos. Citou o caso de dois senadores que estão mencionados como receptores de doações da Camargo Corrêa “e estão com recibos provando que foi tudo doação legal”. Referia-se a Agripino Maia (DEM-RN) e Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que de fato apresentaram recibos que seriam confirmação da legalidade das doações.
A reação mais negativa de Skaf nesse episódio foi sobre a grande exposição de qualquer personalidade que se envolve com política. “É por isso que muita gente às vezes não entra na política... E é por isso que a renovação é sempre tão baixa”, filosofou Skaf hoje de manhã. O presidente da Fiesp, como se sabe, tem interesse em se candidatar a governador de São Paulo no ano que vem (ele ainda não é filiado a nenhum partido político).


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