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18h22 - 06/02/2009
 

Edmar Moreira, o tenente do óculos Ray-ban

  • Corregedor da Câmara agora é acusado de maltratar presos políticos em 1970

 

 

  • Relato de um preso: “[Edmar] soltou os cachorros, literalmente, nos pátios, mandou tocar as sirenes e ligar os holofotes, passou a noite inteira com a tropa dando tiros para o ar”.

 

Ele não chega ser um guarda de Abu Ghraib, que torturava presos no Iraque. Mas Edmar Moreira hoje teve uma nova acusação jogada contra suas costas. Em 1970, ainda tenente da Polícia Militar de Minas Gerais, o jovem Edmar costumava tratar com terror os cerca de 300 presos políticos na penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora. Quando ficava irritado, soltava os cachorros do quartel pelos pátios e dava tiros para ar. Tudo segundo relato de um dos presos daquela época.

 

Irritado porque os presos políticos se recusaram a ficar de pé para dizer os seus nomes na rotina diária de identificação, o tenente Edmar, com os indefectíveis óculos Ray-ban que usava, “soltou os cachorros, literalmente, nos pátios, mandou tocar as sirenes e ligar os holofotes, passou a noite inteira com a tropa dando tiros para o ar”. Esse relato foi reproduzido pelo jornalista Laerte Braga, mineiro, ex-preso político, que coletou os dados de um outro ex-preso político que estava na penitenciária por onde dava plantão o tenente Edmar em 1970.

 

Toda vez que Edmar Moreira era escalado para fazer as conferências de presos ao final do dia, a rotina se repetia. “Isso aconteceu uma, duas, três vezes, ou quatro vezes, até que a notícia vazou da vizinhança da penitenciária para a cidade –estão fuzilando os presos políticos de Linhares– o comando da 4ª Região Militar resolveu afastar do serviço o tal tenente de óculos Ray-ban”, relata Laerte Braga em seu texto, enviado para uma lista de e-mails.

 

O relato já vazou para vários blogs mineiros e alguns de abrangência nacional, como o “Amigos do Presidente Lula”.

 

Este blog entrou em contato com a assessoria do deputado Edmar Moreira (DEM-MG) para ouvir algum comentário do deputado. Não houve resposta, pois o corregedor está em viagem e não deixou o telefone do local para sua assessoria.

 

Abaixo, a íntegra do texto do jornalista Laerte Braga, tal qual postado em um e-mail (o blog entrou em contato com Laerte e ele reafirmou, por telefone, o inteiro teor do texto):

 

 

O corregedor da câmara dos deputados  – O HOMEM DO CASTELO

 

 

Laerte Braga

 

 

Os principais sites, jornais e noticiários desta quinta-feira deram destaque às críticas feitas dentro do próprio DEM – DEMOCRATAS – pela indicação do deputado edmar moreira para o exercício da função de corregedor da Câmara dos Deputados. Corregedor é uma espécie de fiscal dos bons costumes, do decoro parlamentar e do exercício digno do mandato. Procedem as críticas.

 

O noticiário ateve-se ao castelo de propriedade do deputado, segundo ele em nome dos filhos, na cidade de São João Nepomuceno, próxima de Juiz de Fora. Não está declarado nos bens do deputado. Consta que edmar é proprietário ali de um terreno num valor ínfimo em relação ao castelo. Esse negócio de castelo é mania de novo rico aparecer. Pendurar pneu no pescoço.

 

Vamos a um relato sobre o corregedor.

 

“Primeiros meses de 1970. A penitenciária de Linhas em Juiz de Fora lotada de presos políticos, uns trezentos homens e mulheres de todas as idades e profissões. Todos já com inquéritos concluídos e aguardando julgamento pela Auditoria da Quarta Circunscrição Militar. Poucos com sentença já definida – os guerrilheiros do grupo de Caparão e sargentos rebeldes de Brasília –.

 

Todas as manhãs passava pelas galerias um oficial da Polícia Militar, quase sempre um tenente. Fazia o confere, ou seja, verificar se os presos estavam em suas celas e se havia alguma anormalidade. Olhava o número da cela, verificava se o preso estava lá e pronto.

 

Certo dia apareceu um tenente que usava óculos tipo ray ban e que ao invés de olhar e anotar que o preso continuava preso, chutava a porta de aço e exigia que cada um se levantasse e dissesse o nome e a organização a qual pertencia.

 

Como foi uma coisa nova alguns fizeram isso, outros não, mas resolvemos neste mesmo dia na hora que íamos para o pátio onde podíamos conversar uns com os outros, que não iríamos mais responder ao tal tenente. Aguardamos ansiosamente o dia em que ele estaria de serviço de novo. Ele chegou, bateu na porta de aço da primeira cela perguntou pelo nome e o companheiro nem virou a cabeça. Estava como havíamos combinado, deitado na cama e voltado para a parede. Nome? Chutes na porta. Organização? Chutes na porta. Levante-se. Comunista filho da puta! 

 

Chutes na porta e assim foi por mais algumas celas, até que percebeu o que estava acontecendo. Ninguém se levantou, ninguém respondeu nada. À noite a resposta dele – soltou os cachorros, literalmente, nos pátios, mandou tocar as sirenes e ligar os holofotes, passou a noite inteira com a tropa dando tiros para o ar. Dia seguinte entrou outro oficial de dia e tudo voltou ao que era antes. Quando o tal tenente estava de serviço era a mesma coisa. Isso aconteceu uma, duas, três vezes, ou quatro vezes, até que a notícia vazou da vizinhança da penitenciária para a cidade – estão fuzilando os presos políticos de Linhares – O comando da IV Região Militar resolveu afastar do serviço o tal tenente de óculos ray ban.

 

Hoje ele é dono do castelo Monalisa e corregedor geral da câmara dos deputados.

 

Seu nome? edmar moreira.”

 

Anos mais tarde envolveu-se num incidente no clube D. Pedro e acabou reformado, quando já capitão.

 

Quando da CPI do mensalão, no depoimento do deputado roberto jéferson, esse saudou o deputado hoje corregedor como amigo e declarou ter sido seu hóspede em seu magnífico castelo e privado das delícias da cozinha do corregedor.

 

O institucional está falido.

 

Sugiro Beira-mar para deputado. Por sinal, o traficante está preso numa prisão particular. Simples. A tal prisão de segurança máxima é propriedade do deputado – sua empresa ou uma delas – e presta serviços terceirizados ao governo.

 

É especialista nesse negócio.

Por Fernando Rodrigues
08h17 - 03/02/2009
 

PMDB forte, PMDB dividido. A história de sempre

 

Nas festas que vararam a madrugada de ontem para hoje (3.fev.2009) aqui em Brasília, duas certezas: o PMDB está vitaminado pelas vitórias no Congresso, mas suas divisões internas estão também mantidas e anabolizadas.

 

Quando dois contrários ficam mais fortes, suas contrariedades também crescem de tamanho. Fatos da vida.

 

O PMDB se divide basicamente, em Brasília, em dois grupos. Um está na Câmara e tem Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira e Fernando Diniz como seus lideres. A outra tropa está no Senado, com José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Roseana Sarney e Valdir Raupp.

 

Os dois grupos divergem por causa 1) da disputa de espaços dentro do governo Lula e 2) para ver quem tem mais poder de influir nas disputas eleitorais de 2010 (a presidencial e a dos 27 governadores). É improvável que algum dos dois grupos parta para uma abordagem hostil neste “day after” das eleições de José Sarney e de Michel Temer para as presidências da Câmara e do Senado. A “vendetta” tem tempo e hora para ser executada. E essa turma é experiente. Aguardará para dar um troco na primeira curva, quando algum desafeto derrapar.

 

Por enquanto, só se sabe dos ódios que estão sendo colocados na geladeira.

 

Na Câmara, causa calafrios o desempenho de Renan Calheiros –fortalecido por ter sido o grande mentor da eleição de Sarney. Já no Senado, o personagem que está com um “X” marcado nas costas é o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima –que fez de tudo para derrotar Sarney. Mas não são apenas esses. Os dois grupos sabem perfeitamente as bruxarias de que foram alvo nos últimos dois meses.

 

Os ódios e as mágoas foram todas empacotadas. Preservadas, ficaram curtindo dentro do freezer de cada um.

 

Bolsa memória: a história do PMDB é uma de divisões e disputas internas. Além da divisão no Congresso, o partido está fracionado pelo país inteiro, no que se convencionou chamar de federação de pequenas agremiações, todas abrigadas na holding nacional PMDB. Às vezes, o PMDB se divide em vários pedaços antagônicos dentro de um mesmo Estado. É como se fossem franquias que não obedecem às regras gerais determinadas pela bandeira do negócio –mas não são punidas porque, digamos, continuam sendo “rentáveis”.

 

O partido tentou ser uma força hegemônica nacional quando o país retornou ao regime democrático, nos anos 80. As divisões internas atrapalharam a execução do plano.

 

Em 1989, Ulysses Guimarães foi o mais traído de todos os candidatos a presidente. Teve 4,43% dos votos. Um vexame e uma humilhação. Por que o PMDB cometeu esse suicídio? Simples. A fila atrás de Ulysses era grande. Todos com uma senha na mão achavam necessário derrotá-lo para apressar o processo de comando interno no partido. Deu tudo errado.

 

Em 1994, o candidato do PMDB a presidente foi Orestes Quércia. Teve 3,56%, ainda menos que Ulysses, cinco anos antes. Nova humilhação.

 

A partir daí o PMDB se consumiu em guerras internas. Virou um grande partido de... políticos. E não de povo. Nunca elegeu um presidente pelo voto direto. Há quase 20 anos não elege o governador de São Paulo. Tem muitos deputados e senadores, mas a maioria é eleita em Estados mais periféricos, onde a sigla se alia a oligarquias locais.

 

Por exemplo, em São Paulo, o desempenho peemedebista tem sido um flagelo. Como se sabe, São Paulo é o Estado mais populoso do Brasil e elege 70 dos 513 deputados federais. Em 2006, o PMDB conseguiu eleger apenas 3 (isso mesmo, 3) dos 70 deputados federais paulistas. Um deles é Michel Temer –agora, na condição de presidente da Câmara, o 3º homem na hierarquia da República.

 

Assim é o PMDB.

 

Por Fernando Rodrigues
20h11 - 01/02/2009
 

Poder e política na semana

A semana será dominada na política pelas eleições dos presidentes da Câmara e do Senado, hoje. Depois, a choradeira dos perdedores, as incontáveis análises sobre quem ganhou, quem perdeu e como será a vendetta desse ou daquele derrotado.

 

segunda (02.fev)
Eleição no Congresso, enfim – Depois de longa e manjada novela, a Câmara e o Senado elegem seu novo presidente e suas novas Mesas Diretoras. As sessões estão marcadas para às 10 horas da manhã.

Reunião Ministerial –
 enquanto o Congresso estiver em polvorosa, Lula levará seus ministros à Granja do Torto. Segundo o Planalto, devem discutir os cortes no orçamento de 2009 e os 2 anos do PAC.

José Alencar –
 o vice-presidente deve sair da UTI do Hospital Sírio-Libanês, onde continuará internado em São Paulo. Ele se recupera da recente cirurgia para a retirada de um tumor.

Tucanos em férias –
 em São Paulo, o governador José Serra está de férias e a semana começa sob os auspícios do seu vice, Alberto Goldman (PSDB). Em Minas Gerais, Aécio Neves também não está (viaja ao exterior).

Esses tucanos são incríveis: no dia mais quente do início do ano, com o Congresso fervendo, eles somem do mapa. Típico. 



terça (03.fev)
CNT/Sensus – o instituto divulga a 1ª pesquisa do ano de popularidade do presidente Lula. É a primeira aferição depois de a crise ter começado a pegar pesado no Brasil.


Lula e o PMDB carioca – o presidente se encontra no Rio com o prefeito fluminense, Eduardo Paes, e o governador carioca, Sérgio Cabral.

Domínios .tel - a partir do meio-dia (horário de Brasília), começa a corrida virtual mundial para os interessados em registrar um domínio .tel .

quarta (04.fev)
Lula e a Reforma Urbana – o presidente se encontra com representantes do Fórum Nacional de Reforma Urbana, em Brasília.


quinta (05.fev)
Lula em Tocantins – o presidente vai ao Estado inaugurar a hidrelétrica de São Salvador na cidade de Gurupi, em
Tocantins.

"Meu nome é..." – o nanico PSDC (Partido Social Democrata Cristão) terá direito a cinco minutos de propaganda em todas as redes nacionais de teve e rádio.

sexta (06.fev)
Lula e Aécio – o presidente encontra o governador mineiro em Brasília. Ele também vai se reunir com o governador do Distrito Federal, Roberto Arruda (DEM) e o de Goiás, Alcides Rodrigues (PP).

Por Fernando Rodrigues
 

Um domingo longo, de contagens e traições no Congresso

Este post está sendo escrito no final da manhã de domingo (1.fev.2009). Amanhã (2.fev.2009) neste horário, a temperatura política no Congresso vai estar máxima, com a iminência de ser conhecido o presidente do Senado.

 

Hoje, um fato para lá de inusual para um domingo: Brasília está cheia de políticos. Almoço do PR. Reunião de congressistas evangélicos. Jantar do PMDB. Agenda lotadíssima. Contagem de votos. Traições e promessas de fidelidade. É a política no seu ponto máximo de conchavos.

 

A melhor enquete publicada até agora foi a da Folha (aqui, para assinantes do jornal e do UOL).  Como todos os problemas que a mídia enfrenta para dar cobertura a fatos do submundo como a eleição do Congresso, o espetacular levantamento do jornal oferece elementos para muitas reflexões. E, no minimo, servirá (e já é muito) para que se possa medir, um pouco, o padrão de canalhice e de traições dentro do Poder Legislativo.

 

A Folha produziu a apuração, de 19 a 30 de janeiro, com o árduo e competente trabalho de Adriano Ceolin, Angela Pinho, Felipe Seligman, Fernanda Odilla, Larissa Guimarães Letícia Sander, Maria Clara Cabral e Sofia Fernandes, todos da Sucursal de Brasília do jornal.

 

Eis os dados:

 

No Senado:

José Sarney (PMDB-AP): 41

Tião Viana (PT-AC): 26

Não revelam voto: 4

(total de entrevistas: 71; o Senado tem 81 cadeiras)

 

Na Câmara:

Michel Temer (PMDB-SP): 269

Ciro Nogueira (PP-PI): 37

Aldo rebelo (PC do B-SP): 35

Osmar Serraglio (PMDB-PR): 6

Não revelam o voto: 63

(ttal de entrevistas: 410; a Câmara tem 513 cadeiras

 

Sobre a Câmara, é possível fazer duas análises antagônicas. Primeiro: Michel temer já ganhou. Segundo: com apoio de 15 partidos com 424 deputados, Michel Temer enfrentará o segundo turno porque a taxa de traição parece altíssima, até para um levantamento tão aberto como o da Folha (imagine no voto secreto de segunda-feira...).

 

Amanhã saberemos.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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