● PMDB é favorito para levar tudo. Pelo menos, no papel.
● Sarney continua mais presidente do que Michel Temer
A alta imprevisibilidade das eleições para presidente da Câmara e do Senado, na segunda-feira, dia 2.fev.2009, só permite que sejam feitas análises com base em eleições passadas e especulações do presente. O blog faz aqui esse exercício –e recomenda a leitura do post abaixo, no qual estão listados os apoios oficiais coletados pelos candidatos do PMDB até o momento, os grandes favoritos.
Antes de qualquer coisa, é importante lembrar como foram os dois últimos embates nos quais houve segundo turno na disputa pela presidência da Câmara. Para vencer, são necessários, pelo menos, 50% mais 1 dos 513 votos (ou seja, 257). Eis o que o ocorreu:
Em 2005:
Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) - 207 votos
Severino Cavalcanti (PP-PE) - 124 votos
Virgilio Guimarães (PT-MG) - 117 votos
José Carlos Aleluia (PFL-BA) - 53 votos
Jair Bolsonaro (PFL-RJ) - 2 votos
Brancos - 3 votos
Nulo - 4 votos
(No 2º turno, sabe-se, deu Severino; 300 votos contra 195 de Greenhalgh)
Em 2007:
Arlindo Chinaglia (PT-SP) - 236 votos
Aldo Rebelo (PC do B-SP) - 175 votos
Gustavo Fruet (PSDB-PR) - 98 votos
Brancos - 3 votos
(No 2º turno, deu Chinaglia; 261 votos contra 243 de Aldo)
Ou seja, fica claro que há uma espécie de padrão para o processo de “greenhalghização” de um candidato: ir para o segundo turno na frente, mas na redondeza dos 200 votos. Nesse caso, perde a disputa.
Também há um padrão para a “arlindização” de um candidato: ir para o segundo turno perto dos 240 votos. Acaba vencendo na disputa final.
Não está claro onde se dá a transição de um candidato do tipo “Greenhalgh” (episódio de 2005) para um do tipo “Arlindo” (caso de 2007). O blog acha que é no patamar dos 225 votos. Ou seja, o candidato que vai para o 2º turno carregando menos de 225 votos, tem chance de desidratar ainda mais e ser derrotado.
Quem tem mais de 225 votos no primeiro turno, vai para a rodada final vitaminado e pode vencer.
Em teoria, Michel Temer (PMD-SP) não precisaria se preocupar com esse tipo de análise. Os 14 partidos ao seu lado acumulam incríveis 423 votos. Mas a boataria é grande na Câmara e é raro encontrar algum líder dentro do Congresso que não admita como real a possibilidade de haver um segundo turno entre Temer e Ciro Nogueira (PP-PI).
Nesse cenário, a dúvida é: Michel Temer vai ao segundo turno como um “Greenhalgh” ou como um “Arlindo”? Ninguém tem a resposta para essa pergunta.
É também necessário considerar o perfil do candidato adversário de Temer nessa eventual segunda rodada de votação.
Se for Ciro Nogueira, ele poderia vencer se entrasse no segundo turno tendo obtido, pelo menos, 190 a 200 votos na primeira votação. Ciro precisa estar bem consolidado, pois tem dificuldade para atrair determinado tipo de eleitor que no momento está ao lado de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e de Osmar Serraglio (PMDB-PR).
Já no caso de Aldo Rebelo, o candidato do PC do B pode se dar ao luxo de entrar no segundo turno tendo recebido 130 votos ou até menos na rodada inicial. É que os votos de Serraglio e de Ciro Nogueira migrariam muito mais facilmente para Aldo.
Por fim, é útil também ter em mente as estratégias e elucubrações à disposição dos políticos até segunda-feira. A saber:
- os avulsos - os candidatos de oposição a Michel Temer estimulam candidaturas avulsas a todos os outros cargos em disputa na Mesa Diretora da Câmara. Essa atitude desestabiliza o Blocão dos 423 de Temer.
Os deputados entram na cabine e votam em todos os cargos. Quando sair a primeira apuração, vai se saber se é necessário segundo turno para presidente e para todos os outros cargos. Nessa hipótese, tudo fica ainda mais nebuloso;
- segundo turno na 3 ª feira - se houver segundo turno para alguns dos cargos da Mesa Diretora, essas disputas ficarão para o dia seguinte. Nesse caso, serão relevantes os acordos pessoais de cada um dos candidatos a presidente com os deputados disputando uma vaga na direção da Câmara;
- renúncia dos últimos colocados – Osmar Serraglio, Aldo Rebelo e Ciro Nogueira têm algo em comum: querem derrotar Michel Temer. O que impede dois deles de renunciar na última hora para construir um fato novo a favor do que permanecer na disputa? Nada. Só precisam avaliar se a operação será útil para dar uma vitória à trinca já no primeiro turno.
- José Múcio, o ausente - o ministro da quase (des)coordenação política sempre teve um sonho: presidir a Câmara. É possível que diante de uma eventual fragilidade de Michel Temer ele desembarque na Câmara a mando de Lula? Improvável, mas o blog já ouviu isso nos corredores do Congresso.
- José Alencar - a saúde do vice-presidente está fragilizada há tempos. E se houver mais notícias de que ele permanecerá convalescendo por um longo período? Esse fato poderia beneficiar algum candidato? O presidente da Câmara é o terceiro homem na hierarquia da República. Sem Lula nem Zé Alencar, assume o deputado que preside a Câmara.
Como se observa, o quadro está aberto.
Não faltam ideias sobrevoando a Câmara, inclusive as de jerico.
E no Senado? No Senado, o quadro parece mais sólido. Mas Tião Viana propagou no final da quinta-feira (29.jan.2009) que contava com 37 votos. Faltariam apenas 4 para o petista vencer.
Como Sarney e os sarneysistas contabilizam pelo menos 58 votos também supostamente garantidos, teríamos um Senado com 95 cadeiras (e não as 81 existentes). Alguém está blefando. Típico.