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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

17h47 - 30/01/2009

PMDB faz "a maior aliança do Ocidente", com 15 partidos

O PRTB acaba de aderir ao Blocão criado para ajudar a eleger a chapa comandada pelo PMDB na disputa para a Mesa Diretora da Câmara.

 

Agora, são 15 os partidos (424 deputados) que dão apoio à candidatura de Michel Temer, PMDB-SP, para presidir a Câmara.

 

Para saber quais são os outros 14 é só olhar a tabela do post abaixo.

 

15 partidos... 424 deputados... Só pode ser a "maior aliança do Ocidente", como disse uma vez Francelino Pereira, nos idos de 1975, descrevendo a hoje finada Arena.

Por Fernando Rodrigues

PMDB diz ter folga de 83 votos para eleger Temer

A guerra dos números continua.

 

O PMDB fez e refez a contagem de todos os apoios que espera receber para Michel Temer na eleição de presidente da Câmara na segunda-feira (2.fev.2009).

 

A contabilidade foi consolidada por um dos mais experientes congressistas nesse tipo de tarefa, o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS). "Hoje, agora, posso te dizer com extrema segurança que o nosso piso será de 340 votos. É um piso muito sólido. Não é nem de concreto, é de ferro. Pode dizer que eu me responsabilizo, Eliseu Padilha, para que venham me cobrar depois", disse o deputado gaúcho no começo da tarde de hoje (30.jan.2009).

 

A se confirmar essa afirmação de Padilha, o deputado Michel Temer tem hoje uma folga de 83 votos para se eleger no primeiro turno na segunda-feira. Na Câmara, com 513 deputados, o mínimo para se eleger são 257 votos (50% mais 1).

 

O blog pediu a contabilidade de Padilha, partido a partido. Ele disse que daria os números ainda sem desidratá-los para 340. Nesse caso, o PMDB chega a contar 369 apoios. Abaixo, a tabela montada pelo próprio Padilha. Só para registrar, na oposição (que não divulga dados detalhados por esperar por traições em massa), a situação propagada é de 180 votos para Ciro Nogueira (PP-PI), outros 80 para Aldo rebelo (PC do B-SP) e 30 votos para Osmar Serraglio (PMDB-PR). O blog fez um trabalho de aritmética e constatou: tudo somado, dá um total de 659 votos (146 mais do que existem na Câmara). Muita gente está blefando nessa história.

 

A seguir, a corajosa tabela de Padilha com seus 369 apoios (que ele reduz, no atacado, para 340):

 

Por Fernando Rodrigues

No Senado, estão inventando 16 votos que não existem

Com a decisão da direção nacional do PSDB de declarar apoio à candidatura de Tião Viana (PT-AC) à presidência do Senado, a disputa embolou um pouco por ali.

 

Mas os dois lados ainda parecem blefar ao anunciar votos a mais. Quando se soma o que dizem ter de apoios Tião Viana e José Sarney (PMDB-AP), o número total de votos no Senado pula para 97. Como se sabe, o Senado tem apenas 81 senadores. Ou seja, faltam 16 senadores nessa conta estapafúrdia.

 

Sarney e sarneysistas insistem em dizer que continuam com os mesmos 58 votos garantidos, apesar da declaração da cúpula tucana a favor de Tião Viana. E o petista avaliar estar com 39 apoios garantidos por ali.

 

O blog, com a ajuda dos suspeitos de sempre, montou a tabela abaixo com o que cada candidato espera ter de votos na segunda-feira. Como se vê, matemática não é o forte dos políticos brasileiros:

 

Por Fernando Rodrigues
20h36 - 29/01/2009

As águas possíveis para rolar até 2ª feira

 

 

● PMDB é favorito para levar tudo. Pelo menos, no papel.

 

● Sarney continua mais presidente do que Michel Temer

 

A alta imprevisibilidade das eleições para presidente da Câmara e do Senado, na segunda-feira, dia 2.fev.2009, só permite que sejam feitas análises com base em eleições passadas e especulações do presente. O blog faz aqui esse exercício –e recomenda a leitura do post abaixo, no qual estão listados os apoios oficiais coletados pelos candidatos do PMDB até o momento, os grandes favoritos.

 

Antes de qualquer coisa, é importante lembrar como foram os dois últimos embates nos quais houve segundo turno na disputa pela presidência da Câmara. Para vencer, são necessários, pelo menos, 50% mais 1 dos 513 votos (ou seja, 257). Eis o que o ocorreu:

 

Em 2005:

Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) - 207 votos

Severino Cavalcanti (PP-PE) - 124 votos

Virgilio Guimarães (PT-MG) - 117 votos

José Carlos Aleluia (PFL-BA) - 53 votos

Jair Bolsonaro (PFL-RJ) - 2 votos

Brancos - 3 votos

Nulo - 4 votos

(No 2º turno, sabe-se, deu Severino; 300 votos contra 195 de Greenhalgh)

 

Em 2007:

Arlindo Chinaglia (PT-SP) - 236 votos

Aldo Rebelo (PC do B-SP) - 175 votos

Gustavo Fruet (PSDB-PR) - 98 votos

Brancos - 3 votos

(No 2º turno, deu Chinaglia; 261 votos contra 243 de Aldo)

 

Ou seja, fica claro que há uma espécie de padrão para o processo de “greenhalghização” de um candidato: ir para o segundo turno na frente, mas na redondeza dos 200 votos. Nesse caso, perde a disputa.

 

Também há um padrão para a “arlindização” de um candidato: ir para o segundo turno perto dos 240 votos. Acaba vencendo na disputa final.

 

Não está claro onde se dá a transição de um candidato do tipo “Greenhalgh” (episódio de 2005) para um do tipo “Arlindo” (caso de 2007). O blog acha que é no patamar dos 225 votos. Ou seja, o candidato que vai para o 2º turno carregando menos de 225 votos, tem chance de desidratar ainda mais e ser derrotado.

 

Quem tem mais de 225 votos no primeiro turno, vai para a rodada final vitaminado e pode vencer.

 

Em teoria, Michel Temer (PMD-SP) não precisaria se preocupar com esse tipo de análise. Os 14 partidos ao seu lado acumulam incríveis 423 votos. Mas a boataria é grande na Câmara e é raro encontrar algum líder dentro do Congresso que não admita como real a possibilidade de haver um segundo turno entre Temer e Ciro Nogueira (PP-PI).

 

Nesse cenário, a dúvida é: Michel Temer vai ao segundo turno como um “Greenhalgh” ou como um “Arlindo”? Ninguém tem a resposta para essa pergunta.

 

É também necessário considerar o perfil do candidato adversário de Temer nessa eventual segunda rodada de votação.

 

Se for Ciro Nogueira, ele poderia vencer se entrasse no segundo turno tendo obtido, pelo menos, 190 a 200 votos na primeira votação. Ciro precisa estar bem consolidado, pois tem dificuldade para atrair determinado tipo de eleitor que no momento está ao lado de Aldo Rebelo (PC do B-SP) e de Osmar Serraglio (PMDB-PR).

 

Já no caso de Aldo Rebelo, o candidato do PC do B pode se dar ao luxo de entrar no segundo turno tendo recebido 130 votos ou até menos na rodada inicial. É que os votos de Serraglio e de Ciro Nogueira migrariam muito mais facilmente para Aldo.

 

Por fim, é útil também ter em mente as estratégias e elucubrações à disposição dos políticos até segunda-feira. A saber:

 

- os avulsos - os candidatos de oposição a Michel Temer estimulam candidaturas avulsas a todos os outros cargos em disputa na Mesa Diretora da Câmara. Essa atitude desestabiliza o Blocão dos 423 de Temer.

Os deputados entram na cabine e votam em todos os cargos. Quando sair a primeira apuração, vai se saber se é necessário segundo turno para presidente e para todos os outros cargos. Nessa hipótese, tudo fica ainda mais nebuloso;

 

- segundo turno na 3 ª feira - se houver segundo turno para alguns dos cargos da Mesa Diretora, essas disputas ficarão para o dia seguinte. Nesse caso, serão relevantes os acordos pessoais de cada um dos candidatos a presidente com os deputados disputando uma vaga na direção da Câmara;

 

- renúncia dos últimos colocados – Osmar Serraglio, Aldo Rebelo e Ciro Nogueira têm algo em comum: querem derrotar Michel Temer. O que impede dois deles de renunciar na última hora para construir um fato novo a favor do que permanecer na disputa? Nada. Só precisam avaliar se a operação será útil para dar uma vitória à trinca já no primeiro turno.

 

- José Múcio, o ausente - o ministro da quase (des)coordenação política sempre teve um sonho: presidir a Câmara. É possível que diante de uma eventual fragilidade de Michel Temer ele desembarque na Câmara a mando de Lula? Improvável, mas o blog já ouviu isso nos corredores do Congresso.

 

- José Alencar - a saúde do vice-presidente está fragilizada há tempos. E se houver mais notícias de que ele permanecerá convalescendo por um longo período? Esse fato poderia beneficiar algum candidato? O presidente da Câmara é o terceiro homem na hierarquia da República. Sem Lula nem Zé Alencar, assume o deputado que preside a Câmara.

 

Como se observa, o quadro está aberto.

 

Não faltam ideias sobrevoando a Câmara, inclusive as de jerico.

 

E no Senado? No Senado, o quadro parece mais sólido. Mas Tião Viana propagou no final da quinta-feira (29.jan.2009) que contava com 37 votos. Faltariam apenas 4 para o petista vencer.

 

 

Como Sarney e os sarneysistas contabilizam pelo menos 58 votos também supostamente garantidos, teríamos um Senado com 95 cadeiras (e não as 81 existentes). Alguém está blefando. Típico.

Por Fernando Rodrigues

Um registro da história oficial do Congresso

● Quantos votos cada partido diz ter nas disputas da Câmara e do Senado

 

Vamos ao que dizem os apoios oficiais. Até para registrar e comparar com o que sair das urnas na segunda-feira (25.fev.2009), quando Câmara e Senado escolhem seus presidentes.

 

Abaixo, o blog preparou a lista dos apoios oficiais para o deputado Michel Temer (PMDB-SP) e para o senador José Sarney (PMDB-AP). Os dois são favoritos na disputa. Pelo menos no papel.

 

Duas observações: ou se confirma a maior aliança do Ocidente na Câmara (nem Francelino Pereira pensou nisso...) ou será a maior demonstração de cinismo da história.

 

A outra observação: tem condições de funcionar um Congresso com 20 partidos e todos eles com direito a cargo de líder? O Poder Legislativo fica ingovernável. Mas é o reino do baixo-clero e, possivelmente, onde estão as 350 a 400 pessoas mais sem ideologia da Galáxia.

 

Aos quadros:

 

 

Por Fernando Rodrigues
19h38 - 28/01/2009

O Congresso começa a ficar cheio

O recesso está no final e os corredos do Congresso estão ficando lotados de material de campanha dos candidatos a presidente da Câmara e do Senado.

 

Hoje à tarde, o deputado Ciro Nogueira (PP-PI) distribuiu pelos corredores da Câmara espelhos como peças publicitárias de sua campanha. Abaixo, um desses painéis (é uma foto de baixa qualidade, tirada com iPhone, sorry):

 

Por Fernando Rodrigues

Bacalhau e filé ao molho de funghi no almoço do PMDB

 

Está tudo pronto para o almoço hoje da bancada de senadores do PMDB na residência oficial da presidência do Senado. O atual presidente da Casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), servirá bacalhau ao molho e filé mignon ao molho de funghi.

 

Dos 20 senadores peemedebistas, 17 conformaram presença. Os faltosos são Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), que se recusam a apoiar a recondução de José Sarney à presidência do Senado. O terceiro faltante é Mão Santa (PI), em férias na Espanha.

 

Ao todo, Sarney espera contar com 18 votos dos 20 possíveis (Mão Santa, embora ausente, vota com a maioria).

 

E uma observação importante do senador Garibaldi Alves sobre os procedimentos para segunda-feira, dia 2 quando será realizada a eleição para o novo comando do Senado:

 

“Às 9h vou me reunir com os lideres de todos os partidos no meu gabinete. Acertaremos os procedimentos para a eleição. Às 10h, vamos ao plenário e faremos a eleição do novo presidente. Primeiro, os candidatos que desejarem fazer uso da palavra terão, cada um, 20 ou 30 minutos, no máximo. Aí, votamos. Apurados os votos, o novo presidente assume e teremos a eleição para os outros integrantes da Mesa Diretora”.

 

E a votação será eletrônica, perguntou o blog, até para esclarecer um ponto de um post abaixo. E Garibaldi:

 

“A votação poderá ser eletrônica no caso de haver apenas um candidato. Nesse caso, como foi o minha eleição, os senadores apenas confirmam nas suas bancadas. Mas se houver mais de um candidato, temos de usar cédulas em papel. Mas será uma votação rápida, pois é apenas para presidente do Senado. Deve acabar tudo por volta de meio-dia. Nas eleições seguintes, para os outros cargos da Mesa Diretora, o procedimento é o mesmo. Quando houver um candidato apenas para o cargo disputado na Mesa, pode ser uma votação eletrônica. Se houver mais de um concorrendo, fazemos com cédulas em papel”.

 

Ou seja, se Tião Viana se mantiver na disputa, isso deve atrasar um pouco a apuração no Senado. Mas nada que possibilite à Câmara fazer a sua eleição ao mesmo tempo. Os deputados vão demorar muito mais.

 

Por Fernando Rodrigues

As últimas da novela no Congresso: um placar apertado

 

• PMDB estima Michel Temer com “piso sólido como concreto” de 300 votos


• No PT, gente graúda dá peemedebista com 270 votos garantidos na Câmara

 

Uma história habita a memória de muitos deputados no Congresso. Corria o ano de 2005. O governo articulava a eleição de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). O Partidos dos Trabalhadores tinha a maior bancada na Câmara. Por tradição, tinha também o direito de eleger o presidente da Casa.

 

Houve uma reunião de articulação na residência oficial do então presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Líderes dos principais partidos estavam presentes. Ministros de Estado e outros líderes políticos também batiam cartão nesse encontro. Um a um foi dizendo quantos deputados estariam dispostos e “fechados” com Greenhalgh. Era voto que não acabava mais.

 

Ao que um ministro de Estado, matreiro, perguntou a um importante líder partidário ao seu lado:

 

    Será que o Greenhalgh tem tanto voto assim?

 

E o líder partidário:

 

    Está todo mundo mentindo... Inclusive eu.

 

O resto é história. Greenhalgh teve 207 votos (num total de 513). São necessários 257 para vencer. No segundo turno, foi derrotado por Severino Cavalcanti (PP-PI), que obteve 300 votos.

 

Ainda mais humilhante: Greenhalgh teve, no segundo turno, apenas 195 votos. Menos do que havia obtido na primeira votação.

 

Essa história serve para ilustrar como funciona, às vezes, a Câmara dos Deputados. Na disputa atual, Michel Temer (PMDB-SP) tem o apoio oficial de 14 partidos, o “blocão”. Contabiliza 428 votos possíveis. Está eleito, certo?

 

Mais ou menos. O próprio PMDB estima uma taxa de traição de aproximadamente 20% —ou seja, uma defecção de 85 deputados. Os 428 votos são portanto desidratados para 343.

 

Nas contas do experiente deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), Michel Temer tem hoje “um piso sólido como concreto de 300 votos”. Padilha é um especialista em medir a temperatura do plenário do Congresso. Foi ele o responsável pela famosa planilha de votação que em 1997 resultou na aprovação da emenda constitucional da reeleição.

 

O blog considera que Padilha está fazendo hoje um levantamento mais sujeito a furos do que há 5 ou 10 anos. No momento, a conjuntura é completamente diferente.

 

O PMDB faz seu levantamento assim: 1) consulta os líderes partidários (aqueles que mentiram na derrota de Greenhalgh em 2005); 2) consulta os presidentes dos partidos (que pouco sabem); 3) consulta líderes políticos em cada Estado (que podem saber muita coisa, mas certamente não devem contar tudo).

 

Falta ao PMDB um trabalho de “formiguinha”, procurando deputado por deputado, tomando aquele café coado morno servido pelos garçons do Congresso. A grande massa na Câmara é não-ideológica e não-partidária. Os adversários de Temer tem falado pessoalmente com a imensa maioria dos 513 deputados desde outubro do ano passado. Recentemente, quando conversam ao pé do ouvido com seus eleitores, os candidatos de oposição ao PMDB perguntam: “Quantas vezes você foi procurado pela direção do PMDB nos últimos anos? Agora, vai ser procurado nesta semana. Você acha que depois de o Michel Temer ser eleito você continuará a ter acesso a ele?”. É um argumento forte no baixo clero.

 

No caso do PT, que vem a cada dia jurando fidelidade a Michel Temer, há um problema adicional. Se o peemedebista perder, não importa que os 78 deputados do PT tenham votado nele. A culpa da derrota será jogada nas costas do PT. Essa fatura já está pronta e emitida. Não tem como o partido de Lula deixar de levar esse peso para a cova.

 

Como o voto é secreto, nunca vai se saber o que aconteceu. Esse raciocínio tem levado muitos petistas a pensar da seguinte forma: “Há risco de Michel Temer perder mesmo que eu vote nele, mas eu vou acabar levando a culpa. Como nunca simpatizei muito com o PMDB, vou de uma vez votar em outro candidato para ver de uma vez o circo pegar fogo”. Esses representam o baixo clero do PT –aliás, um fenômeno importante o fato de os petistas hoje também integrarem essa pouco elogiada parcela dos congressistas brasileiros.

 

Na balbúrdia, os interesses mais comezinhos dos deputados têm mais chances de ser atendidos pelo governo. O baixo clero adora uma balbúrdia.

 

Para concluir, uma conta de um petista que está no quartil superior da legenda em termos de poder e conhecimento dos fatos: “O Michel Temer vai ganhar, mas a diferença será apertada. Creio que ele tenha agora uns 270 votos”.

 

Esse petista é um que não pode falar em público, em nenhuma hipótese, mesmo sob a mira de uma AK-47, que Michel Temer tem chance de perder a eleição.

 

P.S.: e no Senado? Parece tudo acertado. Dá Sarney.

 

Por Fernando Rodrigues
07h49 - 27/01/2009

Cronograma de votação é vital no Congresso

Além da centésima declaração de apoio do PT ao PMDB na Câmara, ontem (26.jan.2009) também foi divulgado o cronograma de votação para as disputas de segunda-feira (02.fev.2009), quando serão eleitos os presidentes das duas Casas do Congresso. Não há um grande detalhamento, mas o blog apurou que pode ser mais ou menos assim:


10h00 – abertura dos trabalhos em ambas as Casas e início do processo eleitoral.

Candidatos fazem seus discursos.


10h30 – senadores votam (o processo é eletrônico e rápido: cada um dos 81 senadores vota diretamente de sua bancada, em plenário).


12h00 – senadores apuram o resultado e anunciam o vencedor. Deputados estarão começando a votar. O processo é eletrônico, mas os 513 precisam pressionar as teclas em máquinas montadas em cabines de votação indevassáveis.


 

Ou seja, o processo na Câmara vai terminar muito depois da eleição do Senado. Na pior hipótese para os deputados, os senadores já vão conhecer o seu novo presidente antes de o processo ter se iniciado na Câmara.

 

Por que isso é relevante? Porque cresce a cada dia um sentimento contrário ao avanço do PMDB no Congresso. Uma massa de 300 a 350 deputados, quase todos não-ideológicos, acham que ficarão desatendidos se Michel Temer (PMDB-SP) e José Sarney (PMDB-AP) vencerem as disputa na Câmara e no Senado, respectivamente.


Como a possível eleição de Sarney será uma realidade antes de os deputados votarem, será também um convite para a traição por parte daqueles que hoje juram fidelidade ao PMDB. Mas, atenção: é impossível prever o grau e a extensão dessa traição.

 

É claro, por óbvio, que esse sentimento do baixo clero não é definitivo nem há garantia de que a candidatura de Michel Temer esteja condenada. Longe disso. Nesta semana, o peemedebista começou com, pelo menos, cerca de 300 votos a seu favor --mais do que suficientes para ser eleito (é necessário 50% mais 1, pelo menos, dos 513 votos para ser o vencedor).

 

O problema do PMDB é que os 300 votos de Temer ontem (26.jan.2009) eram 340 na semana passada. E mais de 400 em dezembro.

 

Se fosse possível resumir a disputa interna no Congresso em uma frase, seria mais ou menos a seguinte: Sarney é hoje mais presidente do Senado do que Temer presidente da Câmara, mas os dois continuam favoritos.

 

Por Fernando Rodrigues
07h43 - 26/01/2009

Poder e política na semana

Os próximos dias serão dominados, em Brasília, pela disputa no Congresso. Lula vai a Belém, para o Fórum Social Mundial. Na quarta-feira, o presidente tem importante reunião com governadores do Norte e do Nordeste.

 

segunda (26.jan)
PSDB decide-se no Congresso – Tião ou Sarney? Fiel na disputa da presidência do Senado,  o PSDB vai se reunir nesta segunda-feira para escolher qual candidato apoiará oficialmente.
Palpite do blog: vai dar Sarney.

 

Serra empossa Alckmin – os tucanos festejam a posse de Gerald Alckmin na Secretaria de Desenvolvimento paulista. Além de Serra, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) deve participar da solenidade de posse. Um público de 1.500 pessoas é esperado e a cerimônia será exibida em telão.

 

 

terça (27.jan)
Fórum Social Mundial – abertura do evento em Belém, Pará. Lula e outros 12 ministros irão ao encontro até o seu encerramento, no dia 1º de fevereiro.

 

 

quarta (28.jan)
Davos – na Suíça, o Fórum Econômico Social começa desfalcado. Lula e Obama não devem aparecer. Outros líderes, como Gordon Brown e Vladmir Putin, já confirmaram presença.

 

PMDB e Sarney – a bancada do partido do Senado se reunirá em almoço. A menos de uma semana da votação, vai anunciar oficialmente a saída de Garibaldi e a entrada de Sarney na disputa.

 

Norte e Nordeste – o presidente Lula se reúne com governadores das regiões Norte e Nordeste durante todo o dia, no Palácio do Planalto.

 

 

quinta (29.jan)
Encontro latino – Evo Morales, da Bolívia, Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa, do Equador, Fernando Lugo, do Paraguai, e Lula participarão juntos de debate em Belém, no Fórum Social Mundial.

 

 

sexta (30.jan)
Balanço no Congresso – hora de os candidatos a presidente das duas Casas fazerem as contas para a eleição de 2a feira.

 

 

sábado e domingo (31.jan e 01.fev)
Eleições no Congresso – temperatura máxima vai anteceder as disputas de 2a feira, dia 2 de fevereiro.

 

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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