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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

21h01 - 23/01/2009

Câmara e Senado, um balanço pré-eleitoral

A semana termina com José Sarney (PMDB-AP) mais presidente do Senado do que Michel Temer (PMDB-SP) presidente da Câmara.

 

Mas tanto Sarney como Temer continuam favoritos para ganharem as presdências do Senado e Câmara, respectivamente.

 

No Senado, Sarney e seus aliados (Renan Calheiros à frente) avaliam ter de 50 a 60 votos --num colégio de 81 senadores. Em política, impossível nada é, mas as coisas não vão bem para Tião Viana (PT-AC).

 

Na Câmara, Michel Temer tem, no papel,  mais de 400 votos garantidos por causa do apoio formal de 13 partidos (serão 14 na semana que vem, com a possível adesão do PRB). Na prática, a situação parece ser outra.

 

O PMDB na Câmara julga ter garantidos cerca de 300 a 320 votos --num colégio eleitoral total de 513 deputados. Para ganhar é necessário ter, pelo menos, 50% mais 1 dos 513 votos.

 

O blog calcula que Temer tem, no momento, cerca de 250 a 280 votos garantidos --mas num cenário em que o solo da Câmara se assemelha ao de uma areia movediça.

 

Este blog também apurou que na oposição as previsões mínimas são as seguintes:

 

Ciro Nogueira (PP-PI) - 120 votos
Aldo Rebelo (PC do B-SP) - 60 votos
Osmar Serraglio (PMDB-PR) - 20 votos

 

Esses votos da oposição foram contados ao longo da semana, por volta de 4ª feira. Somam 200. São necessários mais 50 e poucos para levar a disputa para o segundo turno. Não é algo do outro mundo.

 

Há cerca de 70 a 100 votos completamente indefinidos e voando para todos os lados.

 

A semana que entra será uma eterna noite de São Bartolomeu. Um massacre de convicções, uma grande carnificina, com propostas mirabolantes, traições de todos os tipos e pouca possibilidade de previsão do resultado para o dia 2 de fevereiro.

 

Mas uma frase é muito intrigante e muito ouvida nos corredores da Câmara, talvez o local mais pragmático e menos ideológico da galáxia: "Se Michel Temer ganhar, é bom, de verdade, apenas para ele e para o grupo dele no PMDB. Pouca gente lucra com isso".

Por Fernando Rodrigues
17h22 - 21/01/2009

Linguagem não-falada na micropolítica

Há um certo ar de indignação entre petistas e peemedebistas sobre a confirmação de que José Sarney será mesmo candidato a presidente do Senado.

 

Hoje (21.jan.2009) à tarde, a líder do PT, Ideli Salvati, disse ter acreditado que Sarney estava fora do páreo. Por quê? Porque Sarney falou várias vezes que não era candidato.

 

Incrível. Quem engana quem no Congresso?

Por Fernando Rodrigues

A poeira de cada um

 

Veja só como é difícil a compreensão e o entendimento entre dois países de culturas diferentes. Há uma miríade de traduções para o português do discurso de posse de Barack Obama.

 

Para ficar em um exemplo, Obama usou ontem (20.jan.2009) a seguinte expressão idiomática:

 

“Starting today, we must pick ourselves up, dust ourselves off, and begin again the work of remaking America.”

 

Cada um dos principais jornais brasileiros fez sua própria tradução em suas versões impressas. Ei-las:

 

Folha: “Começando hoje, precisamos nos reerguer, esfregar nossas mãos e começar novamente o trabalho de reconstruir a América”.

 

Estadão: “A partir de hoje, precisamos nos recompor, sacudir nossa poeira, e reiniciar o nosso trabalho de reconstruir a América”.

 

O Globo: “Começando hoje, devemos nos levantar, sacudir a poeira, e começar de novo o trabalho de refazer os Estados Unidos”.

 

Correio Braziliense: “Começando de hoje, precisamos nos levantar e começar de novo o trabalho de reconstruir a América”.

 

A expressão usada por Obama (“dust off” ou “dust ourselves off”) tem várias traduções possíveis, mas uma delas é a brasileiríssima: “sacudir a poeira” –no sentido de renovar, dar uma energizada em algo ou alguém. Aliás, é esse o uso dado por Paulo Vanzolini no samba “Volta por Cima”, cujo refrão é “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.


O sentido geral está lá em todas as traduções dos jornais brasileiros, um pouco mais, um pouco menos. Mas se houve divergência para traduzir trecho tão curto, o que dizer do restante...

 

Por Fernando Rodrigues
15h11 - 20/01/2009

Lula já citou Obama 37 vezes

A conta é do Palácio do Planalto nos discursos e entrevistas do presidente brasileiro.

 

Até por essa razão, Lula não deve hoje fazer novas declarações sobre o presidente dos EUA que acaba de tomar posse.

Por Fernando Rodrigues

Garibaldi se diz pronto para renunciar e apoiar Sarney

O presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB)-RN), acaba de confirmar sua disposição de se retirar da disputa por mais um mandato no comando da Casa. Ele disse ao blog:

 

"Diante da decisão de Sarney, a viabilidade de minha candidatura a esta altura é precária. Mas é necessário aguardar a decisão oficial da bancada do PMDB, que vai se reunir para oficializar o lançamento de Sarney. Quando isso acontecer, apoiarei Sarney".

 

Essa frase de Garibaldi complementa o post abaixo, no qual o blog relatava o encontro entre ele e Sarney.

 

Garibaldi está ciente de que prestou grande serviço ao PMDB ao se lançar candidato a presidente do Senado no final do ano passado. "Ajudei um bocado. Se não fosse a minha candidatura, talvez a do Tião Viana tivesse se consolidado antes que Sarney se decidisse".

 

O entendimento entre Garibaldi e Sarney ocorreu ontem (19.jan.2009). Os dois se encontraram pouco depois das 22h. Sarney passou na casa do colega depois de ter se encontrado com o presidente Lula, quando comunicou que seria candidato a presidir o Senado.

 

Hoje de manhã, Sarney já atuou intensamente na sua campanha. Falou com o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que era até o momento um dos principais defensores da candidatura de Garibaldi Alves.

 

A eleição para presidentes da Câmara e do Senado ocorre no dia 2 de fevereiro, uma segunda-feira. Até lá, os congressistas estão em recesso. Por essa razão, é possível que a reunião da bancada do PMDB para oficializar a candidatura de Sarney só ocorra lá pelo final da próxima semana --ou até no domingo, dia 1 de fevereiro, véspera da disputa. O suspense continuará em público, mas nos bastidores já está tudo acertado: Sarney é candidato e Garibaldi desiste da disputa.

 

Como em política é arriscado prever o futuro, é melhor esperar até 2 de fevereiro para saber se tudo isso se confirma. Mas esse script já era conhecido há mais de um mês e todos os seus pontos vêm sendo cumpridos de maneira rigorosa.

Por Fernando Rodrigues

Sarney tenta se acertar com Garibaldi

Depois de comunicar oficialmente a Lula sobre sua intenção de concorrer a presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) teve uma importante conversa ontem (19.jan.2009) à noite com seu colega de partido, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN).

 

Ainda não está claro o conteúdo exato da conversa entre Sarney e Garibaldi. Como se sabe, Sarney decidiu mesmo ser candidato a presidente do Senado, na disputa do dia 2 de fevereiro. Garibaldi, o atual presidente da Casa, até ontem dizia que seria candidato à reeleição.

 

Se valer o script redigido pela ala do PMDB no Senado, o que vai acontecer é o seguinte;

 

  • 1) Garibaldi usará uma saída honrosa: dirá que sua candidatura estava fragilizada pela incerteza jurídica. Há uma proibição para reeleição de presidentes da Câmara e do Senado na mesma legislatura.

 

  • 2) O PMDB vai elogiar Garibaldi: vários senadores do partido virão a público exaltar as "qualidades" e a "grandeza" do atual presidente do Senado. Esse afago faz parte do teatro preparado para a saída de cena de Garibaldi. O PMDB é grato a ele porque foi possível nas últimas semanas -com base numa candidatura fictícia- conter o avanço de Tião Viana (PT-AC), cuja intenção de ser presidente do Senado se cristalizava rapidamente no final do ano passado.
    Garibaldi lançou-se candidato, ocupou a mídia e impediu o avanço de Tião. Agora, com a missão cumprida, está sendo convidado a tirar o time de campo.

 

  • 3) Sarney é lançado: a bancada do PMDB se reúne e lança Sarney oficialmente candidato. Como a intenção dos peemedebistas é tirar o máximo proveito dessa operação, é possível que a oficialização do nome de Sarney fique apenas para a semana que vem.

 

O que pode dar errado? Primeiro, Garibaldi pode ter sido picado pela mosca azul. Pode estar acreditando mais do que devia na própria candidatura. Segundo, Tião Viana pode não ter sua candidatura totalmente cristalizada, mas está mais avançado do que gostariam os peemedebistas.

 

O cenário mais provável é a saída de Garibaldi, a permanência de Tião e a entrada de Sarney no páreo, para bater chapa com o PT.

 

Na Câmara, a conjuntura fica toda embaralhada. Michel Temer (PMDB-SP) segue como o favorito, mas pode sofrer uma erosão na sua montanha de votos com a entrada de Sarney. Por quê? Porque muitos deputados vão considerar excessivo o PMDB ficar com as presidências da Câmara e do Senado. Não que essa turma esteja preocupada com democracia e divisão de poder. O negócio deles é ter mais opções de guichês a quem pedir favores. Quando tudo fica concentrado num único lugar, o fisiologismo sempre é mais difícil de se materializar.

Por Fernando Rodrigues
07h25 - 19/01/2009

Poder e política na semana

A semana vai ser mais econômica do que política. Eis o que deve ser olhado de perto:

 

segunda (19.jan)

Lula e as centrais sindicais – no Planalto, às 17h, o presidente recebe membros da CUT, Força Sindical, Nova Central, CTB, UGT e CGTB. Vai anunciar alguma medida para minimizar o efeito do desemprego.

 

Lula e Sarney – se a gripe do ex-presidente passar, Sarney deve finalmente se encontrar com Lula para discutir a presidência do Senado.

 

Demissões – o ministro do trabalho, Carlos Lupi, divulga resultado do do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) de dezembro de 2008. Deve ser o pior dezembro da história, desde quando a estatística é compilada (1992).

 

Chanceler Chinês no Brasil – o chanceler da China, Yang Jiechi, visita Brasília.

 

25 anos do MST – em São Paulo, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra apresenta à imprensa balanço da sua história. Será o primeiro de uma série de eventos em comemoração ao aniversário.

 

terça (20.jan)

Obama assume – só vai dar ele no noticiário. Até a ESPN, emissora de esportes, vai transmitir a cerimônia nos EUA. 


Bolsa-história: Barack Hussein Obama II será o 44º presidente dos EUA. Quando ele prestar o juramento de posse pela primeira vez neste 20.jan.2009, será a 56ª vez em que um presidente norte-americano é empossado para um mandato de 4 anos –sem interrupções– desde 1789, com George Washington. Embora 8 presidentes tenham morrido durante o mandato –e 1 tenha renunciado–, todos os vice-presidentes prestaram o mesmo juramento e serviram em mandatos de 4 anos.

 

Comentário do blog: um dia a gente chega lá. Mas falta um pouco. No Brasil, a democracia voltou em 1985, mas a estabilidade veio, a rigor, apenas em 1994 quando FHC foi eleito. Em 1º de janeiro de 2011, quando Lula passar a cadeira para o sucessor, serão apenas 16 anos de regras sem alterações estapafúrdias. 


Lula, crise e política – o presidente faz pela manhã sua reunião de coordenação política. Pauta: crise econômica e sucessão nas presidências no Senado e na Câmara.

 

Ipea e a crise – o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresenta (9h, em Brasília), o seu Comunicado da Presidência nº 16 com o tema "Crise econômica internacional e possíveis repercussões: primeiras análises". É a “intelligentsia” econômica do governo dando sua visão sobre o que nos espera neste ano de 2009.

 

quarta (21.jan)

Copom – o Comitê de Política Monetária do BC divulga a nova taxa de juros. Consenso do mercado é que o talho será de 0,5 a 0,75 ponto percentual (hoje, a Selic é de 13,75% ao ano).

 

Lula e os metalúrgicos – o presidente se encontra com Sérgio Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

 

quinta (22.jan)

Lula e a aeronáutica - o presidente passa o dia na Base Aérea de Brasília, onde fará a passagem de cargos para novos comandantes.

 

sexta (23.jan)

Congresso – a semana deve terminar com um cenário um pouco mais claro sobre quem poderá comandar Câmara e Senado pelos próximos 2 anos. Se as coisas continuarem nubladas, é péssima notícia para o governo.

 

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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