Figurões atrasam fila da cassação no TSE
A nota foi enviada pelo jornalista Chico Bruno, especialista em políticos encrencados lá pelo Norte do país. Ele faz boa lembrança dos figurões na fila de julgamento no TSE. Com a decisão pela cassação do governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, quem sabe as coisas comecem a andar.
"Encontram-se na mira do TSE os governadores de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), de Roraima, José Anchieta Junior (PSDB), do Amapá, Waldez Góes (PDT), do Maranhão, Jackson Lago (PDT), de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), de Sergipe, Marcelo Deda (PT) e de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB)", escreve o Chico.
A seguir, a nota completa. Vale a leitura:
Na noite de quinta-feira, 20, Dia da Consciência Negra, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou a temporada de julgamento dos processos de cassação de governadores eleitos em 2006.
O primeiro a ser julgado pelo TSE foi o governador reeleito da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). O tribunal ratificou a sentença de 30 de julho de 2007 prolatada pelo TRE da Paraíba e confirmou a cassação do governador e do vice José Lacerda Neto (DEM).
Cássio levou uma goleada de sete votos à zero. Decisão unânime. Ele deve recorrer ao TSE, mas fora do cargo, pois o recurso não tem efeito suspensivo.
Assumirá o governo da Paraíba o segundo colocado nas eleições de 2006, o senador José Maranhão (PMDB), tão logo seja publicado o acórdão da sentença no Diário da Justiça. Maranhão perdeu as eleições por uma diferença de 2% dos votos.
Reeleito em 2006, Cássio perdeu o mandato porque distribuiu dinheiro público a eleitores, através de um programa assistencial.
Além do já cassado Cássio Cunha Lima, existem mais sete governadores que podem perder os mandatos em favor aos segundos colocados nas eleições de 2006.
Encontram-se na mira do TSE os governadores de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), de Roraima, José Anchieta Junior (PSDB), do Amapá, Waldez Góes (PDT), do Maranhão, Jackson Lago (PDT), de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), de Sergipe, Marcelo Deda (PT) e de Santa Catarina, Luiz Henrique (PMDB).
O processo de cassação do governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), está no TRE daquele estado aguardando julgamento.
A totalidade dos processos pendentes no TSE tem a mesma motivação do que cassou o mandato de Cássio: abuso do poder econômico, abuso do poder político e captação ilícita de sufrágio, popularmente conhecida como compra de votos.
Portanto, a tendência é a cassação de todos.
Entre os governadores processados existe um que merece um registro mais alongado, pois tem coisas do arco da velha.
No agravo de instrumento 9275 contra a decisão contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP), que extinguiu a ação do partido contra o governador reeleito do Amapá, Antônio Waldez Góes da Silva, o governador tem a ilustre companhia do senador reeleito José Sarney.
O recurso pede a cassação do registro das candidaturas e a inelegibilidade de Waldez e Sarney por prática de abuso de poder político e econômico, haja vista desrespeitaram a lei eleitoral ao fazerem uso de cadeia estadual de rádio e televisão que transmitiu, ao vivo, a convenção regional do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).
Com certeza, nunca antes na história recente das eleições brasileiras, uma legenda transmitiu ao vivo e a cores por uma cadeia estadual de rádio e televisão uma convenção partidária para homologar candidaturas e coligações.
Só a ousadia de Sarney pode ter permitido acontecimento dessa monta, assim como só o prestigio do maranhense pode fazer com que o processo em que é pedida a cassação do seu mandato ande a passos de jabuti.
Esse processo está parado na Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) desde dezembro de 2007. Em contrapartida o pedido de cassação contra o governador do Maranhão, Jackson Lago, desafeto político de Sarney, impetrado pela coligação da candidata derrotada Roseana Sarney foi recebido e despachado no mesmo dia.
O andamento mostra que o processo contra Jackson foi recebido na PGE no dia 08 de junho de 2007, às 12h38minh. E em apenas um minuto, às 12h39minh, a PGE manifestou-se e em pouco mais de 30 minutos, já estava sendo recebido pela Coordenadoria de Processamento (CPRO). Todo andamento no mesmo dia 08.
Já o processo que pede a cassação de Waldez e Sarney impetrado pelo candidato derrotado a vice-governador no Amapá, Joel Cilião, já foi duas vezes para a PGE. Da primeira vez demorou 19 dias para ser despachado. Chegou dia 19 de outubro e foi despachado no dia 07 de novembro. Na mesma data foi recebido e devolvido pela CPRO para a PGE. E desde então permanece ali parado.
De lá para cá, já se passou um ano, sem mais nenhuma movimentação. Enquanto o processo contra o atual governador movido pelo grupo Sarney move-se quase que diariamente.
Dos sete processos com pedido de cassação do mandato do governador Waldez, dois estão desde setembro em mãos do ministro Fernando Gonçalves.
Quem quiser comprovar basta acompanhar os processos no site do TSE.
Quem sabe agora com a cassação de Cássio, a fila ande mais rápido.


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