Luz, energia e subdesenvolvimento
O governo não cumprirá sua meta de 2 milhões de famílias atendidas pelo “Luz para Todos” até o final do ano, informa a Folha de hoje. Das 585 mil famílias que seriam atendidas neste ano, só 308 mil foram contempladas
200 mil famílias serão empurradas para 2009, somando-se às 550 mil já previstas no período.
Ontem, em Salvador (BA), uma pane no sistema de iluminação do estádio local atrasou em mais de meia hora o jogo de futebol em Vitória e Flamengo.
Durante as eleições no domingo, várias cidades no Sul do país tiveram queda de energia e dezenas de urnas eletrônicas ficaram sem funcionar, pifadas por causa da variação da tensão.
Em Brasília, capital do país, cidade jovem de menos de 50 anos, a energia cai quase diariamente em épocas de chuva. É difícil haver alguém que não tenha sofrido com a queima de um aparelho elétrico por causa das variações da tensão em Brasília –ou que, pelo menos, que conheça alguém que tenha passado por tal infortúnio.
Por fim, a demência maior: o Brasil é um dos únicos países do mundo que tem diferentes tensões (110V ou 220V) dentro do seu próprio território. Dependendo do Estado (ou cidade) onde se encontra o usuário, pode ser 110V ou 220V.
Quem muda de São Paulo (110V) para Brasília (220V) ou vice-versa precisa comprar transformadores ou jogar todos os aparelhos elétricos fora.
Vamos admitir: o sistema energético brasileiro é um lixo. Há muita variação de tensão, a energia é cortada quando chove.
Países desenvolvidos no hemisfério Norte tem situações climáticas muito mais dramáticas. Neve, frio intenso, tempestades. Não há notícia de quedas de energia freqüentes como as enfrentadas pelos brasileiros. Sobretudo em grandes cidades.
Há várias formas de medir o desenvolvimento de um país. A estabilidade no sistema de fornecimento de energia é uma delas. Por essa métrica, o Brasil está mal, muito mal.




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