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Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

10h59 - 17/10/2008
 

Como o governo dos EUA cobre a eleição no país

Nova York - Grande dica sobre como a Casa Branca (na realidade, o Departamento de Estado a mando da Casa Branca) faz a cobertura da sucessão de George W. Bush. O site America.gov tem uma área especial só sobre eleições.

 

Vale a pena olhar e verificar se o grau de "chapa-branquismo" do governo dos EUA rivaliza (ou não) como o brasileiro.

 

Eis a imagem do local onde estão as biografias dos candidatos:

 

 

Bolsa-memória: a expressão "chapa-branca" se refere a atos ou atitudes do governo (ou a pessoas ou entidades que desejam agradar ao governo). O termo deriva das placas (chapas) brancas que todo os automóveis oficiais usavam no Brasil no passado (até a década de 80). Os mortais comuns tinham placas de cor amarela. Os táxis usavam as da cor vermelha. Hoje, a imensa maioria dos carros oficiais não é mais licenciada com um tipo de placa diferenciada. Os carros de políticos e seus acólitos ficam quase todos "disfarçados", usando placas como as dos outros cidadãos (fora algumas exceções; ministros de Estado, por exemplo).

 

Era fácil antigamente nos comícios de políticos governistas contar quantos carros com "chapa branca" estavam nas imediações. Virava um "comício chapa-branca". Hoje, ficou tudo mais difícil. Mas expressão "chapa-branca" acabou incorporada ao léxico político para sempre.

Por Fernando Rodrigues
20h32 - 16/10/2008
 

PT, PMDB e PSDB confirmam favoritismo e saem na frente nas disputas de segundo turno

Nova York – o blog está fora do Brasil acompanhando a crise do “fim do mundo” (que nunca chega ao final), mas a tradição de publicar compilações de pesquisas eleitorais brasileiras está mantida.

Já estão no ar as pesquisas disponíveis para as cidades nas quais haverá segundo turno. Haverá segundo turno em 30 cidades e já existem levantamentos eleitorais em 28 delas. As exceções, por enquanto, são Contagem (MG) e Petrópolis (RJ).

Para acessar as pesquisas em 28 cidades, clique aqui. E aqui para ler as pesquisas do 1º turno. Para os aficcionados em números da política, clique aqui e leia as pesquisas de intenção de voto de todas as eleições desde o ano 2000.

E o que diz o quadro atual? Mais ou menos o mesmo que saiu do primeiro turno. O PT e o PMDB devem mesmo faturar mais cidades. Os petistas estão de ressaca por causa da possibilidade de perderem, de novo, a jóia da coroa: São Paulo. Ainda assim, estão em primeiro lugar em seis cidades e com chances no total em 10.

O PMDB também fará bonito neste segundo turno, com chances de vitória em até 9 cidades. O PSDB vem em seguida, com 7 candidatos no páreo. Depois, os outros partidos vêm muito atrás.

Um destaque vai para o DEM, com a possibilidade de vitória só em duas cidades, sendo uma delas São Paulo.

Abaixo, o quadro resumo preparado para este blog pelo jornalista Piero Locatelli, do UOL:

Por Fernando Rodrigues
 

Só milagre, ou racismo, salvam McCain da derrota

Nova York – Depois do debate de ontem (15.out), só um milagre salva o republicano John McCain nesta eleição presidencial nos EUA. O candidato governista, como disse o “New York Times”, apertou “todos os botões” que tinha à sua frente para tentar reagir, falando de todos os temas negativos levantado na campanha e que poderiam atingir o adversário. Mas os eleitores continuaram não gostando.


Uma pesquisa nacional realizada pela CNN logo após o debate mostrou o placar: 58% acham que o democrata Barack Obama venceu; só 31% apontaram McCain como vencedor.


Agora, a 19 dias da eleição do dia 4 de novembro, só um fato excepcional, quase um milagre, poderá dar a vitória a McCain. O voto a favor de Obama parece cada vez mais cristalizado. Além disso, esta crise do “fim do mundo” com a derrocada da economia é água no moinho do democrata.


Mas há um outro “fator extra-campo” difícil de ser mensurado: o racismo envergonhado. Obama é o primeiro negro o concorrer a presidente por um partido grande nos EUA. As pesquisas não indicam um número considerável de eleitores contra Obama por causa da cor de sua pele. Mas em eleições locais no passado, para prefeito e para governos estaduais, muitas vezes na hora de votar o racismo falou mais alto e o candidato negro não foi eleito.


Eis um dado para pensar: se a economia está destruída e se 90% desaprovam a condução do país por George W. Bush, por que Obama lidera sobre McCain sempre só por algo como 10 a 15 pontos percentuais? Em tese, a vantagem do democrata poderia ser muito mais larga.


É impossível prever com segurança absoluta esse eventual comportamento racista do eleitorado norte-americano. Os institutos de pesquisa têm tentado aferir se algo assim pode acontecer. Por enquanto, os levantamentos mais qualitativos sobre a mente dos eleitores têm descartado tal desfecho. Além do mais, a liderança de Obama parece consolidada.


Mas não se deve desprezar, nunca, o grau de conservadorismo da sociedade nos EUA.


A favor de Obama, os outros dados da pesquisa pós-debate ontem:


- 59% dos telespectadores acham Obama mais bem preparado do que McCain para conduzir a economia;


- 56% acham que Obama cuidará melhor da política de impostos do país, 15 pontos à frente de McCain, que martelou esse assunto durante todo o debate.


- 66% consideraram que Obama expressou suas idéias de maneira mais clara; só 25% disseram que McCain foi o mais claro.

Por Fernando Rodrigues
20h53 - 13/10/2008
 

Neel Kashkari e Yul Brynner
Separados no nascimento

 

O todo poderoso Neel Kashkari, secretário interino do Tesouro dos EUA para Estabilidade Financeira, e o ator Yul Brynner.

 

Quem é quem nessas fotos?

 

Por Fernando Rodrigues | Separados no nascimento
 

As bolsas estão em alta...

...mas é bom não comemorar ainda.


enquanto isso, hora do recreio com este vídeo humorístico do Channel 4, da Inglaterra:

Com legendas em português:

É talvez a melhor explicação até hoje da crise. E foi feito em fevereiro deste ano...

Por Fernando Rodrigues
 

Receita de jornais na web empaca nos EUA

Deu no NYT de hoje e interessa a todos os internautas –e também a este blogueiro, pois a saúde do jornalismo na internet depende ainda de um robusto crescimento da publicidade na web.Pois o New York Times deu hoje más notícias.

 

- Depois de crescer por 17 trimestres consecutivos (desde 2003), a receita publicitária de jornais na internet nos EUA caiu pela primeira vez neste ano, no segundo semestre;

 

- a receita foi de US$ 777 milhões, o que representou uma queda de 2,4% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a “Newspaper Association of America”.

 

O problema é localizado para os jornais. A publicidade geral subiu 7,6% na web no segundo trimestre deste ano nos EUA.

 

Há também um cenário melhor para os grandes jornais.O NYT teve um crescimento de 13% nas suas receitas publicitárias na web no segundo trimestre. O Times desistiu no ano passado de cobrar dos leitores interessados em ler o jornal na internet. A audiência disparou. A procura por anúncios, também.

 

Clique aqui para ler o texto original do NYT (em inglês)

Por Fernando Rodrigues | Mídia
 

O pacotão dos EUA detalhado: implantação será realizada por 7 programas diferentes e vai demorar semanas

Nova York – o pacotão dos EUA para salvar os mercados foi detalhado hoje de manhã por Neel Kashkari, o secretário interino do Tesouro dos EUA para Estabilidade Financeira.


Basicamente, Kashkari (pronuncia-se “kach-RÁ-ri”) explicou para um público no “Institute of International Bankers” que o processo de implementação será longo e custoso. Argumentou que a velocidade do Tesouro (o equivalente ao Ministério da Fazenda no Brasil) é a possível dada a complexidade do processo. Ficou uma impressão de que será uma tarefa arrastada e muito complexa.


Por exemplo, o programa de seguro para os ativos podres está em fase de receber sugestões, que vai durar 14 dias. Só depois o processo entrará em fase de formatação final –para depois ser implementado. A coisa vai longe.


Mesmo assim, o mercado reagiu bem no início desta segunda-feira. A Bolsa de Nova York, logo cedo, abriu em alta.


A íntegra da palestra de Kashkari (em inglês) está aqui:


http://www.treas.gov/press/releases/hp1199.htm


A outra impressão deixada por Kashkari –um gênio do mercado, jovem, 35 anos, parecido com um Yul Brynner jovem e apontado diretamente pelo secretário do Tesouro, Hank Paulson– foi que há um cuidado extremado com todos os detalhes do processo. Já foram contratadas pessoas para formar um time de comandantes da operação. Por enquanto, são os seguintes os integrantes da equipe de Kashkari:


1) Tom Bloom (“Chief Financial Officer”); 2) Jonathan Fiechter (“Chief Risk Officer); 3) Donna Gambrell (“Chief of Homeownership Preservation); 4) Don Hammond (“Chief Compliance Officer”); 5) Reuben Jeffrey (“Chief Investment Officer”).


Esse time de intocáveis comandará os seguintes grupos de trabalho, com os seguintes objetivos:


1) Programa de empréstimos imobiliários (“hipotecas”) alavancados: vai identificar quais são exatamente os títulos a serem comprados pelo governo dos EUA e qual mecanismo de compra será usado. Haverá leilões para compra desses papéis e as entidades que pretendem se desfazer desses títulos podres serão chamadas para implementar o programa;


2) Programa de compra de empréstimos no atacado: destina-se sobretudo aos bancos regionais, muito afetados nos EUA por causa do empréstimos podres para financiamento imobiliário. A idéia é identificar esse universo, precificar essas carteiras e definir um mecanismo de compra;


3) Programa de seguro: será estabelecido para dar garantia (segurar) os papéis tóxicos. Kashkari diz ter “várias idéias inovadoras” para dar garantias tanto para títulos como carteiras de empréstimo integralmente. Na sexta-feira (10.out.2008), Kashkari disse ter aberto um processo de consultas a respeito de quais são as melhores opções e (agora vem o pior) espera respostas nos próximos 14 dias para “começar a desenhar o programa”.
Ou seja, fica reforçada a idéia de que nada ainda está pronto e vai demorar uma enormidade até que esse programa esteja totalmente implementado;


4) Programa de compra de ações: está sendo montado um programa padrão para comprar ações de maneira ampla das instituições financeiras. Será um programa voluntário e terá condições, diz Kashkari, de atrair também a participação de instituições saudáveis. “Vamos também encorajar firmas a levantar capital privado pra complementar os fundos públicos”;


5) Preservação de propriedade de imóveis residenciais: esse programa visará a ajudar proprietários de imóveis a manter suas casas;


6) Compensação executiva: é o programa definirá quais são os requisitos para que firmas financeiras (ou não) possam participar do programa de resgate. Há três cenários possíveis: leilão de compra de ativos podres; um programa amplo de compra de ações; ou intervenção direta do Estado para “impedir a falência de uma instituição sistemicamente significativa”;


7) “Compliance” (obediência à lei): a lei estabelece estruturas rígidas de supervisão e obediência às regras. Entre outras providências, haverá a criação de um Conselho de Supervisão (“Oversight Board”).


Por Fernando Rodrigues
 

Tesouro dos EUA detalha pacotão e revela planos ainda em estágio muito preliminar

Nova York - O wunderkind da Secretaria do Tesouro dos EUA, Neel Kashkari, de apenas 35 anos, detalhou hoje de manhã como está a implementação do pacotão de resgate do sistema financeiro preparado pelo governo norte-americano.


Kashkari (pronuncia-se “kach-RÁ-ri”) deu a entender que tudo ainda está em processo de formatação, 10 dias depois de o Congresso dos EUA ter aprovado os poderes para o Tesouro (o equivalente ao Ministério da Fazenda no Brasil) usar US$ 700 bilhões.


Aqui está o link da íntegra do discurso de Kashkari (em inglês) agora de manhã para o “Institute of International Bankers”(onde mais):


http://www.treas.gov/press/releases/hp1199.htm


No post acima, mais detalhes.

Por Fernando Rodrigues
18h55 - 12/10/2008
 

Anedota da semana

Poderia ser uma charge do Glauco e do seu Zé do Apocalipse. Saiu no "Atlanta Constitution".

 

Um daqueles malucos barbudos desfila com um cartaz: "O fim está próximo".

 

Passa um operador do mercado desesperado com o derretimento dos preços das ações e diz: "Otimista".

 

Amanhã, segunda-feira (13.out), é feriado nos EUA. Columbus Day. Mas a Bolsa em Nova York vai abrir, pois é um feriado facultativo.

 

Todos os grandes "crashes", de 1929 e de 1987, ocorreram em segunda-feiras, no mês de outubro.

 

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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