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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

19h15 - 20/07/2007

Parecer técnico do IPT não encontra
problemas na pista principal de Congonhas

Clique aqui para ler o fac-símile do documento 

Parecer técnico parcial nº12792-301-ii realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) na pista principal do aeroporto de Congonhas não identificou restrições ao uso da mesma. O documento é datado de ontem (19/07/2007). O resultado desse parecer é baseado, entretanto, em dados coletados até o dia 18 de julho de 2007 e também antes do acidente de terça-feira.  As duas principais conclusões foram as seguintes:

 

1) Características mecânicas do revestimento asfáltico: segundo o relatório, o concreto utilizado na pista segue especificação da Infraero e é do mesmo tipo usado nos outros aeroportos. "A camada de rolamento das pistas principal e auxiliar segue o projeto na Faixa 2 das especificações da Infraero (SAO/GRL/900.ET-247/R2, página 60). Trata-se de concreto asfáltico usualmente adotado para obras desta natureza, largamente utilizado no Brasil em praticamente todas suas pistas de aeroportos", diz o texto. A avaliação do IPT é que "a mistura asfáltica após compactação e resfriamento pode ser considerada tecnicamente como apta para o tráfego de aeronaves, veículos e equipamento de obras". E segue: "Portanto, no que tange à concepção do revestimento asfáltico quanto às suas propriedades mecânicas, esta camada de rolamento atende às especificações de projeto e todas as implementações adotadas adicionaram características positivas", conclui o parecer. 

 

2) Características de superfície do revestimento asfáltico a partir de resultados de atrito obtidos com Mu-Meter: nesse ponto, a análise aborda a questão do atrito em pista molhada. Uma das possíveis causas do acidente com o avião Airbus-A320 da TAM, em Congonhas (SP), seria a falta do "grooving" (ranhuras que ajudam no escoamento da água). Sem as ranhuras, dizem alguns, a pista ficaria mais escorregadia. O parecer diz que mesmo sem o "grooving" a pista está em boas condições. "Os valores encontrados nos dois monitoramentos recentemente realizados, mostram-se acima dos valores recomendados do ponto de vista de atrito em pista molhada, tendo em vista os limites recomendados internacionalmente (ICAO-Anexo 14) e nacionalmente (DAC). Ressalta-se ainda que estes patamares de valores de atrito foram alcançados sem a execução de grooving", descreve o relatório. Na conclusão, o instituto afirma que o nível de atrito está acima dos limites mínimos e que, portanto, a pista encontra-se em condições para pousos e decolagens. "Pela análise realizada, no que tange às condições de superfície do revestimento asfáltico, os valores medidos de atrito pela Infraero na pista principal por meio do equipamento mu-meter, na situação atual, revelam-se acima dos limites mínimos especificados", termina o texto.

 

Logo depois do acidente de terça-feira, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), contestou a informação vazada por autoridades do governo federal a respeito da existência de laudo técnico do IPT liberando a pista de Congonhas. O IPT é um órgão do governo do Estado de São Paulo --comandado, portanto, pelo tucano. O documento divulgado hoje demonstra que José Serra tem razão apenas parcial em sua reclamação. O laudo não é definitivo, só parcial. Mas o parecer não aponta nenhum óbice para o funcionamento da pista reformada do aeroporto paulistano.

 

post scriptum (23.jul.2007): o post acima tem 518 palavras. Faz um relato óbvio: o parecer do IPT não aponta óbices na pista de Congonhas. Não fala em liberação de pista. Relatou-se, portanto, um fato: a existência de um parecer. Pois o IPT produziu uma resposta de 1.184 palavras para dizer a mesma coisa... de outro jeito. É uma enrolação fantástica ("há várias afirmações do jornalista que merecem ressalvas"; waaal...). Essa gente é maluca?

Por Fernando Rodrigues

ACM morreu

Um dos mais longêvos políticos brasileiros. Passou mais de 50 anos na política (começou em 1954 como deputado estadual).

A morte de ACM representa, em certa medida, o crespúsculo de toda uma geração. Não por causa da morte dele propriamente, mas porque parece ter realmente chegado a hora de um certo grupo geracional passar o bastão para os que estão chegando.

Ulysses Guimarães, Leonel Brizola, ACM. É uma lista e tanto. 

Para 2010 há vários candidatos na corrida presidencial que eram crianças ou muito jovens no auge da ditadura militar (1964-1985). José Serra é, talvez, a única exceção.

Com a morte de ACM, sinal dos tempos, certas memórias vão ficando mesmo longe na história. Falar hoje para jovens de 20 sobre a ditadura militar era como nos anos 80 ouvir dos mais velhos a respeito de Getúlio Vargas e Juscelino Kubtischek.

Por Fernando Rodrigues

César Maia (DEM) comenta fala de Lula

O prefeito do Rio, César Maia (DEM), deu uns pitacos no seu boletim diário de análise política (o ex-blog).

 

Maia é uma espécie de grilo falante da oposição. Goste-se ou não dele, trata-se do político mais presente em todos os embates contra o Planalto.

 

Eis o que ele comentou sobre o pronunciamento de Lula, previsto para hoje (20.jul.2007) à noite, em cadeia de rádio e TV:

 

“CAMA DE GATO:”

“LULA FALA HOJE NA TV SOBRE A

TRAGÉDIA DE CONGONHAS!”

“Lula e seus assessores, devem estar passando horas de alta ansiedade para decidir o que Lula falará hoje em rede de rádio e TV. Os votos de pêsames já foram dados com os três dias de luto e nota oficial. E agora? O que dirá? Hipóteses:

“1. Se demitir dirigentes e adotar medidas contundentes estará reconhecendo a culpa do governo na tragédia de Congonhas e portanto a sua.

“2. Se quiser por a culpa na TAM reforçará a imagem negativa que tem de sempre encontrar culpados para que possa lavar as mãos.
 

“3. Se enrolar, sua desmoralização será terminal”.

 

E César Maia vai além com seu sarcasmo:

 

“FORMAS DE RELACIONAMENTO DOS MINISTROS

DE LULA COM A POPULAÇÃO SOFRIDA!”

 

“1. Ministra do turismo: -Relaxa e Goza. [no youtube, aqui]

 

“2. Ministro ad hoc de relações exteriores: -F...m-se. [no “Jornal da Globo” de ontem, 19.jul.2007, aqui]

 

“3. Assessor do ministro: -Ó nós em vocês...

[idem, no “Jornal da Globo” de ontem]

 

post scriptum: sobre Marco Aurélio Garcia, como bem apontou um internauta, num episódio semelhante Rubens Ricupero perdeu a cadeira de ministro da Fazenda ao debochar da população. Em 1º de setembro de 1994, Ricupero esperava para ser entrevistado pela TV Globo, mas o satélite já transmitia sua conversa no estúdio. Antenas parabólicas (alguém ainda usa essas coisas?) capataram sua famosa frase sobre indicadores econômicos: "Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo. O que é bom a gente fatura; o que é ruim, esconde". Para matar as saudades, assista o vídeo aqui.

Por Fernando Rodrigues

Afinal, qual é a importância do reversor?

O Brasil conheceu palavras novas nos últimos dias. Primeiro, “grooving” (as ranhuras que serão feitas na pista principal de Congonhas). Agora, o reversor (ou reverso) das turbinas do avião.

 

Já se sabe que o Airbus-A320 do vôo 3054 da TAM estava com um problema mecânico detectado quatro dias antes. O reversor da turbina do lado direito (há uma turbina de cada lado) apresentou defeito. A companhia aérea optou por lacrar o equipamento e voar sem esse dispositivo –procedimento recomendado no manual do fabricante.

 

O dispositivo poderia permanecer lacrado, diz o manual da Airbus, por até dez dias antes de o avião ser submetido a uma manutenção.

 

Em condições muito adversas de clima (chuva muito intensa, por exemplo) não é recomendado o uso do avião com um dos reversos desativados.

 

O que é o reverso? É um mecanismo na turbina do avião. Acionado, o motor joga o ar para frente. É um freio aerodinâmico. "O reverso desvia parte do ar comprimido pelo motor para ajudar na frenagem", diz um especialista.

 

Há outro freio semelhante: os flaps spoilers (nas asas).

 

Correção excelente enviada por um leitor: "Os flaps não são exatamente usados como freios aerodinâmicos. São "extensões" das asas que aumentam a sustentabilidade do avião em velocidades baixas (tanto que são usados também nas decolagens). Os freios aos quais que você se refere são aquelas "pás" localizadas em cima da asa que se levantam após o pouso, são chamadas de "spoilers". Elas sim, são responsáveis por ajudar a frear o avião. Informações: http://en.wikipedia.org/wiki/Spoiler_(aeronautics)".

 

Mas qual é a importância do reverso?

 

Segundo vários sites sobre aviação, no Airbus-A320 a relevância do freio aerodinâmico é de aproximadamente 20%. O principal responsável pela paralisação completa do avião é o sistema de frenagem nos pneus (que tem um moderno sistema ABS). Um desses sites/blogs tem uma explicação didática a respeito. Acesse aqui (graças à indicação de um internauta).

 

Eis um trecho (tradução livre para o português): “Os freios nas rodas são a forma de parar o avião. Muitas pessoas pensam que os reversos têm um grande papel na aterrissagem: mas eles têm função marginal, não afetando a distância percorrida em mais de 10% a 20%. A maioria dos aviões tem um sistema automático de freios, que são acionados depois que o equipamento toca o solo”).

 

A distância necessária para frear um Airbus-A320 fica em torno de 1.300 jardas (cerca de 1.190 metros). A pista principal de Congonhas tem 1.940 metros. É desejável que a distância mínima seja equivalente a, no máximo, 60% da pista total. Nesse caso, Congonhas está no limite exato do que seria aconselhável. Não há nenhum espaço a mais disponível.

 

Ninguém sabe ainda ao certo a razão pela qual o Airbus-A320 da TAM não parou na terça-feira à noite. Sobretudo porque outra aeronave idêntica teve pouso perfeito cerca de 5 minutos antes –nas mesmas condições climáticas e na mesma pista. Pode ter acontecido algum problema extra com o reverso, o freio dos pneus pode ter falhado, a pista pode ter ficado muito pior em poucos minutos, o piloto pode ter se apavorado.

 

O que ninguém tem dúvida é a respeito da necessidade de Congonhas ter um movimento menor de aviões. E de se pensar numa possibilidade de restringir os pousos e as decolagens de aeronaves muito grandes. Esse é o ponto. Não adiante o governo comemorar (com o “top, top, top” de Marco Aurélio Garcia) o fato de o reverso direito do avião da TAM ter ficado defeituoso. Medidas de segurança para Congonhas poderiam ter sido tomadas muito antes. Mas é a tal história. Porteira arrombada, cadeado nela.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (20.jul.2007 - 6ª feira)

Lula e o pacote aéreo O petista faz um pronunciamento em rádio e TV hoje à noite para anunciar medidas de mais segurança em Congonhas.
Comentário do blog: porteira arrombada, cadeado nela.

 

Conac o Conselho de Aviação Civil reúne-se às 15h no Ministério da Defesa para discutir as medidas que serão posteriormente anunciadas por Lula.

 

Falha no reversor a possibilidade de uma falha no reversor da turbina direita do Airbus-A320 da TAM ter causado a tragédia enfraquece as suspeitas de que a pista de Congonhas fosse uma das causas do acidente (embora isso não possa ser completamente descartado). O “Jornal Nacional” de ontem deu grande destaque ao assunto. A TAM diz nada ter escondido. Mencionou o defeito na entrevista concedida na quarta-feira. Sustenta que “o reversor direito do Airbus A320 que realizou o vôo JJ 3051 foi desativado em condições previstas pelos manuais de manutenção da fabricante Airbus e aprovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)”. O “JN” deu a versão da empresa. Mas o governo comemorou o “JN” como se fosse final de Copa do Mundo. As imagens de Marco Aurélio Garcia no “Jornal da Globo” de ontem não deixam dúvidas (fazendo o notório "top, top, top" com as mãos).

Comentário do blog: essa história ainda vai longe.

 

CPI do Apagão a comissão tem reunião nesta sexta-feira, às 11h, para aprovar requerimentos que pedem a convocação de autoridades federais que estão envolvidas no acidente com o avião da TAM. A CPI deve trabalhar durante o recesso parlamentar para discutir e investigar o agravamento da crise aérea após a tragédia.

 

Despedida o deputado federal Júlio Redecker (PSDB-RS), um dos mortos no acidente em Congonhas, será enterrado hoje em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. O corpo será velado em Porto Alegre, na sede do governo estadual. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, confirmaram presença no velório.

Por Fernando Rodrigues
18h57 - 19/07/2007

Palácio do Planalto nega que presidente
da Infraero tenha devolvido o cargo

Ao chegar hoje ao Palácio do Planalto para uma reunião, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que seu cargo está sempre à disposição do governo.

 

Dentro do Planalto, entretanto, Pereira não entregou o cargo, segundo informa a Presidência da República.

 

O presidente da Infraero e o ministro da Defesa, Waldir Pires, estão numa lista de possíveis autoridades a serem demitidas nos próximos dias. Mas nada ainda foi confirmado --até porque Lula recalcitrou várias vezes. Pereira e Waldir Pires foram "demitidos" na mídia umas dez vezes nos últimos meses, mas continuam nos seus cargos.

 

Agora, a situação parece bem mais deteriorada. Mas Lula, sabe-se, tem uma dificuldade enorme para demitir seus assessores. Demissão, com o petista, só vale depois de publicada no "Diário Oficial".

Por Fernando Rodrigues

Lula vai à TV amanhã anunciar medidas
de segurança reforçada para Congonhas

● vôos de jatinhos devem ser restringidos ou extintos

● peso total dos aviões deverá ser reduzido

● cargas serão desviadas para outros aeroportos

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve falar amanhã à noite em rede nacional de rádio e TV. Vai novamente expressar pesar por causa do acidente de terça-feira (17.jul.2007) com o avião da TAM, mas sobretudo anunciará medidas que visam a reforçar a segurança aérea do aeroporto de Congonhas, o mais movimentado do país.

 

Logo depois do acidente, Lula emitiu uma nota oficial. Depois disso, fechou-se no Palácio do Planalto em intermináveis reuniões com assessores. Demandou soluções. Disse que gostaria de aparecer em público com medidas concretas para oferecer. Hoje no final da tarde o desenho das soluções ficou quase pronto.

 

As medidas só poderão ser anunciadas oficialmente amanhã à noite por Lula, pois serão discutidas durante o dia pelo Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), que terá uma reunião a respeito do tema. São membros do Conac os ministros da Defesa (Presidente), Relações Exteriores, Fazenda, Turismo, Indústria e Comércio Exterior, além do chefe da Casa Civil e do comandante da Aeronáutica. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que ajudou a formular parte das medidas, não participa desse órgão.

 

O pacote deve incluir, entre outros itens, os seguintes (ainda pendentes de finalização até amanhã):

 

1)       número de vôos em Congonhas: hoje, o máximo por hora é de 44. Muitas vezes, entretanto, chegam a ocorrer até 48 pousos e decolagens por hora. O ritmo é frenético. Deve haver uma redução para um máximo de 35 (mas esse número pode ficar ainda menor em condições climáticas menos favoráveis). Os vôos desviados terão de se virar para encontrar espaço em Guarulhos e Viracopos. A ser mesmo levada a cabo essa decisão, Lula estará comprando briga com as companhias aéreas (que terão prejuízo) e com parte da classe média (que faz uso das facilidades de Congonhas);

2)       jatinhos: Lula sempre insiste nesse ponto quando participa de reuniões a respeito. Acha que os vôos executivos devem ser todos retirados de Congonhas. “Quem tem dinheiro para alugar avião pode parar mais longe e arcar com os custos de alugar também um helicóptero para chegar ao centro da cidade”, foi a frase ouvida hoje dentro do Planalto. Não será uma decisão fácil. No mínimo deve ser imposta uma redução drástica desse tipo de operação;

3)       peso total dos aviões: a idéia é dar um desconto no que indica a norma internacional. Se, como afirmou a TAM, o limite de peso para um avião como o Airbus é de 64 toneladas numa pista como Congonhas, esse limite será reduzido ainda mais como forma de conferir mais segurança nas operações de pouso e decolagem;

4)       cargas: embora os aviões cargueiros não parem em Congonhas, os vôos de passageiros acabam sempre ocupando espaço vago para transportar algum tipo de carga. Essa operação deve ser restringida ao máximo em Congonhas.

 

Há outras medidas, mas este blog não teve acesso ao pacote completo.

 

Lula também planeja demitir parte da cúpula do setor aéreo, mas essas alterações não foram finalizadas. Estão na lista de possíveis demitidos o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.

 

Ontem, o Palácio do Planalto negou que Pereira já tivesse entregado o cargo, como chegou a ser divulgado. Mas a negativa veio até com certo pesar. Até porque o pedido de demissão seria bem-vindo.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (19.jul.2007 - 5ª feira)

Vôo 3054 Lula se esfalfa para evitar a versão de "tragédia anunciada". Planalto vende sem parar a versão de que ainda é "cedo" para apontar culpados. Nenhuma autoridade relevante do governo veio a público depois da tragédia. Só saem notas e comunicados. Lula deixou a tarefa de enfrentar as câmeras para o seu porta-voz.
Palpite do blog: só é cedo ainda para  dizer o tamanho do rombo na imagem presidencial. Que haverá desgaste não mais dúvida.

 

Lula sem agenda o petista cancelou todos os compromissos do restante da semana (lançaria o PAC da habitação nos estados do Sul e ir ao Rio de Janeiro para o evento comemorativo de 100 anos da Academia Brasileira de Letras). O presidente terá poucos encontros durante o dia, mas está sendo informado dos desdobramentos da crise diretamente pelo comandante da Aeronáutica Juniti Saito.
Comentário do blog: a única ação possível para Lula é arbitrar imediatamente uma redução drástica do número de vôos em Congonhas. Aí falta coragem de peitar as companhias aéreas e a classe média que seria prejudicada com a realocação dos vôos.

 

Congresso acompanha acidente a pedido do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), autorizou a convocação da Comissão de Representação do Congresso. Essa comissão tem os mesmos poderes do Congresso e pode aprovar projetos e convocar autoridades, por exemplo. Jungmann quer convocar os comandantes das principais entidades ligadas à aviação (Anac, Infraero, Aeronáutica e Ministério da Defesa) para darem explicações.

 

Ações o Ministério Público Federal entrou com um pedido de liminar na Justiça Federal para que as operações de pousos e decolagens nas pistas principal e auxiliar do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) sejam interrompidas até que a segurança no local seja confirmada. E o ministro Augusto Nardes do Tribunal de Contas da União afirmou que irá propor que o tribunal faça uma "auditoria preventiva" nos principais aeroportos do país. 

 

Juros menores – seguindo a linha da última reunião o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa de juros de 12% para 11,5% ao ano, um corte de 0,5 ponto percentual.

 

Azar – ontem, a TAP Portugal inaugurou seu vôo direto no trecho Brasília-Lisboa. Haveria festa. Tudo foi cancelado.

 

Comentário do dia – é o de Fábio Konder Comparato (presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB-SP), em curta correspondência para a seção de cartas da Folha de hoje (para assinantes): "Nas democracias autênticas, quanto maior o poder, maior a responsabilidade. No nosso serviço público é exatamente o contrário: quanto maior o cargo, maior a irresponsabilidade. Espera-se que o Ministério Público examine seriamente a responsabilidade dos dirigentes da Infraero por homicídio culposo, com a liberação indevida para o tráfego aéreo das mal acabadas pistas do aeroporto de Congonhas."

Por Fernando Rodrigues
08h00 - 18/07/2007

Uma dúvida para a Infraero esclarecer:
a obra da pista já foi integralmente paga?

Relato enviado ao blog por um funcionário público, consultor em licitações públicas e finanças públicas. A fonte não quer ter seu nome revelado. Pode ser prejudicada profissionalmente –“tenho relacionamento com empreiteiras em cursos que realizo”.

 

Basicamente, o ponto a ser esclarecido imediatamente pelo governo é o seguinte: a Infraero tinha obrigação de receber a obra da pista de Congonhas verificando se todos os elementos do contrato estavam devidamente cumpridos. No caso, como se sabe, decidiu-se que a instalação das ranhuras (ou, como se diz em inglês, o “grooving”) ficaria para uma segunda etapa. Quem tomou essa decisão? Com base em qual estudo técnico? A obra de R$ 20 milhões já foi paga? Quanto ficou para ser pago depois da instalação das ranhuras?

 

Eis, a seguir, o relato do técnico:

 

“A Lei 8.666/1993 estabelece que todas as obras públicas - como a reforma da pista de congonhas - devem passar, obrigatoriamente, por três tipos de etapas para sua entrega - parcial ou total”.

 

1ª Etapa - Medição – a empresa contratada recebe os pagamentos em conformidade com as medições aferidas pela contratante (parcela do serviço realizado). Por meio desse procedimento o Estado (Infraero) é obrigado a comparar o contratado (projeto básico/executivo) com o realizado. Assim, se havia previsão de construção de pista com os ‘sulcos’ [ranhuras] para drenagem, antes mesmo do pagamento das medições finais da pista, seria detectada a não-conformidade entre a obra contratada e a realizada”.

 

“O pagamento da empreiteira ficaria retido ou seria descontada a parcela não-executada, pendente sua plena execução e fiscalização, para aprovação final”.

 

“Se na parcela final da obra o ‘sulco’ não foi feito, o contrato não termina, porque a empresa contratada não o executou a contento”.

 

“A obra, portanto, não se encerra e, no caso concreto, a infra-estrutura não é disponibilizada para recebimento provisório”.

 

“É aqui que está o problema da obra da Infraero”

 

2ª Etapa - Recebimento Provisório – obras de grande vulto –na verdade, dentro do interesse público, todas as obras públicas– devem passar pelo procedimento de recebimento provisório. Em outras palavras: feitas as medições todas, executadas as etapas do projeto e do cronograma físico-financeiro, CONFIRMADA A PLENA EXECUÇÂO CONTRATUAL, a contratante têm a OBRIGAÇÃO (não trata-se de direito, mas de obrigação do Estado) de verificar se todos os elementos foram efetivamente cumpridos, dentro dos critérios de qualidade e técnica estipulados em contrato. Havendo falhas, a CONTRATANTE solicita sua correção, ficando pendente o recebimento final da obra”.

 

“3ª Etapa - Recebimento Definitivo - o recebimento definitivo –como o próprio nome indica– somente se realiza quando TODOS os elementos contratuais foram checados, aprovados, pagos e atestados pelo recebimento provisório”.

 

“Em suma: a lei já prevê –e  o conhecimento técnico de engenheiros, tanto da Infraero, como das empreiteiras envolvidas no processo, todos os elementos de garantia para que uma obra pública seja entregue dentro das especificações estabelecidas em contrato”.

 

“Se a construtora não entregou a obra, não pode ter recebido pela parcela integral da mesma”.

 

“Pergunto: recebeu tudo ou não? Se não recebeu, quanto não recebeu? Se a obra foi entregue, como uma parcela relevante da mesma –a drenagem– foi deixada para segundo plano?”

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (18.jul.2007 - 4ª feira)

A tragédia do vôo 3054 – em menos de 10 meses, os dois maiores acidentes da história da aviação brasileira. Lula cancelou os compromissos externos e mandou emissários para acompanhar os desdobramentos do acidente ocorrido em São Paulo com aeronave da TAM. O PSDB confirmou a presença do deputado Júlio Redecker (RS) no avião.
Comentário do blog: tudo fica secundário diante do acidente em Congonhas. É cedo para saber os efeitos políticos.

Renangate – a Mesa Diretora do Senado decidiu encaminhar à PF pedido para nova perícia nos documentos de defesa apresentados por Renan Calheiros. O ministro da Justiça Tarso Genro prometeu encaminhar ainda hoje o pedido à polícia e afirmou que investigações mais detalhadas sobre Renan só poderão ser realizadas com autorização do Supremo Tribunal Federal.
Palpite do blog: o caso agora entra em marcha lenta. O desfecho será no final de setembro. Ou depois.  

Congresso – entra em recesso a partir de hoje e retoma os trabalhos no dia 1º de agosto.  

Gim Argello – o suplente do ex-senador Joaquim Roriz tomou posse, aproveitando a brecha do recesso do Congresso. Mas o PSOL ingressou com representação por quebra de decoro contra o senador pouco depois de sua posse. Sobre as acusações que tem contra si, Argello pediu “tempo” aos senadores presentes na sessão para poder se explicar.

Por Fernando Rodrigues
22h55 - 17/07/2007

Avião tocou no ponto correto da pista e
continuou em linha reta e alta velocidade

O comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), Juniti Saito, recebeu informações dos funcionários da torre de controle do aeroporto de Congonhas atestando que o Airbus A-320 da TAM tocou a pista no local correto ao tentar aterrissar. Por alguma razão, disseram os funcionários, o avião continuou em alta velocidade. Esse dado terá de ser confirmado pela caixa-preta da aeronave.

Tocar o solo no local correto numa aterrissagem é o primeiro requisito para que a operação seja bem sucedida. Em seguida, o piloto deve empreender as ações necessárias para frear o equipamento. Ainda não se sabe a razão pela qual a velocidade não foi reduzida o tanto necessário.

Essa é a primeira informação técnica disponível, por enquanto, a respeito do acidente com o vôo 3054 da TAM no início da noite desta terça-feira (17.jul.2007) em Congonhas.

O fato de o avião ter continuado em alta velocidade depois de ter atingido o solo –informação pendente de ser oficialmente confirmada com dados da caixa-preta– reduz muito a hipótese de os supostos defeitos na pista de Congonhas serem os únicos possíveis causadores da tragédia. Quando o avião derrapa por deficiência da pista quase sempre ocorre uma mudança imediata na trajetória em solo. As informações preliminares (atenção: preliminares!) dão conta de que o Airbus da TAM seguiu em linha reta até praticamente o final da pista, sem frear nem perder a direção.

Como choveu nos últimos dias em São Paulo, haveria também a hipótese de aquaplanagem –o avião deslizando sobre uma fina lâmina de água. Mas essa hipótese parece não fazer sentido porque o avião ficou em linha reta quase até o final da pista.

Quando se dá o fenômeno da aquaplanagem é comum a aeronave jogar para um dos lados. A pista principal de Congonhas tem 1,9 km (esse, evidentemente, é um defeito sério da pista: é muito curta). Mas seria improvável em aquaplanagem o deslizamento em linha reta durante todo o percurso de 1,9 km. Além disso, ao aterrissar o piloto estaria, em tese, acionando o freio. Com aquaplanagem o avião poderia dar um "cavalo-de-pau" ou começaria a deslizar para um dos lados. Mas as informações disponíveis dão conta de não ter ocorrido o desvio de rota.

Em algum momento da aterrissagem, o piloto ou alguém na cabine de comando falou algo que teria sido identificado pela torre de Congonhas como uma menção a "virar" a rota do avião. Mas ainda não está claro em que momento esse tipo de informação foi captada --se logo quando o avião tocou o solo, se na metade da pista ou no seu final, quando o Airbus acabou fazendo a curva à esquerda e atingindo um edifício da TAM Express.

Por que isso teria acontecido? Não se sabe. Pode ter ocorrido algum defeito no aparelho que o impediu de frear (as turbinas não reverteram, os freios não funcionaram, enfim, várias possibilidades a serem estudadas e investigadas).

 

Espera-se que os dados da caixa-preta possam dirimir essas dúvidas.

 

Há grandes esperanças de a caixa-preta do avião ser encontrada intacta, pois nesse tipo de aparelho o equipamento fica conservado na cauda –a única parte que não foi totalmente consumida pelas chamas nas horas que se seguiram ao acidente.

 

O fogo demorou várias horas para ser debelado por causa de duas possíveis razões. Primeiro, o tanque do Airbus estava relativamente cheio (o avião seguiria viagem sem abastecer em São Paulo). A segunda possibilidade é a proximidade com o posto de gasolina, atingido na queda.

 

Quem esteve no local do acidente acredita que o número de vítimas em terra possa subir para casa de várias dezenas. No avião, são poucas ou quase nulas as possibilidades de alguém ter sobrevivido.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (17.jul.2007 - 3ª feira)

Dia D para o renangate – Renan nega ter preparado manobras protelatórias. A Mesa Diretora do Senado se reúne hoje para deliberar, às 11h, se envia ou não pedido feito pelo Conselho de Ética para que a PF aprofunde a perícia nos documentos de defesa apresentados pelo presidente do Senado. Renan deixou a cargo de Tião Viana (PT-AC), primeiro vice-presidente, presidir a reunião da Mesa. O risco de algum senador pedir vista do requerimento não pode ser descartado. O DEM e o PSDB prometem radicalizar caso isto aconteça.
Palpite do blog: Renan está desenganado por todos os aliados. Só Sarney e ACM (do seu leito no Incor) ainda estão ao seu lado.

Câmara – o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), marcou sessão no plenário da Casa com a intenção de colocar em votação uma medida provisória que tranca a pauta da Casa. Prometeu cortar o ponto dos faltosos.
Comentário do blog: a ameaça não resistirá a um pedido de verificação de quórum.

Gim Argello, o sub-Roriz – o suplente do ex-senador Joaquim Roriz estuda tomar posse no Senado hoje, véspera do recesso do Congresso. A estratégia é tirar os holofotes das várias denúncias que envolvem seu nome.

Apagão aéreo – a CPI do Apagão Aéreo (alguém se lembra) toma hoje os depoimentos de quatro analistas de Finanças e Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU): Jorge Pereira de Macedo, Cláudio Sarian Altourian, Carlos Sebastião Costa e Elizeu Grosskops Schlottseldt Júnior. Eles devem falar sobre contratos da Infraero de obras em aeroportos do país.
Comentário do blog: as CPIs sobre o apagão aéreo (na Câmara e no Senado) são uma demonstração viva da falência desse tipo de instrumento de investigação dentro do Congresso.

E na Argentina... – ...a ministra da Economia, Felisa Miceli, renunciou após ser chamada a explicar sacola de dinheiro achada em banheiro do gabinete. 

Por Fernando Rodrigues
11h03 - 16/07/2007

Magno Malta se nega a pedir vista e
processo contra Renan deve prosseguir

O senador Magno Malta (PR-ES) disse hoje a aliados seus que não pretende pedir vista do processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa.

 

Malta é um dos 7 integrantes da Mesa Diretora do Senado. Amanhã, a Mesa se reúne para despachar um pedido do Conselho de Ética: encaminhar para a Polícia Federal uma solicitação formal de perícia nos documentos de rendimentos pecuários de Renan Calheiros –cujo faturamento foi de R$ 1,9 milhão em 4 anos.

 

A idéia dos renanzistas é tentar alguma saída para que a Mesa Diretora nada decida amanhã. Dessa forma, tudo fica adiado para agosto. O Congresso entra em recesso a partir de quarta-feira.

 

Uma saída fácil era um dos integrantes da Mesa fazer o pedido de vista. Trata-se de um procedimento comum, quando a pessoa não se sente segura para tomar uma decisão durante algum processo de julgamento.

 

Magno Malta era tido como o mais suscetível a esse tipo de manobra. Agora, seu nome parece descartado.

 

Outra possibilidade é não haver quorum para que seja realizada a reunião de amanhã. São necessários pelo menos 4 integrantes da Mesa Diretora (titulares ou suplentes). Eis os nomes (e seus respectivos e-mails):

 

presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) renan.calheiros@senador.gov.br

1º vice Tião Viana (PT-AC) tiao.viana@senador.gov.br

2º vice Álvaro Dias (PSDB-PR) alvarodias@senador.gov.br

1º secretário Efraim Morais (DEM-PB) efraim.morais@senador.gov.br

2º secretário Gerson Camata (PMDB-ES) gerson.camata@senador.gov.br

3º secretário César Borges (DEM-BA) cesarborges@senador.gov.br

4º secretário Magno Malta (PR-ES) magnomalta@senador.gov.br

Suplente Papaléo Paes (PSDB-AP) papaleo@senador.gov.br

Suplente – A. C. Valadares (PSB-SE) antval@senador.gov.br

Suplente – João Vicente (PTB-PI) j.v.claudino@senador.gov.br

Suplente – Flexa Ribeiro (PSDB-PA) flexaribeiro@senador.gov.br

Por Fernando Rodrigues

O drive político da semana (16 a 20 de julho)

segunda-feira (16.jul)
Semana política curta – o recesso congressual começa 4ª feira. Em tese, essa turma só trabalha até amanhã. Depois, férias –agora, oficiais.

Renangate – o presidente do Senado, Renan Calheiros, finaliza sua estatrégia. Vai ou não vai recorrer ao STF para embananar de uma vez o processo? Haverá quórum de pelo menos 4 dos 7 integrantes da Mesa Diretora do Senado nesta 3ª feira? Algum senador pedira vista do processo para jogar tudo para agosto?
Palpite do blog: ninguém sabe. Amigos de Renan dão opiniões diversas. Pode dar qualquer coisa.

Encontro petista – os líderes das bancadas do PT nas assembléias legislativas do país estarão em Brasília, na sede do partido, para uma reunião que debaterá temas como o PAC nos estados e municípios.

Lula – de volta a Brasília, quer esquecer as vaias do Pan. Recebe, entre outros, o presidente mundial do grupo Deutsche Bank, Josef Ackermann, o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

CPI da CDHU em SP – reportagem de Rubens Valente, na Folha de hoje (só para assinantes), informa que "um terço dos deputados estaduais da Assembléia Legislativa de São Paulo recebeu doações financeiras, durante a última campanha eleitoral, de empresas contratadas para realizar o programa de construção de casas populares da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) do governo paulista". Essa turma apoiou manobra do PSDB na semana passada para enterrar uma CPI que apuraria suspeitas de irregularidades nesses contratos. Dado relevante: dos 32 que receberam doação de empreiteiras, 13 são filiados ao PSDB, partido que detém a maioria na Assembléia – 8 são do PT; 4 do DEM, 2 do PMDB, 2 do PSB, 1 do PDT, 1 do PPS e 1 do PTB.
Comentário do blog: em Brasília, o PT. Em São Paulo, o PSDB. Eles duelam na política, mas não sabem como se parecem.

ACM – continua com a saúde em estado delicado, no Incor, em SP.

terça-feira (17.jul)
Dia D para o Renangate
– a Mesa Diretora do Senado deve se reunir para decidir se aceita ou não pedido feito pelo Conselho de Ética para que a PF aprofunde a perícia nos documentos de defesa apresentados por Renan Calheiros. A oposição promete fazer vigília para evitar novos adiamentos.

Câmara – está marcada sessão no Plenário da Casa, com a pauta trancada por quatro MPs. Alguém vai aparecer?
Palpite do blog: nem pensar... Os deputados já estão todos em ritmo de aventura.

quarta-feira (18.jul)
Juros – último dia de reunião do Copom, quando será divulgado a nova taxa básica de juro da economia brasileira.

Folga – O Congresso Nacional entra em recesso. Só volta a funcionar no dia 1º de agosto.

quinta e sexta-feira (19.jul e 20.jul)
Brasília vazia – sem novos escândalos e sem Congresso, a capital tende a ficar às moscas.
Comentário do blog: quando Brasília dorme o Brasil cresce.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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