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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

11h12 - 07/07/2007

O valores que nos faltam

Coluna de hoje, na Folha:

FERNANDO RODRIGUES

Palocci é o Brasil

BRASÍLIA - Há mais de uma década observo políticos por dever profissional aqui no interior de Goiás. Interesso-me pelas atitudes cotidianas desses que supostamente nos representam no poder.

Quando Lula de maneira irrefletida jogou uma embalagem de bombom de cupuaçu no chão, em 2004, essa logo se tornou a imagem-síntese dos homens públicos na esfera federal petista. Um ato banal, mas emblemático da inexistência de certos valores entre os políticos.

Agora, o ex-ministro da Fazenda e atual deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) produziu uma cena melhor. No início da semana, a TV Globo flagrou o petista furando a fila de embarque internacional no aeroporto de Guarulhos.

Constrangedor. Aquele caos já conhecido e Palocci, de maneira melíflua, vai andando devagar até passar por um desvão aberto por pessoas que parecem estar ali para atendê-lo. Fato publicado, vieram as desculpas. Claro.

Segundo o petista -corroborado por uma companhia aérea-, ele apenas atendeu a uma determinação de ir o mais rapidamente possível ao portão de embarque. Não cometeu desvio. Ao furar a fila, Palocci teria praticado uma benemerência (sic) por não atrasar o vôo internacional ainda mais. Beleza.

A ser verdade essa patacoada, todos estão agora autorizados a chegar em cima da hora ao aeroporto quando forem fazer uma viagem internacional. Em seguida, serão chamados a furar a fila do controle de passaporte com anuência de todas as autoridades presentes.

Difícil identificar o mais deplorável nessa pantomima. Se o ato de furar a fila ou a desculpa deslavada. A rigor, tanto faz. O conjunto da obra do ex-ministro é auto-explicativo -desde o exótico molho de tomate "peneirado com ervilhas" na licitação em Ribeirão Preto até o funesto episódio com o caseiro Francenildo. Palocci é o Brasil.

Por Fernando Rodrigues
06h21 - 06/07/2007

A Justiça entrega a Justiça: todos os
políticos se salvam no Supremo

● no STJ, apenas 5 de 483 autoridades foram condenadas

● tribunais não têm estrutura para julgar, dizem juízes

● fim do foro privilegiado é a saída proposta contra impunidade

 

A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) fez ontem um ato público contra a corrupção e pelo fim do foro privilegiado. A entidade apresentou durante o evento um estudo dos processos contra autoridades que têm direito ao foro privilegiado e que tramitam ou já tramitaram no âmbito do STF e do STJ desde a promulgação da constituição de 1988.

 

O resultado é dramático, segundo a repórter Tatiana Damasceno. No Supremo, por exemplo, dos 130 processos contra políticos e altas autoridades que tramitaram na corte desde 1988 até 2007, ocorreram apenas seis julgamentos. Todos foram absolvidos. Isso mesmo: não houve condenação. E mais: 46 processos (35,38%) sequer foram analisados –foram remetidos para instância inferior de julgamento, por término do mandato do réu.

 

No STJ a situação não é muito diferente. Das 483 ações penais desde1989 (ano de criação do tribunal), 40,79% não deram em nada. Foram devolvidas para a primeira instância ou houve a chamada extinção da punibilidade quando o crime prescreve. Apenas 16 processos tiveram sentença declarada 11 foram absolvidos e 5 condenados. Em resumo, só cerca de 1% das autoridades acaba de fato sendo punida.

 

A AMB afirma que os tribunais superiores não têm estrutura e nem foram criados para julgar os crimes cometidos pelas autoridades. "Mais do que um foro privilegiado, nós temos um foro de impunidade", afirma Rodrigo Collaço, presidente da associação dos juízes.

 

Além de pedir o fim do foro privilegiado, a entidade propõe outras medidas para acelerar os julgamentos. Uma delas, que não depende de nenhuma lei, apenas de vontade política, é usar uma das prerrogativas previstas nos regimentos internos do STF e do STJ, que prevê a convocação juízes de outras instâncias para fazer a instrução dos processos. "Se nós acabássemos com o foro privilegiado seguramente teríamos uma incidência maior de julgamentos porque esses processos iriam tramitar nas varas cuja função judicial é justamente essa: ouvir testemunhas, decidir sobre provas, etc.", defende Collaço.

 

Eis os dados sobre processos contra autorirades no STJ:

 

E os casos no STF:

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (6.jul.2007 - 6ª feira)

Renangate: acusado ganha tempo – o Conselho de Ética pretende concluir o julgamento em 45 dias. É uma estimativa otimista. A PF pediu que os relatores pressionassem o presidente do Senado para que apresente mais documentos sobre seus negócios agropecuários. De acordo com a polícia, sem eles as contas de Renan não fecham.
Palpite do blog: Renan Calheiros só tem o tempo como seu aliado. Toda vez que algum senador aparecer pedindo mais investigação sobre algum detalhe do processo a razão é simples: ajudar Renan.

 

Suplente encrencado – a Folha (para assinantes) traz reportagem de Leonardo Souza mostrando que Gim Argello (PTB-DF), o suplente do ex-senador Joaquim Roriz, “recebeu mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo em sua conta sem comprovar a origem dos recursos” nos anos de 1999 a 2001.

 

Roriz fala o ex-senador prometeu entrevista coletiva para 10h de hoje.

 

Reforma política fracassou ontem mais uma tentativa de votar pontos da reforma, tais como financiamento público de campanha e fidelidade partidária. O patrocinador da proposta, Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara, está quase jogando a toalha, mas fará uma nova tentativa na semana que vem de colocar na pauta os itens da reforma.
Comentário do blog: Chinaglia perde, o Brasil ganha.

 

Lula nas alturas o Ibope divulga hoje nova pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria sobre a popularidade do presidente Lula. Na última pesquisa CNT/Sensus, Lula estava aprovado por 64% dos entrevistados.

 

Correios para tucanos  a licitação da conta de publicidade de R$ 90 milhões dos Correios saiu ontem (com a apresentação das notas técnicas e pontuação para capacidade de atendimento das agências). Deu um resultado curioso. Ganharam a MPM (de Nizan Guanaes, ex-marqueteiro de FHC e de Serra); Nova S/B (de Bob Vieira da Costa, ex-Secom no governo FHC) e DeBrito Propaganda (a zebra do dia).
Comentário do blog: no próximo governo, se ganhar um tucano para o Planalto, as agências ligadas ao PT poderão concorrer tranqüilas porque terão grandes chances de vencer. Em resumo: se você tem uma estatal encrencada (os Correios, a empresa-símbolo do escândalo do mensalão), dê a conta publicitária para agências que já trabalharam para seus adversários políticos.

Por Fernando Rodrigues
10h03 - 05/07/2007

"Exílio no deserto"

A propósito de Brasília e seus políticos, eis uma frase copiada de uma foto exposta no Catetinho, o local no Distrito Federal que abrigou temporariamente o governo federal durante a construção da cidade ainda nos anos 50:

"Não tenhamos dúvida de que o maior perigo de Brasília, situada em zona despovoada, será a ausência de opinião pública como elemento de orientação dos governantes. Sem vigilância, ou apenas vigiados de longe, governantes e legisladores irão pensar de preferência em si mesmos, nos seus bons negócios, em tirar rapidamente o máximo de vantagens em seu exílio no deserto - Austregésilo de Athayde no 'Diário da Noite', em 7 de janeiro de 1957".

Eis a foto (captada por Antonio Vicente Austregésilo de Athayde e gentilmente cedida a este blog):

 

Por Fernando Rodrigues

Brasília, um erro histórico irreparável: 3 dos
5 senadores até hoje “depostos” são do DF

Nada contra os habitantes do Distrito Federal, muito pelo contrário. Mas a institucionalização de Brasília como uma unidade da Federação, a partir de 1988, foi um erro histórico irreparável.

 

A Constituição de 1988 deu 8 deputados federais e 3 senadores para Brasília. Por quê? Para acomodar muita gente desqualificada no Congresso. Até porque os eleitores daqui já elegiam deputados e senadores por Goiás, que é onde Brasília se encontra.

 

E como Brasília respondeu ao presente recebido? Muito mal.

 

São de Brasília 3 dos 5 senadores da República que até hoje deixaram o Congresso acusados de corrupção. Luiz Estevão foi cassado em 2000 sob suspeita de ter desviado recursos do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo e de ter mentido ao Senado. Em 2001, José Roberto Arruda fez um discurso choroso, jurando em nome de seus filhos, que não havia participado da violação do painel de votação secreta do Senado. Mentiu. Renunciou para não ser cassado. A população de Brasília resolveu premiá-lo novamente: ele foi eleito em 2006 governador do Distrito Federal.

 

Agora, Roriz segue a mesma trilha. Depois de não convencer ninguém sobre as negociações milionárias para comprar uma novilha (com o sugestivo nome de “Miragem”), renunciou para escapar da cassação.

 

O Senado começou a funcionar há 181 anos, em 6 de maio de 1826. Brasília só elegeu seus primeiros senadores em 1990. Nesse pouco tempo, a capital da República já é recordista absoluta em políticos encrencados.

Por Fernando Rodrigues

Roriz enigmático

Ontem, quando a Mesa do Senado decidia o que fazer com Joaquim Roriz, o brasiliense encontrou porto seguro em Papaléo Paes (PSDB-AP). Os tucanos têm aparecido sempre implacáveis em público, mas em privado é outra história.

 

Papaléo defendeu ontem que fosse concedido mais tempo para Roriz decidir sobre a eventual renúncia. Foi derrotado.

 

Ao sair da sala, Roriz deu um abraço afetuoso em Papaléo. E disse ao tucano: “O sr. não vai se arrepender”.

 

Por analogia, pode-se concluir muita coisa.

 

Por exemplo, Roriz sempre se lembrará com carinho do afago recebido do tucano Papaléo na reunião da Mesa do Senado.

 

E, por óbvio, se Papaléo não vai se arrepender... muita gente que se comportou de maneira oposta vai, é claro, acabar se arrependendo.

 

Ou não, como diria Caetano Veloso.

Por Fernando Rodrigues

Renangate vai demorar mais um mês

● tempo é maior aliado de Renan para se salvar
● recesso de julho deve atrapalhar ainda mais o processo

 

Na melhor das hipóteses, o Renangate vai durar mais um mês (o escândalo começou em 25 de maio passado). A partir de agora, os três senadores indicados para relatar o caso no Conselho de Ética devem propor mais tempo para que sejam finalizadas as investigações sobre os papéis relativos à venda de gado de Renan Calheiros.

 

A Polícia Federal fez a perícia nos documentos e disse ser necessário apurar mais. “Num processo judicial, dá-se um prazo de 30 dias para uma perícia dessas. No Senado, podemos tentar reduzir um pouco, mas não muito mais do que isso”, diz o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

 

Nos corredores do Senado, fala-se em pelo menos mais de 15 a 20 dias para que a investigação seja concluída. Esse é considerado um prazo mínimo, aí incluída a análise dos papéis e eventuais depoimentos a serem tomados –inclusive do próprio presidente da Casa.

 

Terminada a fase de investigação, os três relatores –Almeida Lima (PMDB-SE), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES)– passariam a elaborar o texto com as suas conclusões. Só então o Conselho de Ética poderia marcar uma sessão para tomar uma decisão: dizendo se houve ou não a quebra de decoro. Só para lembrar: 1) Renan usou um lobista da empreiteira Mendes Júnior para pagar uma pensão a uma mulher com quem teve uma filha; 2) Renan apresentou recibos de venda de gado recheados de inconsistências; alguns açougues não reconhecem as operações; 3) Renan disse que a arroba de seus bois, no interior de Alagoas, é vendida por um preço médio muito superior ao praticado nas regiões Sul e Sudeste do país.

 

Considere-se que no meio desse processo ainda haverá o recesso parlamentar. Se a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) for votada, as férias de meio de ano dos deputados e senadores começa em 18 de julho. Eles só voltam a trabalhar em agosto. Nesse período, o Renangate ficaria em hibernação.

 

Tudo somado, o tempo agora passará de maneira mais arrastada. O tempo é o maior aliado de Renan. 

 

Renúncia em aberto

Ontem (4.jul.2007) de manhã, quando a Mesa Diretora do Senado discutia o que fazer com o caso Joaquim Roriz (PMDB-DF), levantou-se a dúvida sobre quando um processo por quebra de decoro é considerado formalmente aberto. Quando é o momento em que o senador não pode mais renunciar para tentar manter seu direito de se candidatar na eleição seguinte?

 

Prevaleceu uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) da época do escândalo do mensalão. A Corte decidiu que o congressista acusado deve ser formalmente notificado a respeito do processo que corre contra si. Ou seja, alguma instância do Senado deve enviar um comunicado escrito ao acusado. Este, por sua vez, deve assinar o papel e tomar ciência do assunto de maneira formal. Por essa razão houve tempo ontem para que Joaquim Roriz renunciasse ao mandato: o Conselho de Ética ainda não havia providenciado a citação para o político brasiliense.

 

Nesse momento, quando a Mesa do Senado encontrou essa saída, presidia a reunião Renan Calheiros. Quem estava próximo do alagoano o ouviu quase balbuciar, de maneira espontânea: “Eu ainda não fui notificado...”.

 

A frase não foi interpretada como uma consideração de renúncia por parte de Renan. Foi, antes de tudo, uma demonstração de como está fragilizado o presidente do Senado.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (5.jul.2007 - 5ª feira)

Roriz caiu Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciou ao mandato de senador. Praticamente assinou um atestado de culpa. Não quis correr o risco de perder o cargo e ficar inelegível por oito anos.

Comentário do blog: resta um e seu nome é Renan Calheiros.

 

O suplente encrencado – a renúncia de Roriz, com 5 meses de mandato, levanta um problema grave do sistema eleitoral brasileiro: os suplentes de senadores. Gente que é eleita sem receber um voto sequer. A anomalia é antiga. Vem da época em que era complicado e caro fazer uma eleição no caso de o titular deixar o cargo. Hoje, a regra persiste para favorecer maracutaias diversas. O suplente de Roriz é o famosíssimo Gim Argello (PTB-DF) –com ficha de processos extensa e desaparecido até ontem à noite.

Reflexão do blog: por que nunca os políticos colocam em votação a extinção dos cargos de senadores quando debatem a reforma política?

 

Renangate os três senadores que compõem a relatoria se reúnem com o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha, para traçar um plano de trabalhos para o caso Renan. Almeida Lima (PMDB-SE), Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES) pretendem pedir à PF que conclua a perícia nos documentos de defesa do presidente do Senado. 

 

Juízes protestam a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) fará um ato público batizado de "Juízes contra a Corrupção". A entidade vai defender o fim do foro privilegiado e apresentar estudos sobre a tramitação de processos no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça. O evento será em Brasília, no Hotel Blue Tree Park, e começa a partir das 10h.

 

Correios: R$ 90 milhões de propaganda  sai hoje, às 9h, o resultado da licitação das agências que farão a propaganda dos Correios. Muitas especulação no ar. Leia post abaixo.
Comentário do blog: por que uma estatal cuja grande parte dos serviços são monopolistas precisa torrar R$ 90 milhões em propaganda? Era assim com FHC. Continuou da mesma forma com Lula. Brasil

 

Orçamento o texto básico da Lei de Diretrizes Orçamentárias deve ser votado nesta quinta-feira, na Comissão Mista de Orçamento, na Câmara dos Deputados. O Congresso só poderá entrar em recesso, a partir do dia 18, após a aprovação da LDO. O problema é que já há ameaças de boicote à sessão caso o senador Renan Calheiros, presidente do Congresso, comande o processo.

 

Lula chega à Bruxelas, na Bélgica, para uma extensa agenda. Primeiro participa de uma conferência Internacional sobre biocombustíveis. Depois visita o parlamento Europeu e recebe uma homenagem dos presidentes dos oito agrupamentos políticos representados no parlamento. O último evento será o encerramento do seminário "Brasil e Europa: Fronteiras do Futuro".

Sugestão do blog: as cervejas belgas mais apreciadas por este blogueiro são Duvel, Vieux Temps e Cristal Alken. E sempre tem, é claro, a mais comum Stella Artois.

Por Fernando Rodrigues
14h35 - 04/07/2007

Licitação da conta publicitária dos Correios está
decidida; vencedores serão conhecidos amanhã

Está marcada para amanhã, às 9h da manhã, o anúncio do resultado da licitação para a conta publicitária dos Correios.

Palpite do mercado: as três vencedoras devem incluir uma mineira e duas paulistas, sendo uma delas uma gigante do setor. Ministros, deputados e senadores entraram na parada para ajudar aos amigos. O roteirito básico nesses casos.

O valor é alto. As 3 agências ficaram com uma verba de R$ 45 milhões, R$ 23 milhões e R$ 22 milhões. Total: R$ 90 milhões para um período de 12 meses, renováveis por mais 12.

Nunca é demais lembrar que foi nos Correios a gênese de toda a crise do mensalão. A agência de Marcos Valério atendia a essa estatal.

No resultado de amanhã saberemos todos se alguns personagens do passado estão sendo reabilitados ou se a casa está, de fato, limpa.

A ver.

Por Fernando Rodrigues

Idéia é apear Renan da presidência do
Senado e depois ajudá-lo a se salvar

Frase ouvida de um importantíssimo senador governista, desses que em público estão firmes a favor de investigar até o fim o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL): “Acho que agora não tem mais volta. O processo vai até o final. O Renan deve ficar na cadeira até o fim. Se ele se licencia ou se renunciar à presidência do Senado, crescem as chances de ser absolvido no voto secreto no plenário. Mas se insistir em ficar como presidente até o final, o placar fica muito apertado, até com o voto secreto... A solidariedade da Casa tem limites. Ninguém vai querer ir junto para o buraco”.

 

Em resumo, o senso comum existente no Senado é sobre a impossibilidade de ter Renan como presidente da Casa. Já como senador-zumbi, sem poder, tudo bem.

 

É um conceito bem elástico de Justiça. Se for presidente do Senado, cassação nele. Se não estiver com o poder na mão, vamos deixar tudo por isso mesmo.

 

Este blog tem uma enquete no ar há alguns dias (aí do lado direito da tela): Você acha que Renan Calheiros deve ser punido? Até agora, a maioria opta pela cassação. Mas até hoje de manhã, incríveis quase 40% não acham que a cassação deva ser o desfecho do escândalo... Ou seja, os lenientes senadores parecem não estar tão assim despregados da realidade como se imagina.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (4.jul.2007 - 4ª feira)

Renangate o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofreu grande derrota ontem. Deu errada a tramóia preparada por José Sarney para salvá-lo (enviar o caso para o STF). No plenário da Casa, um constrangimento nunca visto “na história deste país”: todos os principais senadores pediram o afastamento do alagoano. É a primeira vez que um presidente do Senado enfrenta processo de cassação sentado na cadeira. Hoje, às 16h, os líderes partidários devem indicar no Conselho de Ética os relatores do processo.

Comentário do blog: deteriorou-se a situação de Renan.

Palpite do blog: a cassação ainda não é certa. Vai depender da disposição da sociedade continuar a pressionar –e não apenas mandando e-mails, mas fazendo demonstrações públicas.

 

Rorizgate a Mesa Diretora do Senado se reúne hoje, às 10h, para decidir sobre o pedido de abertura de processo por quebra de decoro contra o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF). A dúvida agora é se Roriz irá renunciar ou não –pois ainda há tempo para escapar da cassação.

 

Lula desembarca em Lisboa, Portugal, para os eventos da 1ª cúpula União Européia-Brasil. À noite, vai a jantar promovido pelo o presidente português, Cavaco Silva. Presentes também o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e os premiês da Espanha, José Luis Zapatero, e da Itália, Romano Prodi.

 

Chávez faz ultimato o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, mandou mais um de seus recados para o Brasil. Disse que caso o governo brasileiro não aprove até setembro a entrada do país no Mercosul irá abandonar o bloco econômico. Quem define esse tema, no caso, é o Senado. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reagiu e afirmou que o Brasil não vai obedecer a prazos definidos pelo governo venezuelano.

 

Reforma política o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), resolveu colocar em votação outros pontos da reforma política mesmo sem acordo entre os deputados. Entrarão na pauta assuntos como o financiamento público e privado das campanhas eleitorais e a fidelidade partidária.

 

Palocci, o retorno  o "Jornal da Globo", no fim da noite de ontem, flagrou o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) furando a enorme fila no aeroporto de Guarulhos. Não termina nunca o inferno astral do ex-ministro da Fazenda. Mas, convenhamos, ele facilita... Ontem, na Folha (para assinantes), Clóvis Rossi perguntou: "Palocci, cadê você?". resposta: Furando fila em aeroportos.

 

E o caos aéreo continua  é o exemplo mais acabado de incompetência administrativa de um governo como "nunca se viu na história deste país".

 

A UNE acabou no Senado...  a entidade participa hoje de uma sessão solene no Senado (às 14h) para marcar o início do seu 50º Congresso, que neste ano acontece na UnB, de amanhã até domingo.

Por Fernando Rodrigues
05h46 - 03/07/2007

O drive político do dia (3.jul.2007 - 3ª feira)

Chicana no Conselho Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética (sic), seguiu o script redigido por Renan Calheiros: devolveu à Mesa do Senado o processo contra o presidente da Casa. Tudo volta ao zero. A "oposição" prometeu reagir ao ato de Quintanilha.
Palpite do blog: só pressão popular evitará a pizza. Difícil...

 

Tucanos esboçam reação a bancada no Senado reúne-se às 10h para definir qual será a atitude da sigla diante do caso Renan. Prometem endurecer.
Comentário do blog: antes tarde do que nunca, mas pode ser tarde demais.

 

Reforma política com a derrota na semana passada do voto em lista fechada os deputados retomam a discussão e votação de outros pontos da reforma a partir de hoje. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, deve se reunir com os líderes partidários para definir os procedimentos de votação, que ocorrerá provavelmente amanhã. A polêmica da vez é o financiamento público de campanhas eleitorais.
Comentário do blog: há chance de nada ser aprovado. Mas nunca se deve subestimar a capacidade dos deputados de fazerem bobagem.

 

Roriz começou ontem o prazo de 20 dias para que o senador dê explicações ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, sobre as conversas gravadas pela operação Aquarela. O procurador abriu procedimento administrativo contra o senador e deve, ao final do prazo, pedir abertura de inquérito contra Roriz ou denunciá-lo ao STF. No Congresso, a abertura do processo depende de decisão da Mesa, comandada por Renan Calheiros.

 

CPI dos Apagados a comissão ouve os coronéis-aviadores responsáveis pelos Cindactas I, II, III e IV, às 9h.

 

Lula recebe o governador do Amapá, Antonio Waldez Góes, e parte para mais um lançamento do PAC do saneamento, desta vez no Ceará, em Fortaleza.

 

Caos aéreo  os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, os mais movimentados do país, fecharam ontem (segunda-feira) à noite. Guarulhos ficou fechado até o início da manhã de hoje (terça-feira). Motivo: o denso nevoeiro.
Comentário do blog: nada como umnevoeiro para servir de desculpa para todos os outros problemas no setor aéreo brasileiro. É tudo culpa de São Pedro...

Por Fernando Rodrigues
09h11 - 02/07/2007

Painéis de Congonhas não funcionam, e Infraero não tem prazo para normalização

O sistema eletrônico de alimentação dos painéis no aeroporto de Congonhas está em implantação e não funciona direito. A informação é do superintendente da Infraero para a região em que está o aeroporto, o sr. Brandão Júnior. Segundo ele, o sistema é novo, mais moderno, mas ainda não funciona adequadamente. Não há prazo para normalização, embora a estatal esteja trabalhando no assunto.

Com esse problema, os passageiros que chegam a Congonhas não devem confiar nos painéis eletrônicos que informam horários de pousos e decolagens. A única forma de saber com segurança o horário de decolagem de um vôo é perguntando à companhia aérea ou a algum funcionário da Infraero.

Por Fernando Rodrigues

O drive político da semana (2 a 6 de julho)

segunda-feira (2.jul)
Caos aéreo – no domingo (ontem), 34,2% dos 1.620 vôos tiveram atrasos superiores a 1 hora. Outros 9,8% foram cancelados. O que diz a Infraero: “foi o nevoeiro”... Pfui...
Comentário do blog: só me resta obedecer a propaganda lulo-petista: “sou brasileiro e não desisto nunca”.

Roriz enrolado – foi acusado por “Veja” subornar juízes do TER do Distrito Federal.
Comentário do blog: é uma acusação gravíssima. O estado de Roriz parece ser terminal. Tal como o da credibilidade do Senado.

Renangate – Renazistas e lulistas vão partir para a salvação do aliado.
Palpite do blog: o viés é de pizza.

Lula – depois de Minas e São Paulo, chegou a vez do presidente anunciar o PAC do saneamento para o Rio de Janeiro. O presidente aproveita a estada e também visita as obras de ampliação do aeroporto Santos Dumont.

terça-feira (3.jul)
Renangate retomado
o presidente do Conselho de Ética (sic), Leomar Quintanilha (PMDB-TO), recebe parecer técnico indicando irregularidades no processo contra Renan. Compadecidos, os senadores tentarão remeter o caso para o STF. Quintanilha deve anunciar o resultado na reunião desta terça, prevista para o fim da tarde, às 18h30.

Tucanos tentam agir (perigo, Will Robinson, perigo!) o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), convocou reunião da bancada do Senado para discutir o caso Renan, às 10h. Agora, querem radicalizar e defender as investigações.
Comentário do blog: o PSDB tem sido patético, mas nunca é tarde para ter uma atitude mais digna.

Reforma Política, o direito de nascer os deputados voltam ao tema. Financiamento público, federações partidárias e mudanças nos critérios das pesquisas eleitorais.
Comentário do blog: em se tratando de reforma política, toda vez que um deputado não tem uma idéia o Brasil melhora.

CPI dos Apagados a comissão ouve os coronéis-aviadores responsáveis pelos Cindactas I, II, III e IV, às 9h.

quarta-feira (4.jul)
Lula em Portugal o presidente estará em Lisboa para o primeiro encontro de empresários Brasil-União Européia. Lula discutirá com os europeus sobre a rodada de Doha, que trata da liberalização do comércio internacional.

quinta-feira (5.jul)
Lula na Bélgica ainda na Europa, o presidente visita Bruxelas, onde participa de conferência internacional sobre biocombustíveis.

Por Fernando Rodrigues
21h22 - 01/07/2007

Infraero agora engana passageiros com
painéis sem atualização nos aeroportos

A Infraero acaba de sofisticar ainda mais o seu ferramental de mau atendimento nos aeroportos: os painéis com informações sobre partidas e chegadas de vôos não são mais atualizados.

 

Em Congonhas (SP), parte dos vôos fica totalmente sem atualização. Por exemplo, o vôo 1210, da Gol, saindo de Congonhas às 20h05 deste domingo (dia 1º de julho). No painel, “atrasado/delayed”. Sem previsão de portão de embarque. No balcão da Gol, “deve atrasar de meia hora a uma hora”, dizia o funcionário às 19h40. No painel (responsabilidade da Infraero), “atrasado”. Por volta de 21h, o “atrasado” persistia. Portão de embarque? Nem pensar. Mas o vôo já havia saído...

 

Na Gol: “É responsabilidade da Infraero, que não atualiza mais os painéis”, explica o funcionário.

 

Passageiro: “Mas por que vocês não avisam de maneira mais ostensiva sobre esse problema?”.

 

Funcionário da Gol: “Não podemos colocar cartazes... O sr. sabe, a Infraero pode nos punir. Mas o sr. não gostaria de dar essa sugestão para o nosso SAC...?”.

 

Pano rápido.

 

E a Infraero?

 

Nada a dizer sobre essa estatal cujo nome é quase sinônimo de suspeitas de má administração e alvo de investigações sobre roubalheira na construção e reformas de aeroportos.

 

É evidente que algum barnabé decidiu parar de atualizar os painéis dos aeroportos como forma de aumentar o clima ruim no setor aéreo. Um detalhe: os painéis de Congonhas são novíssimos, todos de plasma (ou LCD), gigantes e devem ter custado uma fortuna. São bonitos, mas inúteis.

 

Alguém se importa? Alguém no governo federal se importa? Claro que não.

 

Viva o Brasil. Só 8% dos eleitores se sentem atingidos pela crise aérea. Lula tem mais de 60% de aprovação. Preocupar-se para quê?

 

Relaxe e goze.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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