UOL Olimpíadas 2008 Blogs dos Atletas
 

Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

07h20 - 09/02/2007

O drive político do dia (9.fev.2007 - 6ª feira)

Lula e o PT – o arranjou uma agenda na Bahia, onde inaugura pela manhã uma fábrica da Nestlé, em Feira de Santana. Depois, almoça com funcionários da Refinaria Landulpho Alves, em São Francisco do Conde. Mas o principal compromisso será à noite, em Salvador, onde Lula participa do jantar em comemoração aos 27 anos do PT.
O PT aproveitará o encontro na capital baiana para fazer reunião do Diretório Nacional e ato de lançamento do 3º Congresso Nacional da sigla (previsto para julho).

Câmara divide o butim – o megabloco governista ficou com duas mais importantes comissões da Câmara, a de Constituição e Justiça (PMDB) e a de Finanças (PT). Os partidos terão até a próxima terça-feira para indicar os nomes que irão presidir as comissões.

PMDB, que novidade, está dividido – Michel Temer, Nelson Jobim, Paes de Andrade e a deputada Dona Íris dizem ser candidatos a presidente da sigla. Para valer, só Michel e Jobim. A escolha será em março (possivelmente, dia 11, um domingo). Até lá, como sempre, o PMDB estará em guerra e não deve mexer uma palha para ajudar o governo.

Coalizão bagunçada – com o PMDB em estado de criogenia, o clima interno na aliança governista fica conturbado... Ontem, o plenário da Câmara já não conseguiu votar o projeto de lei que cria a Super Receita... Ficou para segunda-feira.
Palpite do blog: é enorme a chance de a votação não ocorrer na semana que vem.

Oposição em chamas – estava na cara. O bloco de oposição (PSDB, PFL e PPS) durou 9 dias. Foi desfeito ontem. Era como amor de praia... Não sobe a serra.
O PFL anunciou pela enésima vez a sua refundação, agora com o curioso nome de PD (Partido Democrata). Mas já mudou? Não, claro que não. Para que a pressa? A troca, se vier mesmo a ser consolidada, só virá em março.
Diagnóstico do blog: a oposição está completamente sem rumo.

Congresso ou chiqueiro?, pergunta a "Economist" – foi uma pedrada a reportagem da revista inglesa. Para ler a íntegra, em inglês (sorry), clique aqui.

Aeroportos, a novela – agora, é a chuva e a pista com drenagem inadequada em Congonhas... O que aconteceria se o país tivesse o espetáculo do crescimento?

Por Fernando Rodrigues
11h54 - 08/02/2007

Jobim e Michel vão para confronto no PMDB;
sigla escolhe novo presidente em 11 de março

  • ministério de Lula ficará indefinido por mais um mês, no mínimo
  • PAC não será votado enquanto PMDB não sair de sua guerra interna

Nelson Jobim e Michel Temer conversaram hoje de manhã. O encontro foi no apartamento de Jobim. Não houve acordo. Ambos devem acabar disputando a presidência do PMDB na convenção nacional da sigla, pré-marcada para daqui a pouco mais de um mês, em 11 de março, um domingo.

 

Gaúcho de Santa Maria, Jobim tem 60 anos e foi deputado federal constituinte, ministro da Justiça de FHC (1995-1997) e integrante do STF (1997-2006). Está no páreo com o apoio da ala dos senadores do PMDB. Ontem, o senador Pedro Simon (RS) fez um discurso de apoio. “Muitos governadores têm me procurado para dar apoio ao nome do Jobim”, disse Simon. É verdade. A maioria tende a apoiar Jobim, pois se sentem reféns dos deputados da sigla se Michel ficar na cadeira.

 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o ex-presidente da República e hoje senador José Sarney (AP) também engrossam o time de Jobim.

 

Michel Temer é paulista de Tietê, tem 66 anos e longa carreira política. Está no seu 6º mandato consecutivo de deputado federal. Só teve um partido na vida, o PMDB. Presidiu a Câmara duas vezes (1997-1998 e 1999-2000). É o atual presidente nacional da agremiação. Assumiu o cargo em 2001. Tem o apoio de grande parte da ala dos deputados da sigla para continuar no comando. Entre seus apoiadores estão o deputado Henrique Alves (RN), atual líder da bancada na Câmara, e Geddel Vieira Lima (BA), sempre listado como ministeriável de Lula.

 

O embate entre Jobim e Michel estava cantado desde o ano passado. Ficou em suspenso por conveniência de ambos. Agora, um pouco fragilizada, ala do PMDB do Senado quer se contrapor ao avanço da ala da Câmara. Já cabalou apoio dos governadores peemedebistas (embora André Puccinelli, do Mato Grosso do Sul, ainda esteja com Michel).

 

O PMDB na Câmara foi o principal fiador da eleição de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Casa. Por extensão, o PT hoje defende quando pode a gestão de Michel à frente do PMDB.

 

O Palácio do Planalto emite sinais ambíguos a respeito. Não é segredo que Lula nunca teve intimidade com Michel Temer –embora esse gelo tenha sido quebrado nos últimos tempos. Também é público que o presidente da República gosta de Nelson Jobim e até quis tê-lo como ministro. Se for para apostar, pode-se dizer que Lula ajudará Jobim nessa empreitada.

 

Os candidatos falam pouco. Michel disse o seguinte depois de se encontrar com Jobim: “Não houve conclusão depois da conversa. Eu sou candidato, embora considere necessário que tentemos alguma composição”. Jobim fala pouco: “Sou candidato”.

 

Qual é a conseqüência dessa notícia, que deve soar como grego ou sânscrito para a maioria dos brasileiros? Respostas:

 

1)       Ministério a perder de vista – o Brasil vai continuar meio paradão até março, pois Lula não vai nomear ministros do PMDB enquanto não souber quem vai presidir a sigla. Ou seja, novo ministério completo só lá para o final de março. E olhe lá...

2)       PAC parado – ninguém imaginava ser possível aprovar o PAC a toque de caixa. Mas é certo que as MPs do plano lulista ficarão empacadas até o imbróglio peemedebista ser decifrado. Eis o que disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, ao “Jornal do Brasil” de hoje: “...Agora chegou a hora das nomeações para o ministério. Sem elas, com a bancada insatisfeita, não se aprova nenhum projeto do PAC por aqui”. 

Por Fernando Rodrigues

PFL ou PD, pouco importa

Essa história de o PFL mudar de nome para PD é só espuma. Quero ver se esse partido terá condições de estabelecer algum vínculo orgânico com a socidade/eleitores. Até agora, sejamos francos, o pefelê só tinha algum apoio da elite --o eleitorado mais volúvel, pois bastou Lula fazer um movimento para o mercado e a ampla maioria dos ricos lulou.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (8.fev.2007 - 5ª feira)

Lula – o presidente recebe o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, às 9h15. Em seguida participa no Planalto do lançamento da política de biotecnologia. Depois, Lula terá reuniões com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, às 15h30, e com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, às 16h30.

Câmara andando – deu certo ontem: os deputados eliminaram de uma vez 1.050 cargos de confiança, com uma economia de milhões para a Casa. Primeira boa medida votada.
Mas fracassou a tentativa de Arlindo Chinaglia de votar a Super Receita e ter alguma decisão sobre as comissões permanentes da Casa. Tudo ficou para hoje. No caso das comissões, os blocos formados apenas para pegar mais cargos não se entendem. Quanto à Super Receita, nada deve andar sem acordo com pelos menos os líderes da base aliada.

Fundo Partidário – decisão do TSE de redistribuir o fundo partidário causou rebuliço nos partidos. Nanicos, obviamente, comemoram. Siglas como PT, PMDB, PFL e PSDB devem se unir e apresentar hoje projeto de lei para reverter a situação.

PT – o partido confirmou ontem à noite Luiz Sérgio (RJ) como novo líder da bancada na Câmara. Era o candidato predileto do ex-ministro José Dirceu. Também ficou acertado que a sigla irá reivindicar a presidência da comissão de Finanças na reunião de líderes, marcada para 14h.

Por Fernando Rodrigues
18h50 - 07/02/2007

CUT é contra Medeiros

Setores da CUT de raiz estão inconformados com a virtual nomeação de Medeiros para a Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho.

Ninguém na CUT foi ouvido a respeito. Se uma consulta tivesse sido realizada, a direção da central emitiria um sonoro "não" para a nomeação de Medeiros.

Por Fernando Rodrigues

A fatura é grande e já está chegando:
Chinaglia recebe Severino. A sós.

Por volta das 13h de hoje, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), recebeu Severino Cavalcanti para uma audiência.

Falaram-se a sós numa sala reservada, no fundo do gabinete presidencial de Chinaglia.

Por Fernando Rodrigues

CUT e Força Sindical se juntam no
Ministério do Trabalho de Lula

É isso mesmo. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, homem da CUT e da república sindicalista de Lula, já aceitou. O ex-presidente e fundador da Força Sindical Luiz Antonio de Medeiros será nomeado para um cargo importante na pasta: secretário de Relações do Trabalho.

Que cargo é esse? Era a função ocupada pelo "aloprado" Oswaldo Bargas, destituído depois de ter sido acusado de envolvimento no dossiegate --o tal papelório que petistas quiseram comprar para acusar tucanos durante a campanha eleitoral do ano passado.

Medeiros era deputado federal. Não foi reeleito. Ficou na chuva, mas seus amigos o acolheram. Sua nomeação foi acertada entre o deputado Paulinho (PDT-SP), presidente atual da Força Sindical, e o ministro Luiz Marinho.

Só mesmo sob Lula a CUT e Força Sindical poderiam ter uma convivência tão pacífica. Os cargos, é claro, facilitam tudo...

Por Fernando Rodrigues

PT faz acordo na Câmara: Luiz Sérgio,
do Rio, será o líder da bancada

A bancada do PT entrou em acordo. Em tese, não haverá confronto logo mais. Luiz Sérgio (RJ) será o líder do partido pelos próximos 12 meses.

Estava na parada Maurício Rands (PE), que desistiu. Poderá ser o líder mais adiante.

Rands era apoiado pelo ministro da articulação política, Tarso Genro.

Luiz Sérgio tem o apoio do Campo Majoritário, inclusive de José Dirceu.

Por Fernando Rodrigues

Os prós e os contras de outra
lei sobre TV e fundo partidário

A primeira reação é sempre ruim quando se ouve que partidos grandes querem mais dinheiro, mais tempo de TV e mais tempo de rádio.

A segunda reação talvez seja ruim também... Afinal, quem simpatiza com os partidos hoje em dia a não ser os políticos e alguns gatos pingados?

Mas essa é uma interpretação simplista e acomodada da realidade.

O fato a ser dito é que um flagelo se abateu sobre a organização partidária no Brasil já há algumas décadas. Durante a ditadura militar houve a violência maior: todas as siglas foram extintas de uma vez, na década de 60. Nasceram as aberrações Arena e MDB.

Em 1980, voltou o pluripartidarismo (com a esdrúxula exigência para que todas as siglas começassem com a palavra “partido”; hoje, essa demência já foi felizmente extinta). Naquele momento de retorno à democracia, fazia sentido abrir espaços para que “florescessem as mil flores”, como diria Mao Tse Tung. E assim foi. O país já teve perto de 100 partidos políticos desde a década de 80.

Anos a fio todos assistimos aquele trem fantasma no horário político. Em São Paulo, marcaram época os Rivaildes e os Marronzinhos da vida. Tudo bem. Era o preço a ser pago para reconstruir um sistema no qual existissem partidos a representar verdadeiramente os eleitores.

Mas cabe uma pergunta: quanto tempo deve durar a permissividade para excentricidades como o partido do aerotrem? Dez anos? Vinte anos? Pois já se passaram 27 anos desde a volta do país ao sistema pluripartidário.

O argumento de alguns ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), do PSOL e de alguns outros bem intencionados é sobre a impossibilidade de se relativizar a liberdade de associação. Ou existe ou não existe. Não se deveria, portanto, colocar travas de nenhuma espécie para a criação de novas legendas. Muito bonito.

O raciocínio fica melhor ainda quando vem a estocada final: “Por acaso o mensalão e os sanguessugas apareceram nos partidos nanicos ou nos grandões?”. É verdade.

Mas esses são sofismas.

Numa democracia representativa é legítimo e necessário que exista liberdade associativa. Só que essa liberdade deve respeitar o direito dos eleitores de votarem e escolherem quem deve estar no comando.

Pergunta: por mais que o internauta possa detestar o PSDB ou o PT, é justo que essas duas siglas (e outras grandes) tenham o direito a tempo de rádio e de TV idêntico ao do partido do aerotrem (o PRTB, que elegeu Fernando Collor senador e nenhum deputado)? Aliás, o PRTB já está sem Fernando Collor, que no dia seguinte à sua posse bandeou-se para o PTB de Roberto Jefferson...

Esse é o ponto. Falar que os partidos grandes são um lixo igual a uma certa escória presente nas legendas nanicas não ajuda a resolver o problema.

A existência de partidos nanicos de aluguel (não se refere aqui a alguns pequenos e dignos, como PSOL e PSTU) ajuda também a perpetuar as sacanagens nas siglas grandes. Claro, pois o deputado ou senador incomodado com alguma regra existente numa legenda maior pode facilmente fazer um pit stop numa agremiação de aluguel. Passa um tempinho ali e logo é cortejado por alguém.

Deve haver liberdade para se formar um partido novo. Claro. Mas o democratismo de hoje simplesmente desestimula a necessária luta democrática interna nas siglas que começam a crescer: é sempre mais fácil dar o fora e fundar uma nova legenda.

Quando o STF derrubou a cláusula de desempenho no ano passado, houve comemoração dos sinceros (e também dos cínicos) sobre a vitória da liberdade de expressão e organização. Os partidos pequenos e nanicos poderiam sobreviver, disseram. Mais ou menos.

A cláusula não dizia que partidos seriam extintos. Aliás, muito pelo contrário: fixava regras para os nanicos. Os que tivessem menos de 5% dos votos para deputado federal em todo o país passariam a ter 2 minutos por semestre em cadeia de rádio e de TV, no horário nobre. Isto é, a cada seis meses o partido do aerotrem ou defensor do modelo albanês de socialismo interromperia o “Jornal Nacional”, da TV Globo, para vender o seu peixe. Justo.

Agora, virou uma bagunça total.

Pode-se argumentar se estava certa a regra anterior que dava 28 horas de rádio e outras 28 horas de TV para os partidos grandes a cada semestre. Mas é certo que alguma divisão proporcional do tempo deve existir, respeitando o desejo dos eleitores.

Também é questionável o Estado torrar cerca de R$ 140 milhões por ano para sustentar burocracias partidárias. Mas mais duvidoso ainda é dar quase metade desse dinheiro para todas as siglas, não respeitando o que disse o eleitora nas urnas.

Tudo somado, é correto o movimento dos partidos políticos de fazer rapidamente uma nova regra que torne mais proporcional a divisão de dinheiro público e de tempo de acesso à mídia.

A dúvida é se aproveitarão a oportunidade para garfar ainda mais benesses do que para restabelecer um critério mais justo.

Palpite do blog: como o eleitorado não está nem aí para esse assunto, não haverá pressão sobre os congressistas. Logo, a chance de tudo ficar pior é enorme. 

Por Fernando Rodrigues

Políticos querem nova lei com mais
TV e dinheiro para siglas grandes

A decisão de ontem do TSE de redistribuir o fundo partidário de maneira mais benemérita a partidos médios e pequenos deve acelerar uma decisão do Congresso: votar rapidamente, ainda neste primeiro semestre, uma nova lei para dar mais tempo de rádio e de TV e mais dinheiro público para as agremiações políticas de grande porte.

Na realidade, a intenção dos partidos políticos grandes é apenas fazer voltar a valer o que dizia a lei 9.096, de 1995. Essa lei acabou ficando parcialmente caduca depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) declarou inconstitucional um de seus dispositivos, a chamada cláusula de desempenho (ou de barreira).

O STF julgou que uma lei não pode discriminar partidos no que diz respeito ao seu funcionamento dentro do Congresso. A cláusula estabelecia que siglas com menos de 5% dos votos para deputado federal em todo o país não teriam direito, por exemplo, a nomear líderes dentro do Congresso.

Curiosamente, o STF entendeu então que deveria valer uma regra anterior, que também faz distinção entre os partidos dentro do Congresso –mas essa é outra história, já que coerência é um artigo em falta nos tribunais superiores em Brasília.

O fato é que a decisão do STF funcionou como um efeito dominó sobre a lei 9.096, de 1995. Os partidos grandes, com mais de 5% dos votos para deputado federal, tinham direito a:

- um programa de TV de 20 minutos em cadeia nacional a cada semestre
- 27 programas (um em cada UF) de TV de 20 minutos a cada semestre
- 40 minutos de propagandas de TV (em spots de 30 segundos ou de 1 minuto) em cadeia nacional a cada semestre.
- 40 minutos de propagandas de TV em cada uma das 27 unidades da Federação (em spots de 30 segundos ou de 1 minuto) a cada semestre.
(todos esses tempos de TV também se aplicam, da mesma forma, para rádio).

Agora, o tempo de TV e de rádio ficou reduzido a:

- um programa por semestre, em cadeia nacional, com duração de 10 minutos cada.
- 20 minutos por semestre em inserções nacionais, de 30 segundos ou um minuto.

Foram extintos os programas em bloco regionais –embora tenha ficado para os Tribunais Regionais Eleitorais decidirem sobre a utilização de 20 minutos por semestre para inserções de 30 segundos ou um minuto cada aos partidos que tenham elegido representantes nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores, com pelo menos 1% dos votos apurados na circunscrição.

Como ainda está incerto o que os TREs farão, o fato é que antes os partidos grandes tinham um total de 28 horas de programação em TV por semestre (1.680 minutos). Agora, caem para apenas 30 minutos.

No caso do fundo partidário, a situação é igualmente dramática para os grandões.

Antes, os partidos com mais de 5% dos votos para deputado federal no país dividiam entre si (proporcionalmente à votação recebida) 99% do dinheiro do fundo partidário. Agora, o TSE decidiu dividir 42% do fundo em partes iguais entre as legendas.

O minúsculo PCO (nenhum deputado eleito) receberá R$ 146 mil pela parcela mensal de janeiro de 2007. No ano passado inteiro esse partido recebeu apenas R$ 14 mil.

Já o PT, que recebia cerca de R$ 2 milhões por mês no ano passado, passa agora a ficar com uma parcela mensal de R$ 1,089 milhão.

O que farão os partidos grandes? Ainda neste mês de fevereiro pretendem apresentar uma proposta de lei recriando as condições anteriores –mas com uma redação que não corra o risco de ser derrubada no STF.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (7.fev.2007 - 4ª feira)

Comissões na Câmara – a decisão sobre a distribuição das vagas entre os partidos e blocos ficou para hoje, às 14h, em reunião entre os líderes e o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP). Se chegarem a um acordo, as siglas irão indicar que comissões querem e qual o nome do presidente. Mas a eleição propriamente dita só deverá acontecer na semana que vem.

Votação – o primeiro teste real Arlindo Chinaglia será a votação da Super Receita, prevista para acontecer hoje à tarde. PSDB é contra. Muitos lobistas estão circulando pelos corredores da Casa, a favor e contra. Chinaglia quer colocar em votação, mesmo sem acordo entre os partidos. O governo deseja muito a Super Receita.
A coalizão lulista terá força para aprovar?
Palpite do blog: indefinição, mas com viés a favor do Planalto.

 

PT em chamas – depois de 9 anos de escolhas realizadas nos bastidores, a bancada petista parte para o confronto. Escolhe seu novo líder hoje, entre Maurício Rands (PE) e Luiz Sérgio (RJ). Há outros candidatos que podem entrar na parada. Por enquanto, o fato é que Luiz Sérgio ficou carimbado como “candidato do Zé Dirceu”. E Rands como o “candidato do Tarso Genro”.
Não poderia acontecer algo pior para o PT nessa escolha.

Lula – recebe o ministro dos Transportes Paulo Sérgio, às 9h. Durante a tarde terá reuniões com o ministro do Planejamento da Coréia do Sul, Chang Byoungwan, às 15h30; com o presidente da Câmara dos Deputados Italiana, às 16h; com o Conselho de Crédito da Organização das Cooperativas Brasileiras, às 17h; e com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, às 18h30.

As faltas dos deputados – Chinaglia disse ontem que irá endurecer com as faltas dos deputados. Ameaçou cortar o ponto de quem faltar nas sessões deliberativas.
Palpite do blog: por enquanto, só espuma. A tendência é tudo voltar ao seu normal, com pouco trabalho e muita reivindicação por mais dinheiro no bolso.

PAC – o prazo para a apresentação de emendas às medidas provisórias do programa se encerra hoje. PSDB é o primeiro da fila para propor mudanças no PAC.

Por Fernando Rodrigues
14h55 - 06/02/2007

PT terá disputa depois de 9 anos para
a liderança do partido na Câmara

Os deputados Luiz Sérgio (RJ) e Maurício Rands (PE) estão no páreo e querem ocupar a vaga de líder do PT na Câmara –hoje, o líder é Henrique Fontana, que sonha com a liderança do governo.

 

De ontem para hoje houve grande movimentação para que fosse evitada a disputa, marcada para amanhã, às 14h. Mas está difícil. Há nove anos o PT não tem guerra interna para escolher o líder na Câmara. O embate de amanhã mostra um pouco como está beligerante o clima interno na sigla.

 

Luiz Sérgio (profissão: delineador naval) tem sido considerado favorito, pois tem o apoio do Campo Majoritário (a principal tendência) e adjacências. Arlindo Chinaglia, dirceusistas e outros estão com ele.

 

Maurício Rands, um advogado pernambucano bem de vida (tinha o maior patrimônio declarado entre petistas eleitos em 2002), tem sido estimulado a concorrer pelo (ainda) ministro da articulação política, Tarso Genro. Também tem o apoio de Paulo Pimenta (RS) e José Eduardo Martins Cardozo (SP).

 

Os dois lados estão conversando freneticamente. Se os conchavos não derem certo, mas feridas ficarão abertas para Lula gastar seu mercúrio...

Por Fernando Rodrigues

Senado: PT contestado para a CAE;
PMDB quer dividir comissão de Educação

No Senado, está difícil a situação do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que poderia presidir a poderosa CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Muita gente reclamando...

 

Enquanto isso, o PMDB tenta fazer o milagre da multiplicação dos pães: quer dividir a Comissão de Educação em duas.

 

Hoje, a Comissão de Educação também cuida de ciência, tecnologia e comunicação.

 

Como está mais ou menos certo que a Comissão de Educação ficará com o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o PMDB está querendo criar a novíssima Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação. Excelente negócio, pois hoje há muita coisa pendente na regulamentação na área das comunicações.

 

Esse PMDB não dá ponto sem nó.

Por Fernando Rodrigues

Chinaglia: falta, só com atestado médico

Começam a vazar informações da primeira reunião de líderes partidários da nova legislatura na Câmara. A repórter do UOL Tatiana Damasceno manda informações do salão Verde.

 

O líder do PR, Luciano Castro (RR), saiu para falar com os jornalistas. Segundo ele, a primeira decisão de Chinaglia na reunião foi a de dizer ser necessário endurecer as regras para a falta de deputados. Não haverá mais justificativas para as faltas; somente por atestado médico. Vamos ver...

Hoje, é a maior moleza. O líder de cada partido abona as faltas de seus liderados e envia um documento para a direção da Casa.

 

As sessões em plenário destinadas para votação acontecerão nas terças, quartas e quinta-feiras. Na semana anterior ao Carnaval haverá um "esforço concentrado", com sessões de segunda a sexta-feira.

 

Chinaglia cumpre um ritual comum. Todo o novo presidente da Câmara em início de mandato tem um discurso semelhante.

 

Se houver quorum, hoje haverá a votação das MPs que trancam a pauta. Amanhã, vota-se a Super Receita.

 

Não há agenda ainda de votação para o PAC. Os governistas pleiteam a relatoria das MPs relacionadas ao programa. A escolha dos presidentes das comissões será amanhã, às 14h30, em nova reunião de líderes. Não se chegou a um acordo sobre o aumento salarial dos deputados. Também foram citados os temas reforma política e segurança pública, mas nada muito concreto.

Por Fernando Rodrigues

Sobre Kassab: ele está mudando a imagem;
se vai dar certo em 2008, é outra história

Deve ser terrível ser o prefeito da maior cidade do país e não ser conhecido. As pesquisas vão chegando semanalmente... E só perto da metade dos habitantes declara conhecer o prefeito...

 

Gilberto Kassab (PFL) passa por esse tipo de problema. Possivelmente, deve estar tentando algum tipo de mudança de comportamento para marcar sua própria imagem diante do eleitorado. Não deixa de ser uma estratégia. O PFL, partido do prefeito, sofre um déficit crônico de quadros.

 

Mas ontem, ao chamar de "vagabundo" uma pessoa que reclamava, o prefeito pode ter exagerado na dose. Não se fala aqui sobre bons modos e costumes. Se esse fosse o critério, claro que a atitude foi reprovável. O ponto a ser considerado é: o que ganha e o que perde Kassab com a cena de ontem do ponto de vista eleitoral?

 

Possivelmente, o prefeito ganha pontos com o eleitorado conservador e carente de políticos que se sintam à vontade para empreender esse tipo de ação, vamos dizer, dura. Por outro lado, Kassab se distancia do centro e fica bem longínquo da esquerda, que deve ter identificado no prefeito um autoritarismo pessoal incompatível com o regime democrático.

 

Como São Paulo é uma cidade ciclotímica, é cedo para aferir o efeito real. Os paulistanos, em dias de conservadorismo, já elegeram Jânio Quadros e Paulo Maluf. Em momentos de maior liberalidade, fizeram Luiza Erundina e Marta Suplicy prefeitas.

 

Uma coisa é certa: Kassab se arrisca eleitoralmente (ele quer concorrer à reeleição no ano que vem) ao assumir essa nova personalidade sem ter segurança absoluta do ganho (ou perda) que esse movimento provoca.

Por Fernando Rodrigues

O Brasil profundo em Tocantins

Fantástico. No Tocantins está em vigor uma lei da mordaça.

A desembargadora Dalva Magalhães, do Tribunal de Justiça de Tocantins, determinou que o Tribunal de Contas daquele Estado "se abstenha de publicar em seu site ou nos órgãos de imprensa qualquer decisão que ainda não tenha trânsito em julgado".

A decisão é de 24 de setembro de 2006 e continua em vigor. Como o ano no Brasil só começa agora, a proibição passou a chamar mais a atenção. Notícia do blog do Cleber Toledo, jornalista de Tocantins: www.clebertoledo.com.br

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (6.fev.2007 - 3ª feira)

Lula no Rio – o presidente estará no Rio em conjunto com o seu aliado desde criancinha, o governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB). No balneário, o petista lança obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), participa da cerimônia de assinatura de convênio entre o Ministério dos Transportes e o governo estadual para a construção do Arco Rodoviário. Também visita as instalações do Centro de Operações de Tecnologia dos Jogos Pan-Americanos.

Câmara: a guerra pelas comissões – o novo presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), tem hoje seu primeiro teste: a reunião de líderes da nova legislatura, às 10h. Os deputados definirão a pauta de votação da semana e, sobretudo, como ficará a divisão das presidências das cobiçadas 20 comissões permanentes da Casa.
Há hoje incríveis 20 partidos representados no plenário da Câmara. Os nanicos PAN, PHS, PMN, PRB, PSC, PSOL, PT do B, PTC e PV devem ficar de mão abanando.

Salários no Congresso – Arlindo Chinaglia está preocupado com a repercussão do aumento salarial dos congressistas. A idéia é conceder “apenas” a variação da inflação dos últimos 4 anos, de cerca de 30%!
A repercussão será ruim. Ainda mais agora que o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, resolveu colocar o dedo em uma ferida: os congressistas ganham muito mais do que os R$ 12.800 mensais, pois têm muitos penduricalhos em seus vencimentos.

Governistas de oposição – o bloco formado por PC do B, PSB, PDT e outros, montado para apoiar a candidatura de Aldo Rebelo durante a eleição para a presidência da Câmara, promete divulgar medidas contra o PAC, principalmente quanto ao uso do FGTS. O grupo se reúne na Câmara às 11h.

PSDB à deriva – a sigla faz uma reunião com Executiva e bancada na Câmara, às 18h. O motivo oficial do encontro será discutir o PAC. O líder Antônio Carlos Pannunzio (SP) se reúne antes, às 14h, com representantes de sete estados governados por tucanos para propor emendas ao programa. Mas o primeiro encontro dos tucanos pós-eleição também deve ser marcado pela lavação de roupa suja sobre a ajuda fundamental que a sigla deu para a vitória do petista Chinaglia na semana passada.

PT prepara a fatura – fortalecidos pela vitória de Chinaglia, os petistas reúnem hoje a Executiva do partido, às 10h, na sede da agremiação, em Brasília.
Em pauta, a reunião do Diretório Nacional marcada para o sábado. O ponto principal: a participação da sigla no governo Lula. A fatura será enorme...
No meio desse imbróglio, os petistas também se ocupam da escolha do novo líder na Câmara.

Senado começa a andar – todas as comissões permanentes da Casa se reúnem, a partir das 16h, para a escolha formal de seus presidentes. A maioria dos nomes já foi acordada entre os partidos, mas sempre é possível haver surpresas.

Apagão aéreo – o dia começa sob a ameaça de novo caos aéreo. Uma liminar (decisão provisória) impede aviões de grande porte de usarem as pistas do aeroporto de Congonhas –simplesmente o mais movimentado do país.
Palpite do blog: essa liminar vai acabar caindo, mas o episódio mostra a fragilidade do setor aéreo no país.

Por Fernando Rodrigues
07h15 - 05/02/2007

O drive da semana (5 a 9 de fevereiro)

segunda-feira (5.fev)
Reforma ministerial – sai a eleição interna no Congresso. Entra a reforma ministerial. Internauta, prepare-se. O assunto vai dominar o mundinho político até... março, quando então, e só então, Lula concluirá as alterações.
Estamos no Brasil. Pra que pressa? O ano começa mesmo só depois do Carnaval...

MTB sai mesmo? – o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, vai a Lula hoje às 11h. Sai? Não sai? Palpite do Blog: dúvida. Mas MTB quer sair.
O problema é: quem colocar no lugar. Tarso Genro nem foi anunciado oficialmente e já toma pauladas de vários lados...

Lula – além de MTB, o presidente recebe o ministro da Previdência, Nelson Machado, às 12h. De tarde, às 15h, tem reunião com membros do Sindicato da Indústria da Construção Naval. O último compromisso é uma reunião com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, às 18h30.

Novo Congresso – os recém-eleitos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-SP) devem dar uma passada no Planalto hoje para falar com Lula. Outro que pode aparecer, a convite, é o ex-presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) –a quem Lula deseja compensar pela derrota da semana passada.

terça-feira (6.fev)
Salários de deputados e de senadores... de novo – na primeira reunião de líderes partidários, hoje, deve ser acertado o aumento de R$ 12,5 mil para cerca de R$ 16,5 mil nos salários dos congressistas. O reajuste vai repor a inflação do período. Essa é a desculpa ou justificativa.
Incrível. Será que os deputados e os senadores sabem que hoje em dia só uma minoria dos trabalhadores brasileiros consegue repor a inflação nos salários?

Lula – o presidente estará no Rio para o lançamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Lula participará da cerimônia de assinatura de convênio entre o Ministério dos Transportes e o governo estadual para a construção do Arco Rodoviário.

Câmara e Senado – hoje fica oficializada a distribuição de cargos nas poderosas comissões de trabalho. Na Câmara, a os líderes têm reunião às 10h para tratar do tema.

quarta-feira (7.fev)
PT – a bancada do PT na Câmara se reúne, às 10h, para discutir quem será o novo líder petista. Guerrinha interna.

sexta-feira (9.fev)
PT – o partido comemora seus 27 anos em Salvador, Bahia, com um jantar para o qual foi convidado o presidente Lula. A programação inclui ainda reunião do Diretório Nacional, ato de lançamento do 3º Congresso Nacional do PT (previsto para julho), um seminário internacional e festa popular.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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