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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

13h07 - 28/10/2006

Vai ser em São Paulo

Pronto: decidido, Lula tem dito que fica em SP e volta a Brasília só na segunda-feira.

Por Fernando Rodrigues

Lula: em que cidade comemorar?

Lula está em dúvida. Onde comemorar a vitória, dada como certa pelo PT?

Dª Marisa quer São Bernardo do Campo, claro. É a cidade onde tudo começou. Mas pode ser também um pouco em São Bernardo e à noite num hotel, em São Paulo (como em 2002). Finalmente, há a hipótese de o petista embarcar amanhã, do meio para o final da tarde, para Brasília. A idéia então seria passar uma imagem de sobriedade, sem ostentação, para tentar apagar todas as fogueiras acessas durante a campanha.

Por Fernando Rodrigues
22h40 - 27/10/2006

Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul
devem ter as disputas mais apertadas

Três Estados terão as disputas para governador mais apertadas segundo as últimas pesquisas disponíveis: Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul. Haverá segundo turno em dez Estados.

No caso do Maranhão, o Ibope diz haver um empate técnico entre Roseana Sarney (PFL) e Jackson Lago (PDT). Os dois candidatos apóiam Lula (PT) para presidente. A situação mais dramática é de Roseana. Está ameaçada de expulsão do PFL. Já o próprio PFL está em péssima situação. Se Roseana perder, os pefelistas podem sair desta eleição com apenas um governo estadual --o do Distrito Federal, conquistado por José Roberto Arruda ainda no primeiro turno.

No Paraná, Roberto Requião (PMDB) está à frente de Osmar Dias (PDT), mas quase no limite da margem de erro. Além disso, o Paraná tem um final de campanha conturbado, com acusações de todos os lados. Ninguém sabe o que vai dar.

No Rio Grande do Sul, apesar da razoável diferença a favor de Yeda Crusius (PSDB) sobre Olívio Dutra (PT), muitos analistas locais acreditam que o desfecho é incerto. O candidato petista deu uma pequena arrancada nos últimos dias e pode ser beneficiado pela liderança de Lula no plano nacional.

Há uma grande dúvida no ar em relação à Paraíba. Numa pesquisa do Ibope (dos dias 10 a 12), Cássio (PSDB) ganhava com 50% contra 43% de José maranhão (PMDB). Agora, num levantamento do instituto Índice, Maranhão aparece com 49,9% contra 46,9% de Cássio (margem de erro de 2,5 pontos). Vai entender...

A seguir, o quadro geral:

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (27.out.2006 - 6ª feira)

Eleição – reta final. Falta pouquíssimo. Lula na frente, disparado. Nos Estados, muito mais governadores lulistas do que em 2002. Hoje, sexta-feira, mais notícias sobre o dossiegate, mas o tempo parece ser curto demais para que algum efeito mais relevante que possa mudar o cenário.

Presidenciáveis na Globo Lula e Alckmin se encontram no “ringue” da rede Globo. O último debate antes da eleição começa às 22h. Os candidatos passam o dia se preparando. Lula tem apenas um evento à 8h no Palácio da Alvorada, em comemoração ao seu aniversário. O "parabéns ao presidente", que completa 61 anos, será aberto ao público.

Propaganda – os candidatos que disputam o 2º turno poderão manter suas páginas de propaganda eleitoral na internet até a meia-noite de hoje. Também é o último dia da propaganda no rádio e na TV.

Por Fernando Rodrigues
06h16 - 26/10/2006

O drive político do dia (26.out.2006 - 5ª feira)

PresidenciáveisLula retoma a agenda de presidente e participa de duas cerimônias no Palácio do Planalto. A primeira será sobre o índice de desmatamento da Amazônia e a outra a respeito de projeto de lei que será encaminhado ao Congresso e que trata do conflito de interesses em cargos no Poder Executivo. Alckmin será sabatinado pelo jornal “O Estado de S. Paulo” pela manhã. Hoje também será o dia de preparação dos candidatos para o debate da rede Globo amanhã, considerado decisivo em ambas as campanhas.

Gastos de campanha: Alckmin consegue aumento – reconhecendo o óbvio, o TSE considerou que houve distinção de tratamento nos pedidos de aumento de gastos feitos pelas campanhas de Lula e Alckmin. Ontem, o TSE permitiu que o tucano também pudesse ampliar o valor de gastos em sua campanha eleitoral de R$ 85 milhões para R$ 95 milhões. No dia anterior. Lula tinha conseguido elevar a sua previsão de R$ 89 milhões para R$ 115 milhões. 

Nova pesquisa – o CNT/Sensus divulga às 11h os resultados da 87ª Pesquisa CNT/Sensus, na sede da CNT, em Brasília. Mais um levantamento para confirmar a dianteira de Lula.

Por Fernando Rodrigues
06h44 - 25/10/2006

O drive político do dia (25.out.2006 - 4ª feira)

PresidenciáveisLula faz o comício de encerramento da campanha por volta das 19h no Largo São José, no bairro Capela do Socorro, reduto petista na zona sul de São Paulo. De manhã o presidente concede entrevistas para emissoras da rede RBS. Alckmin desembarca em Manaus, Amazonas, pela manhã, onde se reúne com políticos, trabalhadores e empresários. O tucano encerra sua campanha também em São Paulo, com um comício no Vale do Anhangabaú.

Datafolha – Lula tem 58% contra 37% de Alckmin. Ouça aqui o comentário. Leia aqui o texto.

Fusão partidária e a miséria política brasileira – o PL anuncia hoje, na sede do partido em Brasília, que vai se fundir com o Prona de Enéas Carneiro e com o PT do B para superar a cláusula de barreira. Com a fusão, será criado o PR (Partido Republicano). A nova legenda terá no Congresso 26 deputados e 3 senadores que poderão cumprir o mandato sem as restrições impostas a quem não atingir o mínimo de votos exigidos pelo dispositivo.
Um comentário: depois de desmoralizar um nome interessante (Partido Liberal), agora essa turma vai possivelmente fazer a mesma coisa com outra legenda (Partido Republicano).
Uma pergunta: o que há de "republicano" num deputado (Valdemar Costa Neto) que aceita dinheiro sujo para fazer campanha, renuncia para não ser cassado e agora se alia a nanicos sem ideologia definida para continuar a sobreviver?

Sanguessugas – o bate-boca na comissão pode continuar hoje. Novos documentos sobre o dossiê devem chegar nas mãos do presidente, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ).

TSE – o tribunal deve continuar julgando hoje os diversos pedidos de direito de resposta das campanhas de Lula e Alckmin por supostas ofensas. O objetivo de petistas e tucanos é ganhar o máximo de tempo possível na propaganda eleitoral do adversário.

Por Fernando Rodrigues
22h20 - 24/10/2006

Lula pede e TSE autoriza aumento de gastos
de campanha de R$ 89 mi para R$ 115 mi

O que não faz o medo de ser apanhado fazendo algo errado. Lula e o PT declararam que a campanha à reeleição do presidente da República custaria R$ 89 milhões. A lei manda que os políticos declarem essa previsão (não há limites). Agora, o petista pediu um acréscimo de módicos R$ 26 milhões. Ou seja, prevê gastar até R$ 115 milhões nesta empreitada para conquistar mais 4 anos no Palácio do Planalto.

O pedido foi apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que deu o sinal verde para Lula torrar seus R$ 115 milhões. Será o maior gasto individual de campanha entre todos os candidatos a presidente deste ano. Geraldo Alckmin anunciou no início do processo eleitoral gastos de R$ 85 milhões.

Nada mal. Esse é o verdadeiro espetáculo do crescimento. Em 2002, quando ainda ninguém nunca tinha ouvido falar em Marcos Valério, o petista declarou gastos de R$ 33,7 milhões para se eleger. Neste ano, quando surgiu a previsão de R$ 89 milhões, vários petistas disseram que era apenas um valor “indicativo”. Como se vê, indicava um valor pequeno...

A se confirmarem os gastos de R$ 115 milhões neste ano, o valor representará um espantoso aumento de 241,25% sobre o valor que Lula declarou ter usado em 2002.

A propósito de dinheiro político em campanhas eleitorais, eis um trecho de excelente reportagem da BBC Brasil a respeito desse tema em outros países:

“Na Grã-Bretanha, onde Tony Blair foi reconduzido ao cargo de primeiro-ministro no ano passado, o partido Trabalhista e o Conservador gastaram, cada um, R$ 72 milhões (ou 17,9 milhões de libras esterlinas) nas suas campanhas”.

“A população da Grã-Bretanha é de 59 milhões de pessoas, menos de um terço da população brasileira, mas a economia britânica é cerca de três vezes e meia maior que a brasileira”.

“O ex-primeiro-ministro alemão Gerhard Schröder, que perdeu a chance de se reeleger no ano passado, gastou cerca de R$ 70 milhões (ou 25 milhões de euros)”.

“A conservadora Angela Merkel venceu a eleição, mesmo gastando menos – R$ 64 milhões (23 milhões de euros)”.

“A população da Alemanha é menor do que metade da brasileira; mas o PIB, quatro vezes maior”.

p.s.1: a pedidos, reproduzo a seguir o trecho do texto da BBC Brasil que trata do custo da eleição presidencial nos EUA (embora o link esteja aí acima para todos): "Em 2004, George W. Bush e John Kerry investiram mais de R$ 1,5 bilhão, sendo R$ 785 milhões da campanha de reeleição do republicano". Ou seja, o gasto norte-americano é, diz a BBC Brasil, "nove vezes superior ao brasileiro, para um país com uma população de 60% maior do que a brasileira".

p.s.2: também a pedidos, fica registrado que a campanha de Geraldo Alckmin também solicitou aumento de previsão de gastos (de R$ 85 milhões para R$ 95 milhões). O TSE rejeito o pedido. Para ler sobre a recusa, clique aqui.

Por Fernando Rodrigues

Só 3 dos 10 segundos turnos terão
decisão apertada no domingo

Se as pesquisas nos Estados estão certas (eis aí a polêmica), só em 3 dos 10 Estados onde haverá segundo turno no domingo a decisão será um pouco apertada. Quando este post entrou no ar (às 18h55), os Estados com votação mais apertada eram Maranhão, Pará e Paraná. Agora, 22h33, passaram a ser Maranhão, Paraíba e Paraná. Coisas das pesquisas.

Em tese, em  outros 7 Estados os institutos divulgam números que mostram uma vantagem razoável para os primeiros colocados.

Eis o quadro atual de 22h33:

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (24.out.2006 - 3ª feira)

Presidenciáveis – o debate de ontem deve dominar o mundinho político. Os coordenadores de campanha estão em Brasília, provavelmente dizendo que o seu candidato venceu. Hoje Lula sobe no palanque da pefelista Rosena Sarney em Timon, Maranhão, junto com o governador eleito do Piauí Welington Dias (PT). Após o comício, o presidente fará uma "saudação ao povo do Piauí" na capital Teresina. Alckmin comparece ao encontro organizado pelo governador Aécio Neves com políticos locais em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Pesquisas – o “Jornal Nacional” divulga nova pesquisa Datafolha.

Sanguessugas – a CPI pode receber uma cópia do relatório entregue pela Polícia Federal à Justiça do Mato Grosso sobre o escândalo do dossiê. A briga política na comissão anda cada vez mais acirrada, principalmente com o bate-boca entre o presidente Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), o vice Raul Jungmann (PPS-PE) e o sub-relator Carlos Sampaio (PSDB-SP). 

Por Fernando Rodrigues
06h50 - 23/10/2006

Sobre o tal '3º turno' de que tanto falam

Coluna de hoje na Folha.

FERNANDO RODRIGUES

Os riscos de Lula

BRASÍLIA - Se Lula ganhar a eleição domingo que vem, a dúvida é sobre quais riscos ele correrá no eventual segundo mandato com tantos indícios de crime cometidos nas redondezas do Planalto. O senso comum do establishment antiLula prevê uma catástrofe inevitável. Será o "governo que já acabou antes de começar", tem sido a frase do tucanato. A realidade, entretanto, é mais complexa.

Os exemplos sempre citados de presidentes eleitos e depois abatidos em pleno vôo são os do brasileiro Fernando Collor (eleito em 1989 e deposto por impeachment em 1992) e do norte-americano Richard Nixon (reeleito de 1972 e forçado a renunciar em 1974).

Collor e Nixon foram eleitos com grandes votações, mas, assim como Lula, pessoas muito próximas a eles cometeram crimes. Daí o silogismo do momento: "Lula também vai cair depois da eleição". Mais ou menos. Ou melhor, depende.

Nixon perdeu uma guerra (Vietnã) e desvalorizou o dólar. A inflação dos EUA em 1974, quando ele renunciou, bateu em 11% -a primeira vez acima de 10% desde 1947! A auto-estima do norte-americano médio estava ao rés do chão. Collor tem história conhecida. Atolou o país em recessão em 1992.

A inflação foi a 1.129,45%. E Lula em 2007, se for reeleito? Possivelmente o Brasil crescerá na faixa dos 3% a 4%. Ou até mais, com a possível saída da turma ortodoxa da economia.

No Congresso, os 300 picaretas vão aderir ao presidente, seja ele quem for, logo depois de domingo que vem. Sobra a Lula o risco de seus "meninos aloprados" abrirem o bico oferecendo provas materiais da suposta atuação do Planalto nos malfeitos já noticiados. Menos do que isso será pouco para padrões brasileiros. Foi assim com FHC. Deve ser assim novamente com Lula.

Por Fernando Rodrigues

O drive da semana (23 a 29 de outubro)

segunda-feira (23.out)
PresidenciáveisLula e Alckmin enfrentam nesta semana mais dois debates antes do 2º turno das eleições. O primeiro acontece hoje à noite, às 22h, pela TV Record. Alckmin participa pela manhã de ato político no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo.

Sanguessugas – a Polícia Federal vai ouvir às 9h o empresário Abel Pereira, em Cuiabá (MT). Acusado de receber propina da máfia, Abel é amigo do tucano Barjas Negri, atual prefeito de Piracicaba (SP) e que foi ministro da Saúde em 2002 (sucedendo a José Serra). Tudo o que os petistas mais querem é comprovar que a história toda começou com a turma do PSDB.

Congresso – semana de “esforço concentrado” na Câmara de Deputados para destrancar a pauta. No Senado as votações serão retomadas após 2º turno das eleições.

Energia – em entrevista ao “Valor Econômico”, a ministra Dilma Rousseff (Cãs Civl) diz que se Lula, se reeleito, vai retomar o projeto das usinas nucleares no Brasil –terminando Angra e projetando outras.

terça-feira (24.out)
PresidenciáveisLula participa de comício em Timon, Maranhão, com o governador do Piauí, Welington Dias (PT), e Roseana Sarney, a candidata ao governo do Maranhão que enfrenta um processo de expulsão do PFL. Alckmin deve visitar Manaus.

Pesquisas – o “Jornal Nacional” divulga nova pesquisa Datafolha.

quarta-feira (25.out)
PresidenciáveisLula faz o comício de encerramento da campanha no bairro Capela do Socorro, reduto petista na zona sul de São Paulo. Alckmin deve encerrar sua campanha com um comício no Vale do Anhangabaú.

quinta-feira (26.out)
PresidenciáveisAlckmin será sabatinado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

sexta-feira (27.out)
Presidenciáveis – desta vez Lula e Alckmin se encontram no “ringue” da rede Globo. O último debate antes da eleição deve começar a partir das 22h. Tem de terminar até a meia-noite, o prazo final para esse tipo de evento na campanha.

Sábado (28.out)
Véspera – tensão total sobre fatos de última hora que possam afetar a decisão dos eleitores.

Domingo (29.out)
2º turno presidencial e em 10 Estados – o Brasil vai conhecer de noite seu 5º presidente eleito pelo voto direto. É muito para um país do Terceiro Mundo, mas pouco na linha da história: o Brasil está elegendo presidentes de maneira aberta e livre apenas desde 1989.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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