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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

22h50 - 09/09/2006

A carta de FHC

Já que alguns internautas pediram, aqui vai o comentário (escrito para a FSP, edição de sábado) sobre a carta de FHC:

FERNANDO RODRIGUES

O crepúsculo de alguns políticos

BRASÍLIA - Ao ler a carta aberta de FHC aos militantes do PSDB, fica uma pergunta: que efeito terá no processo eleitoral? Possivelmente, nenhum. Mais adiante talvez resulte em alguma reflexão numa eventual refundação do PSDB.

O sociólogo e ex-presidente acerta parcialmente em suas críticas. O ponto é: demorou muito. Ele reconhece: "Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população".

O problema de sempre é o meio desqualificando a mensagem. A tal história de "não somos iguais" é relativa. FHC e PSDB poderiam ter há tempos adotado uma atitude de intransigência com as práticas adotadas pelo PT e por Lula. Preferiram o silêncio. Compreensível.

Quando Eduardo Azeredo foi pego num esquema semelhante ao do mensalão-Marcos Valério, ficou difícil para o tucanato se mexer. Foi uma opção calculada.

Ao apontar o dedo para os "companheiros" petistas hoje no governo, FHC parece ter se esquecido do loteamento que fez de seu ministério em 1997. Deu a Justiça para um jurista internacionalmente conhecido (sic), o goiano Iris Rezende. O Ministério dos Transportes foi para o gaúcho Eliseu Padilha. Ambos eram do PMDB. No Congresso, em troca, foi enterrada a CPI da compra de votos.

O PSDB elegeu 63 deputados em 1994. Em 1997, já estava com cem cadeiras na Câmara.

No início deste ano, tucanos e pefelistas aflitos abordavam jornalistas: "E aí? Tem mais coisa?". Preguiçosos. Sem ação. Esperavam que só a mídia investigasse. Tenham dó.

Agora, essa carta de FHC falando até de "carestia", expressão há muito fora de uso. O vocabulário antigo pode ser o prenúncio de uma fase nova para políticos antes influentes. Hoje parecem rumo a um estágio crepuscular.

Por Fernando Rodrigues

Cristovam é o único presidenciável a
divulgar dados completos de doações

O candidato do PDT a presidente da República, Cristovam Buarque, dá um exemplo de transparência. É o único dos pretendentes ao Planalto que divulgou seu relatório completo de doadores de campanha, bem como onde gastou o dinheiro recebido até agora.

 

Os céticos podem argumentar: “Mas ele só tem 1% nas pesquisas, não vai ganhar e tem liberdade para fazer isso”. Mais ou menos. Outros que também não vão ganhar não fazem a mesma coisa.

 

A lei eleitoral é uma piada. Obriga os candidatos a dizerem, antes das eleições, apenas quanto receberam e quanto gastaram, mas não de quem veio o dinheiro. Os nomes dos doadores só precisam ser revelados depois do pleito. Assim, o eleitor pode eleger um determinado político e depois descobrir que votou em alguém financiado por Bin Laden.

 

Como a lei é frouxa e não obriga os candidatos a quase nada, a transparência de Cristovam é uma boa notícia. Ainda que o desejável fosse que os primeiros colocados fizessem o mesmo.

 

Para ter acesso aos dados divulgados por Cristovam, entre no seguinte link:

 

http://www.vote12.com.br/index2.php?page=relatorios

 

Abaixo, a relação completa de doadores e os valores (em reais):

 

GERAÇÃO COMUNICAÇÃO ÍNTEGRA  Editora R$ 10.000,00

LUIZ FERNANDO DE S. EMEDIATO R$ 5.000,00

EDUARDO M. QUEIROZ NOBRE R$ 26.331,15

PATRÍCIA RIOS  DE OLIVEIRA R$ 23.668,85

GERAÇÃO CONSULTORIA DE CRÉDITO R$ 20.000,00

BMG - PRESTASERV PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA R$ 50.000,00

JOSÉ CARLOS ALMEIDA DA SILVA R$ 15.000,00

COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS  -  AMBEV R$ 100.000,00

BANCO MERCANTIL DE SÃO PAULO R$ 200.000,00

EIKE FUHRKEN BATISTA R$ 100.000,00

LUCIANO DUARTE DO NASCIMENTO FRANCO R$ 10,00

CONSTRUTORA NORBERTO ODEBRECHT S.A R$ 100.000,00

CAEMI MINERAÇÃO E METALURGIA S.A R$ 200.000,00

GERDAU AÇOS LONGOS S.A R$ 100.000,00

Total R$ 950.010,00

Por Fernando Rodrigues
16h56 - 07/09/2006

Lula e FHC, o roto e o rasgado nos gastos

Os jornais estão infestados nos últimos dias com notas e reportagens sobre o aumento anual de aproximadamente 10% (reais) nos gastos públicos. Estão certos os jornais. Esse é um ponto ainda obscuro para o próximo governo –quase certo– de Lula.

 

Agora, o livro do jornalista Guilherme Fiuza “3.000 dias no bunker” (Editora Record, 336 páginas + 16 de encarte, R$ 48,90) traz um "pró-memória" a respeito desse tema.

 

Depois da crise dos chamados "tigres asiáticos", no final de 97, o governo FHC baixou o “Pacote 51”. Deveria ser um plano de aperto fiscal forte. Sabe-se que quase nem metade das 51 medidas foram para valer.

 

O fato a ser mencionado, muito bem citado no livro de Fiuza, é que no início de 98 o discurso de aperto fiscal passou a ser apenas da boca pra fora. Uma necessidade, pois o ano era eleitoral.

 

Os gastos do governo federal no primeiro semestre de 1998, quando o Brasil tinha se comprometido perante o mundo com um aperto fiscal, subiram nada menos que 20%, diz Fiuza. O Pacote 51 foi boicotado pelo próprio presidente, relembra o livro "3.000 dias no bunker”.

 

Nas páginas 258 a 260, há um relato de um diálogo de FHC com o seu ministro da Fazenda, Pedro Malan. Em dado momento, falou HC: "Pedro, estou cansado de jogar na retranca. Vamos transigir". Em bom português, vamos torrar dinheiro. Assim foi feito. FHC foi reeleito no primeiro turno.

 

Em 1999, o Brasil quebrou.

 

Assim é a história. Primeiro, tragédia. Depois, farsa.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (7.set.2006 – 5ª feira)

7 de Setembro – feriadão. Tem desfile na Esplanada. Lula em campanha. Brasília está às moscas e ficará assim até o dia 3 de outubro, quando, em tese, os congressistas voltam para cá.

Presidenciáveis Alckmin se encontra com jovens da comunidade de Rio das Pedras, no Rio de Janeiro. Lula participa das comemorações do 7 de Setembro em Brasília. Cristovam e Heloísa Helena fazem campanha no Rio de Janeiro.

César Maia desanimado – eis o comentário do prefeito pefelista do Rio, no seu boletim de hoje: “A tempo: 1) eleição com reeleição num governo razoavelmente bem avaliado, é desconstruir o segundo governo. 2) em eleição tem vantagem quem coloca a agenda. Lula pro enquanto faz a agenda: -fiz muita coisa, me avalie bem e vou fazer mais ainda. Não vale a pena mudar. E Alckmin ? Qual a agenda?”.

 

Pesquisas liberadas – ontem o STF julgou o texto da minirreforma eleitoral e considerou inconstitucional o artigo 35-A, que proibia a divulgação de pesquisas de intenção de voto 15 dias antes das eleições.
Muito azar o fato de a ação contra a lei eleitoral ter sido proposta de maneira quase desqualificada, indigente... É óbvio que é inconstitucional proibir o uso de camisetas e até da realização de showmícios. Agora é tarde...

Por Fernando Rodrigues
07h55 - 06/09/2006

Uma sugestão para rejeitar políticos

Muitos internautas estão indignados (com razão) com a impossibilidade de se manifestarem contra todos os políticos numa eleição (pelo voto nulo). Agora, sabe-se (leia post abaixo) que 50% dos votos nulos não têm o poder de anular a eleição.

 

Modestamente, este blogueiro tratou do tema no livro “Políticos do Brasil” (em todas as livrarias) num capítulo sobre o sistema político partidário do país. Trata-se do “recall” e do “voto de rejeição”. Eis um trecho do livro que trata do tema:

 

“A melhor forma de protestar contra algum político é votar em seu adversário. No momento do voto, essa é a única opção. Talvez no futuro longínquo seja possível a democracia brasileira evoluir para um sistema mais eficaz de punição dos maus políticos, já no dia do pleito. Embora esse seja um projeto de difícil aceitação pelos legisladores, vale a pena conhecê-lo: é o “voto de rejeição” nas eleições proporcionais (para deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores no plano municipal).

 

O sistema funcionaria de maneira simples. Além de escolher um deputado, o eleitor teria o direito de registrar um voto contra algum candidato que não desejasse ver eleito. Cada “voto de rejeição” cancelaria um voto positivo recebido pelo mesmo candidato.

 

Com o “voto de rejeição”, congressistas que renunciam ao mandato para escapar de punição receberiam sua sentença verdadeira nas urnas, diretamente dos eleitores – um argumento ironicamente usado pelos próprios deputados e senadores que abandonam o cargo para tentar voltar numa eleição seguinte.

 

Além dessa ferramenta a ser exercida no dia do pleito, outro mecanismo, este já presente em várias democracias, é o instrumento do recall. Serviria para que os eleitores, ao longo do mandato de um político, fizessem uma avaliação sobre se o desempenho é ou não satisfatório. Em caso de reprovação, o mandato seria encerrado antes do tempo, e nova eleição seria realizada".

 

Para saber mais, uma dica: transforme o 7 de Setembro num feriadão cívico e dê uma folheada em “Políticos do Brasil”.

Por Fernando Rodrigues

50% dos votos nulos não anulam a
eleição, diz Marco Aurélio, do TSE

Acabou um dos mitos mais recorrentes na internet durante o atual processo eleitoral: o de que 50% ou mais dos votos nulos dados pelos eleitores anulariam o pleito sendo necessária a convocação de nova votação. É quase impossível encontrar alguém que não tenha recebido o spam da campanha que divulga essa lenda. Pois o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, diz que essa determinação não existe na lei, não está na Constituição e há até uma decisão recente da Corte (de agosto último) falando exatamente o oposto.

A explicação de Marco Aurélio Mello é cristalina e vem em boa hora. Nada contra o voto nulo, uma manifestação legítima do eleitor (basta digitar “00” na urna e clicar em “confirma”). O ruim era que pessoas estavam acreditando ter o poder de cancelar o pleito. Não têm. O voto nulo basicamente vai ajudar a eleger mais dos mesmos. Quantos menos forem os votos válidos, menos votos vai precisar um político tradicional para ficar no cargo que já ocupa.

O equívoco existia porque, de fato, a lei fala sobre novo pleito quando “a nulidade atingir a mais da metade dos votos no país”. Ocorre que essa “nulidade” se refere aos votos anulados por fraude, entre outras razões, e não aos votos nulos dados pelo eleitor –algo bem diferente.

A seguir, um resumo das explicações dadas pelo ministro Marco Aurélio Mello:

1) Constituição:
A menção a voto nulo aparece na descrição de como se dá a eleição para presidente da República, no artigo 77, parágrafo 2º: “Será considerado eleito Presidente o candidato que, registrado por partido político, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos”.

Interpretação do ministro Marco Aurélio Mello: “O texto não diz ser necessário que mais da metade do votos sejam válidos, isto é, os dados aos candidatos. Determina apenas que será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos. Assim, se 60% [do total] dos votos forem brancos ou nulos, uma hipótese remota, será eleito o candidato que obtiver pelo menos 20% [metade] mais um dos votos" (que, neste exemplo, foram 40% válidos).

2) Código Eleitoral (lei lei 4.737, de 1965):
A controvérsia sobre anulação da eleição existe por causa do artigo 224 do Código Eleitoral:

“Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias”.
(...)
“Parágrafo  2º Ocorrendo qualquer dos casos previstos neste capítulo o Ministério Público promoverá, imediatamente a punição dos culpados”.

Interpretação do ministro Marco Aurélio Mello: “Como se observa, o parágrafo 2º desse artigo fala em ‘punição aos culpados’. Ora, quem vota nulo por vontade ou por erro não é culpado de nada nem pode ser punido, até porque o voto é dado de maneira secreta. Além disso, os artigos anteriores ao 224 no Código Eleitoral explicitam que quando se tratou ‘nulidade’ o legislador se referia a votos anulados em decorrência de atos ilícitos, como fruade em documentos, por exemplo. Não quis se tratar do voto nulo dado pelo próprio eleitor”.

3) Jurisprudência mais recente.
O Tribunal Superior Eleitoral deliberou a respeito do tema em 17 de agosto último, ao julgar um caso em que se requeria a anulação de uma eleição municipal de 2004, em Ipecaetá, na Bahia, para a realização de novo pleito.

No Recurso Especial Eleitoral 25.937, o Tribunal deliberou: “Não se somam (...), para fins de novas eleições, os votos nulos decorrentes de manifestação apolítica do eleitor, no momento do escrutínio, seja ela deliberada ou decorrente de erro”.

Ou seja, para calcular se houve mais de 50% de votos nulos (por fraude) em uma eleição não devem ser considerados os votos nulos dado pelo próprio eleitor.

post scriptum: o internauta "lazaro", de São Vicente (SP), postou a seguinte pergunta:"Se por ventura, nenhum dos candidatos apresentar propostas que nos satisfaça (falando em totalidade dos eleitores brasileiros), por motivos "a" ou "b", quer dizer que não vamos ter opção de escolha, pois a eleição não poderá "ser ganha" por votos nulos e não será convocado novo pleito. Quer dizer que, supostamente falando, se "Roberto Jefferson, Fernandinho Beira-Mar, ou Marcos Camacho "O Marcola" e somente eles forem os canditados, mesmo que se a população eleitoral votasse nulo, e um deles recebesse 10 votos, esse seria o novo presidente do Brasil?".
Resposta: sim, um deles seria o presidente do Brasil com apenas 10 votos. Duas conclusões: 1) a lei é ruim ao não prever cenário tão esdrúxulo; 2) diante dessa realidade, é péssimo negócio votar nulo.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (6.set.2006 – 4ª feira)

PresidenciáveisAlckmin se reúne pela manhã em Brasília com representantes da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB). À tarde participa de carreata na cidade mineira de Teófilo Otoni. Lula faz comício em Ceilândia, no Distrito Federal, no fim do dia. Cristovam se desloca para Guarulhos, em São Paulo, onde participa de encontro com aposentados, pensionistas e líderes sindicais. À noite, participa de debate promovido pela “Rede Vida”. Heloísa Helena passa o dia em Brasília, entre compromissos no Senado, reuniões de campanha e gravação de programas eleitorais.  

Gastos de campanha – hoje é o último dia para os candidatos fazerem a segunda prestação de contas de campanha à Justiça Eleitoral. O presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o tesoureiro, José de Filippi Jr, convocaram a imprensa às 12h, no comitê central da campanha, em Brasília, para falar das contas do candidato Lula.

Voto secreto no Congresso – a Câmara fez a sua parte. Aprovou o fim do voto secreto no Congresso em 1º turno ontem. Mas a história ainda é longa. Falta ainda a segunda votação. Vai passar, mas só em outubro. Depois, fica com o Senado, onde a pressão é forte para que sejam realizadas modificações. Nesse caso, volta tudo para a Câmara... Daí, ninguém sabe se haverá tempo para aprovar a emenda constitucional antes de os casos dos sanguessugas serem julgados pelo plenário.

Datafolha foi mais do mesmo – a menos de 4 semanas da eleição, fica crítica a situação da oposição. É cada vez mais real a possibilidade de reeleição de Lula no 1º turno. Festa entre petistas. Velório na oposição.

Politicos do Brasil, o livro – saiba mais sobre o livro no site do Publifolha. Além dos dados completos daqueles que comandam o país, o livro traz (no apêndice 1) uma completa descrição do sistema político-partidário do país, suas virtudes (elas existem) e seus defeitos. Uma ferramenta de cidadania para os que desejam relfetir sobre o ato de votar. Fica a sugestão de leitura para o feriado de 7 de Setembro.

Por Fernando Rodrigues
12h50 - 05/09/2006

Aviso aos leitores de Políticos do Brasil

Com o perdão de todos, um esclarecimento em causa própria (porém uma causa "do bem").

O site está aí, mas o livro "Políticos do Brasil" também. No site, milhões de internautas já pesquisaram e encontraram os dados brutos de políticos brasileiros. Ótimo. Mas no livro há muito mais: além das informações completas, é possível ler as análises, interpretações e cruzamentos dos dados, um amplo panorama do sistema político-partidário e até um anexo com algumas considerações a serem feitas na hora do voto. "Last but not least", o livro pode ser levado para cima e para baixo e fica como consulta permanente de um período da história política do país --para não ser esquecido, para o bem e para o mal.

À venda nas principais livrarias do país, o "Políticos do Brasil" pode ser encomendado também pela Internet.

Essa explicação é necessária para o caso de alguns acharem que site e livro são a mesma coisa. Não são. Mesmo. O livro é uma radiografia completa, profunda, de todos os políticos. Leitura útil para o feriado de 7 de Setembro.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (5.set.2006 – 3ª feira)

Esforço concentrado, um pacotaço – a Câmara tirou de sua frente as 20 MPs que trancavam a pauta. Agora, os deputados tentarão votar hoje a emenda constitucional que acaba com o voto secreto (sobretudo para as votações de processos de cassação).
Ótimo? Mais ou menos. Você sabe quais são as 20 MPs? Do que tratavam?
Eis um trecho do que escreveu hoje Janio de Freitas, na Folha (só para assinantes): “...Se, porém, a votação em bloco de matérias tão díspares já é, por si só, um procedimento antiparlamentar e antidemocrático, ainda mais grave é essa evidência que o pacotaço torna mais eloqüente: a quantidade de medidas provisórias que jorram da Presidência da República”.

PresidenciáveisLula faz comício em Caruaru, Pernambuco. Alckmin será sabatinado pela “Folha”. Heloísa Helena fica em Brasília, para participar das votações do Senado. Cristovam grava programa eleitoral e visita feira do livro em Brasília.

Datafolha hoje: mais do mesmo? –  o instituto divulga nova rodada sobre a eleição presidencial.

Conselho de Ética – tem reunião às 10h30 para definir o cronograma de trabalho. O Conselho também deve ouvir Darci e Luiz Antônio Vedoin, donos da Planam.

Julgamento do TSE – o tribunal pode julgar os recursos dos deputados Reinaldo Gripp (PL) e Paulo Baltazar (PSB) contra decisão do TRE do Rio de Janeiro. Ambos tiveram os registros de candidatura negados pelo tribunal por serem acusados de participarem do esquema dos “sanguessugas”.

Por Fernando Rodrigues
06h47 - 04/09/2006

O drive político da semana (4 a 8 de setembro)

segunda-feira (4.set)
Presidenciáveis Alckmin visita as cidades de Jataí e Goiânia, em Goiás. Heloísa Helena será sabatinada pela “Folha”. Lula participa da cerimônia de incorporação de novas aeronaves à FAB, e, às 19h, tem novo jantar com empresários na casa do ministro Luiz Furlan. Cristovam grava seu programa eleitoral.

Congresso – último "esforço concentrado" antes das eleições. Aldo Rebelo reúne líderes na Câmara às 16h para tentar destrancar a pauta de votações. A casa precisa deliberar sobre pelo menos 20 medidas provisórias para poder levar à votação a proposta de emenda constitucional que prevê o fim do voto secreto para parlamentares.
Palpite do blog: é enorme a chance de flopar...

Conselho de Ética – se reúne às 16h para escolher os relatores dos processos contra 67 deputados acusados de envolvimento com a máfia dos Sanguessugas.

terça-feira (5.set)
PresidenciáveisLula faz comício em Caruaru, Pernambuco. Alckmin participa de sabatina da “Folha”.

Conselho de Ética – tem reunião administrativa. Sejamos sinceros: não vai dar tempo de cassar ninguém.

quarta-feira (6.set)
PresidenciáveisLula faz comício em Ceilândia, no Distrito Federal.

Gastos de campanha – os candidatos terão que fazer a segunda prestação de contas de campanha à Justiça Eleitoral.

Por Fernando Rodrigues
08h25 - 03/09/2006

Pesquisas mostram grande tendência
de continuísmo nas eleições de 2006

Antes do horário eleitoral já dava para perceber alguma coisa. Agora, mais ainda. Pesquisas realizadas nos 26 Estados e no Distrito Federal (21 pós-propagandas no rádio e na TV) indicam um quadro de grande estabilidade nas disputas pelos governos locais na comparação com o período inicial do processo, há dois meses: em 19 casos há possibilidade de solução já no dia 1º de outubro.

Fica mais fácil compreender o quadro observando a tabela abaixo. A coluna da direita (“1º turno”) mostra os casos em que o primeiro colocado tem mais pontos do que todos os seus adversários somados:

(na hora de montar a tabela faltaram o marcadores "®" nos candidatos Alcides Rodrigues (GO), Cássio Cunha Lima (PB), Luiz Henrique (SC), Paulo Hartung (ES) e Roberto Requião (PR), que também concorrem à reeleição).

Todas essas pesquisas já estão (ou embreve estarão) nesta página, a mais completa com levantamentos eleitorais disponível na Internert –uma tradição desde o ano 2000. Para ter acesso a pesquisas de eleições anteriores, clique aqui.

Como se observa no quadro acima, é possível contar 19 favoritos que representam os grupos já instalados no poder no momento. Por exemplo, José Serra (PSDB-SP) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) não disputam a reeleição, mas representam aqueles que hoje governam esses Estados.

A possibilidade de reeleição, como se sabe, foi instituída em 1997 (na controversa emenda que foi aprovada com a compra de votos de deputados; soube-se quem se vendeu, mas o Congresso e o governo FHC nunca deixaram que fosse apurado quem comprou). De lá para cá, esta eleição de 2006 pode ser marcada por um forte traço de continuísmo das forças políticas.

Em 1998, havia 21 governadores disputando a reeleição no cargo. Apenas 14 se reelegeram. Em 2002, como muitos já eram reeleitos (a Constituição permite apenas uma reeleição seguida da eleição), foram só 14 os que tentaram mais um mandato. Apenas 9 se reelegeram.

Também vale destacar que, em 1998, a eleição só foi decidida no primeiro turno em 14 unidades da Federação. Em 2002, apenas em 12.

A única grande novidade pós-horário eleitoral em rádio e TV foi o Ceará, com Cid Gomes (PSB) passando à frente, com larga vantagem, de Lúcio Alcântara (PSDB), o atual governador que disputa a reeleição.

P.S.: e para não perder a viagem, visite o site Políticos do Brasil para votar melhor em 1º de outubro. E conheça o livro, com todos os cruzamentos e dados sobre os políticos brasileiros e o sistema eleitoral (uma opção para quem deseja saber em detalhes como funciona o modelo adotado pelo Brasil).

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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