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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

07h38 - 21/07/2006

O drive político do dia (21.jul.2006 - 6ª feira)

Sanguessugas – agitação sem fim. Muita tensão sobre os efeitos reais sobre a campanha presidencial. Já está claro que ficará provado o envolvimento de alguns petistas e de órgãos públicos federais (i.e., o Ministério da Saúda).
A dúvida é: com todos os partidos enrolados no esquema, um anula o outro o vão todos um pouco para o buraco nas urnas?

PresidenciáveisLula continua em Córdoba, Argentina, na reunião de cúpula do Mercosul.  Alckmin fica no Rio de Janeiro, onde visita o projeto Favela Bairro junto com o prefeito César Maia. Heloísa Helena visita as cidades de Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba. Cristovam faz campanha nas cidades de Porto Alegre e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Eymael faz campanha em Anápolis, Goiás, e à noite desembarca em Blumenau, Santa Catarina.

Gastos de campanha – os 18.859 candidatos que concorrem nas eleições deste ano declararam que seus gastos de campanha podem chegar a R$ 19,793 bilhões. Muito bom esse levantamento da Justiça Eleitoral. Agora, resta saber como será o acompanhamento dessas despesas.


E neste fim de semana...

sábado (22.jul)

Lula e emoção – o petista vai jogar emoção de novo na praça, a exemplo do que já havia feito em 2002. Faz campanha em Pernambuco, na sua terra natal. Não será surpresa se rolar algum choro ou quase isso.

Por Fernando Rodrigues
08h56 - 20/07/2006

PT sem chances em SP, MG e RJ
é sinal de fragilidade partidária

Lula pode ser eleito presidente da República em outubro (é o favorito), mas o PT segue de maneira cambaleante (como sempre) nas disputas pelos governos dos 3 maiores Estados da Federação em número de eleitores –São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Juntos, esses que formam o “Triângulo das Bermudas” da política brasileira, têm 42% dos eleitores brasileiros. O PT não tem, pelo menos até onde a vista alcança, a menor possibilidade de ganhar um desses governos estaduais, conforme mostrou pesquisa Datafolha divulgada nesta semana (clique aqui para ter acesso à melhor compilação de levantamentos eleitorais na Internet; ainda hoje, mais levantamentos serão postados, inclusive os do Datafolha).

Essa incapacidade do PT de se viabilizar para os Poderes Executivos de SP, MG e RJ mostra uma fragilidade que o partido luta para superar, mas sempre sem sucesso.

No Rio, o PT praticamente não existe. Em São Paulo e Minas Gerais, esboçou alguma robustez em 2002. Tudo parece ter ido por água abaixo por fatores diversos.

Em Minas Gerais, a supremacia ditada pela aliança tácita entre Aécio Neves e Lula acaba impedindo o partido de decolar.

Em São Paulo, o PT fez bonito em 2002, com José Genoino indo para o 2º turno. Só que Genoino foi varrido pelo mensalão, assim como outros líderes locais ascendentes –João Paulo Cunha, entre outros.

Aloizio Mercadante, o candidato petista em São Paulo, amarga uma magra taxa de 15% no Datafolha e não se vê muito por onde ele consiga furar o bloqueio de José Serra.

Tudo somado, a fraqueza no Sudeste deixa o PT ainda longe de se consolidar como sigla hegemônica na política nacional.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (20.jul.2006 - 5ª feira)

Triângulo das Bermudas da política – Lula pode até acabar ganhando a eleição em outubro, mas o PT é um fracasso nos 3 maiores Estados, conforme mostrou pesquisa Datafolha. Os petistas não demonstram ter a menor chance nas disputas estaduais em São Paulo, Rio e Minas.

PresidenciáveisLula estará em Córdoba, Argentina, para participar da reunião de cúpula do Mercosul. Alckmin faz campanha no Ceará, nas cidades de Fortaleza e Juazeiro do Norte. Heloísa Helena também estará em Juazeiro, fazendo campanha de rua. Cristovam se encontra com o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. Eymael participa de um congresso de turismo em Brasília.

Economia no Brasil – a Selic caiu para 14,75% (a menor taca nominal em 20 anos). As reservas internacionais do país estão em US$ 64 bilhões (contra uma dívida externa da União de US$ 63,2 bilhões). OK, OK, mas a taxa real de juros é ainda a mais alta do planeta. E o que importa hoje em dia, vamos combinar, não é a dívida externa e sim a interna, em R$ 1 trilhão...

...enquanto isso...

Economia na Argentina – a economia no país vizinho cresceu 8% em maio (num período de 12 meses) contra a previsão de uns 4% no Brasil (se tanto). Tudo bem, a Argentina ainda se recupera da crise profunda do início da década. OK. Mas agora o país vizinho parece começar a realmente sair do atoleiro.

Varig – previsto novo leilão da companhia.

Por Fernando Rodrigues
12h59 - 19/07/2006

Recordar é viver: as pesquisas em 1998

Não existem duas eleições iguais. Mas uma sempre deixa pistas sobre a outra. Abaixo, a trajetória da intenção de voto medida pelo Datafolha na disputa presidencial de 1998 (quando FHC foi reeleito no primeiro turno):

E abaixo a pesquisa atual:

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (19.jul.2006 - 4ª feira)

Datafolha – repercussão – hoje é o dia mundial do “spinning job”. Todos os candidatos vão dizer que a pesquisa divulgada ontem (comentário no post abaixo) é boa. Mas atenção: é só uma pesquisa e ainda não dá para ter certeza de qual será a tendência final da disputa.

Datafolha em SP, RJ e MG – o levantamento foi estratificado para demonstrar como andam as disputas estaduais no Triângulo das Bermudas da política brasileira. Sai hoje à noite, no “Jornal Nacional”. Amanhã, na versão impressa da “Folha”.

Juros – Copom anuncia a nova taxa Selic. Consenso do mercado: cai de 15,25% para 14,75%. Se cair mais, os petistas e Lula vão soltar fogos de artifício para comemorar.

Presidenciáveis impugnados – Cristovam Buarque (PDT) e Rui Pimenta (PCO) correm o risco de ter suas candidaturas impugnadas. A palavra final é do TSE, que deu uma indicação inicial de que esses dois presidenciáveis podem, de fato, acabar expelidos do pleito. Péssima notícia para a oposição. Quanto menos candidatos, maior a chance de a eleição terminar no primeiro turno.

Presidenciáveis Lula recebe Hugo Chávez, presidente da Venezuela. Alckmin inaugura seu comitê de campanha em Brasília, participa de reunião do "conselho político" e viaja para Divinópolis (MG), onde faz campanha junto com Aécio Neves. Heloísa Helena faz campanha no Ceará, nas cidades de Fortaleza e Barbalha. Cristovam grava entrevistas e faz campanha de rua em Brasília. Eymael faz campanha de rua em São Paulo.

Por Fernando Rodrigues
19h52 - 18/07/2006

Pesquisa mostra o quanto Lula deve
a PMDB governista de Renan e Sarney

A pesquisa Datafolha que acaba de ser divulgada (clique aqui para ter acesso à melhor compilação de levantamentos eleitorais na internet) mostra o tamanho da dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o PMDB governista de Renan Calheiros e José Sarney.

O quadro é o seguinte:

Lula – 44%
Alckmin – 28%
Heloísa Helena – 10%
Cristovam – 1%
Eymael – 1%
Rui Pimenta – 1%
Bivar – 0%
B/N e não sabe – 15%

Faça agora um exercício: coloque nesse cenário Anthony Garotinho, do PMDB (algo agora impossível, pois Renan, Sarney e cia operaram contra). O ex-governador do Rio teria, no mínimo, de 5% a 10%. Ou seja, levaria a eleição para o segundo turno.

Para que a eleição termine no primeiro turno um candidato deve ter mais do que todos os votos somados de seus concorrentes. Hoje, os 44% de Lula ganham dos 41% dos adversários. Em votos válidos, Lula tem 52% do total e poderia levar a parada já no dia 1º de outubro –embora no limite máximo da margem de erro de 2 pontos.

Esses percentuais levam a uma comparação com a campanha reeleitoral de FHC em 1998. Até nisso Lula está repetindo o tucano. Eis o resultado final de 1998, em votos válidos:

FHC – 53%
Lula – 32%
Ciro – 11%
Enéas e demais nanicos – 4,3%

Eis o quadro hoje, na campanha presidencial considerando os votos válidos:

Lula – 52%
Alckmin – 32%
Heloísa Helena – 12%
Nanicos – 3%

Outra coincidência a ser registrada. Em 1998, Renan, Sarney e cia operaram pesado para que o PMDB não tivesse candidato próprio a presidente. Expeliram Itamar Franco da parada e foram comemorar com FHC no Palácio do Planalto.

Desta vez, Garotinho foi jogado pela janela. A comemoração dos peemedebistas foi outro dia com Lula, na Granja do Torto.

O que mais é possível dizer sobre a pesquisa Datafolha? 4 pontos:

  1. Heloísa Helena cresceu de 6% para 10%, mas ainda não está claro qual será o seu teto. Em todas as eleições sempre há uma "Heloísa Helena", com discurso pontiagudo para aguilohar os "poderosos". Muito cuidado com avaliações do tipo "fenômeno do PSOL". As próximas pesquisas dirão qual é a tendência.
  2. Alckmin está empacado. Já foi registrado antes neste blog que o "crescimento" do tucano nas últimas pesquisas deveria ser matizado e mais bem entendido. Na realidade, ocorreu apenas uma acomodação do eleitorado com a saída do páreo de Garotinho, Enéas e Roberto Freire. Agora, havia oportunidade de crescimento (Heloísa Helena que o diga), mas Alckmin ficou no mesmo lugar (oscilando 1 ponto para baixo, dentro da margem de erro).
  3. Lula está batendo na trave para conseguir ganhar no primeiro turno. Assim como aconteceu com FHC em 1998. O petista sabe que um segundo turno vai colocá-lo em péssima situação. O desfecho é imprevisível.
  4. Cristovam e Rui Pimenta – as possíveis impugnações das candidaturas dos candidatos do PDT (Cristovam) e do PCO (Rui Pimenta), ambos com 1% cada, é uma boa notícia para Lula e péssima para Alckmin. Se havia algum nanico com chance de fazer uns 3% ou 4% ele era Cristovam. Sem o pedetista, tudo ficará por conta de Heloísa Helena, sobre quem é difícil de fazer previsões científicas a respeito de seu potencial eleitoral real.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (18.jul.2006 - 3ª feira)

CPI dos Sanguessugas – a notificação dos acusados ficou para hoje. A comissão também deve pedir ao STF o fim do sigilo nas investigações. TSE deve receber hoje consulta sobre impugnação de mandatos de congressistas envolvidos.

PresidenciáveisLula se reúne com os presidentes dos bancos públicos. Alckmin tem encontro com deputados estaduais, em São Paulo. Heloísa Helena fica em Brasília, fazendo campanha de rua.Cristovam também passa o dia na capital, em gravações de entrevistas. Eymael faz campanha de rua em São Paulo.

Juros – primeiro dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Amanhã sai a nova taxa Selic. O juro de cair de 15,25% para 14,75% ao ano. É a menor taxa nominal em anos, embora o juro real continue altíssimo (acima de 10%), por causa da baixa inflação.

Por Fernando Rodrigues
10h54 - 17/07/2006

PDT pede hoje ao TSE que antecipe
impugnação de candidatos sanguessugas

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), líder de seu partido na Câmara, encaminha hoje ao TSE uma consulta que pode causar uma revolução na eleição deste ano: indaga se o tribunal não poderia levar em conta as provas já existentes e tomar a iniciativa de abrir processos para impugnar os mandatos que os candidatos envolvidos com o caso dos sanguessugas podem obter em outubro. Assim, mesmo que ganhem a eleição, esses políticos não poderia tomar posse em fevereiro do ano que vem.

O argumento de Miro (leia aqui a íntegra) é que já há provas suficientes para que esses políticos sejam considerados inelegíveis --e, portanto, inpatos para tomar pose, mesmo que venham a ganhar a eleição de outubro. De fato, há até um caso de deputado que pedia à Planan (a empresa acusada de comandar o esquema) que pagasse as prestações de seguro de seu automóvel –há lançamentos explícitos no livro-caixa apreendido.

Tudo ficará nas mãos de Marco Aurélio Mello, presidente do TSE. Ele tem dado seguidas entrevistas dizendo ter interesse em moralizar o processo eleitoral. A consulta de Miro Teixeira oferece uma grande oportunidade.

Miro argumenta que o artigo 14 da Constituição, no seu parágrafo 10, "garante que não tomará posse o eleito contra quem haja provas de abuso de corrupção". Para o pedetista, "é o que basta".

Para Miro, "está a existência de trânsito em julgado de qualquer outra decisão judicial. Trata-se ação autônoma, de processamento próprio, para o qual são bastante as provas do ilícito, na acepção processual da expressão".

Não custa lembrar que Miro Teixeira já causou um terremoto em 2002, quando fez uma consulta ao TSE sobre a verticalização (a regra sobre a alianças eleitorais).

Pode até não dar em nada essa iniciativa do deputado Miro Teixeira. Mas é sempre bom que alguém coloque o dedo na ferida. Com a palavra, o TSE.

Por Fernando Rodrigues
22h04 - 16/07/2006

O drive político da semana (17 a 21 de julho)

segunda-feira (17.jul)
Segurança pública – é o tema da hora. Como afetará as campanhas, ninguém sabe.

CPI dos Sanguessugas – devem ser notificados mais 42 parlamentares acusados de envolvimento com o esquema de compra superfaturada de ambulâncias. Depois de serem notificados os acusados terão até 5 dias para apresentar suas defesas por escrito.

PresidenciáveisLula participa como convidado da reunião anual de cúpula do G8, o grupo das nações mais industrializadas do mundo, em São Petersburgo, na Rússia. Alckmin se encontra com o governador e candidato à reeleição Aécio Neves, em Montes Claros, Minas Gerais. Cristovam tem reunião com os candidatos federais do PDT-DF. Heloísa Helena estará em Florianópolis, Santa Catarina, em campanha de rua.

terça-feira (18.jul)
Economia – primeiro dia de reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

quarta-feira (19.jul)
Economia – segundo dia da reunião do Copom, ocasião em que será divulgada a nova taxa básica de juro. Lula pode ostentar a menor taxa nominal em décadas.

Alckmin – o comitê de campanha do tucano em Brasília será inaugurado. O imóvel foi cedido pelo senador Paulo Octávio (PFL-DF).

sexta-feira (21.jul)
Economia – sai o IGP-M (Índice Geral de Preços) da FGV, que mostrará a inflação nacional de junho.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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