A estratégia de Lula vai ser tentar
errar o mínimo possível na campanha
O slogan-refrão de campanha do PT é “Lula de novo, com a força do povo”. OK. Mas vale registrar o “povo” presente na convenção nacional petista, que acabou agora há pouco em Brasília: José Sarney, Edson Vidigal, Renan Calheiros, Martinez (PTB) entre outros –sem falar nos mensaleiros.
Não foi possível ter toda essa turma oficialmente no mesmo balaio. Não tem problema. A aliança é informal.
A estratégia de Lula neste início de campanha eleitoral pode ser resumida no seguinte: ele quer ficar literalmente onde está –tanto como presidente República como bem posicionado nas pesquisas. O petista e sua equipe sabem que subir nas preferências do eleitor será difícil, até porque as sondagens já apontam vitória no primeiro turno.
Dessa forma, a palavra de ordem é não errar. Lula acha que se valorizar a posse de bola, trocar passes com qualidade (para usar uma de suas metáforas futebolísticas), não terá problemas pela frente.
Não foi por outra razão –o medo de errar– que Lula optou por ler seu discurso de uma hora a partir de um teleprompter, como este blog previu ontem à noite. O equipamento é usado há muitos anos pelos políticos em países do Primeiro Mundo. Consiste de duas lâminas de vidro que são colocadas à frente da pessoa que vai falar. Assim, o político fica olhando para o público e lendo ao mesmo tempo.
Lula se submeteu a sessões de treinamento com a engenhoca. Hoje, mostrou que o adestramento foi eficaz. Ele se saiu muito bem. Citou dezenas de números e estatísticas de seu governo, sem ter de confiar na memória.
Os improvisos ficaram por conta das apresentações e da conversa que teve com as pessoas rebocadas para o palco por terem sido beneficiadas pelos programas sociais federais (aliás, cabe a pergunta: como o PT chegou a essas pessoas? Quem deu o cadastro do Bolsa Família para o PT? Se o PSDB pedir a lista dos beneficiários também vai receber?).
Ao apresentar José Sarney, Lula o classificou assim: “O que mais sabe ser ex-presidente da República”. Ou seja, indiretamente falou mal de FHC, Itamar e Collor. Esse é um exemplo do que pode acontecer com os improvisos do petista. Se os responsáveis pela campanha tiverem poder, devem obrigar o candidato a dizer até bom dia lendo um roteiro pré-definido.
Mais adiante, uma gafe emblemática em outro improviso. O presidente foi prolixo na hora dos elogios a Sarney ou até para citar Levy Fidelix (presidente do PRTB, o partido de Collor). Mas errou o nome do presidente da CUT. Bem, são outros tempos para Lula e para o PT, certo?
Para quem não ouviu, clique aqui para ouvir o jingle de pré-campanha de Lula.


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