O escândalo explodiu em 10 de maio passado. O STF decidiu que vai apurar os casos de 15 congressistas. Ótimo, mas a chance de haver cassações antes do final do mandato é mínima, pois o Congresso não está se mexendo. Aliás, por alguma razão que a razão desconhece, há segredo de Justiça e os nomes dos congressistas não serão conhecidos oficialmente...
O caso dos sanguessugas começou quando uma funcionária do Ministério da Saúde acusou mais de 200 congresistas de participar de um esquema de fraudes de concorrências para compras de ambulâncias.
O tempo foi passando, e o Congresso veio com um papo furadíssimo de que iria apurar, mas que o melhor era aguardar as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.
No dia 16 de maio, a PF apareceu no Congresso e entregou oficialmente um documento valioso. Era um CD-ROM com toda a contabilidade da empresa Planan, acusada de ser a fornecedora das ambulâncias e operadora da central das fraudes dos sanguessugas –o nome, “sanguessugas”, foi escolhido pela PF, que assim batizou a sua investigação.
O CD-ROM da Planan é verdadeiro, no sentido de que foi apreendido legalmente, com ordem judicial. Pode ter falhas? É possível. Mas é um fato mais do que eloqüente a lista com os nomes de congressistas que receberam propina. É muito explícito. Estão relacionadas as despesas de pagamento, com data, valores, nomes e sobrenomes dos envolvidos. Teve deputado com a cara-de-pau de pedir à Planan que pagasse até as prestações do seguro seu carro...
E o que fez o Congresso? Ora, não fez nada. Primeiro, enrolou. Os responsáveis principais pela pizza são os corregedores da Câmara (Ciro Nogueira) e do Senado (Romeu Tuma). No papel de ator coadjuvante está o deputado federal Robson Tuma (PFL-SP), o braço direito de Ciro Nogueira.
Essa turminha primeiro quis enganar a mídia. Nogueira e Tuminha diziam que era necessário analisar os dados. Mentira. Não havia nada a ser analisado. O livro-caixa da Planan era auto-explicativo. O que um Congresso decente deveria ter feito? Simples: ao receber os dados, imediatamente, no minuto seguinte abrir os processos para apurar se houve quebra de decoro em relação aos deputados relacionados na contabilidade da empresa das ambulâncias. Ninguém estaria sendo condenado a priori, por óbvio, mas a apuração já estaria queimando os necessários prazos dentro do Congresso.
Mesmo que tivessem aberto os processos imediatamente, Romeu Tuma e Ciro Nogueira sabiam que dificilmente haveria tempo nesta legislatura para cassar os sanguessugas. Esses casos precisam cumprir prazos regimentais. Este ano tem Copa do Mundo e eleições.
Mas Tuma e Nogueira não quiseram correr riscos. Ao não fazerem nada, conferem ainda mais segurança à previsão de quem ninguém, absolutamente ninguém será cassado nesses escândalo dos sanguessugas.
No dia 24 de maio, Tuma e Nogueira tiveram a ajuda de dois peso-pesados na operação de engavetamento dos crimes. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), concordaram em paralisar todas as apurações dentro do Congresso. Juntos (Renan, Aldo, Tuma e Nogueira) protagonizaram a “marcha do vamos lavar as mãos” e entregaram o material para a Procuradoria Geral da República.
Nada contra o Ministério Público investigar. Tudo a favor. Mas, não custa perguntar: quem vai cassar os deputados e os senadores? Resposta: ninguém, pois a quadra Renan, Aldo, Tuma e Nogueira está unida na sua sanha engavetadora.
Brassiiiiiil!