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Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

06h25 - 10/06/2006
 

Os blogs a caminho do
establishment nos EUA

Deu hoje no NYT (para leitores cadastrados). Uma descrição sobre um encontro de blogueiros de política nos EUA: "They may think of themselves as rebels, separate from mainstream politics and media. But by the end of a day on which the convention halls were shoulder to shoulder with bloggers, Democratic operatives, candidates and Washington reporters, it seemed that bloggers were well on the way to becoming — dare we say it? — part of the American political establishment".

A frase está numa reportagem sobre a "YearlyKos 2006 Convention", uma reunião de 3 dias com cerca 1.000 blogueiros (isso mesmo: mil blogueiros!) de todos os tipos em Las Vegas. O governador local apareceu, assim como muitos políticos de expressão nacional. Todos falaram mal da cobertura política da grande mídia a partir de Washignton. Enfim, o básico. Alguma semelhança com o Brasil? Se não tem similitude total, é só uma questão de tempo.

Por Fernando Rodrigues | Mídia
09h02 - 09/06/2006
 

Circulação dos maiores
jornais brasileiros em abril

César Maia divulgou hoje, no boletim do seu ex-blog, o número médio diário de exemplares vendidos dos principais jornais brasileiros no mês de abril, todos auditados pelo IVC. Vale a pena conhecer, sobretudo neste período pré-eleitoral.

Folha de SP: 296.754
Globo: 258.041
Extra: 226.175
Estado de SP: 215.001
Zero Hora: 158.168
Correio do Povo: 156.629
Diário Gaúcho: 152.770
Super Noticia: 137.663
Lance: 131.357
DIA: 119.591
Meia Hora: 111.719
Agora: 75.549
Gazeta: 70.800
JB: 64.826
Diário de SP: 64.114
Estado de Minas: 63.741
Jornal da Tarde: 59.440
Valor: 50.256
Correio Brasiliense: 49.354
Expresso: 35.122
A Tarde: 32.623
Diário da Tarde: 13.166

César Maia comenta: “Curiosidade: Jornais populares do Rio: 492.607. De S. Paulo: 199.103”.

Este blog faz outro comentário: a população brasileira, segundo o “populômetro” na página inicial do IBGE é de 186,4 milhões. Os eleitores são, aproximadamente, 122 milhões. E os jornais impressos, heim?

Por Fernando Rodrigues | Mídia
 

O drive do dia (9.jun.2006 - 6ª feira)

Verticalização, a batalha de Itararé – alívio para os partidos. A farra das alianças nos Estados está liberada. A partir de hoje, voltam a valer todas as negociações do início da semana –e mais o que pintar.

Alckmin – estará em Cascavel (PR), com a companhia do senador Álvaro Dias. Cascavel? Isso mesmo. Depois de Catanduva com Serra ontem (0,27% dos eleitores paulistas), só poderia vir Cascavel (2,5% do eleitorado paranaense). Bom, percentual por percentual, Álvaro Dias foi mais bondoso do que Serra.

Lula – estará no Rio para o lançamento de uma nova linha de financiamento do BNDES e da inauguração de duas escolas na cidade de Paracambi.

Varig – a Justiça deve decidir hoje se aceita a única proposta de compra feita no leilão de ontem, pelos trabalhadores da companhia.

E no fim de semana...

sábado (10.junho)
Alckmin e o PFL
– o tucano têm duplo encontro com o partido: primeiro participará da Convenção Estadual em São Paulo e, depois, de seminário em Belo Horizonte (MG).

PT paulista – o diretório petista faz sua convenção estadual para homologar o nome de Aloizio Mercadante como candidato do Palácio dos Bandeirantes. Mercadante –que hoje perde no primeiro turno para o tucano Serra– é a maior esperança de reação do PT em um Estado grande. No Rio e em Minas os postulantes petistas não têm chance.

domingo (11.junho)
PSDB  convenção nacional, em Belo Horizonte, para lançar Alckmin e formalizar a aliança com o PFL. A convenção regional mineira deve ser realizada em conjunto –e indicará Aécio Neves como candidato a governador pelo PSDB à reeleição.

Por Fernando Rodrigues
20h23 - 08/06/2006
 

TSE rivaliza com novela das oito

O TSE revogou sua própria decisão (por unanimidade) sobre a verticalização. Agora, volta a ficar tudo como foi em 2002.

Bom, vamos combinar: na terça-feira, os ministros do TSE não estavam informados da existência do tal conceito de segurança jurídica. Tomados por esse surto de amnésia, interpretaram a regra da verticalização de maneira pura, reta e completa.

No dia seguinte, depois de beberem no notório saber de José Agripino (PFL), Antonio Carlos Magalhães (PFL), Jorge Bornhausen (PFL), José Sarney (PMDB), Renan Calheiros e Rodrigo Maia (PFL) (todos estiveram no STF para reclamar), os ministros da mais alta corte eleitoral do país recobraram subitamente os seus conhecimentos sobre a legislação e o direito brasileiro.

Em 48 horas, inverteram um placar que foi de 6 a 1 na terça-feira para 7 a 0 na quinta-feira. Fantástico.

Nem na novela das oito, que já ressuscitou Bia Falcão, a coisa seria tão mirabolante assim.

Uma pergunta: o que garante que durante o processo eleitoral os ministros do TSE não poderão, novamente, serem acometidos desse surto de amnésia quando tiverem de decidir sobre alguma coisa?

Por Fernando Rodrigues
 

É ruim de qualquer jeito

Em certa medida, o eventual recuo sobre a verticalização hoje à noite será uma desmoralização razoável para o TSE – bem no início do processo eleitoral... Vai ser ruim para a democracia.

O episódio tem 2 hipóteses:

1) o tribunal recuou por causa da brutal pressão dos políticos. Algo inaceitável e que este blog custa a admitir, certo?

2) a decisão da terça-feira, que mexe com milhares de políticos pelo país inteiro, foi, de fato, tomada de maneira inconsistente. Louve-se a coragem de admitir um erro e recuar. Mas, em resumo, a mais alta corte eleitoral do país admitirá que tomou uma decisão (quase unânime, por 6 a1!!!) sem refletir devidamente a respeito no início da semana.

Sinceramente, não sei qual das duas hipóteses é a pior.

Por Fernando Rodrigues
 

Marco Aurélio recuará em 100% de sua
decisão sobre verticalização mais rígida

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Marco Aurélio Mello, decidiu recuar em 100% de sua opinião expressa na última terça-feira, quando defendeu uma aplicação mais rígida da norma conhecida como verticalização. Leia aqui a decisão de terça.

O ministro vai manifestar sua opinião revista hoje à noite, na sessão administrativa do TSE. Causará uma nova revolução no cenário eleitoral deste ano.

Marco Aurélio tem dito aos seus interlocutores que terá a coragem de "dar a mão à palmatória" após ter feito "uma análise equivocada de decisão anterior do Supremo Tribunal Federal".

Para entender a argumentação que Marco Aurélio apresentará aos seus colegas de TSE logo mais à noite é necessário recapitular o que se passou de 2002 para cá:

  • consulta do PDT (nº 715, de 2002) – o então líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ), formulou consulta ao TSE sobre como poderiam ser formadas as alianças nos Estados;
  • resolução do TSE (nº 21002, de 2002) – a resposta foi assim: "Os partidos políticos que ajustarem coligação para eleição de presidente da República não poderão formar coligações para eleição de governador de Estado ou do Distrito Federal, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital com outros partidos políticos que tenham, isoladamente ou em aliança diversa, lançado candidato à eleição presidencial.
  • Emenda constitucional nº 52 – o Congresso promulgou emenda constitucional em março deste ano (2006), derrubando a verticalização.
  • Adin no STF – o Supremo decide, após ser provocado por uma adin, que a emenda que derruba a verticalização não pode valer para a eleição de 1º de outubro de 2006 porque as leis eleitorais devem ser aprovadas, pelos menos, um antes do pleito.
  • Consulta do PL – o partido indaga ao TSE, em 6 de abril deste ano, se os partidos sem candidato a presidente poderiam fazer todos os tipos de alianças nos Estados, de maneira a serem aliados em um local e adversários em outro.
  • Resposta do TSE – em 6 de junho (última terça-feira), o TSE responde ao PL que não é permitida a farra das alianças nos Estados. Há um terremoto no mundo da política, pois no dia 10 de junho (Sábado) começam as convenções partidárias. Inicia-se uma romaria de políticos ao TSE, para tentar "sensibilizar" o tribunal.

Hoje, dia 8 de junho, o ministro Marco Aurélio Mello finaliza sua mudança de posição. Argumentará que a decisão de terça-feira foi tomada de maneira açodada, "de vapt-vupt", como tem dito, sem a correta interpretação do que falou o Supremo a respeito do tema. "O Supremo apenas disse que a emenda 52 não valeria para este ano, e que a regra seria a da interpretação do TSE de 2002", comentou o ministro com um interlocutor hoje de manhã.

Marco Aurélio espera que a votação de hoje à noite seja unânime. Não há segurança a respeito desse tipo de prognóstico, pois os 7 integrantes do TSE podem pensar de maneira diversa. Na terça-feira, a votação foi por 6 a 1 (Marco Aurélio liderou a posição vencedora).

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (8.jun.2006 - 5ª feira)

Mais verticalização – O TSE tem nova sessão hoje à noite. Analisa mais consultas sobre como devem ser as alianças sobre as coligações eleitorais. Pode ficar ainda mais ortodoxa a interpretação. Todos os políticos do Brasil estarão esperando o resultado como uma final de Copa do Mundo.

Lula e a seleção – candidatíssimo, petista participa de videoconferência com Parreira, Zagallo e Cafu. Antes do oba-oba futebolístico, encontra-se no Planalto com reitores das Universidades Federais e anuncia medidas na área de educação –sim, educação, a palavra-chave da campanha reeleitoral.

PFL em transe – sem saber se sai ou se fica na aliança com o PSDB, a Executiva Nacional do PFL tem reunião para adiar convenção nacional do dia 14 próximo para o dia 21.
É a velha regra que os pefelistas aprenderam com d. João 6º: “Se não sabes o que fazer, não faças nada”...

A “dupla” Alckmin e Serra – finalmente, José Serra vai ajudar Alckmin no Estado de São Paulo. Vão ao Largo 13, em São Paulo? Não. Vão ao centro de São Paulo? Não. Vão á uma grande cidade? Nããão!!
Onde estará então essa dupla, na sua primeira aparição pública? Resposta: Em Catanduva (74 mil eleitores ou 0,27% do Estado).
Não é nada não é nada... não é nada mesmo.

Celso Daniel – cinco testemunhas, entre elas o senador Romeu Tuma (PFL-SP), depõem sobre o assassinato do ex-prefeito de Santo André para promotores em São Paulo.
Não vai dar em nada, certo?

CPI dos Bingos – leitura do relatório final às 11h. O relator, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), afirmou que irá pedir o indiciamento de pelo menos 70 pessoas. A ver, a ver.
O difícil vai ser votar o relatório...

CPI dos Sanguessugas – na reunião de ontem com Renan Calheiros e Aldo Rebelo as lideranças partidárias aprovaram a criação da CPI. A comissão terá de ser relâmpago: dura só 30 dias prorrogáveis pelo mesmo período.
Vamos aguardar.

Varig – salvo novas decisões da Justiça, é hoje o leilão da companhia aérea.

Por Fernando Rodrigues
12h53 - 07/06/2006
 

Decisão da Justiça Federal ressuscita Garotinho

A Justiça Federal de Brasília acaba de conceder liminar (decisão provisória) que garante a realização de um convenção nacional do PMDB, neste domingo, dia 11, em Brasília. Esse encontro foi convocado pelos aliados do ex-governador fluminense Anthony Garotinho que, a partir de agora, volta a ser um candidato com grandes chances de oficializar sua postulação.

 
A candidatura de Garotinhho estava praticamente morta, mas a liminar de hoje da Justiça Federal, somada à nova interpretação do TSE sobre a verticalização, acabou ressucitando o político do Rio de Janeiro.
 
Como se não bastasse, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), principal aliado de Garotinho no Congresso, fez hoje de manhã uma nova consulta ao TSE. Ele indaga como deve ser a regra de coligações estaduais entre partidos que não têm candidato a presidente. Sua pergunta é a seguinte: "Podem se ter coligações diferentes em vários Estados com partidos que não tenham, isoladamente ou através de coligação, candidato a presidente? Exemplo: no Rio de Janeiro, o partido A, que não tem candidato a presidente, isoladamente ou através de coligação, se coliga com o partido B em situação idêntica [para a disputa do governo estadual fluminense], e em São Paulo, o partido A se coliga com o partido C, que também não tem candidato a presidente, isoladamente ou através de coligação, sendo que este partido C, no Rio de Janeiro, que coligou com o partido D, que também não tem candidato a presidente, isoladamente ou através de coligação".
 
Este blog ouviu ontem do ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE, que a tendência é, para esse tipo de consulta, dizer que as coligações nos Estados devem ser todas idênticas.

Por Fernando Rodrigues
 

A invasão do Congresso

Coluna de hoje na Folha:

FERNANDO RODRIGUES

A identidade dos vândalos

BRASÍLIA - A primeira observação sobre a invasão de ontem da Câmara é a respeito do ineficaz sistema de segurança do Poder Legislativo. Basta vestir terno e gravata, olhar para cima e qualquer um entra ali. Ninguém é importunado. É assim há décadas. Talvez esse seja outro traço da "cordialidade" brasileira tão bem descrita por Sérgio Buarque de Holanda.

É bom que não existam muros intransponíveis separando o Legislativo da população. O problema agora é de outra ordem. A degradação dos valores do Congresso -com seus bingueiros, mensaleiros e sanguessugas- parece ter colocado no chão o natural respeito mínimo que se deve ter pela instituição.

Os dirigentes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) alegaram que não tinham a intenção de invadir o Congresso. Difícil saber se falam a verdade. O fato é que todos desceram dos ônibus enfurecidos. Avançaram com paus e pedras. Foi uma das mais violentas manifestações que se tem notícia dentro das dependências do Congresso.

O estouro de uma boiada, sabe-se, ocorre por motivos variados. A baixa credibilidade do Congresso não é um fator desprezível nessas horas. Qual reverência deve ter um manifestante pelo Congresso quando sabe que deputado atrás de deputado é absolvido depois de ter sido flagrado recebendo dinheiro de maneira criminosa? O escândalo dos sanguessugas completa um mês no sábado. Câmara e Senado não se mexeram para punir os responsáveis.

Nada justifica, por certo, a violenta ação do MLST. Mas a impunidade generalizada no Congresso torna tudo confuso. Não se sabe ao certo quem é mais vândalo -se os que promovem o quebra-quebra ou os deputados e os senadores que absolvem seus colegas criminosos.

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (7.jun.2006 - 4ª feira)

TSE muda tudo – a interpretação mais dura da verticalização é um verdadeiro terremoto nas alianças que estavam sendo montadas nos 26 Estados e no Distrito Federal. A nova regra, na avaliação deste blog, favorecerá aos partidos que têm candidato próprio a presidente e que desejam atrair apoios formais ao seu projeto. É o assunto do mundinho político. Mais análises serão postadas ao longo do dia.

PMDB e Lula - no final da manhã, Executiva do PMDB tem reunião para ver o que faz com a tal convenção marcada para o dia 11, domingo. De noite, na Granja do Torto, Lula recebe os peemedebistas que são contra a candidatura própria a presidente para "negociar a relação" nas eleições de outubro e além. Com a nova interpretação do TSE, essas dicussões todas ficam comprometidas. Muitos ainda não terão entendido completamente o cenário. Nem terá havido tempo para saber como ficam as alianças em todos os Estados.

Tucanos na TV – o PSDB finaliza hoje seus comerciais nacionais de 30 segundos e de 1 minuto que vão ao ar a partir de amanhã (estarão no ar dias 8, 13, 20, 27, 29). Certamente, vão explorar as imagens de vandalismo do MLST no Congresso, tendo como um dos líderes Bruno Maranhão, da Comissão Executiva Nacional do PT. No dia 22, os tucanos colocam no ar o seu programa longo, de 20 minutos.

PFL na TV – os peflistas também finalizam seu programa partidário, que vai ao ar dia 15. As imagens de ontem devem entrar no cardápio.

Roberto Jefferson na TV – o PTB tem hoje e sábado um restinho de tempo na TV para veicular seus comerciais nacionais de 30 segundos e de 1 minuto. Roberto Jefferson vai aparecer?

Daniel Dantas – o banqueiro do grupo Opportunity depõe na Comissão de Justiça do Senado. Ele foi convocado para explicar uma suposta tentativa do PT de cobrar "dezenas de milhões de dólares" do banco em 2002 e 2003 e sobre a confecção uma lista de contas bancarias abertas no exterior e atribuídas a autoridades da República.

CPI dos Bingos – a leitura do relatório ficou para amanhã, por causa do depoimento de Daniel Dantas na CCJ do Senado. Palpite do blog: essa CPI anda meio flopada...

Invasão e Câmara parada – o episódio de invasão e destruição da Câmara deve atrasar ainda mais as votações. Aldo manteve as sessões pela manhã, tarde e noite para votar as MPs que deveriam ter sido apreciadas ontem.

Renan X Sanguessugas – o presidente do Senado marcou reunião com os líderes para decidir se instala ou não a "CPI dos Sanguessugas". O encontro está marcado para as 11h.

Lula – recebe os líderes da base aliada da Câmara e envia ao Congresso Nacional o projeto de lei para criação do fundo setorial do audiovisual.

Por Fernando Rodrigues
22h30 - 06/06/2006
 

TSE muda engenharia de alianças eleitorais

É brutal o efeito da decisão desta terça-feira (6 de junho) à noite do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre como deve ser obedecida a verticalização. Basicamente, o que foi decidido foi o seguinte:

Alianças nacionais terão de ser inteiramente respeitadas nos Estados.

O TSE deliberou e respondeu a uma consulta formulada pelo PL: “Considerando-se que um determinado partido A coligue-se com o partido B em plano nacional, pergunta-se: num cenário estadual, levando-se em conta que o partido A tenha candidato próprio ao governo do estado, e o partido B não possui candidato próprio nesse estado, poderá o partido B celebrar coligações com o partido C, que não compôs a coligação de nível nacional, nem se coligou com qualquer outro partido na esfera nacional?".

A resposta do TSE foi não, por uma votação de 6 a 1. Ou seja, não tem chance de ser alterada.

Na prática, fica assim:

1) partidos com candidato a presidente – essas siglas terão nos Estados que repetir exatamente a mesma coligação realizada no plano federal.
Por exemplo, digamos que Lula (PT) e José Alencar (PRB) sejam candidatos a presidente e a vice-presidente, repetindo a chapa de 2002. No Rio de Janeiro, não será mais possível, segundo interpretação a este blog do presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, que esses dois partidos lancem candidatos separados ao governo fluminense como estavam planejando –Vladimir Palmeira (PT) e Marcelo Crivela (PRB)– aliando-se cada um a siglas diferentes (mesmos que essas agremiações adicionais não tenham candidatos ao Planalto).
Segundo Marco Aurélio Mello, a rigidez será ainda maior (embora isso não tenha sido explicitado na decisão de agora há pouco). Para o presidente do TSE, a verticalização pura não permitirá sequer que Marcelo Crivela e Vladimir Palmeira sejam candidatos separados ao governo fluminense, mesmo não se coligando a ninguém. “A razão de ser da verticalização é uma pureza maior quanto à coligação”, diz Marco Aurélio.

2) partidos sem candidato a presidente – essas siglas só poderão lançar nos Estados candidatos sozinhos ou em coligação com outras legendas que também não tenham candidato a presidente.
Ou seja, o PMDB estava (e está) querendo ficar de fora da disputa pelo Palácio do Planalto para fazer todo tipo de aliança nos Estados. Não poderá mais seguir essa trilha de maneira tranqüila.
Por exemplo, em Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) quer ser candidato ao Senado apoiando Mendonça Filho (PFL) para o governo. Se o PFL ficar mesmo aliado ao PSDB (José Jorge como vice de Geraldo Alckmin), nada feito para o acerto pernambucano entre Jarbas e Mendonça Filho.

“Tivemos de tomar essa decisão, porque de outra forma a verticalização seria pela metade. Uma ficção. Ou é verticalização completa ou não é verticalização”, diz o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello. O ministro faz também outro alerta que ainda não foi oficializado pelo tribunal: os casos de alianças diferentes entre partidos sem candidatos a presidente nos diversos Estados.

Marco Aurélio cita um exemplo: os partidos A, B e C que não têm candidato a presidente. Digamos que, em São Paulo, A resolva se aliar a B para o governo estadual. Mas, no Rio, B esteja aliado a C. “É uma horizontalidade que não está em linha com o que o Supremo Tribunal Federal decidiu sobre a verticalização”, explica o ministro. Se algum partido fizer uma consulta a respeito, há chances reais de essas coligações variadas também serem vetadas.

Vai ser uma revolução nas convenções nacionais e estaduais de todos os partidos, cujo prazo para decidir sobre candidaturas vai de 10 a 30 de junho.

Por Fernando Rodrigues
 

Eles depredaram e a direção deles é do PT

Acabo de chegar do Congresso. Assisti a uma parte razoável da invasão do local e do vandalismo protagonizados pelos integrantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST).

Quando a coisa começou a se acalmar, fiz uma pergunta a Bruno Maranhão, um dos dirigentes nacionais do MLST. Estávamos a essa altura já no gramado em frente ao Congresso. "Você é da Direção Nacional do PT?", perguntei. "Sou. E vou ligar para o Berzoini agora", respondeu Bruno, caminhando e acionando o seu telefone. Não deu para ouvir se falou e nem o que teria falado ele com o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini. Pouco depois, Bruno foi preso. Para ver o nome de Bruno como integrante da cúpula petista, representando Pernambuco, clique aqui.

Outro dirigente da coordenação nacional do MSLT, Valmir Macedo, diz não ser do PT, mas deixa claro suas preferências: "Defendo este governo. Não é o ideal, mas é melhor que os anteriores".

O PT divulgou uma nota condenando a ação do MSLT. Tudo bem. Mas é fascinante o momento a que chega o país, a menos de 4 meses da eleição. O PT é favorito para continuar no Planalto, só que são integrantes do próprio PT que fazem oposição às instituições sobre as quais o PT tem o domínio.

O Brasil é um país curioso, mas está atingindo o paroxismo nos últimos tempos.

Por Fernando Rodrigues
 

Sanguessugas: escândalo tem quase 1 mês e
o Congresso continua engavetando os crimes

O escândalo explodiu em 10 de maio passado. O STF decidiu que vai apurar os casos de 15 congressistas. Ótimo, mas a chance de haver cassações antes do final do mandato é mínima, pois o Congresso não está se mexendo. Aliás, por alguma razão que a razão desconhece, há segredo de Justiça e os nomes dos congressistas não serão conhecidos oficialmente...

O caso dos sanguessugas começou quando uma funcionária do Ministério da Saúde acusou mais de 200 congresistas de participar de um esquema de fraudes de concorrências para compras de ambulâncias.

O tempo foi passando, e o Congresso veio com um papo furadíssimo de que iria apurar, mas que o melhor era aguardar as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

No dia 16 de maio, a PF apareceu no Congresso e entregou oficialmente um documento valioso. Era um CD-ROM com toda a contabilidade da empresa Planan, acusada de ser a fornecedora das ambulâncias e operadora da central das fraudes dos sanguessugas –o nome, “sanguessugas”, foi escolhido pela PF, que assim batizou a sua investigação.

O CD-ROM da Planan é verdadeiro, no sentido de que foi apreendido legalmente, com ordem judicial. Pode ter falhas? É possível. Mas é um fato mais do que eloqüente a lista com os nomes de congressistas que receberam propina. É muito explícito. Estão relacionadas as despesas de pagamento, com data, valores, nomes e sobrenomes dos envolvidos. Teve deputado com a cara-de-pau de pedir à Planan que pagasse até as prestações do seguro seu carro...

E o que fez o Congresso? Ora, não fez nada. Primeiro, enrolou. Os responsáveis principais pela pizza são os corregedores da Câmara (Ciro Nogueira) e do Senado (Romeu Tuma). No papel de ator coadjuvante está o deputado federal Robson Tuma (PFL-SP), o braço direito de Ciro Nogueira.

Essa turminha primeiro quis enganar a mídia. Nogueira e Tuminha diziam que era necessário analisar os dados. Mentira. Não havia nada a ser analisado. O livro-caixa da Planan era auto-explicativo. O que um Congresso decente deveria ter feito? Simples: ao receber os dados, imediatamente, no minuto seguinte abrir os processos para apurar se houve quebra de decoro em relação aos deputados relacionados na contabilidade da empresa das ambulâncias. Ninguém estaria sendo condenado a priori, por óbvio, mas a apuração já estaria queimando os necessários prazos dentro do Congresso.

Mesmo que tivessem aberto os processos imediatamente, Romeu Tuma e Ciro Nogueira sabiam que dificilmente haveria tempo nesta legislatura para cassar os sanguessugas. Esses casos precisam cumprir prazos regimentais. Este ano tem Copa do Mundo e eleições.

Mas Tuma e Nogueira não quiseram correr riscos. Ao não fazerem nada, conferem ainda mais segurança à previsão de quem ninguém, absolutamente ninguém será cassado nesses escândalo dos sanguessugas.

No dia 24 de maio, Tuma e Nogueira tiveram a ajuda de dois peso-pesados na operação de engavetamento dos crimes. Os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), concordaram em paralisar todas as apurações dentro do Congresso. Juntos (Renan, Aldo, Tuma e Nogueira) protagonizaram a “marcha do vamos lavar as mãos” e entregaram o material para a Procuradoria Geral da República.

Nada contra o Ministério Público investigar. Tudo a favor. Mas, não custa perguntar: quem vai cassar os deputados e os senadores? Resposta: ninguém, pois a quadra Renan, Aldo, Tuma e Nogueira está unida na sua sanha engavetadora.

Brassiiiiiil!

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (6.jun.2006 - 3ª feira)

Janene – relatório do caso do deputado lido no Conselho de Ética.

Lula no Ceará – o presidente desembarca no estado para anunciar o início das obras de construção da Ferrovia Transnordestina.

Congresso parado – deputados e senadores tentarão correr nesta semana. Na Câmara, esforço para votar MPs (inclusive a que reajusta o salário mínimo para R$ 350). Semana que vem, a chance de ficar tudo parado é enorme: terça-feira tem jogo do Brasil. Quinta-feira é feriado...

CPI dos Bingos – sessão administrativa. Amanhã, leitura do relatório final. O final pode ser melancólico, sem a votação do texto...

PMDB – agora é oficial: o partido está fora da aliança com Lula. Em Porto Alegre (RS), às 17h, o senador Pedro Simon marcou uma declaração pública... Tem cheiro de desistência no ar.

E os sanguessugas, heim? – o escândalo vai sendo esquecido e os pizzaiolos do Congresso não fazem nada, claro. Para registro histórico: os principais responsáveis pelo engavetamento são os corregedores da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), e do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP).

Por Fernando Rodrigues
07h30 - 05/06/2006
 

O drive político da semana (5 a 11 de junho)

segunda-feira (5.junho)
CUT – começa o 9º Congresso da central sindical. Vai até sexta-feira.

Lula X OAB – a entidade deve entregar o pedido de notícia-crime contra o presidente ao Ministério Público, para que este aprofunde as investigações sobre o suposto envolvimento de Lula no escândalo do mensalão.

Alckmin e as CPIs  – o STF pode julgar nos próximos dias uma ação que irá "desenterrar" os mais de 65 pedidos de CPIs na Assembléia Legislativa de São Paulo. O ministro Eros Grau é quem examina a Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), feita pelo PT, que tenta modificar o regulamento para abertura das comissões de inquérito no parlamento paulista.

terça-feira (6.junho)
Janene – relatório sobre o deputado deve ser lido no Conselho de Ética.

Lula no Ceará – presidente desembarca no Estado e anuncia obra ferroviária.

Votações na Câmara – Aldo Rebelo quer acelerar trabalhos na Câmara. Marcou sessões pela manhã, tarde e noite desta terça e quarta-feira. Semana que vem será impossível, por causa da Copa do Mundo...

quarta-feira (7.junho)
9º Congresso da CUT – o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deve participar de  debate sobre a política internacional do governo Lula.

Tucanos na TV – o PSDB começa a veicular a propaganda partidária a que tem direito neste mês.

CPI dos Bingos – leitura do relatório final. O relator, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), deve pedir o indiciamento de 50 pessoas, entre elas o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

quinta-feira (8.junho)
Varig – salvo novas decisões da Justiça, realização do leilão da companhia aérea.

sexta-feira (9.junho)
Copa do Mundo – começa hoje. "Quadrado mágico" etc. A política vai para o segundo plano de vez...

domingo (11.junho)
PSDB  convenção nacional, em Belo Horizonte, e lançamento do programa de governo de Alckmin.

PMDB – a guerra entre governistas e oposicionistas resultou em nova data para a convenção nacional do partido que, a princípio, será no mesmo dia do PSDB. Difícil...

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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