● Agência Link, de Edson Barbosa, fará o marketing petista neste 1º semestre
● Na TV, locutor perguntará se o Brasil está melhor com Lula ou com o "PSDB de Fernando Henrique e Alckmin"
O contra-ataque do PT e de Lula virá na semana que vem, em rede nacional de rádio e TV. O partido usará seus 30 comerciais de 30 segundos na semana que vem (dias 18, 20 e 22) para exaltar a administração federal petista e o presidente da República.
Um dos comerciais terá uma mulher narrando, de maneira emocionada, os feitos do governo nos últimos três anos. Concluirá dizendo: "Nunca em toda a história do Brasil um presidente da República tratou os mais humildes dessa maneira. É por isso que Lula é o meu presidente. E nele eu confio". A cena é cortada e entra na tela uma estrela do PT, pulsando.
Outro dos spots de 30 segundos fará uma comparação explícita entre Lula e o governo anterior. "Quem fez mais pelo Brasil? O PT de Lula ou o PSDB de FHC e Alckmin?". É uma estratégia arriscada: o PT ajudará a tornar nacional o nome do adversário de Lula na eleição de outubro, o tucano Geraldo Alckmin.
Os comerciais já foram testados em algumas praças onde o PT tinha tempo reservado para sua propaganda local. Um desses Estados foi o Pará. Com poucas alterações os spots serão usados para ocupar o tempo nacional a que a sigla tem acesso.
Partidos grandes (os que conseguem mais de 5% dos votos para deputado federal em todo o país) têm direito a fazer propaganda partidária em rádio e TV semestralmente. Em anos eleitorais, apenas no primeiro semestre, pois no segundo há o horário eleitoral.
Siglas como o PT e o PSDB têm direito ao seguinte a cada semestre (sempre no horário nobre das emissoras de rádio e de TV):
►1 programa de 20 minutos em rede nacional;
► 40 minutos para usar em spots de 30 segundos ou de 1 minuto cada em rede nacional;
► 27 programas de 20 minutos em redes estaduais (um em cada unidade da Federação);
► 40 minutos para usar em spots de 30 segundos ou de 1 minuto cada em redes estaduais (40 minutos em cada unidade da Federação).
Esse tempo cedido compulsoriamente pelas emissoras de rádio e TV é pago pelos contribuintes brasileiros. É que as empresas de comunicação têm direito de abater da sua base de cálculo do Imposto de Renda aquilo que deixam de ganhar com a cessão dos minutos aos partidos políticos.
O PT queimará 15 minutos do tempo a que tem direito na semana que vem, em 3 dias, com dez comerciais por dia. Deixará outros 25 minutos estrategicamente reservados para os dias 2, 4, 6, 9 e 11 de maio.
O programa de 20 minutos em rede nacional (das 20h30 às 20h50) está agendado para ir ao ar em 25 de maio.
Nova agência
Para produzir todos esses comerciais e o programa mais longo o PT nacional acaba de fechar um contrato com uma nova agência de publicidade: a Link Comunicação, do marqueteiro Edson Barbosa, 48 anos. O valor do contrato não foi divulgado pelas partes.
Edinho, como é conhecido pelos amigos, vem dando assessoria apenas informal à direção do PT desde setembro, quando a sigla se viu obrigada a buscar outro marqueteiro –Duda Mendonça ficou inviabilizado por causa de seu envolvimento com o chamado valerioduto. Duda admitiu espontaneamente na CPI dos Correios, em 11 de agosto do ano passado, que recebera cerca de R$ 10 milhões no exterior, de maneira ilegal, por serviços prestados ao PT na campanha de 2002.
O próprio Edson Barbosa também foi citado durante a atual crise política, pois sua agência é uma das licitadas para atender aos Correios, a empresa que deu origem a todas as acusações sobre uso de dinheiro público para compra de apoio político no Congresso.
A Link tem sido questionada pelo TCU a dar explicações sobre as despesas realizadas nos Correios, mas até agora nada está provado sobre irregularidades nos negócios da agência com a estatal.
Edson Barbosa tem uma relação direta com o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele também tem fala com Tarso Genro, o petista que agora ocupa o cargo de articulador político de Lula.
Embora tenha feito publicidade para Waldir Pires (1986), Miguel Arraes (1998), Juracy Magalhães (2000) e Nelson Pellegrino (2004), a campanha de maior impacto realizada por Edson Barbosa até hoje foi fora do Brasil. Ele trabalhou de 1997 a 2003 em Angola para o presidente da República daquele país, José Eduardo dos Santos. Fez campanhas institucionais para consolidar a governabilidade, pois Angola passava por uma guerra civil.
Aqui, ao assumir a conta do PT, Edinho não enfrentará uma guerra civil contra o governo. Mas, convenhamos, o ambiente não é dos melhores. Sua experiência na conflagrada Angola lhe será da maior utilidade.