A pesquisa Datafolha deste fim de semana emite 3 sinais sinal claros para esta fase inicial de campanha: 1) Lula não cai se depender das acusações de corrupção; 2) Alckmin não sobe só com o discurso de bom-moço-síndico-de-prédio-eficiente; 3) Garotinho será um osso duro de roer para a cúpula governista-lulista do PMDB.
No que mais importa para a oposição: não adianta ficar atacando o governo federal apenas no plano ético e moral. O discurso recheado de acusações de corrupção não está pegando contra Lula. PSDB e PFL parecem ainda não terem percebido que o problema é o mensageiro, não a mensagem. Pefelistas e tucanos acusarem o PT de falta de cuidado com a ética tem sido pouco para os eleitores. É evidente que existe gente de bem e todos os partidos, mas a imagem de PSDB e PFL nos anos anteriores ao governo Lula não foi, vamos concordar, a melhor possível no plano federal.
Ainda é cedo, mas só se fala em uma coisa nas hostes tucanas: se até o final de maio Alckmin não decolar para valer, ficará insuportável a pressão para que José Serra troque a candidatura ao governo paulista pela disputa ao Palácio do Planalto.
Para quem não leu a pesquisa, o resultado é o seguinte, já comparando com o levantamento anterior:
16-17.mar 6-7.abr
Lula 42% 40%
Alckmin 23% 20%
Garotinho 12% 15%
Heloísa 6% 5%
Enéas - 3%
Rob.Freire 3% 1%
Eymael 0% 1%
B/N/N.S. 13% 15%
É evidente que já houve tempo suficiente para que o caseirogate e os efeitos da pizza da não-cassação de mensaleiros atingissem Lula. Só que o petista simplesmente oscilou dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 2 pontos percentuais. Ficou no mesmo lugar.
Há meses os partidos de oposição gastam seus minutos na TV para dizer que o governo de Lula é incompetente e corrupto. Mais corrupto do que incompetente. O PFL fez aquele comercial das peças de dominó desenhadas com as caras de petistas caindo, um a um (aliás, essa propaganda é de uma indigência intelectual de dar dó). Com todo esse arsenal mirando para o Palácio do Planalto, a imagem de Lula saiu quase sem nenhum arranhão.
Já Geraldo Alckmin está no noticiário há tempos como o candidato tucano a presidente. Não pode reclamar de que não tenha mídia. E, por incrível que pareça, caiu na pesquisa.
A propósito, será necessário analisar muito bem a pesquisa divulgada pelo Ibope há poucos dias, na qual Alckmin disparava em São Paulo. Tomando-se como fato esse dado, é possível que a queda do tucano então tenha sido mais dramática no restante do país (os 3 pontos de queda nacional poderiam ter sido muito mais, mas ficou só nisso porque talvez tenha ocorrido uma compensação pela melhora em território paulista).
No caso de Anthony Garotinho, o fenômeno ainda precisa ser mais bem explicado. O pré-candidato do PMDB vem sofrendo ataques especulativos de todos os lados. Orestes Quércia lançou Itamar Franco para presidente. Na cúpula peemedebista, todos tramam para derrubar Garotinho. Nos telejornais, o ex-governador do Rio é sempre apresentado como um azarão, que pode nem ser candidato. Em meio a todo esse clima ruim, ele avançou 3 pontos, quase encostando no tucano Alckmin.
Ficará cada vez mais difícil para a cúpula do PMDB derrubar a candidatura de Garotinho. A lógica manda acreditar que a sigla acabará sem candidato. Mas com a evolução do ex-governador do Rio nas pesquisas, o osso será duríssimo para ser roído.
Em tempo: sem Garotinho, fica enorme a chance de a eleição terminar no 1º turno. Hoje, daria Lula.
Segundo turno
Pouca novidade. Lula continua a ganhar de todos:
Lula 52% X 37% Alckmin
Lula 54% X 32% Garotinho