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Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

16h21 - 18/03/2006
 

Só daqui a 2 meses será possível
conhecer potencial real de tucano

Lula ficou no mesmo lugar (saiu de 43% para 42%, uma oscilação desprezível, dentro da margem de erro). Geraldo Alckmin subiu de 17% para 23%. Uma substancial alta real. Mas, por enquanto, o petista continua a vencer o páreo no primeiro turno (até porque os nanicos incluídos pelo Datafolha não serão candidatos, i.e. Cristovam Buarque e Ronerto Freire; aliás, é até possível que Heloísa Helena desista de postular o Planalto). Quando a soma de todos os adversários de Lula dá menos do que o percentual do petista, acaba a eleição.

Garotinho variou de 11% para 12%.

Pára por aí o que pode ser dito de mais relevante sobre a pesquisa Datafolha que acaba de ser divulgada.

O potencial real do candidato tucano só poderá ser aferido com alguma precisão daqui a dois meses, lá para o final de maio. Nessa época, já haverá passado tempo suficiente para que Alckmin tenha sido testado em várias pesquisas. Seu nome também começará agora a freqüentar o noticiário nacional com mais assiduidade.

Por enquanto, o quadro está quase inalterado. Lula ainda venceria a eleição se o pleito ocorresse agora (atenção: a eleição é só em 1º de outubro). Não convém ainda fazer previsões peremptórias. Como diria o conselheiro Acácio, o problema do vaticínio é que depende do futuro.

A respeito de Alckmin, os 6 pontos que agregou podem ser vistos de duas formas.

Primeiro, ele de fato caminhou para frente nas pesquisas.

Segundo, o nome do tucano ficou vigorosamente no noticiário, por vários dias, antes da pesquisa Datafolha. Não há eleitor do PSDB no Brasil que não tenha sido informado sobre a candidatura do governador paulista –e da desistência/derrota do prefeito de São Paulo, José Serra. Nesse caso, estranho seria se Alckmin não tivesse obtido nenhum ponto extra agora.

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Atenção aficionados em pesquisas e numeromaníacos em geral: os seus problemas acabaram!

Este blog está no ar há pouco tempo, mas a página do blogueiro já é velha –existe desde o ano 2000. No link “Pesquisas”, aí no menu do lado esquerdo da sua tela, é possível ver levantamentos eleitorais desde 2000 –só para assinantes do UOL; sorry ;).

Para este ano, a página está coletando as pesquisas disponíveis. Não há muitas, mas já é possível visualizar levantamentos sobre a eleição presidencial e nas seguintes localidades: Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

Por Fernando Rodrigues
22h03 - 17/03/2006
 

Nildo suspeita de vazamento da PF

O caseiro Nildo sugere que Polícia Federal tenha vazado dados de seu sigilo bancário para a mídia.

Francenildo dos Santos Costa está sob a proteção da PF. A PF, como se sabe, é da seara de Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça de Lula e um dos principais articuladores das estratégias para abafar o caso do mensalão.

Quando foi até a PF, Nildo diz se recordar de ter fornecido ao delegado dados como o número da identidade, CPF e até o cartão de sua conta bancária. Acha que depois de dar essas informações a porta ficou aberta para que alguém tenha bisbilhotado em sua conta bancária.

A revista "Época", que deu o furo, não vai revelar a fonte dos dados bancários de Nildo. Fica o suspense. Aliás, Nildo contesta o valor de R$ 38,8 mil. Diz que o montante correto seria de R$ 24.990.

Os depósitos foram assumidos por Euripedes Soares da Silva, empresário do Piauí, que seria o pai de Nildo.

O que é certo até aqui, além da esquisitice da história, é que alguém infringiu a lei para ter acesso a tais informações, pois até o momento não há notícia de que os sigilos de Nildo tenham sido quebrados por ordem das CPIs nem da Justiça.

Se o governo acusava a oposição de se meter em assuntos da vida pessoal de Palocci, o que dizer agora sobre a vida pessoal de Nildo?

Por Fernando Rodrigues
 

O caseiro Nildo recebeu R$ 38,8 mil

O caseiro Nildo recebeu uma bolada de R$ 38.860,00 desde o início do ano, segundo informam os repórteres Gustavo Krieger e Andrei Meirelles, do blog de política da revista Época.

Segundo o blog, "O caseiro Francenildo dos Santos Costa, que ganhou fama ao aparecer na CPI dos Bingos esta semana acusando o ministro Antonio Palocci de freqüentar a “casa do lobby”, montada por lobistas de Ribeirão Preto pode ser um trabalhador humilde, como foi descrito diversas vezes, mas está longe de passar por dificuldades financeiras".

Um conjunto de extratos de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal em nome de Nildo (número 1048-8, agência do Lago Sul, próxima à casa onde ele trabalha e mora) mostra depósitos de R$ 38.860,00. Tudo foi “depósitos em dinheiro”. Nildo reconhece os depósitos. De acordo com o caseiro, eles foram resultado de uma doação familiar.

Eis mais um trecho do post de Krieger e Meirelles: "A reportagem de Época entrou em contato com o advogado Wlício Chaveiro Nascimento, que representa o caseiro. Ele levou um susto. “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça”. Quinze minutos depois, o advogado telefonou para a redação. De acordo com ele, Francenildo reconheceu os depósitos, mas disse que o dinheiro veio de seu pai. “Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina. O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”, disse o advogado".

Muito esquisita essa história. É água no moinho do governo para tentar desqualificar o depoimento do caseiro. E para tentar segurar Palocci.

Nesses casos, a verdade muitas vezes (infelizmente) é o que menos importa. Há uma disputa política entre governo e oposição. Se o governo conseguir colocar em dúvida a credibilidade da principal testemunha da oposição, dá uma bagunçada no jogo.

Por Fernando Rodrigues
 

15 diretórios do PMDB querem fazer
prévias mesmo que a Justiça proíba

...e outros 12 não querem prévias de jeito nenhum

Guerra é guerra. Pelo menos 15 diretórios estaduais do PMDB já disseram para o presidente nacional da sigla, deputado Michel Temer (PMDB-SP), que vão realizar prévias para escolha do candidato a presidente mesmo que a liminar impedindo o processo não seja derrubada neste fim de semana. Essa é a informação do final do dia. No meio da tarde, eram apenas 5 os revoltosos.

Os Estados que devem desafiar a decisão judicial são os seguintes, segundo a ala oposicionista do PMDB: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Pernambuco, Mato Grosso, Tocantins, Rondônia e Acre.

Mesmo que o processo não tenha validade jurídica, será uma demonstração de força política.

“Nós no Paraná estamos acostumados a enfrentar decisões judiciais absurdas”, disse secretário-geral do PMDB no Paraná, Luiz Claudio Romanelli. O PMDB paranaense é controlado pelo governador Roberto Requião.

Nesta tarde de sexta-feira, Michel Temer teve inúmeras conversas com os defensores das prévias e com advogados para recorrer da decisão do STJ que suspendeu o processo de consulta. O problema é que o responsável pela decisão foi o ministro Edson Vidigal, presidente do STJ e amigo do peito de José Sarney (contrário às prévias). Vidigal pretende deixar o STJ até o final do mês para se candidatar ao governo do Maranhão, numa possível aliança com o PT (o partido de Lula também torce para que o PMDB não faça prévias, pois quantos menos candidatos a presidente, mais fácil fica a reeleição).

Do outro lado, dos que são contrários às prévias, 12 Estados dizem que seus diretórios do PMDB não abrirão as portas: Pará, Piauí, Ceará, Bahia, Alagoas, Maranhão, Distrito Federal, Tocantins, Rondônia, Amazonas, Roraima e Amapá. Como se observa, alguns contabilizados nessa lista também fazem parte da outra relação, a dos oposicioniostas. Enfim, coisas do PMDB.

Por Fernando Rodrigues
 

Funarte manda esclarecimento sobre e-mail;
resposta é inconclusiva; caso fica em aberto

Primeiro, só para esclarecer aos internautas que postaram comentários: sim, é claro que é possível falsificar um e-mail, o seu remetente etc. Não está escrito nos posts anteriores que isso não seja possível. Está escrito apenas que Antonio Grassi tentou dizer que basta mudar o nome do remetente (não o e-mail), o que é outra coisa.

O blog também perguntou claramente ao presidente da Funarte, por vários dias, se ele poderia checar com seu departamento de informática a consistência daquele e-mail. Em vez de ir diretamente ao ponto, preferiu primeiro dizer que estava no exterior (não estava), que é fácil falsificar um e-mail (é verdade, mas o exemplo dado era furado). E nada de checagem nas máquinas da fundação.

Para completar, o presidente da Funarte socializou a responsabilidade. Alegou que seu e-mail (não-divulgado na página da Funarte) é usado por assessores. Diz ele que seu e-mail “é acessado, aberto diariamente, pela assessoria do gabinete. Muitas das respostas são feitas diretamente pelos assessores”. Em resumo, não há controle possível.

O blog então perguntou se o sistema de computadores e de e-mails da Funarte registraria quando cada mensagem é enviada e por qual endereço (máquina). A resposta veio só hoje. É inconclusiva. Lamentavelmente, diz não ser possível dizer se o e-mail propagando a “lista de Furnas” saiu ou não da máquina da presidência da Funarte.

Por outro lado, a resposta da Funarte diz ter constatado a troca de vários e-mails entre Grassi e Ana de Hollanda (que usando um endereço particular teria enviado ao presidente da Funarte a mensagem original, com a tal “lista de Furnas”).

Como o e-mail enviado usando o endereço de Grassi foi para várias máquinas da própria Funarte e do governo (o presidente da fundação sabe quais são, pois recebeu cópia completa da mensagem enviada por este blog), o setor de informática do órgão poderia fazer uma checagem mais detalhada para descobrir, de fato, quem enviou a mensagem. Seria necessário uma checagem nas máquinas dos destinatários. A julgar pela resposta recebida hoje, esse tipo de averiguação não foi realizada.

O caso vai ficar sem solução, claro. E sem apuração. O de sempre.

A seguir, a íntegra da comunicação de hoje da Funarte:

“Em resposta aos questionamentos formulados pela Presidência da Funarte em 10/02/2006,
informamos que:
* Não há como checar se o e-mail referido saiu da máquina do Presidente ou de alguma outra máquina da Funarte. Nossos servidores registram as movimentações (data, hora, endereço de entrada, endereços de saída) das contas, mas não o IP (identificação) da máquina que originou o e-mail. Até porque o e-mail pode ter sido originado de qualquer máquina externa ou através de nosso webmail.
* Com relação à comprovação de envio de e-mail em 09/02, nossos servidores registram a troca diária de correspondências entre anadehollanda@uol.com.br e antoniograssi@funarte.gov.br, inclusive nesta data, limitando-se a isso.
Para confirmar a identidade do remetente de uma mensagem específica, precisaríamos analisar o seu código fonte original.
* O endereço antoniograssi@funarte.gov.br, assim como os demais, somente pode ser acessado pelo proprietário da conta ou por pessoa por ele autorizada e que possua o login e senha”.

Edson Carvalho
Chefe da Divisão de Informática - FUNARTE

Por Fernando Rodrigues
 

E-mail de Antonio Grassi, da Funarte, foi
usado para propagar "lista de Furnas"

O e-mail funcional do presidente da Funarte, o ator Antonio Grassi, foi usado no último dia 9 de fevereiro para ajudar a propagar a chamada “lista de Furnas” –um conjunto de informações sem confirmação sobre um suposto esquema de corrupção dentro da estatal federal de energia. A maior parte do conteúdo da “lista de Furnas” compromete políticos do PSDB e do PFL. A Funarte é uma fundação do governo federal, comandada fortemente por pessoas ligadas ao PT.

O e-mail com a "lista de Furnas" propagado pelo endereço eletrônico de Antonio Grassi veio de Ana de Hollanda, diretora do Cemus (Centro de Música da Funarte). Ana teve o cuidado de enviar a “lista de Furnas” usando seu e-mail pessoal, às 23h19 do dia 8 de fevereiro passado. Ela aparentemente mandou as informações para uma lista de funcionários da própria fundação, pois aparece o seguinte no campo de destinatários: “@funarte.gov.br”.

Este blog recebeu o e-mail de Grassi por meio de um dos seus destinatários. Por dez dias o blog trocou várias informações com Grassi, que não conseguiu até agora dar uma explicação conclusiva para o fato de seu correio eletrônico ter sido usado. No seu penúltimo comunicado, o ator afirmou que tentaria mandar algum detalhamento técnico sobre o episódio até 15 de março. Depois, entraria em férias. O dia 15 chegou. E nada. Ontem, 16 de março, às 19h51, mandou uma mensagem curta depois que o blog insistiu várias vezes: “O gabinete da Funarte, por minha solicitação, está lhe respondendo”. Até o momento, nada.

Como a resposta não veio, o blog publica o que recebeu. A cópia do e-mail de Grassi propagando a “lista de Furnas” pode ser acessada nesta página, na seção “Documentos” (só para assinantes do UOL). Os nomes dos destinatários foram retirados, até porque não têm responsabilidade pelo eventual erro cometido pela pessoa que usou o e-mail de Antonio Grassi –o próprio Grassi ou alguém ainda incógnito.

No post seguinte, as explicações (inconclusas) de Grassi.

Por Fernando Rodrigues
 

Antonio Grassi tenta se explicar

Como é possível que o e-mail funcional de Antonio Grassi (que não está disponível para o público na página sobre a  estrutura do órgão) tenha sido usado para propagar esse papelório de Furnas?

Responde o presidente da Funarte: “O e-mail da presidência da Funarte é acessado, aberto diariamente, pela assessoria do gabinete. Muitas das respostas são feitas diretamente pelos assessores”.

Nessa sua primeira resposta, Grassi também afirmou: “Na primeira quinzena de fevereiro encontrava-me fora do Brasil, acompanhando o Ministro da Cultura em viagem oficial”.

OK, OK. O blog fez então duas perguntas:

1) é possível saber qual assessor usou o e-mail, até porque o servidor da Funarte deve registrar tudo isso (pelo menos, a máquina de onde saiu a mensagem)?

2) em 9 de fevereiro, quando foi enviado o e-mail de Grassi, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, estava em Belo Horizonte na parte da manhã, e no Rio, na parte da tarde. Como é possível Grassi ter ido ao exterior com o ministro se o ministro estava no Brasil?

Fatos são fatos. Grassi então mudou um pouco a história...

“Fernando, quanto à agenda, você tem razão. Fizeram uma confusão de datas por aqui”. Apesar do desmonte de sua versão inicial, uma conclusão curiosa: “Isso não tem relevância na sua investigação”.

Explica: “É possível acessar o e-mail pelo webmail da Funarte, de qualquer lugar do mundo”. E mais: “Verificando os itens enviados da máquina do gabinete não consta o envio do mesmo. O pessoal aqui do gabinete garante que do meu computador não saiu isso. A propósito me deram o exemplo de e-mail que estarei lhe enviando a seguir (um convite que recebi de você). Me dedico a esse trabalho porque não quero ser acusado de algo que não fiz”.

OK, OK. O blog recebeu então um tosco e-mail “falsificado”. Algum assessor(a)/amigo(a) de Grassi que usa o e-mail olivarfb@ctorio.org.br mandou uma mensagem com o nome deste blogueiro no campo de remetente.

Este blogueiro respondeu de maneira detalhada ao presidente da Funarte: “Sobre falsificar um remetente, sinto dizer que não é bem assim. O que se falsifica com facilidade é apenas o nome que aparece no campo do remetente –não o e-mail propriamente. No e-mail que vc. me enviou separadamente, basta passar o mouse por cima do ‘meu’ nome e verificar que se trata, na realidade, de olivarfb@ctorio.org.br o remetente real. No caso do e-mail com o seu nome [o da ”lista de Furnas“], ao passar o mouse por cima do seu nome, aparece o seguinte: antoniograssi@funarte.gov.br. Ou seja, foi mesmo usado o seu e-mail”. [post scriptum: blogueiros em geral, notem que não está afirmado aqui que Grassi ele próprio mandou o e-mail. Nem que não seja possível falsificar nome e e-mail de algúem. Afirma-se apenas que veio um e-mail completo, com nome e endereço para uma pessoa que repassou a mensagem a este blog. Pode ser falsificado ou não. Por vários dias o blog pediu ao presidente da Funarte para checar nos seus provedores. E nada. Seria também possível checar nas máquinas dos destinatários, muitos da própria Funarte ou do governo em geral].

Bingo. E agora?

Fala Grassi: “Não tenho noções mais precisas da internet e agradeço seu esclarecimento”.

E finaliza: “Solicitei à informática sobre o provedor (...) lhe encaminho qualquer novidade. Para isso vou checar na Funarte Brasília, São Paulo e Belo Horizonte. Espero poder lhe retornar antes do dia 15, quando entro de férias até 01 de abril”.

E mais nada.

A propósito: segundo a pesquisa “Corporate Email User Habits”, 72% dos usuários admitem usar e-mail do trabalho para mandar piadas, fotos, vídeos etc. para amigos.

A exemplo de Lula sobre o caixa dois (todo mundo faz), Grassi pode dizer que usar o e-mail do trabalho dentro do governo federal para mandar mensagens pessoais também “todo mundo faz”. É isso aí.

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (17.mar.2006 - 6ª feira)

Palocci, Nildo, as revistas etc. – pânico no governo. Deteriora-se a imagem do ministro da Fazenda. Expectativa sobre como será a repercussão do “Nildo-Palocci gate” nas revistas de fim de semana. Se o noticiário pegar leve, o ministro respira. Senão...

Lula em campanha – o presidente passa o dia em Santa Catarina. Quer reforçar sua imagem numa região do país em que não está muito bem.

PSDB e PFL – Nada boa a relação tucano-pefelê. Hoje e nos próximos dias muita gente tentará jogar água na fervura para que saia o casamento para a eleição presidencial.

PMDB e suas prévias  – OK, as prévias ocorrem no domingo (leia a tabela de quem vota aqui). Mas no dia 8 de abril já tem convenção que pode anular as prévias. Hoje e no fim de semana, muita movimentação dos peemedebistas.

AOL – o fim – a América Online termina hoje suas atividades como provedor e portal de conteúdo no Brasil. Seu servidor central será desativado.

Por Fernando Rodrigues
10h53 - 16/03/2006
 

Uma sobre o PMDB. Outra sobre o Exército

Ontem no início da noite o caso da hora era a cassação dos mensaleiros. Passaram meio embranco dois posts que valem a pena:

PMDB - 1 Quércia vale 17 Sarneys. As regras das (possíveis) prévias de domingo. Tabela completa do poder de cada Estado.

Exército usou detetor de mentiras para investigar o roubo das armas.

Por Fernando Rodrigues
 

Tasso troca xingamento com deputado
do PFL e piora relação tucano-pefelê

Fechou geral o tempo entre PSDB e PFL. Ontem, por volta das 17h, houve uma pesada altercação entre o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e o deputado federal Pauderney Avelino (AM), que ocupa o cargo de 2º secretário na direção nacional pefelista.

Tasso irritou-se com uma entrevista que Pauderney havia dado na terça-feira, sobre a escolha de Geraldo Alckmin como candidato tucano a presidente da República. À TV Globo, o pefelista apenas falara o óbvio: que o nome mais competitivo, no momento, do PSDB era o prefeito José Serra.

Pois ontem à tarde, Pauderney foi até o plenário do Senado para conversar com o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder tucano na Casa. Encontraram-se no corredor central do plenário. Próximos aos dois estavam os senadores Álvaro Dias (PSDB-PR) e José Agripino (PFL-RN). Na tribuna, discursava Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Daí, segundo este blog apurou, deu-se, aproximadamente, o seguinte diálogo:

Tasso [dirigindo-se a Arthur Virgílio, que conversava amistosamente com Pauderney] – Ele [apontando para Pauderney] é do PSDB? Já entrou no partido?

Pauderney – Ainda não. Mas posso entrar [em tom de brincadeira].

Tasso [ríspido] – Não entra, não! Porque eu veto!

Pauderney [expressando estranheza] – Arthur, ele está brincando...?

Tasso [ríspido, em tom forte de cobrança] – Como você vai para a televisão, para a Globo, para falar mal do nosso candidato?

Pauderney – Arthur, o que é isso? Não estou acreditando...?

Tasso [aumentando o tom de voz] – É para acreditar, sim!

Pauderney [agora, já alterado e falando alto] – Olha aqui, ô rapaz, eu falo o que eu quiser, da forma que eu quiser. Não é você quem vai me amordaçar. E saiba que eu falei como possível aliado do PSDB.

Tasso – Eu não quero o seu apoio!

Pauderney [voltando-se para Arthur Virgílio, em tom de certo desdém] – Arthur, vocês começaram muito bem...

Tasso [irritadíssimo, quase gritando] – Vai se foder!

Pauderney – Vai se foder você!

Seguiu-se então a tradicional operação do deixa-disso. De outra forma, os dois políticos se atracariam no meio do plenário do Senado.

Ontem de noite, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), tinha um encontro com Tasso (que já estava agendado antes da altercação). Tasso não apareceu.

Como se vê, a oposição está à beira de um ataque de nervos.

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (16.mar.2006 - 5ª feira)

Lula nas alturas – se a eleição fosse hoje, o petista levaria no 1º turno contra Alckmin e a rapa. Sim, ainda falta muito tempo para a eleição. Mas é melhor estar na frente do que estar atrás, certo? Muita falação hoje sobre a pesquisa Ibope, divulgada ontem.

José Mentor – processo do deputado deve ser apreciado pelo Conselho de Ética a partir das 10 horas. O congressista é acusado de ter recebido R$ 120 mil do chamado "valerioduto”.

Nildo – o caseiro Nildo pode depor hoje na CPI dos Bingos, a partir das 11h. Complica-se mais a vida do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

PFL e PSDB discutem a relação – vai ser uma novela à parte a associação eleitoral entre pefelistas e tucanos. A cada dia, novas declarações do PFL cobrando caro para entrar no barco de Alckmin.

PMDB mantém prévias  – governistas bobearam. A Executiva da sigla não terá a reunião prometida para hoje e a escolha do candidato a presidente será no domingo.
Mas os palacianos do PMDB prometem reagir com uma convenção nacional para o dia 8 de abril, quando querem derrubar a tese da candidatura própria. Vai ser uma guerra. Típica do PMDB, um agrupamento de interesses provincianos, sem nada a ver com o partido nem muito menos com o Brasil.

Duda “não falo” Mendonça – o patético e grotesco depoimento do marqueteiro malufo-tucano-petista vai servir para, pelo menos, uma coisa: hoje e nos próximos dias muita gente vai refletir sobre o formato falido das CPIs. Ninguém investiga com depoimentos ao vivo em rede nacional de TV. Se a moda pegar, todos os próximos depoentes podem seguir a receita de Duda. Até porque, para o bem e para o mal, ficar calado não é crime e ninguém pode ser preso por isso.

Por Fernando Rodrigues
22h12 - 15/03/2006
 

O resultado final

Pedro Corrêa (PP-PE) perdeu seu mandato por apenas quatro votos a mais do que o necessário. Para cassar um deputado são necessários 257 votos, maioria absoluta da Casa. O placar final da votação foi:

-cassação: 261

-absolvição: 166

-abstenções e brancos: 24

Por Fernando Rodrigues
 

Câmara faz pequeno recuo ao cassar
mensaleiro, mas viés ainda é de pizza

A Câmara cassou um Pedro (Corrêa, PP-PE) e salvou o outro (Henry, PP-MT). Foi um recuo tático em relação à salvação dupla da semana passada (Luizinho e Brant).

Mesmo com a punição de hoje, o viés geral continua sendo de salvação e não de cassação geral. O placar apertado da cassação de Corrêa (só 4 votos a mais do que o necessário) e o desânimo dos presentes na Câmara na hora da proclamação do resultado mostram como está o clima da Casa. Faltam 7 mensaleiros para serem julgados. Nem a metade deverá perder o mandato.

Eis um resumo do placar do “mensalão”, um escândalo que começou em maio do ano passado, mas que só produziu 3 cassações até agora – embora no início se falasse em cerca de 80 congressistas envolvidos:

Deputados ainda aguardando julgamento:
1 - João Magno Relatório (PT-MG)
2 - João Paulo Cunha (PT-SP)
3 - José Janene (PP-PR)
4 - José Mentor (PT-SP)
5 - Josias Gomes (PT-BA)
6 - Vadão Gomes (PP-SP)
7 - Wanderval Santos (PL-SP)

Quem já renunciou para escapar da cassação:
1 - Carlos Rodrigues (PL-RJ) renunciou em 12.set.2005  
2 - José Borba (PMDB-PR) renunciou em 17.out.2005
3 - Paulo Rocha (PT-PA) renunciou em 17.out.2005
4 - Valdemar Costa Neto (PL-SP) renunciou em 01.ago.2005

Inocentados em plenário:
1 - Sandro Mabel (PL-GO)
2 - Romeu Queiroz (PTB-MG)
3 - Professor Luizinho (PT-SP)
4 - Roberto Brant (PFL-MG)
5 - Pedro Henry (PP-MT)

Cassados:
1 - Roberto Jefferson (PTB-RJ)
2 - José Dirceu (PT-SP)
3 - Pedro Corrêa (PP-PE)

Por Fernando Rodrigues
 

Surpresa. Pedro Corrêa é cassado

 

Pedro Corrêa não teve a mesma sorte que seus colegas. Surpreendentemente, o placar agora:


-cassação:257

-absolvição:165

Não tem mais como o deputado ser absolvido.

Por Fernando Rodrigues
 

Fim da votação

Encerrada a votação, começa agora a contagem dos votos no processo contra o deputado Pedro Corrêa.

Por Fernando Rodrigues
 

Agora é a vez de Pedro Corrêa

Começa agora a votação do processo de Pedro Corrêa (PP-PE). Na sua fala, o clássico discurso de defesa: agradecimento aos familiares, aos eleitores e afirmações de que é inocente. O deputado responde por quebra do decoro parlamentar por ter autorizado o assessor do partido, João Cláudio Genu, a receber R$ 700 mil do PT por meio do empresário Marcos Valério. O Conselho de Ética pediu a cassação do mandato de Corrêa.

Por Fernando Rodrigues
 

Acabou. 5º mensaleiro salvo

 

O deputado Pedro Henry (PP-MT) foi absolvido pelo plenário da Câmara. O parlamentar foi acusado pelo ex-deputado Roberto Jefferson de ser um dos responsáveis pela distribuição do "mensalão" no Partido Progressista e de oferecer compensações para que deputados trocassem de partido. O placar final foi:

-absolvição: 255

-cassação: 176

-abstenções e nulos: 22

Por Fernando Rodrigues
 

Henry absolvido

Placar agora:

Absolvição:199

Cassação:134

Abstenção: 15

Não há mais como cassar o deputado Pedro Henry (PP-MT).

Por Fernando Rodrigues
 

Encerrada votação. Começa apuração dos votos

Acabou a votação do caso Pedro Henry (PP-MT). A absolvição é praticamente certa. Há 446 deputados na Casa neste momento (o total é de 513). Para ser absolvido, Pedro Henry precisa de pelo menos 190 votos. Neste momento, o placar a favor da absolvição é grande: 88 a 52.


Por Fernando Rodrigues
 

Nas prévias do PMDB, 5 Estados
concentram 54% de todos os votos

Se as prévias do PMDB realmente acabarem acontecendo no domingo, o partido introduzirá um critério polêmico: 5 Estados (SP, MG, RJ, RS e PR) terão 54,3% de todos os votos no país.
 
São Paulo, de Orestes Quércia, vale, por exemplo, 17,85% do total. O Amapá, de José Sarney, mero 0,31%. Resumindo: 1 Quércia vale 17 Sarneys. Ou 1 Garotinho vale 14 Sarneys. E por aí vai.
 
Eis aí uma das razões pelas quais os governistas do PMDB não querem as prévias. Não terão controle sobre o resultado final.
 
Abaixo, a tabela com o peso de cada Estado:

Prévias do PMDB - 19.mar.2006
Quanto vale o voto de cada Estado
Ordem Estado Número de
votantes
Número de
votos (**)
Índice de
ponderação (*)
São Paulo 2.762 3.040 17,8480
Minas Gerais 2.643 2.830 12,2184
Rio de Janeiro 1.069 1.237 14,1180
Rio Grande do Sul 2.902 3.303 4,2711
Paraná 1.953 2.123 5,8218
Santa Catarina 1.988 2.241 3,6561
Goiás 1.152 1.276 5,6321
Pará 992 1.060 4,4920
Piauí 538 659 4,6156
10º Paraíba 966 1.080 2,4902
11º Ceará 606 711 2,9465
12º Rio Grande do Norte 467 529 2,8302
13º MatoGrosso do Sul 396 477 2,7161
14º Bahia 821 926 1,2659
15º Espírito Santo 317 394 2,9271
16º Pernambuco 549 642 1,4540
17º Alagoas 312 371 2,3520
18º Maranhão 719 829 0,8672
19º Mato Grosso 424 489 1,0678
20º Distrito Federal 142 195 2,3671
21º Tocantins 496 576 0,7139
22º Sergipe 233 290 1,2664
23º Rondônia 271 350 0,9190
24º Amazonas 241 258 0,2129
25º Roraima 117 132 0,3923
26º Acre 138 161 0,2311
27º Amapá 74 84 0,3072
Total Geral 23.288 26.263 100,0000

(*) esse índice é calculado com a soma de todos os votos dados aos candidatosdo PMDB em 2002, mais os recebidos pelos políticos que ingressaram na sigla até 14 de setembro passado. Por esse critério, por exemplo, São Paulo fica com 17,85% de poder de voto nas prévias --pois os 6,8 milhões de votos que os candidatos do PMDB tiveram em 2002 no Estado representam esses 17,85% sobre o total de votos a peemedebistas em todo o país. Em resumo, os delegados paulistas do PMDB nas prévias têm 3.040 votos (11,58% do total), mas ao final terão um peso de 17,85%.

(**) o número de votos é maior do que o de votantes em alguns Estados porque alguns dos inscritos votam mais de uma vez (por exemplo, alguém tem direito a 1 voto por se deputado e a outro voto por ser da direção local).

Fonte: PMDB (gabinete do deputado Eliseu Padilha - RS)

Por Fernando Rodrigues
 

Exército usou detetor de mentiras na
investigação sobre armas roubadas

No sábado, dia 4 de março, o Exército chamou o perito Mauro Nadvorny para ajudar na apuração das armas roubadas no Rio. Ele vem a ser o dono da Truster Brasil, uma empresa que se especializa assuntos de segurança e no uso de detetor de mentiras por meio de um software de análise de voz.

Nadvorny ficou até a meia-noite de Sábado, dia 4, no Rio escutando os soldados e um ex-cabo relacionados ao caso do roubo das armas. Entrevistou a todos que estiveram de guarda no dia que as armas sumiram.

O resultado das entrevistas apontou possibilidade de envolvimento do ex-cabo e de um dos soldados da guarda. Nada em relação aos demais.

O perito Nadvorny trabalhou com o pessoal da inteligência do Exército.

Ontem, depois de anunciado o encontro das armas, Nadvorny recebeu um fax assinado pelo general Hélio Chagas Macedo Júnior, chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste. O fax dizia o seguinte:

"O Comando Militar do Leste (CML), incumbiu-me de agradecer a V Sa. a valiosa colaboração espontânea e desinteressada no esforço de elucidar os agentes do crime que roubaram 10 (dez) fuzis e 01 (uma) pistola do Estabelecimento Central de Transporte em 3 de março de 2006".

"Reitero o agradecimento com votos de estima e continuado êxito na aplicação da tecnologia de voz, colocando este Comando à disposição de V.Sa."

Por Fernando Rodrigues
 

Começa votação do caso Pedro Henry

 Começa agora a votação do processo de Pedro Henry no Plenário da Câmara. O parecer do Conselho de Ética pede sua absolvição. O deputado do Mato Grosso disse em seu discurso de defesa que se sentia como o personagem do livro de Franz Kafka, que “dormiu homem e acordou inseto”. Neste momento, o painel eletrônico da Câmara registra a presença de 376 deputados.  

Por Fernando Rodrigues
 

Lula com 43%; Alckmin tem 19%

Saiu a pesquisa CNI-Ibope e Lula continua na frente, com folga. Tem 43% contra 19% de Alckmin no primeiro turno.

No segundo turno, ganha do tucano com 49%. Alckmin fica com 31%.

A pesquisa não faz nenhuma simulação de primeiro turno na qual o PMDB fica sem candidato --uma hipótese cada vez mais real. Garotinho, o nome mais forte do PMDB, pontua 14%. Se ele sair do páreo, a disputa hoje acabaria no primeiro turno.

Por Fernando Rodrigues
 

Começou o processo do primeiro Pedro

 A discussão do processo de Pedro Henry (PP-MT) já começou. O relator no Conselho de Ética, Carlos Sampaio (PSDB-SP), não apareceu. No seu lugar lê o parecer o deputado Benedito de Lira (PP-AL). Poucos deputados estão no Plenário. Por causa das reclamações na votação anterior, foram colocadas três cabines de votação.

Por Fernando Rodrigues
 

Para César Maia, campanha
de Alckmin "já está atrasada"

Prefeito do Rio, serrista, sintetiza o
descontentamento geral dos pefelistas

Num boletim de hoje para leitores cadastrados no seu ex-blog, o prefeito do Rio, César Maia (PFL), explicitou todo o seu descontentamento com a escolha de Geraldo Alckmin como o candidato tucano a presidente. Em certa medida, as observações de Maia sintetizam todo a má vontade presente entre dirigentes pefelistas com a escolha tucana.

Em resumo, César Maia acha difícil Alckmin decolar, pois a campanha está "atrasada".

Parceiro preferencial de sempre do PSDB, o PFL pode acabar se aninhando com os tucanos. Mas há muitos anos a, vamos dizer, "relação" tucano-pefelê não passava por uma fase tão gelada.

Eis o que escreveu Maia:

"ALCKMIN: A APOSTA DO PSDB"

"A decisão do PSDB –em parte pela maior receptividade de Alckmin entre os políticos e em parte pela estressamento de Serra– é uma aposta de alto risco. O pai das pesquisas de opinião política –Paul Lazarsfeld– da Universidade de Columbia -anos 1930- dizia que uma eleição se divide em duas partes como uma fotografia (da época). Na primeira se clica e se impregna a imagem no celulóide. Na segunda, se vai à câmara escura e com produto químico se revela a imagem. A primeira é a pré-campanha e a segunda a campanha propriamente –ou seja os últimos 60 dias.

"Lazarsfeld dizia que se não há imagem impregnada não há o que ser revelado depois. Ou seja: se não há pré-campanha, não há campanha. Nos EUA as primárias resolvem sempre a questão da pré-campanha. No Brasil não. A pré-campanha pode ser feita –imagem– pela participação numa campanha anterior, como Serra, Garotinho e Ciro Gomes. Ou se ocupando um espaço nacional de grande visibilidade –claro, sendo candidato à reeleição ou num ministério de exposição nacional. Quando isso não ocorre se conta com um tempo mínimo para se substituir a pré-campanha. E se parte para uma loteria eleitoral.

"Se todos os candidatos estão neste jogo, a loteria é para todos. Num processo de reeleição, o presidente está em pré-campanha sempre. Se sua avaliação é pelo menos razoável, o eleitor se sente seguro por conhecê-lo.

"O adversário sem pré-campanha, terá que fazer uma campanha de grande contundência, de forma a levar o eleitor a perder completamente a confiança e a segurança no presidente. Nunca será uma campanha de confronto de programas, de alternativas. Será uma guerra de desgaste, de desmonte do presidente. É fato que os escândalos de 2005 abrem caminho para isso. Mas também é verdade –que num país como o nosso com cultura de brasileiro cordial, a campanha negativa exigirá muito talento para o opositor não ir junto com a bacia e –assim– abrir espaço para um ‘tercius’.

"Marta Lagos –chilena– da MORI, com sua enorme experiência no latinbarometro, afirma que 70% dos votos se dão por valores. Desta forma 30% dos eleitores são mobilizáveis por programa de governo. Se pode imaginar que –por probabilidade– estes 30% estejam divididos em duas partes: uma à direita e outra à esquerda. Nesta eleição de 2006, a presença de Serra levaria o voto mais a esquerda –politicamente correto para ele. Sem Serra este voto tende a ir para Heloísa Helena. Pela direita não havia razões para o voto se concentrar mais em Serra ou em Alckmin.

"Ao PSDB –mais do que a Alckmin, um político de proximidade como Lula– caberá atacar de forma contundente -e desde já- Lula, de forma a ir –substituindo a pré-campanha, pela desmontagem de Lula, abalando os alicerces do sistema de valores que ainda segura Lula. E isso tem que ser feito já. O candidato à reeleição tem espaço duplo –como presidente e como candidato. Isso vale até a entrada da TV. É uma desvantagem para quem se opõe. Serão 4 meses –de abril a julho– onde mais do que a mobilidade e presença de Alckmin, valerá mais acertar no alvo em Lula, com dardos envenenados. Sem isso, a diferença abre e a probabilidade de tirar a diferença nos últimos 60 dias diminui muito. Lula pode ir tocando seu realejo e ganhando tempo. Para Alckmin a campanha já está atrasada. E sua turma tem que ser muito boa de tiro".

Por Fernando Rodrigues
 

Duda mudo

Patético e inútil até o momento o depoimento de Duda Mendonça à CPI dos Correios. O ex-marqueteiro de Maluf, tucanos e Lula está mudo. Não responde a nada. Usa o direito que conseguiu na Justiça.

"Contrariei meus advogados e só me ferrei", disse Duda. Agora, segue as orientações para ficar calado.

Por Fernando Rodrigues
 

Alckmin também deve exigir prévias
para a escolha de sucessor em SP

Ainda não acabou o inferno astral da cúpula tucana. O governador do Estado de São Paulo vai defender dentro do partido que sejam realizadas prévias internas –ou algum outro processo amplo de escolha– para definir quem será o candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, em outubro.

Havia um entendimento tácito durante a batalha pela vaga de candidato a presidente: o indicado abriria espaço para o derrotado “fazer” o próximo governador de São Paulo. Por essa lógica, Alckmin agora daria a Serra o direito de comandar o processo. Nada disso vai acontecer na vida real.

Geraldo Alckmin tem um nome predileto que seus auxiliares sempre citam em público: o ex-prefeito de São José dos Campos e hoje secretário da Habitação paulista, Emanuel Fernandes. Há, entretanto, indícios de que Alckmin também poderia ter fechado com o anti-serrista José Aníbal, vereador paulistano e ex-deputado federal e ex-presidente nacional do PSDB.

Aníbal fala para quem desejar ouvir que só sai da disputa se for derrotado num processo de escolha objetivo, como, por exemplo, prévias. Não muito diferente da estratégia alckmista para ficar com a vaga de candidato a presidente.

Do lado de José Serra, o predileto é o seu secretário de Governo da Prefeitura de São Paulo, Aloysio Nunes Ferreira, que também é deputado federal.

Outros nomes na parada são os do ex-ministro da Educação Paulo Renato e do deputado federal Alberto Goldman.

Goldman é serrista de quatro costados. Paulo Renato protagonizou outro dia um ato curioso: sua assessoria divulgou nota (aparentemente de maneira inadvertida) dizendo que ele abriria mão de disputar o Bandeirantes em favor de Serra.

Em resumo, a batalha será duríssima.

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (15.mar.2006 - 4ª feira)

Duda Mendonça – o marqueteiro depõe a partir das 10h. Conseguiu na Justiça o direito de ficar calado. O depoimento será a portas fechadas.

Mensaleiros – mais um dia de possível festa com rodízio de pizza. Câmara vota processos de Pedro Henry (PP-MT) e de Pedro Corrêa (PP-PE). De tarde.

Tucanos – agora começa a guerra pela disputa à vaga de candidato ao governo de São Paulo. Se a cúpula bobear (o que tem sido comum), Alckmin fatura essa também e indica alguém de seu grupo.

Comissões Permanentes – na vida real ninguém dá bola. Mas os deputados não pensam em outra coisa. Hoje, todas as comissões de trabalho na Câmara elegem hoje seus presidentes e vices.

Palocci – batata assando. O caseiro Nildo deve ser ouvido hoje pela Polícia Federal.

Exército no Rio – encontradas as armas depois de 12 dias de busca, quando será a retirada das tropas das ruas?

Por Fernando Rodrigues
20h53 - 14/03/2006
 

PMR vira, enfim PRB

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) acaba de aprovar, finalmente, a mudança de nome do PMR para PRB.

O Partido Municipalista Renovador passa a se chamar Partido Republicano Brasileiro.

O PRB, como se sabe, é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus. É, também, a sigla do vice-presidente da República, José Alencar. No Congresso, o filiado mais famoso do PRB é o bispo-senador Marcelo Crivella (RJ), que será candidato ao governo do Rio e deseja ter Lula em seu palanque.

Por Fernando Rodrigues
 

João Paulo - cassação pedida

João Paulo Cunha (PT-SP) perdeu no Conselho de Ética: 9 a 5 a favor de sua cassação. Votaram a favor de João Paulo: Angela Guadagnin (PT-SP) , Bosco Costa (PSDB-SE), Benedito de Lira (PP-AL), Sandes Junior (PP-GO) e Edmar Moreira (PFL-MG).

Derrotado, sim, mas a votação surpreendeu. Esperava-se pelo meio político que o ex-presidente da Câmara perdesse de lavada. Não foi assim... 5 votos, públicos, não são desprezíveis. Prenúncio do que virá no plenário.

Por Fernando Rodrigues
 

Angela Guadagnin e bruxa Úrsula
Separadas no nascimento

A deputada Angela Guadagnin (PT-SP) foi a heroína dos mensaleiros no caso do "mensalão". Defendeu a todos com ardor no Conselho de Ética. O blog achou a sua "separada no nascimento", a bruxa Úrsula do desenho animado "A Pequena Sereia". Veja a galeria completa dos políticos e dos seus "separados" em Separados no nascimento.

Por Fernando Rodrigues | Separados no nascimento
 

Com Alckmin e verticalização, sucessão
encaminha-se para definição no 1º turno

O cenário eleitoral para a sucessão presidencial está praticamente desenhado depois que o PSDB finalmente escolheu o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como seu candidato ao Palácio do Planalto.

Falta ainda o STF (Supremo Tribunal Federal) ratificar a validade da regra da verticalização para as eleições deste ano. Isso deve ocorrer até na semana que vem.

Também está pendente uma definição do PMDB: o partido terá ou não candidato próprio?

A decisão do PMDB é quase secundária, pois a escolha de Alckmin (com um PSDB rachadíssimo) e a manutenção da verticalização já apontam para o cenário mais provável em outubro: a liquidação da disputa já no primeiro turno –seja a favor de Luiz Inácio Lula da Silva ou de um candidato de oposição.

É fácil entender o DNA desse cenário.

A verticalização impedirá a maioria dos partidos médios de lançar candidato próprio a presidente. Se o fizerem, terão de respeitar nos 26 Estados e no Distrito Federal a aliança montada no plano federal.

Estão nessa situação PDT, PPS e PMDB, pelo menos. Na última pesquisa Datafolha os pré-candidatos dessas 3 siglas chegam a somar, juntos, expressivos 14%.

Sem esses partidos na disputa, a polarização que já existe entre PT e PSDB será ainda mais vigorosa. Não deve ocorrer segundo turno, a exemplo de 1998.

Quando FHC tentou e conseguiu a reeleição, em 1998, havia 3 candidatos competitivos. O resultado do 1º turno foi assim:
● FHC – 53,06%
● Lula – 31,71%
● Ciro Gomes – 10,97%
● Outros – 4,25%

Em 2002, havia 4 candidatos competitivos e deu 2º turno. No 1º turno, resultado foi:
● Lula – 46,44%
● Serra – 23,20%
● Garotinho – 17,87%
● Ciro Gomes – 11,97%
● Outros – 0,52%

Desta vez, já se sabe quem serão os dois possíveis primeiros colocados –um do PT e outro do PSDB, não necessariamente nessa ordem.

Se o PMDB não disputar, quem desempenhará o papel de Garotinho e de Ciro Gomes em 2002? Pelas pesquisa atuais, seria Heloísa Helena, do PSOL.

A senadora teria de fazer 29,84% (soma de Garotinho e de Ciro Gomes em 2002) para garantir que disputa deste ano siga para o 2º turno. É algo para lá de difícil.

Mesmo que Garotinho e/ou Germano Rigotto consigam mudar a escrita e convencer o PMDB a ter candidato próprio a presidente, o cenário fica ainda apertado. Garotinho e/ou Rigotto e Heloísa Helena teriam de fazer perto de 30% para levar a disputa ao 2º turno. Também é difícil.

Por Fernando Rodrigues
 

Alckmin será o candidato do PSDB

FHC e Tasso estão para anunciar agora, no Palácio dos Bandeirantes, a candidatura de Geraldo Alckmin para presidente da República.

Serra entregou os pontos. Mas fará um discurso de apoio a Alckmin. A idéia é passar uma imagem de unidade --algo que não é, "por supuesto", realidade.

Por Fernando Rodrigues
 

PSDB racha e serristas já acham que
Alckmin usa método malufo-quercista

O clima entre serristas e alckmistas é o pior possível. De ontem para hoje, este blog ouviu mais de uma vez, da boca de apoiadores de José Serra, que o governador paulista Geraldo Alckmin usa métodos “malufo-quercistas” para comandar a máquina partidária.

Não se referem à tática, vamos dizer, heterodoxa de Maluf e Quércia, mas à persistência com que esses dois políticos no passado se jogaram nas entranhas das burocracias de seus partidos. Hoje, há um trabalho incessante de Alckmin para arregimentar apoios internamente no PSDB. Foi assim que Paulo Maluf nos anos 70 conseguiu dar um nó na Arena e ser o candidato (indireto) da ditadura militar ao governo de São Paulo. Foi a mesma fórmula usada por Orestes Quércia, nos anos 80, para ascender no PMDB.

Agora, a cúpula do PSDB dormiu no ponto. Achou que a decisão sobre quem seria o candidato a presidente pela sigla sairia naturalmente. Deu tudo errado. Alckmin avançou silenciosamente na máquina partidária. Exemplo: os 22 deputados estaduais paulistas do PSDB apóiam o governador para ser o candidato a presidente tucano.

Parte considerável dos serristas considera inexorável o processo de “peemedebização” do PSDB. As facções vão proliferar. O partido não deu atenção à necessidade de construir um destino democrático para o espólio herdado de Montoro e de Mário Covas. O tucanato já é quase uma terra de ninguém. Tasso Jereissati, o presidente nacional, manda quase nada. FHC teve chiliques ontem à noite ao saber que Serra disse o que disse (que é candidato, mas contra as prévias). Aécio Neves só pensa em si próprio como candidato tucano em 2010.

Seja quem for o candidato a presidente, é zero a chance de haver unidade em torno do escolhido.

É curioso que ontem alguns serristas ainda tentavam vasculhar nos nomes do Diretório Nacional do PSDB (disponível no site do partido: www.psdb.org.br) para saber as chances de Serra em um processo mais amplo de escolha. A conclusão era que Serra teria chances de vencer –contrariando o senso comum entre tucanos em geral. Os cálculos dos votos pró-Serra foram de Gilda Portugal, especializada nessas contagens desde o tempo de Montoro. Os números foram avalizados por José Luiz Portella Pereira (que no passado teve relação conflituosa com Serra, mas hoje parece apoiar o prefeito).

Certos ou errados, esses números parecem não ter servido para Serra. O prefeito rejeita prévias.

Mas talvez devesse ir se acostumando. Mesmo que perca a parada para Alckmin agora, Serra terá de enfrentar uma disputa parecida mais adiante: a da escolha para o governo paulista.

Reza a lenda que se Alckmin for o escolhido para candidato a presidente tucano, caberia a Serra o poder de ungir o candidato ao Palácio dos Bandeirantes. Nada disso.

O método malufo-quercista de Alckmin vai ser novamente a regra. O governador não abrirá mão de interferir no processo. E adivinhem o que vai propor? Acerta quem diz “prévias”. O nome predileto de Serra é o de seu secretário de Governo, Aloysio Nunes Ferreira.

Só que Geraldo Alckmin tem outros dois preferidos. Quase em público, o nome alckmista é o do ex-prefeito de São José dos Campos e hoje secretário da Habitação, Emanuel Fernandes. Por debaixo do pano, há indícios de que Alckmin já teria fechado com o anti-serrista José Aníbal, vereador paulistano e ex-deputado federal e ex-presidente nacional do PSDB.

Vai ser uma guerra sangrenta. E, no final, o PSDB estará cada vez mais parecido com o PMDB –de onde essa turma toda saiu dizendo não ter estômago para agüentar as intrigas internas.

Por Fernando Rodrigues
 

Pesquisa do Ibope citada por Serra
terminou o campo no último domingo

Citada por 10 entre 10 serristas como fato mais relevante do momento, a pesquisa Ibope que supostamente mostrará a recuperação de Serra em relação a Lula teve seu campo concluído anteontem, domingo, dia 12 de março.

Não se trata de um segredo. Basta entrar no site do TSE e escolher Eleições 2006-Pesquisas. Ali estão os registros (não os resultados) de todas as pesquisas de opinião que poderão ser divulgadas. A do Ibope, que tanto anima os tucanos, tem os seguintes dados:
- registro: 10.mar.2006
- quem paga: CNI (Confederação Nacional da Indústria)
- período de coleta de dados: 7 a 12.março
- nº de entrevistados: 2002

Em tese, os números todos já estão disponíveis. Podem aparecer hoje à noite nos telejornais.

Pesquisas anteriores e já divulgadas, o internauta já sabe: todas neste site de política, como já é tradição desde o ano 2000 --quando os blogs ainda não existiam... Para ter acesso (assinantes do UOL), basta clicar em Pesquisas, aí do lado esquerdo da página.

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político do dia (14.mar.2006 - 3ª feira)

Palocci na frigideira – o caseiro Nildo, no “Estadão” de hoje (só para assinantes), diz ter visto o ministro da fazenda umas “10 ou 20 vezes” na casa usada para lobby pela turma de Ribeirão Preto. Dinheiro vivo corria solto. Palocci nega, mas sua batata está assadíssima.

Tucanos – é hoje? Serra não quer prévias... Alckmin quase com a mão na candidatura

Duda e suas contas – apareceram novas contas do marqueteiro no exterior, segundo o “Estadão” (só para assinantes). Sobe a temperatura do depoimento de amanhã.

João Paulo Cunha – o Conselho de Ética analisa, a partir das 10 horas, o relatório do deputado Cézar Schirmer (PMDB-RS) sobre o processo do ex-presidente da Câmara.

PMDB/prévias  – os governistas buscam atrasar as marcadas para domingo, dia 19. Hoje, devem recolher assinaturas na direção do partido. Devem conseguir.

Voto aberto nas cassações – Aldo Rebelo almoça hoje com líderes partidários para discutir a PEC (proposta de emenda constitucional) que acaba o voto secreto no plenário da Casa.

CPI dos Correios – na sub-relatoria do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), prestam depoimento, a partir das 11 horas, o ex-presidente da instituição Demosthenes Madureira e o ex-diretor-financeiro, José Eduardo Batista. 

CPI dos Bingos – reunião administrativa (11h). Na fila dos pedidos estão a reconvocação do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Por Fernando Rodrigues
18h45 - 13/03/2006
 

Serra ensaia saída do jogo com
declaração de hoje contra prévias

Ao admitir ter interesse em ser o candidato tucano a presidente, mas que não aceita prévias, o prefeito de São Paulo, José Serra ensaia sua saída do jogo eleitoral.

É evidente que se trata de uma última cartada. O PSDB tem em mãos dados de uma nova pesquisa demonstrando que o nome de Serra é hoje, como nas últimas semanas tem sido, o mais competitivo contra Lula.

Ocorre Geraldo Alckmin não arreda pé e já tem maioria para uma eventual disputa interna na sigla com Serra. Os serristas acham que dá para reverter o quadro e ainda desejam convencer o prefeito a ir para o embate.

O risco é enorme. Se aceitar entrar numa prévia, Serra perderá seu principal argumento para deixar a prefeitura –"foi chamado pelo partido". O cenário ainda pior e mais humilhante seria ir para a prévia e acabar perdendo.

As frases de Serra divulgadas pela jornalista Carmen Munari, da agência Reuters, são as seguintes:

"Decidi deixar à disposição do partido a minha indicação para disputar a Presidência da República, mas sem a realização de prévias".

e

"Se tiver disputa, vamos ter que examinar. Prévias trazem o risco de divisão do partido, favorecendo os adversários e para ganhar uma eleição desta importância é preciso unidade, união, esforço e humildade".

Bom, se a história é unidade do PSDB, estamos todos informados a partir de agora que essa quimera não se tornará realidade nunca. Até porque é ocioso imaginar que Serra, ao dizer o que disse, ficará na Prefeitura de São Paulo fazendo campanha para Alckmin.

Por Fernando Rodrigues
 

Cresce chance de Alencar ficar como
vice de Lula; no PMDB, conformidade

Depois de várias possibilidades aventadas, Lula deve mesmo disputar a reeleição tendo ao seu lado o atual vice-presidente, José Alencar. Não se trata de uma opção preferencial de ninguém no governo, mas este blog apurou que foram quase encerradas as negociações para abrir a vaga para um novo nome (falou-se em Ciro Gomes, Nelson Jobim, Renan Calheiros e tantos outros).

Alencar está para sair do cargo de ministro da Defesa, que acumula com a vice. A idéia é preservá-lo para o caso de algum imprevisto. Alguma aliança necessária de última hora. Nesse caso, o atual vice disputaria o Senado por Minas Gerais. Mas esse é o plano B.

Ciro Gomes, com se especula há tempos, seria esse plano B. Mas há resistências. Ele é detestado pelo, vamos dizer, “PT de raiz”, por representar uma ameaça real mais adiante, em 2010 –se Lula for reeleito agora, Ciro vai querer ser o candidato na próxima sucessão. Além disso, o político que hoje ocupa o Ministério da Integração Nacional está filiado ao PSB e engessaria a sigla aos petistas em todos os Estados, por causa da verticalização.

No caso de Alencar, o caminho seria mais, muito mais suave. O PT já se acostumou a ele (aliás, Alencar defende um modelo econômico desenvolvimentista de maneira mais enfática do que o próprio PT). Mas há duas razões principais para esse cenário ter se solidificado:

1) verticalização – o Supremo deve confirmar nesta semana, ou na que vem, que a regra continua a valer. Assim, alianças para presidente devem ser respeitadas nos Estados. O PMDB disputa para valer em 15 dos 27 governos estaduais. Se ficar com a vaga de vice de Lula, estaria atado ao PT em todas essas disputas regionais. Não tem jeito.
Até os partidos mensaleiros –PL, PTB, PP e outros– que gostariam de apoiar Lula também correm o risco de ficar formalmente de fora da aliança governista com a verticalização em vigor. Aliás, Zé Alencar era filiado ao PL, mas agora está numa sigla inexpressiva;

2) Zé Alencar está disponível – por ter se filiado ao nanico PMR (Partido Municipalista Renovador), José Alencar está completamente disponível para ficar onde está. É um nome de prestígio em Minas Gerais, seu Estado de origem.
Está prevista a desincompatibilização de Alencar do cargo de ministro da Defesa apenas se for possível atrair algum outro partido de peso para a chapa com Lula. Nesse caso, o mineiro tentaria se candidatar ao Senado, por seu Estado (seria o plano B).
Esse tal PMR é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, cuja cúpula tem se alinhado a Lula. Um dos seus mais vistosos representantes no Congresso é o senador-bispo Marcelo Crivella (RJ). Crivella ficará feliz em dividir o palanque com Lula no Rio, onde pretende disputar o governo local.
O PMR vive dizendo que mudará de nome para algo como Partido Republicano do Brasil, mas no site do TSE continua seu estatuto da fundação, de agosto passado.
Uma excentricidade, esse partideco é um braço desmembrado do PL. Isso fica evidente no desleixo da redação do estatuto. Lá no meio, no “Capítulo VIII – Das Bancadas” , o texto vai assim: “Art. 43 - As bancadas do PL nas Câmaras Municipais de Vereadores, nas Assembléias...”. Fala sério! Copiaram e nem mudaram o nome da sigla? Incrível. O que é mais inacreditável é o TSE ter aceitado o registro... Brasiiiill.

No PMDB, a reação é de resignação sobre a perda da vaga de vice-presidente com Lula. José Sarney (ex-Arena, ex-PDS e hoje no PMDB lulista), tem dito a seus interlocutores que o “o vice será o Zé Alencar porque tem um partido que não atrapalha em nada”. Viva o poder de síntese de Sarney.

No PT, muita gente continua a torcer o nariz para o continuísmo com Zé Alencar. Falam ao ouvido de Lula em uma chapa puro-sangue, só PT. Por exemplo, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) como candidata a vice-presidente. Lula sabe que quem fala isso só quer mesmo, de fato, atrapalhar.

Por Fernando Rodrigues
 

O drive político da semana (13 a 17 de março)

Segunda-feira (hoje)
Furnas - desvio de R$ 10 milhões – é conclusão do TCU. Está na Folha de hoje (só para assinantes), em reportagem de Marta Salomon. Como deixar essa investigação de fora das CPIs? O governo vai sofrer.

Palocci na frigideira?  os indícios de que o ministro da Fazenda pode ter mentido feio quando foi depor no Congresso serão um dos pratos servidos pela oposição durante a semana.

Fundos de Pensão – Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da CPI dos Correios, recebe nesta segunda o resultado das investigações da subrelatoria de fundos de pensão, comandada pelo deputado ACM Neto (PFL-BA).

Exército no Rio – militares desistem de ocupar morro do Centro do Rio. Moradores e traficantes soltaram fogos de artifício com a retirada. Mas o Exército continua buscando as armas roubadas. A novela segue... Até alguma catástrofe ou até os militares se convencerem de que não vão achar as tais armas. O que vem primeiro?

Terça-feira (amanhã)
Tucanos – fumaça branca? – prometido para esta terça o nome do PSDB para disputar a Presidência, contra Lula. Alckmin continua em viés de alta.

Conselho de Ética – vota às 10 horas o relatório do deputado Cézar Schirmer (PMDB-RS) sobre o processo do ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP).  

PMDB/prévias  – nesta terça os governistas devem operar forte para adiar as prévias para a escolha do candidato a presidente da sigla (Rigotto ou Garotinho). O processo está marcado para domingo, dia 19. Votam cerca de 20 mil peemedebistas, em todo o país.

CPI dos Bingos/Okamotto – é possível que volte a pressão para que seja quebrado o sigilo bancário de Paulo Okamotto, o amigão de Lula e do PT, que paga a dívida de todos por puro diletantismo.

Câmara – tenta trabalhar... Precisa votar duas MPs: a 276 (R$ 350 milhões para o Ministério dos Transportes para  a "operação tapa-buraco") e a 277 (abre crédito de R$ 74,54 milhões para os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores). Brasil, o país sem Orçamento que vive na base de MPs...

Quarta-feira (15.mar)
2 mensaleiros – o plenário da Câmara vota as cassações (ou não...) dos Pedros: Pedro Henry (PP-MT) e Pedro Corrêa (PP-PE). A agonia começa “por volta” das 16 horas.

Duda – o publicitário tem depoimento previsto, em ridícula sessão secreta, para explicar suas movimentações financeiras no exterior.

Quinta-feira (16.mar)
Conselho de Ética – deve ser lido, às 10 horas, o relatório sobre o deputado José Mentor (PT-SP).

Sexta-feira (17.mar)
Nada citável nem excitável previsto – Brasília? Sexta-feira? Waaal... Nada a declarar.

Por Fernando Rodrigues
20h34 - 12/03/2006
 

Os blogs avançam nos EUA

Deu hoje no “Globo” (para leitores cadastrados): “Blogs, a nova mania que dá dinheiro nos EUA”. A reportagem é de Helena Celestino. A seguir, o primeiro parágrafo do texto:

“NOVA YORK. Como milhares de universitários, Jen Chung, 29 anos, mandava e-mails para seu grupo de colegas no curso de Economia da Columbia University, com histórias interessantes de Nova York, fazendo críticas de restaurantes, listas dos melhores shows de rock, descobrindo bares novos, contando o dia-a-dia da cidade. Já formada e entediada com seu trabalho numa agência de publicidade, criou um blog com seu ex-colega de faculdade, Jacke Dobkin, também de 29 anos. Com a contribuição de milhares de “olheiros” pela cidade, acabaram fazendo um completíssimo serviço de Nova York: “Gothamist” http://www.gothamist.com/  virou uma referência e hoje ocupa o 90 lugar no ranking de 27 milhões de blogs que povoam a Internet e chegam a faturar US$ 1,5 milhão por ano”.

Esses “27 milhões de blogs”, bien sûr, são apenas os “.com”. Nada de “com.br” e outras nacionalidades. Em resumo, a blogosfera é bem maior.

Abaixo, outro post sobre texto também publicado no “Globo” sobre o uso de blogs na política.

Por Fernando Rodrigues | Mídia
 

Um blog, nos EUA, arrecadou sozinho
US$ 500 mil para o Partido Democrata

No ano passado, o blog Daily Kos arrecadou cerca de US$ 500 mil para candidatos do Partido Democrata. É isso mesmo, meio milhão de dólares. Num setor do blog, encontra-se um link “Help the Democratic Party to raise the money...”. Vai direto para az página da sigla.

No Brasil, qual partido pensa seriamente a respeito...? Só pensam nessa baboseira de financiamento público (quando por aqui já existe um dos maiores financiamentos públicos do planeta, com mais de R$ 500 milhões de renúncia fiscal para pagar as propagandas de rádio e de TV).

A informação sobre o Daily Kos está no Globo (para cadastrados). O blog é de Markos Moulitsas Zúniga, de 34 anos.

Por Fernando Rodrigues | Mídia
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às quartas e sábados.

Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 - com informações estatísticas e analíticas sobre eleições, pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na Universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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