UOL Olimpíadas 2008 Blogs dos Atletas
 

Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

20h49 - 24/02/2006

Gabriel Chalita e Roger Federer
Separados no nascimento

Para começar bem o Carnaval, um pouco de humor: os "separados" Gabriel Chalita (secretário de Educação do Estado de São Paulo) e o tenista Roger Federer. Outros "separados" vêm aí. Acompanhe.

Para ver a galeria completa dos "Separados no nascimento", clique aqui.

Por Fernando Rodrigues | Separados no nascimento

Mais Google bombing. Agora, Tony Blair

O também blogueiro Claudio Weber Abramo manda dica: digite "liar" e clique em "estou com sorte". O resultado é a biografia de Tony Blair.

3 posts abaixo, outra dica sobre Google bombing.

Por Fernando Rodrigues

Nos EUA, só 6% do público jovem
tem interesse por noticiários

Relatório da Kaiser Family Foundation indica que nos Estados Unidos apenas 6% do público jovem tem interesse em assistir a noticiários na TV. Além disso, desde 1972 tem caído o interesse desse grupo da população por jornais impressos.

A informação está hoje em reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" (disponível apenas assinantes)

Eis alguns trechos:

"Conquistar consumidores de notícia jovens é um dos maiores desafios da mídia atualmente. Estudo após estudo, os dados mostram que os jovens americanos (adolescentes e na casa dos 20 e poucos anos) estão ignorando os noticiários em números alarmantes. Segundo uma pesquisa de 2005 da Kaiser Family Foundation, os jovens passam 6 horas e 21 minutos por dia usando a mídia - e, desse tempo, 3 horas e 51 minutos são dedicados à TV. Mas apenas 6% dos entrevistados disseram que assistem ao noticiário.

"Várias outras sondagens mostram que os jovens, embora entrem na internet com freqüência, não a usam para obter notícias. E a leitura de jornais entre os jovens tem caído continuamente desde 1972, assim como a audiência de noticiários de redes de TV e a leitura de revistas.

(...)

"Os jornais metropolitanos vêm aumentando significativamente sua presença online, como uma forma de chegar mais perto dos jovens. Os noticiários das redes e emissoras locais de televisão também respondem. O World News Tonight, da rede ABC, lançou uma transmissão vespertina via internet com a âncora Elizabeth Vargas. O âncora da NBC Brian Williams tem um blog sobre o processo de seleção de notícias. A CBS News lançou um serviço, Assignment America, no qual os espectadores escolhem uma de três idéias de reportagem para que o correspondente Steve Hartman a realize. Várias emissoras disponibilizam vídeos de notícias na internet e algumas oferecem conteúdo pago que pode ser baixado em celulares".

Por Fernando Rodrigues | Mídia

PIB baixo na véspera de Carnaval;
"o que é ruim, a gente esconde"

O PIB do Brasil cresceu apenas míseros 2,3% em 2005. Péssima notícia convenientemente escondida nesta sexta-feira, véspera de Carnaval. Não é nada, não é nada, Lula e sua tropa de marquetagem mostra uma preocupação real com a administração das notícias. É a lei de Ricúpero sempre em vigor: "O que é ruim, a gente esconde".

A esperança do Planalto é que o efeito desse crescimento ruim em 2005 seja minimizado com o feriado. Depois, rapidamente, devem aparecer números que indicarão uma melhora da economia neste ano --o que é um fato.

No fundo, o que é necessário para não abalar a alta na curva de popularidade de Lula é a sensação de prosperidade do eleitor. Nem é necessário um real crescimento. Basta o "feeling" de estar andando para a frente.

No quesito sensações, Lula é expert. Vai inundar o país com propagandas estatais federais neste primeiro semestre. Falará de "feitos" do governo. E, em abril, torrará R$ 31 milhões para anunciar a independência petrolífera do país. A campanha da Petrobrás será uma das mais ufanistas do período recente. Assinará as peças o notório Duda Mendonça. Sim, ele mesmo --cuja documentação sobre dinheiro irregular no exterior está para ser analisada pela CPI dos Correios.

Por Fernando Rodrigues

Google bombing contra Bush

Nesta véspera de Carnaval, uma amenidade. Estava funcionando até agora há pouco um dos famosos "Google bombings", desta vez (de novo) contra George W. Bush. Para ver esse cyber-grafitti (se ainda estiver no ar):

1º - Vá até o Google;
2º - Escreva a palavra "Failure" ("Fracasso" em inglês) no campo de busca;
3º - Em vez de clicar em "Pesquisa Google" clique em "Estou com sorte";
4º - Resultado: biografia de George W. Bush.

Funciona assim: quando um grupo de muitas webpages relaciona uma outra determinada webpage a uma frase, o mecanismo do Google capta esse movimento e faz a relação.

Cultura inútil, mas divertida.

Por Fernando Rodrigues

Radiobrás volta a incluir Folha
em sua "sinopse" na Internet

A estatal federal Radiobrás voltou hoje a incluir o material do jornal "Folha de S.Paulo" em sua “sinopse” na Internet.

Para ter acesso, clique aqui.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (24.fev.2006 - 6ª feira)

Dívida externa – o governo vai recomprar US$ 6,64 bi de títulos antigos. Vamos ver a repercussão hoje no índice conhecido como “risco Brasil”. Mais discurso para Lula na campanha da reeleição.

CPI do Fim do Mundo – a CPI dos Bingos está querendo prorrogação. O assunto fica no ar até depois do Carnaval. Quer convocar o secretário particular de Palocci, o famoso Ademirson.

Duda – muita espuma pela liberação de acesso aos documentos do marqueteiro. O que é importante é quebrar os sigilos de quem depositou o dinheiro para Duda no exterior. Aí a CPI já terá sido encerrada.

Vazio na política – no mais, Brasília está às moscas. Aqui, os políticos têm um Carnaval mais longo...

Por Fernando Rodrigues
14h55 - 23/02/2006

Radiobrás pára de incluir
Folha no seu clipping diário

A publicação "Mídia Impressa", clipping preparado pela estatal federal Radiobrás com as principais reportagens e artigos em jornais diários, circulou hoje sem o material do jornal "Folha de S.Paulo" –o que tem a maior tiragem do país.

O "Mídia Impressa" é a maneira como os políticos brasileiros lêem jornal. Todos os dias, até no máximo 7h da manhã, logo cedo, a publicação chega às mãos dos 513 deputados, 81 senadores, ministros de Estado e do presidente da República. Essa turma só toma conhecimento das notícias impressas assim.

Se não está no "Mídia Impressa", não existe.

Justificativa da Radiobrás, que aparece na versão de hoje de sua publicação:

"A Folha de S.Paulo suspendeu temporariamente a impressão do seu primeiro clichê, que às 22h30 já estava nas bancas de São Paulo. O jornal passou a ser distribuído às 6h30, razão pela qual a ‘Mídia Impressa’ chegou tarde à sua casa nos dois últimos dias.

"Para que possamos cumprir o compromisso com nossos leitores de entregar a ‘Mídia Impressa’ até as 7 horas da manhã, deixaremos de incluir este jornal temporariamente".

De fato, recentemente a Folha decidiu não colocar mais em banca uma edição do jornal por volta das 23h. Realmente, o funcionário público que fazia o clipping para a Radiobrás ficou com seu tempo mais apertado. Em resumo, talvez mais pessoas teriam de ser destacadas para fazer o serviço. Na dúvida, a estatal lulista decidiu desconsiderar o maior jornal diário do país.

Mais surrealista ainda é o fato de a Radiobrás ter excluído também as reportagens da Folha de seu clipping eletrônico de notícias, que pode ser acessado clicando aqui.

A estatal colocou um aviso na Internet:

"Prezado leitor,
"A Folha de S. Paulo suspendeu temporariamente a impressão de seu primeiro clichê, que às 22h30 já estava nas bancas de São Paulo. O jornal passou a ser distribuído às 6h30. Por esse motivo deixaremos de incluir este jornal".
"Atenciosamente,
"Os Editores".

Ocorre que a versão eletrônica da Folha entra no ar no meio da madrugada. Mas mesmo assim não é mais incluída no mundo maravilhoso montado pela Radiobrás.

Por Fernando Rodrigues | Mídia

Rigotto vai ao Rio preparar
programa para candidatura

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), está hoje no Rio. Encontra-se com Rapahel de Almeida Magalhães (sim, ele ainda está por aí) e com Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES no início do governo Lula.

A idéia de Rigotto é montar um programa desenvolvimentista "al dente" para satisfazer a centro-esquerda e os nacionalistas do PMDB. Seria, imagina, uma forma de crescer nas preferências dos cerca de 20 mil eleitores que votam na prévia interna do partido no próximo dia 19.

Hoje, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho continua sendo o favorito nessa disputa.

Por Fernando Rodrigues

Serra agora convida Alckmin para
assistir Carnaval no sambódromo

Na sua fase “Serrinha paz e amor”, o prefeito de São Paulo, José Serra, decidiu convidar o governador paulista, Geraldo Alckmin, para ambos assistirem juntos ao desfile de escolas de samba no camarote da Prefeitura, na sexta-feira, no sambódromo paulistano.

Apesar da disputa acirrada, Serra não quer queimar pontes entre ele e o governador. Acha que a única chance de ser candidato a presidente e ter chance de vitória é com o apoio de Alckmin.

O Carnaval paulista seria mesmo um palco para a disputa entre Serra e Alckmin, como mostrou hoje Alencar Izidoro, na Folha (para assinantes).

“A Leandro de Itaquera, agremiação da zona leste ‘simpatizante’ do PSDB e que, como as demais, recebe dinheiro dos cofres públicos para preparar a sua apresentação, vai exaltar os dois presidenciáveis do partido: Geraldo Alckmin, governador, e José Serra, prefeito, que estarão representados por bonecos gigantes em um dos carros alegóricos”, diz a reportagem da Folha.

Carnaval à parte, os tucanos estão completamente perdidos. Ninguém sabe precisar como será o processo de escolha do candidato a presidente da República. Fala-se em um “critério objetivo”, mas sem que alguém consiga detalhá-lo.

Nesses momentos de crise, sempre aparecem os possíveis responsáveis. Ouve-se nos bastidores do tucanato que presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), acompanhado de FHC, conduziu muito mal o assunto nos últimos 3 meses. Deveria ter assumido a frente de todas as conversas. Ao contrário disso, apenas preferiu seguir a lei do menor esforço.

Como em política não tem vácuo, Alckmin foi ocupando os buracos deixados pela cúpula partidária. Daí o governador paulista ter conseguido tantos apoios no médio e baixo cleros tucanos.

Serra sabe disso tudo e tenta preservar ao máximo uma relação cordial com Alckmin. Mas o prefeito paulistano também está sem saber o rumo que tomará o processo.

Enquanto isso, Lula vai andando. Ontem, teve longos minutos de noticiário positivo no “Jornal Nacional”, da TV Globo.

Por Fernando Rodrigues

Rigotto contesta levantamento
de Garotinho sobre prévia

O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), contesta o levantamento realizado por Anthony Garotinho a respeito da prévia peemedebista que escolherá o candidato a presidente pelo partido em 19 de março.

“O Garotinho usa telemarketing. Por favor, não é pesquisa. O pessoal liga, identifica-se dizendo estar telefonando a mando do Garotinho e pergunta em quem a pessoa vai votar na prévia. É brincadeira! Olhe, eu só vou perder para ele talvez no Rio de Janeiro e um pouco em Minas Gerais. Nos outros Estados grandes, sou o favorito”, diz Rigotto.

Num post abaixo, de ontem, está o relato de Garotinho. Ele diz ter feito uma pesquisa com 4.000 dos cerca de 20.000 votantes na prévia do PMDB no último fim de semana. O resultado teria sido 70% a seu favor.

Por Fernando Rodrigues

Argentina perde na Justiça de NY
e terá de pagar US$ 400 mi a credor

Atenção fãs da moratória da Argentina e adoradores do modelo Kirchner. Mais um sinal de que o caminho do vizinho não está sendo tão suave.

A Justiça de Nova York deu nesta semana ganho de causa para o Greylock Capital Fund. Esse fundo não quis aceitar os mais de 80% de deságio sobre seus créditos contra a Argentina durante a renegociação da dívida daquele país. A decisão judicial manda que o governo Kirchner pague perto de US$ 400 milhões –incluindo valor nominal e juros acumulados.

Outras decisões judiciais contra a Argentina agora devem surgir nessa mesma linha. O caso Greylock abriu a porteira.

Além do mais, há outros cerca de US$ 20 bilhões em dívida atrasada e ainda não resolvida. É um caminhão de dinheiro. Os irmãos do Sul podem, é claro, optar por continuar a dar calote. OK. Só que o governo da Argentina ficará certamente com sérias limitações para emitir novos papéis no exterior. Um pepino gigantesco –além da inflação anual acima de 12%, risco de desabastecimento e pouca credibilidade interna nas finanças.

Ah, mas a Argentina cresceu 9% dirão os românticos. É verdade. Só que o PIB em valores nominais é, hoje, igual ao de antes da crise no início da década... O crescimento alto é só reposição de massa perdida.

Agora, em 2006, é que chegou a hora da verdade para Kirchner. E não está fácil.

Por Fernando Rodrigues

O drive (quase parando) político do dia
(23.fev.2006 - 5ª feira)

Congresso – Alala-Ô! Como é bom ser deputado ou senador. O Carnaval já começou. Trabalho em plenário? Só depois de 7 de março...

Lula e os bancos – Manchete do “Estadão” de hoje: “Em três anos de Lula, bancos já lucram mais que nos 8 anos de FHC”. É forte, convenhamos. Vai repercutir? Difícil. É Carnaval.

PIB – Pois é, que coincidência. O número final de 2005 poderia ser conhecido hoje. Mas o IBGE só o divulgará amanhã, véspera de Carnaval. Quem vai dar bola?

Políticos – ACM vai para os EUA. Delcídio, para a Europa. E por aí vai. Brasília ficará às moscas.
Nada mal. Quando Brasília dorme o Brasil cresce.

Por Fernando Rodrigues
13h02 - 22/02/2006

Alckmistas fazem abaixo-assinado
para que Serra fique na Prefeitura

Aliados de Geraldo Alckmin colocaram na Internet o texto de um abaixo-assinado pedindo a José Serra que fique na Prefeitura de São Paulo. Para aderir online, clique no seguinte link:

http://www.petitionspot.com/petitions/serra-sp

Ontem já havia outro abaixo-assinado, também alckmista, a favor de prévias no PSDB. Eis o link:

http://www.petitionspot.com/petitions/psdb

 

Por Fernando Rodrigues

Garotinho faz pesquisa e diz
ter 70% dos votos na prévia

O ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, mandou fazer uma pesquisa telefônica com 4.000 dos cerca de 20.000 delegados que votam na eleição prévia do PMDB, marcada para o dia 19 de março, e que escolherá o candidato a presidente pelo partido.

"Foi no fim de semana, no sábado e no domingo, para pegar as pessoas em casa. Respeitamos a proporcionalidade dos delegados que votam em cada Estado. Deu 70% para mim e 30% para o [Germano] Rigotto [governador do Rio Grande do Sul]. O único Estado onde perco para o Rigotto é o Rio Grande do Sul", disse Garotinho agora de manhã, enquanto viajava de Campinas para Limeira, no Estado de São Paulo.

Metodologia: por ser um levantamento a respeito de um evento interno do PMDB, essa pesquisa de Garotinho não precisa ser registrada no TSE nem se submeter às regras obrigatórias para pesquisas nacionais.

Para Garotinho, não há a menor hipótese de os governistas do PMDB melarem a prévia de março. "O estatuto é claro. Basta que haja a prévia em 50% dos Estados ou em Estados que representem mais de 50% do partido", afirma.

Para Garotinho, alguns Estados importantes não deixarão de realizar a prévia. Juntos, têm mais de 50% dos votos, como mostra a lista abaixo ditada pelo próprio Garotinho (os percentuais se referem ao peso de cada Unidade da Federação na escolha do PMDB):

São Paulo              17,50%
Rio de Janeiro        13,50%
Minas Gerais         12,50%
Paraná                   5,80%
Goiás                     5,80%
Rio Grande do Sul   4,47%
Santa Catarina        3,98%
Total                      63,55%

"Mesmo que alguns Estados como Alagoas, Roraima ou Amapá se recusem a fazer as prévias, essa atitude não invalidará o processo. Mas acho que haverá prévia em todo o país", disse Garotinho.

Só para lembrar: sem Garotinho na parada, Lula ganharia hoje em todos os cenários possíveis no primeiro turno.

"Não há hipótese de não haver segundo turno. Eu vou ganhar a prévia, serei candidato. Em 2002, fui candidato a presidente e tive 1 minuto de tempo de TV contra 10 minutos do Serra [PSDB]. Eu acabei a eleição com apenas 4 pontos atrás dele, em terceiro lugar. Tive 18% e ele ficou com 22%. Agora, quando o horário eleitoral começar, meu desempenho será muito melhor".

Os números oficiais do primeiro turno de 2002 foram os seguintes (considerados os votos válidos):

Lula – 46,44%
Serra – 23,20%
Garotinho – 17,87% (então no PSB)
Ciro – 11,97%

E Lula, recuperou-se de uma vez e continuará a subir? Responde Garotinho, comentando a pesquisa Datafolha: "Não creio. O que ocorre é que ele já está em campanha, com horário gratuito quase diário, que é o ‘Jornal Nacional’ da TV Globo. Eu, não. Só apareço para comentar pesquisas. Quando o meu horário eleitoral começar, as coisas mudam".

A ver.

Por Fernando Rodrigues

Números agravam mais
crise interna do PSDB

Os números da pesquisa Datafolha agravam e aprofundam a crise interna do PSDB. O partido agora passa por uma situação surrealista: seu candidato hoje mais forte nas pesquisas para derrotar Lula é um completo azarão entre os próprios tucanos.

Os números do Datafolha mostram que o prefeito de São Paulo, José Serra, é o mais forte numericamente para encarnar o anti-Lula. Só que dentro do PSDB o governador paulista Geraldo Alckmin é o favorito na  chamada “base partidária”.

É bom que se diga logo: Lula ganha de todos se a eleição fosse hoje. No primeiro e no segundo turno.

Serra perde de Lula por 5 pontos de diferença num eventual segundo turno (48% a 43%). Alckmin toma uma sova de 18 pontos (53% a 35%).

No primeiro turno, no cenário mais provável (com todos os nanicos já anunciados + Garotinho), Lula tem 39% contra 31% de Serra. Na lista com Alckmin, Lula vai a 43% contra 17% do tucano –e fatura no primeiro turno.

Os responsáveis maiores por essa barafunda tucana são os dois principais caciques que comandam o processo: Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati (ler mais detalhes num post de ontem à noite, logo aí abaixo).

Enquanto Alckmin passou os últimos 3 meses viajando pelo país acertando apoios, FHC e Tasso ficaram de papo para o ar. Ontem, foram até o governador de São Paulo. Era tarde. Aliás, a reunião foi marcada às pressas. Por quê? Porque FHC precisa ir viajar para o exterior... Básico.

O comandante desse processo, se tiver interesse em revertê-lo, precisa fazer um tour pelo país e tentar reunificar o PSDB. A impressão geral é que já está um pouco fora da hora para tal empreitada.

Visão alckmista
Os alckmistas tentam usar o argumento de que o governador paulista é o que mais tem espaço para crescer ao longo da campanha. É uma hipótese. Só isso. Não há como garantir sucesso nessa empreitada.

Outra carta jogada na mesa é o fato de Marta Suplicy entrar reforçada na campanha pelo governo do Estado de São Paulo. A petista poderá dizer: “Eu falei que o Serra não se importava com a cidade de São Paulo. Ele só queria um trampolim para voltar ao plano federal”. Em seguida, dá-lhe imagem do documento assinado por Serra e registrado em cartório dizendo que não abandonaria a prefeitura.

Ontem, Alckmin deu uma leve recuada: “Não há razão para discutir prévias neste momento. Não há razão para fazer correria. Temos até março para definir o candidato”. É uma mexida tática. O tucano quer escoimar toda aparência de arrogância que possa ser inferida da sua campanha interna.

Mas no jantar do qual participou à noite, em Brasília, com a bancada tucana na Câmara, ficou claro que Alckmin é hoje o favorito internamente. “Pelo levantamento e sentimento da bancada, ela apóia Alckmin. A maioria apóia Alckmin e nosso sentimento não mudou”, disse o deputado Sílvio Torres (SP).

Visão serrista
O prefeito acha que o fato de estar bem à frente de Alckmin nas pesquisas de intenção de voto acabará fazendo valer a lei da gravidade: a candidatura cairá no seu colo naturalmente. Só que essa hipótese fica cada vez mais complexa dado o avanço do governador paulista na disputa interna da sigla.

Nunca é demais lembrar: Serra é o único que ainda força a realização de um segundo turno com Lula.

Robustecido pelo Datafolha, Serra deve começar autorizar seus interlocutores a dizerem que ele aceita uma disputa criteriosa com Alckmin (não uma prévia). Por exemplo, um colégio de congressistas e dirigentes partidários. Até que ocorra esse processo, em tese, o prefeito trabalharia para reverter os avanços de Alckmin.

Lula
O petista distribui dinheiro aos pobres, visita obras e nada de braçada enquanto os tucanos se esfalfam na disputa interna. Os números do Datafolha reforçam a tropa aliada na Esplanada dos Ministérios a levarem seus partidos para a seara lulista. Com a derrubada da verticalização, pode pintar aí uma “big aliança” em torno do PT no plano federal.

PMDB
É uma catástrofe o desempenho de Rigotto, que fica numa posição abaixo do PSOL.Garotinho se mantém onde s
empre esteve, na redondeza dos 10%. Esses números anabolizam os governistas do PMDB que vão, nas próximas duas semanas, tentar melar a prévia marcada para o dia 19 de março. A idéia é 1) tentar entregar o partido para Lula ou 2) pelo menos, não ter candidato.

Uma coisa é certa. O PMDB ter ou não ter candidato é determinante para a eleição ter ou não ter um segundo turno

Por Fernando Rodrigues

E agora, PSDB e PFL?

Os números da pesquisa Datafolha, com a maior credibilidade que um instituto de pesquisas tem no Brasil, apontam na mesmíssima direção do levantamento CNT/Sensus. Só que quando o Sensus foi divulgado, PFL e PSDB falaram em fraude e em pedir auditoria...

E agora, vão pedir auditoria no Datafolha?

Depois de 500 anos no poder, às vezes, o PFL fica ouriçado quando está do lado de fora e as coisas não vão bem. O PSDB mimetiza a mesma atitude, perdido que está. No fundo, pelo menos agora, é choro de derrotados que passam o recibo do fracasso sem saber.

Por Fernando Rodrigues

Serra está estressado

O prefeito de São Paulo sorri em público, demonstra grande autocontrole, mas está estressado.

No meio do dia estava disposto a viajar a Brasília para assistir a posse do novo presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes. Desistiu. No início da noite, foi ao show do U2 no Morumbi para relaxar.

O que tem deixado Serra irritado não é propriamente e apenas a firmeza com que Geraldo Alckmin tem se lançado como pré-candidato a presidente. O prefeito paulistano acha que algumas instâncias do partido criam “espuma” desnecessária.

Por exemplo, Serra se pergunta: qual a razão para os deputados estaduais paulistas prestarem solidariedade a Alckmin ontem? Os deputados apenas ajudam a piorar o clima interno na sigla, tornando cada vez mais difícil a busca de um eventual consenso.

Se tem alguém com capacidade para colocar uma ordem nessa disputa por apoios públicos, essa pessoa é o presidente da sigla, Tasso Jereissati. Outra pergunta: Tasso tem interesse real em buscar a pacificação?

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (22.fev.2006 - 4ª feira)

Datafolha – a pesquisa é outra bomba para os tucanos. Serra está mal. Alckmin, pior. Será o “talk of the town” em Brasília.

Conselho de Ética – decide hoje, às 10h, se a representação contra o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) será anulada. Laudos comprovaram que era falsa a assinatura do então presidente do PT, Tarso Genro, que pedia a cassação do deputado. Que feio...

Supremo – pode se decidir, finalmente, sobre o caso dos bancos –que se recusam a usar o Código de Defesa do Consumidor. Decisão vital para o avanço dos direitos do cidadão no país.

Câmara – marcada para as 9h a conclusão da votação da MP do Simples.

Por Fernando Rodrigues

Tucano faz abaixo-assinado
pró-prévia entre Serra e Alckmin

Um tucano fez um abaixo-assinado a favor de prévias entre Serra e Alckmin. Os interessados podem aderir online no seguinte endereço:

http://www.petitionspot.com/petitions/psdb

Por Fernando Rodrigues
21h06 - 21/02/2006

Tasso e FHC: eles são os
condutores da barafunda

Talvez fosse difícil para um outsider prever em dezembro que Geraldo Alckmin estava para se tornar o maior osso duro de roer dentro do PSDB. Mas o presidente da sigla, Tasso Jereissati, tinha obrigação de se mexer. Nada fez. Apostou no poder do caciquismo.

Outro que também deveria atuar para compor o PSDB é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Preferiu continuar a atacar o PT no campo ético. Viajou pelo mundo. Mas hoje não tem coragem de dizer a Geraldo Alckmin que desista do páreo.

Em resumo, Tasso e FHC, os dois principais cardeais que ficaram como árbitros do processo sucessório tucano comeram mosca. Se tivessem desde dezembro procurado todos os governadores, principais prefeitos, deputados e senadores, certamente não seriam surpreendidos agora com apoios sendo despejados de todos os lados a favor de Alckmin.

O fato é que essa desavença pela escolha do candidato tucano fará com que a sigla saia irremediavelmente rachada. Alguém aí acredita que Serra e Alckmin trabalharão verdadeiramente um pelo outro na campanha?

O corolário desse processo pelo qual passam os tucanos é simples. Ao abrir essa nova fenda (outras já existem), o PSDB fica cada vez mais parecido com o PMDB, aquele de quem se desprendeu no passado à guisa de tentar construir um novo caminho na política.

Por Fernando Rodrigues

Câmara: como ficam as
comissões permanentes

Saiu a partilha. Cada partido, por ordem de tamanho das bancadas, escolheu sua comissão permanente. É ali que se faz o bem e o mal.

Abaixo os partidos que ficaram com cada uma das comissões permanentes de trabalho da Câmara até o final desta legislatura:

PT: Constituição e Justiça; Direitos Humanos e Educação e Cultura
PFL/Prona: Agricultura; Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente
PMDB: Finanças e Tributação; Turismo e Desporto e Viação e Transporte
PTB: Defesa do Consumidor e Segurança Pública
PSDB: Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; Minas e Energia
PP: Desenvolvimento Urbano e Seguridade Social
PL: Amazônia; Trabalho, Administração e Serviço Público
PSB: Fiscalização e Controle
PDT: Relações Exteriores
PPS: Legislação Participativa

Por Fernando Rodrigues

ACM e os tucanos

Muitos sinais trocados nas atitudes do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) a respeito do rumo na escolha do candidato tucano.

Tem dia que ACM é Serra. No outro, é Alckmin.

ACM e ACM Neto já estiveram algumas vezes com Serra e com Alckmin. Nos últimos dias, a proximidade é maior com o Palácio dos Bandeirantes. Um Magalhães esteve por lá e ouviu grandes relatos de Alckmin ainda no fim de semana. Mais de uma hora de papo.

A Bahia é o 4º maior eleitorado do país. Só perde para SP, MG e RJ. Ter um aliado de peso na Bahia é fundamental para ganhar a eleição. Em 2002, ACM ajudou Ciro no 1º turno. E foi de Lula no 2º. Desta vez, não tem chance de os carlistas irem de PT novamente.

Por Fernando Rodrigues

Alckmin dirá a triunvirato que tem
a maioria do PSDB e não desiste

No encontro que terá com a trinca no comando tucano –FHC, Aécio Neves e Tasso Jereissati–, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, dirá o seguinte:

1) fez uma contabilidade concluiu: a maioria dos diretórios do partido no país está com ele, Alckmin;
2) a maioria dos governadores também o apóia. Aliás, hoje de manhã ele recebe uma delegação da Paraíba trazendo apoio explícito para dentro do Palácio dos Bandeirantes.
3) a maioria da bancada de deputados do partido também o apóia. De manhã, recebe apoio dos estaduais paulistas. De noite, janta com os federais em Brasília. 

Já é um problema de difícil solução. Como Alckmin avançou muito nas instâncias internas do PSDB, está virando um caso sem desfecho previsível. Ele tem contra si, é certo, as pesquisas de opinião desfavoráveis. Mas como a cúpula vai impedir que se candidate, pelo menos numa convenção interna, a ser o nome tucano para disputar o Planalto?

 

Complicado. E Serra continua mudo. Só pensa em dar o ar da graça de sua decisão na metade de março. Poderá ser tarde demais para uma disputa fratricida entre os tucanos. Não é à toa que o prefeito às vezes solta um "eu tenho muito a perder".

 

FHC já acusou o golpe ontem: “Não tenho medo de prévia. Nenhum democrata deve ter medo de prévia. Tem que ver se é necessário ou não. Se for necessário, sim (haverá prévia). Mas não está colocada a prévia. Acho que vamos conseguir chegar a um bom resultado antes de qualquer coisa”.

 

Com prévia, Geraldo Alckmin será o nome.

Por Fernando Rodrigues

Agora, ACM responde: "Waldir é
um perdedor e não une ninguém

O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ficou incomodado com as insinuações do ministro da Controladoria-Geral, Waldir Pires (PT), postadas ontem aqui no blog. Waldir disse que concorreria ao governo da Bahia se ACM também fosse candidato.

Fala ACM: “Três coisas. Primeiro, ele disse que une as forças democráticas. O Waldir não une ninguém porque é sempre um derrotado. Repito: Waldir é um perdedor e não une ninguém. Ele perde eleições na Bahia desde os anos 60. Perdeu duas vezes para o Senado, sendo uma das vezes para mim por uma diferença de 1,5 milhão de votos. Segundo, o Paulo Souto é meu candidato para tudo, para ser reeleito ou para ser candidato a vice-presidente. E, terceiro, eu só dialogo em política com os vivos”.

Eis aí ACM.

Por Fernando Rodrigues

Em ação incomum, EUA retiram
acesso a documentos públicos

Deu na manchete do jornal “The New York Times” (para leitores cadastrados, clique aqui) que o governo dos EUA retirou de circulação “milhares de documentos históricos que estavam disponíveis há anos”.

A reclassificação aproximadamente 55 mil documentos começou em 1999, silenciosamente, pela CIA e outras 5 agências. É um grande retrocesso no país, conhecido pela abertura e transparência dos seus papéis públicos. Há uma lei, o Freedom Information Act, de 1966, que garante esse direito.

No Brasil, ainda não há lei. Mas com esses ventos estranhos vindo do mundo desenvolvido, fica cada vez mais difícil.

Por Fernando Rodrigues

O drive político do dia (21.fev.2006 - 3a feira)

Lula – começa turnê eleitoral. Hoje e amanhã o presidente visitará 7 Estados do Nordeste. Nesta terça, será a vez de Pernambuco, Bahia e Alagoas.

CPI dos Correios – vota requerimentos. O assunto das ligações suspeitas do secretário particular de Palocci será colocado em pauta? A ver.

Mensaleiro Wanderval Santos – novela que pode acabar hoje, às 15 horas, na CCJ. A comissão vota recurso do deputado contra a decisão do Conselho de Ética, que pede a cassação.

Henrique Meirelles – presidente do BC explica (?), às 15 horas, as taxas de juros praticadas no Brasil. A audiência pública será na Câmara dos Deputados.

Lulinha – ACM defendeu ontem a criação de uma CPI para investigar o patrocínio de Telemar à empresa do filho de Lula, Fábio Lula da Silva. O senador disse ter em mãos “material” sobre o caso e que o entregaria à CPI dos Correios.

Aumento eleitoral – o relator do Orçamento, deputado Carlito Merss (PT-SC), disse ontem que serão destinados R$ 5 bilhões para os aumentos salariais dos servidores públicos neste ano. A verba dá para todos os servidores terem reajuste de, no mínimo, 29%. Mais um dado para a campanha de Lula.

Por Fernando Rodrigues
09h10 - 20/02/2006

Cúpula tucana tenta marcar almoço
de compensação com Geraldo Alckmin

Para compensar a gafe da semana passada, o triunvirato tucano --formado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo governador de Minas Gerais Aécio Neves, e pelo presidente nacional do PSDB Tasso Jereissati-- tenta marcar para amanhã, terça-feira, encontro com o governador paulista Geraldo Alckmin.

A idéia é conter o ímpeto de Alckmin, pré-candidato do partido à presidência da República, que demonstrou publicamente seu descontentamento com o almoço realizado entre a cúpula tucana e o prefeito de São Paulo, José Serra, outro postulante à indicação do partido para concorrer às eleições de outubro.

Para amanhã, Alckmin já tem certo um grande jantar com a bancada tucana em Brasília. Cabe a FHC, Aécio e Tasso tentar convencer o governador a um "almoço de compensação".


 

Por Fernando Rodrigues

"Se ACM for candidato, vou impedir
a volta do atraso", diz Waldir Pires

O ministro da Controladoria-Geral da União, Waldir Pires, telefona para informar a este blog: “Se ACM se lançar candidato ao governo da Bahia, eu então postularei dentro do partido a minha candidatura para derrotá-lo, impedindo a volta do atraso. Se ACM for candidato, vou impedir a volta do atraso”.

Waldir reagiu a uma informação aqui postada na semana passada, no dia 16 de fevereiro. Nessa data, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) dizia que o melhor candidato a vice-presidente da República pelo PFL é Paulo Souto, atual governador da Bahia –e não o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC). “O duro é que eu daí teria de voltar ao Estado para ser eu próprio candidato a governador”, havia declarado o cacique baiano.

A sugestão de ACM preocupou Waldir, que tem  79 anos e é filiado ao PT. Ele é na Bahia o mais antigo rival de ACM, que tem 78 anos. A lógica baiana é que Paulo Souto seja o candidato à reeleição pelo PFL. Pelo PT o nome já praticamente certo é o do ministro Jaques Wagner (Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula).

Nos bastidores da política baiana há uma interpretação para a fala de ACM na semana passada. Se Paulo Souto for reeleito, entrará no seu 3º mandato. Já comandou o Estado de 1995 a 1998. Depois, virou senador por 4 anos. Em 2002, voltou ao governo estadual, para o mandato que termina agora em 31 de dezembro.

Com 3 mandatos nas costas, Paulo Souto ficaria equiparado a ACM em números de governos estaduais. Com uma grande diferença: ACM foi 2 vezes governador nomeado pela ditadura militar (de 1971 a 1975 e de 1979 a 1983) e só 1 vez eleito pelo voto direto (para o período de 1991 a 1994).

Com Paulo Souto ficando na Bahia, pela primeira vez o carlismo estaria produzindo um herdeiro para o espólio de ACM. É isso que ACM parece não querer aceitar. Por essa razão, insinua que pode voltar para o Estado.

Waldir Pires concorda com esse raciocínio ventilado em Brasília. Enxergou na frase de ACM uma possibilidade para uma “confrontação de vidas, de idéias”. Para Waldir, “seria uma grande batalha para todas as forças democráticas da Bahia se unirem”.

O ministro da Controladoria-Geral faz uma ressalva: “No momento, não sou candidato a nada nesta eleição. Mas se ACM quiser voltar para o governo da Bahia, ele vai me ter pela frente. A não ser que me recusem [no partido]”.

As declarações de Waldir devem atiçarACM. O cacique pefelista tem detonado o governo Lula nos bastidores. Agora, deverá ficar ainda mais ouriçado.

A Bahia, só para lembrar, é o 4º maior eleitorado do país (8.954.998eleitores em 2004), perdendo apenas para o chamado “Triângulo das Bermudas da política” (SP, MG e RJ). Em 1989, Ulysses Guimarães (PMDB) amargou o 7º lugar com apenas 4,43% dos votos. Na Bahia, entretanto, teve perto de 14% –é que Waldir Pires era o seu candidato a vice (à época, também no PMDB).

Por Fernando Rodrigues

Como Serra reagirá a Alckmin?

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), investiu muito neste fim de semana. Não arreda pé de ser o candidato tucano a presidente da República. Tem sido a fase mais agressiva de sua carreira.

As 2 perguntas que não querem calar: 1) como reagirá o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), o preferido da cúpula tucana? 2) como reagirão os caciques do PSDB?

Por Fernando Rodrigues

Cartórios online na Internet

Pode até não dar em nada (acho que dará em nada), mas a iniciativa é boa: um projeto de lei tornando obrigatória a informatização padronizada dos serviços notariais e de registros em todo o país.

Hoje, a bagunça é geral nos cartórios de forte influência ibérica e lusitana. O projeto de lei 6638/06, do deputado Vadinho Baião (PT-MG), pretende colocar ordem nessa área. Para os interessados, o site da Câmara permite o cadastramento para receber notícias sobre a tramitação de projetos de lei.

Só para comparar, nos EUA é possível saber os nomes dos proprietários de qualquer empresa registrada legalmente. Esse tipo de informação é guardada pelas Secretarias de Estado de cada um dos Estados daquele país. No endereço abaixo, você encontra todos os links possíveis:

http://www.nass.org/UnitedStates_file/United_States.htm

Por Fernando Rodrigues

Jobim abre encontro sobre página
eletrônica integrada de tribunais

Outra boa notícia. Começa hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) o encontro “A Padronização de Pesquisa de Jurisprudência na Internet”. A abertura será às 14h, na sede da instituição, com a participação de Nelson Jobim. A idéia é permitir pesquisas de todos os principais tribunais do país em apenas uma página na Internet. Em tese, o serviço já está disponível a partir de hoje no site do STF.

Os tribunais incluídos são: STF, Superior Tribunal de Justiça (STJ), Tribunal Superior do Trabalho (TST), Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Superior Tribunal Militar (STM), Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) e Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT).

O encontro de hoje no Supremo termina às 17h.

Por Fernando Rodrigues

CPI dos Correios tende a deixar
muitas investigações inconclusas

Abaixo, a lista de temas que podem ficar no ar depois do fim da CPI dos Correios. Os itens foram compilados para reportagem de Adriana Vasconcelos, de “O Globo” (para leitores cadastrados desse jornal, clique aqui).

MENSALÃO: Embora já tenha confirmado que uma das fontes do valerioduto foi a Visanet, além de contratos das empresas de Marcos Valério com as estatais, a CPI não conseguirá identificar o destino dos recursos. Não se sabe para onde foram os R$ 4 milhões que teriam sido repassados ao ex-deputado Roberto Jefferson.

CORREIOS: A CPI rastreou o esquema de corrupção e superfaturamento de contratos na estatal, o que levou à demissão de diretores e funcionários de carreira, mas não terá tempo para identificar todas as empresas que pagaram propinas.

IRB: Com o afastamento do deputado Carlos Wiliam (PTC-MG) da sub-relatoria sobre a estatal, a CPI deverá apresentar como resultado da investigação uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

FUNDOS DE PENSÃO: A CPI só conseguirá analisar 30% da documentação a que teve acesso sobre os investimentos dos fundos em corretoras. Na reta final, o objetivo é confirmar se parlamentares da base governista foram beneficiados.

DUDA MENDONÇA: Devido a seu depoimento, o publicitário é considerado réu confesso por ter recebido recursos não contabilizados do valerioduto no exterior. A investigação sobre a conexão internacional do esquema montado por Marcos Valério terá de ser concluída pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

PT: O relatório final da CPI deverá propor o indiciamento de ex-dirigentes petistas como Delúbio Soares, Silvio Pereira e José Genoino, além do empresário Marcos Valério, que teria operado o esquema de financiamento do PT, e dos partidos da base aliada. A comissão ainda busca provas para comprovar o envolvimento dos ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken.

PSDB: A CPI comprovou que o esquema de financiamento do PT e dos partidos aliados montado com Marcos Valério havia sido experimentado antes da campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas em 1998. Mas é pouco provável que avancem as investigações sobre a lista de supostos beneficiários de doações não contabilizadas de Furnas.

Por Fernando Rodrigues

O drive político da semana (20-24.fev)

Câmara – se houver quórum (surpresa!), a Câmara realiza hoje (!), às 18h, a sua primeira sessão deliberativa de 2006 na atual legislatura (antes foi tudo convocação extraordinária).
Na pauta, o PL 5855/05, mais conhecido como lei anti-showmício (votação dos destaques).

MPs – Antes de qualquer outra ação, os deputados precisam votar 2 medidas provisórias que trancam a pauta. A MP 275/05 (altera o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos, o Simples) e a MP 276/06 (abre crédito extraordinário no valor de R$ 350 milhões para a operação tapa-buracos).

CPIs dos Correios e dos Bingos – vão silenciar sobre os milhares de telefonemas esquisitos para o celular de Ademirson, secretário particular de Palocci?

Conselho de Ética – parado. Ninguém aceitou convite para depor nesta semana pré-Carnaval. É o Brasil no seu melhor.

Wanderval Santos – novela pode acabar amanhã (terça), às 15 horas. A CCJ vota recurso contra a decisão do Conselho de Ética, que pede a cassação.

Lula em turnê eleitoral – petista sai em campanha aberta pelo país. Na sexta (17.fev), esteve na Festa da Uva e Conselho de Igrejas, no Sul.
Nesta semana, vai a Pernambuco, Bahia e Alagoas (amanhã, terça) e Piauí, Maranhão e Pará (na quarta). Inaugira obras já inaguradas, lança pedras fundamentais, enfim o kit básico do presidente-candidato.

Justiça on-line –hoje começa a funcionar a pesquisa de jurisprudência no site do STF. A página vai integrar 6 tribunais, como STJ e TSE. Alvíssaras. 

EUA – hoje é feriado por lá. Dia do presidente.

Por Fernando Rodrigues
22h01 - 19/02/2006

Assessoria de Eymael manda carta

 

Citado aqui neste blog outro dia na semana passada ("Piada pronta: com 1,5%, PSDC acha que "entra firme" na eleição", dia 15.fev), o pré-candidato do PSDC a presidente da República, José Maria Eymael, instruiu sua assessoria a mandar uma carta. Democraticamente, aí vão alguns trechos:

 

“Caro jornalista,

 

Recebemos de praticamente todos os Estados Brasileiros manifestações  de Lideranças e militantes, referente ao  seu comentário sobre o PSDC e nos sugeriram que fornecêssemos informações adicionais a você  sobre a realidade do PSDC .

 

É verdade que faz parte do "patrimônio" político do Deputado Federal Constituinte o jingle "EY, EY, EYMAEL",  mais conhecido do País , mas ao lado disso, existem outros aspectos relevantes, que passo a descrever abaixo.

 

Graças às idéias da Democracia Cristã e como instrumento  dela ao ser concluída a Assembléia Nacional  Constituinte, o Deputado Eymael ficou entre os 15 Constituintes com o maior número de propostas aprovadas, sendo um total de 145, entre elas, por exemplo estão grande parte das conquistas dos trabalhadores como;

- o aviso prévio mínimo de 30 dias e parte considerável dos mecanismos  de defesa do contribuinte, como;

- nenhum tributo pode ter efeito de confisco, o não pagamento de ITR pelos pequenos produtores rurais  e a possibilidade das alíquotas do ICMS variarem de acordo com a essenciabilidade [sic] dos produtos.

 

Queremos ainda, aproveitar a oportunidade para informá-lo que o PSDC com os resultados obtidos nas  eleições de 2004 com os votos que recebeu para Prefeitos, posicionou-se na 13ª força política do País.

Nas eleições de 2006, além de Candidato Próprio à Presidência da República, também terá candidatos próprios a Governador nos 26 Estados  e no Distrito Federal".

Por Fernando Rodrigues

Jobim acaba com suspense
e anuncia entrada no PMDB

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, acabou com um suspense: vai mesmo se filiar ao PMDB. Havia uma dúvida a respeito de qual partido seria o seu destino. Além do PMDB, falou-se muito em Brasília no PSB, sigla aliada a Lula e que poderia ocupar a vaga de vice-presidente em outubro. Há poucos dias ele também deu a entender que não seria candidato a nenhum cargo neste ano --logo, não estaria obrigado a ter filiação partidária.

Só que na edição deste domingo do “Diário de Santa Maria” (só para leitores cadastrados), Jobim se abriu: “Saindo daqui (STF), me filiarei ao PMDB lá em Santa Maria da Boca do Monte, onde está meu título eleitoral”.

Gaúcho, Jobim fez carreira política na região de Santa Maria, cidade onde nasceu e que hoje tem como prefeito Valdeci Oliveira, do PT.

Lacônico em algumas de suas respostas ao repórter Klécio Santos, da Agência RBS, Jobim respondeu assim a uma possível vaga de vice na chapa com Lula: “Eu só examinaria essa situação depois de sair do Supremo”.

Quando indagado sobre uma eventual candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, o presidente do STF foi mais enfático: “Não sou candidato a nada”. Essa é a mesma frase que disse há poucos dias em Brasília. Nesse caso, não haveria necessidade de filiação partidária tão rápida como a anunciada.

Por Fernando Rodrigues

Livros na Web

Um post domingueiro para uma bela novidade que pegou. O site Domínio Público do MEC já conta com 10 mil obras literárias, músicas, reproduções de fotografias e quadros. Tudo grátis. A maioria das obras digitadas está em pdf. Quem tiver tinta no cartucho, imprime o livro em casa.

A informação aparece hoje em reportagem de Erika Klingl, no “Correio Braziliense” (só para assinantes).

O site mantido pelo MEC tem coisas surpreendentes e convida a muitas horas de navegação para quem tem tempo –olha o Carnaval aí. Tome-se o caso de Jack London, um dos mais surpreendentes autores do século passado (morreu aos 40 anos e escreveu 50 livros). No www.dominiopublico.gov.br, encontra-se 103 íntegras de London. Muitas são edições diferentes do mesmo livro.

Nestes tempos estranhos de política no Brasil, é uma boa pedida ler dois livros de London: “Martin Eden” e “The People of the Abyss”. Além dos clássicos infanto-juvenis mais conhecidos de todos, como “White Fang” e “The Call of the Wild”.

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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