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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

07h39 - 28/10/2005

Metodologia

Ânimos exaltados sobre o detector de mentiras. Natural. Mas, atenção: este blog não está afirmando que as análises são 100% corretas. Está só dizendo que há uma análise.

Outra dica: é importante conhecer a metodologia do processo (descrita nos "posts" abaixo).

No caso das frases analisadas, segundo o programa de computador utilizado, fica evidenciado (segundo o detector de mentiras) que o assessor de Lula não mentiu ao dizer que não disse a Bruno Daniel algo sobre dinheiro para José Dirceu. É possível que tenha dito para outra pessoa? Não se sabe. É possível que tenha até levado dinheiro para Zé Dirceu? Não se sabe.

Esse episódio só serve para mostrar o quão inúteis são as acareações se as CPIs não se prepararam com dados documentais para confrontar com as declarações... Esse é o ponto. Sejamos francos, essas CPIs todas, com a exceção de poucos de seus integrantes, não querem apurar nada.

Por Fernando Rodrigues
22h15 - 27/10/2005

Gilberto Carvalho falou a verdade,
diz análise de detector de mentiras

Este blog pediu uma análise com detector de mentiras para declarações de Bruno Daniel (irmão de Celso Daniel) e de Gilberto Carvalho (assessor de Lula). Foram consideradas as falas iniciais de ambos na acareação de quarta-feira (26/10).

Quando o assunto é o tal dinheiro que Gilberto teria levado para Zé Dirceu (R$ 1,2 milhão), o resultado do detector é que o assessor de Lula diz a verdade quando nega ter contado tal história para os irmãos de Celso Daniel.

E Bruno Daniel, segundo o detector, não diz a verdade quando fala sobre ter ouvido de Gilberto Carvalho a tal informação sobre o R$ 1,2 milhão para Zé Dirceu.

O detector é o programa de computador LVA, usado pela Truster Brasil (www.truster.com.br), que trabalha para os setores de investigação de várias polícias no Brasil. A tecnologia é israelense.

Nos “posts” abaixo, detalhes do laudo produzido pela Truster.

Se você quiser ver e/ou ouvir os trechos analisados, clique nos links abaixo:

Áudio
Bruno Daniel
http://www1.uol.com.br/radiouol/play.htm?au=es93_271005_56

Gilberto Carvalho
http://www1.uol.com.br/radiouol/play.htm?au=es94_271005_56

Vídeo
Bruno Daniel
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/fernando/2005/10/27/ult2493u140.jhtm

Gilberto Carvalho
http://noticias.uol.com.br/uolnews/brasil/fernando/2005/10/27/ult2493u141.jhtm

Por Fernando Rodrigues

O laudo técnico do detector de
mentiras com Gilberto Carvalho

A seguir, trechos do laudo técnico sobre a análise de um trecho da acareação entre Gilberto Carvalho e Bruno Daniel. A análise foi realizada pela Truster Brasil (www.truster.com.br), a pedido deste blog. Neste "post", os resultados para Gilberto Carvalho:

Os Resultados

Sr. Gilberto Carvalho

- O fator EMOCIONAL NÃO está muito estável. ALTERAÇÃO EMOCIONAL detectada.

 - O fator COGNITIVO está relativamente estável. Nenhum conflito lógico foi detectado.

 - O fator ESTRESSE está relativamente instável. Estresse foi detectado dentro de níveis aceitáveis.

 - O fator TENSÃO está relativamente instável. Um pequeno complexo de culpa foi detectado.

>> Segmentos Fraudulentos e Suspeitos >>

Com relação à declaração de Bruno Daniel:

REL (17): 'com relação aquilo que foi afirmado' - IMPRECISÃO <INC.+>

REL (18): 'pelo Sr. Bruno' - TENSÃO ALTA <N.I.F.>

REL (19): 'eu quero dizer' - * ESTRESSADO * <N.I.F.>

REL (20): 'não apenas na condição de' - ALTAMENTE ESTRESSADO <INC.>

REL (21): 'acusado' - NÃO TEM CERTEZA <INC.>

REL (22): 'mas na condição de testemunha, na condição' - ESTRESSE EXTREMO <INC.>

REL (23): 'de quem tem compromisso com a verdade' - IMPRECISÃO <INC.+>

REL (24): 'eu não falei' - ESTRESSADO <N.I.F.>

REL (25): 'a estes senhores' - NÃO TEM CERTEZA <INC.>

REL (26): 'que eu transportei dinheiro' - ALTAMENTE ESTRESSADO <INC.>

REL (27): 'trata-se de uma mentira' - ALTAMENTE ESTRESSADO <INC.>

REL (28): 'eu não falei que levei dinheiro' - ALTAMENTE ESTRESSADO <INC.>

REL (29): 'ao senhor' - VERDADE <N.I.F.>

REL (30): 'ao deputado, ao então deputado José' - ALTAMENTE ESTRESSADO <INC.>

REL (31): 'Dirceu' - VERDADE <N.I.F.>

Conclusão: De acordo com a análise do programa, o Sr. Gilberto Carvalho não disse aos irmãos de Celso Daniel que transportava dinheiro. É verdade que ele não entregou dinheiro ao então deputado José Dirceu.

Com relação ao motivo do encontro com a família de Celso Daniel:

REL (42): 'e fui para ' - ESTRESSADO <N.I.F.>

REL (43): 'fazer um acompanhamento do' - IMPRECISÃO <INC.+>

REL (44): 'processo' - IMPRECISÃO <INC.+>

REL (45): 'para me colocar a disposição da família' - ALTAMENTE ESTRESSADO <INC.>

REL (46): 'para fazer uma' - IMPRECISÃO <INC.+>

REL (47): 'interligação' - ESTRESSADO <N.I.F.>

REL (48): 'entre o processo' - * PROVAVELMENTE MENTINDO * <F.I.>

REL (49): 'de investigação' - * ESTRESSADO * <N.I.F.>

REL (50): 'que já se desenhava, que já se desempenhava naquele' - AFIRMAÇÃO FALSA(P3) <F.I.>

REL (51): 'momento' - ESTRESSADO <N.I.F.>

REL (52): 'e manter a família' - IMPRECISÃO <INC.+>

REL (53): 'informada' - ESTRESSADO <N.I.F.>

Conclusão: De acordo com a análise do programa, o Sr. Gilberto Carvalho não está sabendo explicar a razão pela qual esteve com a família, ou está confundindo fatos.

---------------------------

Conclusão Geral: De acordo com a análise do programa o Sr. Gilberto Carvalho está dizendo a verdade com relação à não ocorrência das declarações atribuídas a ele pelo Sr. Bruno Daniel.

Observações:

Importante ressaltar que este Laudo Técnico não prova a existência, ou não, dos fatos.

Mauro J. Nadvorny – Perito em Veracidade

(www.truster.com.br)

Por Fernando Rodrigues

O laudo técnico do detector de
mentiras com Bruno Daniel

A seguir, trechos do laudo técnico sobre a análise de um trecho da acareação entre Gilberto Carvalho e Bruno Daniel. A análise foi realizada pela Truster Brasil (www.truster.com.br), a pedido deste blog. Neste "post", os resultados para Bruno Daniel:

Os Resultados

[legenda]

F.I. = Fraude Indicada

N.I.F. = Nenhuma Indicação de Fraude

INC. = Inconclusivo

*** Relatório de Análise ***

-----------------------

Sr. Bruno Daniel

- O fator EMOCIONAL NÃO está muito estável. ALTERAÇÃO EMOCIONAL detectada.

- O fator COGNITIVO está relativamente estável. Nenhum conflito lógico foi detectado.

- O fator ESTRESSE está relativamente instável. Estresse foi detectado dentro de níveis aceitáveis.

- O fator TENSÃO está relativamente instável. Um pequeno complexo de culpa foi detectado.

>> Segmentos Fraudulentos e Suspeitos >>

Com relação ao que teria dito Gilberto Carvalho a eles:

REL (10): 'portanto tratou-se de um encontro rápido' - PROVAVELMENTE MENTINDO(P4)

REL (11): 'rápido' - * EXCITADO *

REL (12): 'e neste encontro rápido' - * IMPRECISÃO *

REL (13): 'foi feito o relato pelo Gilberto' - * ESTRESSE EXTREMO *

REL (14): 'Carvalho a nós' - IMPRECISÃO

REL (15): 'de que havia um esquema em Santo' - * AFIRMAÇÃO FALSA(P3) *

REL (16): 'André de arrecadação de recursos' - PROVAVELMENTE MENTINDO

REL (17): 'e que eram utilizados' - ALTAMENTE ESTRESSADO

REL (18): 'para financiamento' - ESTRESSADO

REL (19): 'de campanhas do PT' - ALTAMENTE ESTRESSADO

REL (20): 'e' - EXPECTATIVA ALTA

REL (21): 'em certa oportunidade o Gilberto' - ESTRESSE EXTREMO

REL (22): 'Carvalho chegou a encaminhar' - ESTRESSE EXTREMO

REL (23): 'ao deputado José Dirceu' - IMPRECISÃO

REL (24): 'a quantia de um milhão e duzentos mil reais' - ESTRESSE EXTREMO

Conclusão: De acordo com a análise do programa, o Sr. Bruno Daniel não está sendo verdadeiro quando diz Gilberto Carvalho teria relatado sobre um esquema de arrecadação de recursos para financiamento de campanhas do PT. Provavelmente não é verdade que tenha relatado sobre o envio de dinheiro ao deputado José Dirceu.

Observações:

Importante ressaltar que este Laudo Técnico não prova a existência, ou não, dos fatos.

Mauro J. Nadvorny – Perito em Veracidade

(www.truster.com.br)

Por Fernando Rodrigues

A nova agenda da CPI nos EUA

Num "post" de ontem, a data era domingo... Pois houve um novo atraso. Para que pressa? Duda Mendonça depôs confessando um crime em 11 de agosto. Agora, passado um "tempinho", os congressistas vão atrás dos documentos bancários do marqueteiro.

A data da viagem mudou de domingo (30/10) para terça-feira (1/11). Quatro congressistas (Delcídio Amaral, Osmar Serraglio, Gustavo Fruet e Ideli Salvatti) desembarcam na quarta-feira em Washington. Na quinta-feira, Nova York.

E, com sorte, até o final de novembro os papéis chegam ao Brasil...

Por Fernando Rodrigues

Fim do inferno astral...

Lula faz 60 anos hoje.

Por Fernando Rodrigues

Copom otimista é bálsamo para
projeto de reeleição de Lula

Saiu hoje a ata da reunião em que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu os juros de 19,5% para 19%, na semana passada. Otimista, o documento é um bálsamo para o projeto de reeleição de Lula. O Copom não enxerga grandes pressões inflacionárias à frente. Logo, o juro pode cair mais.

Se as coisas andarem no ritmo atual, de corte de 0,5 ponto percentual por mês, a taxa Selic termina dezembro em 18%. Em abril, estará em 16%. Mas há já em Brasília quem aposte em uma redução mais vibrante nos próximos meses. Por exemplo, uma taxa de 16% em janeiro ou fevereiro.

Nesse caso, essa queda vai coincidir com os estertores do escândalo do mensalão. Lula poderá então ter recuperado alguma popularidade. Em abril, na hora de fazer alianças, seria (nessa análise edulcorada da realidade pelos próprios petistas) um candidato mais do que competitivo para se reeleger em outubro de 2006.

Essa é a avaliação do governo. No "post" abaixo, a análise menos otimista, da oposição e do mercado.

Por Fernando Rodrigues

Para mercados, BC perdeu a hora;
oposição espera repique do mensalão

Para os mercados, essa entidade etérea, o Banco Central perdeu o “momentum”. Quando o planeta inteiro estava na onda de juros baixos, o Brasil seguia rumo oposto. Agora, a maré está mudando lá fora, ainda que levemente.

Perguntam-se os financistas: o BC de Lula terá coragem de ir contra a maré internacional? Vai derrubar os juros no momento em que os outros elevam? O tempo dirá.

Já a oposição espera repiques sucessivos no escândalo do “mensalão”. Nos últimos dias, muita conversa nos corredores do Congresso sobre possíveis novos “mensaleiros” (mais congressistas envolvidos). A ver.

Por Fernando Rodrigues
19h54 - 26/10/2005

Saiu a agenda de Nova York

Duda Mendonça depôs em 11 de agosto. Confessou ter recebido dinheiro no exterior. Meses se passaram.

Agora, no dia 30 de outubro, domingo, embarcam para Nova York para buscar os documentos financeiros do marqueteiro de Lula os seguintes 4 congressistas: Delcídio Amaral (PT-MS), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Ideli Salvatti (PT-SC).

Antes tarde do que nunca.

Os 4 devem ir ao Departmento de Justiça norte-americano na segunda-feira, dia 31, em Washington. E na terça-feira, dia 1 de novembro, encontram-se com os representantes da Promotoria Distrital da Nova York.

Por Fernando Rodrigues

O texto do abaixo-assinado pró-Zé Dirceu

Seja lá como for possível interpretar o documento, abaixo a íntegra do texto do abaixo-assinado de personalidades a favor de Zé Dirceu. Mais adiante, no outro post, os nomes dos signatários.

Cassação do deputado José Dirceu é um ato de injustiça

O país atravessa há praticamente cinco meses uma avalanche de denúncias e especulações. A partir de depoimentos do ex-deputado Roberto Jefferson, nos quais acusou a existência de um suposto esquema para compra de votos entre parlamentares, teve início uma escalada para colocar no banco dos réus o governo do presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.

Um clima de rancorosa euforia tomou conta das forças oposicionistas. Não hesitaram em classificar e reinterpretar os fatos de acordo com suas conveniências. Pouco importa que nenhuma prova concreta corrobore a versão difundida por setores da mídia convertidos em supremos promotores pairando acima das instituições democráticas. Aos acusadores sequer interessa que as investigações não tenham, até o presente, confirmado qualquer esquema para compra de votos na Câmara. Ou que inexistam evidências sólidas contestando o depoimento do ex-tesoureiro petista, segundo o qual recursos não-contabilizados saldaram dívidas eleitorais e foram originados por empréstimos bancários legalmente reconhecidos pelo Banco Central.

Um grave delito foi cometido, aliás confessado por seus autores, quando se recorreu a métodos irregulares de financiamento, em flagrante violação da lei eleitoral. Milhões de cidadãos não escondem sua decepção com a contaminação do PT por este expediente tradicional e perverso de nosso sistema político. Mas a exploração pública que agora disso se faz contraria preceitos constitucionais e revela ranço antidemocrático. Ignoram-se o direito de defesa, a presunção da inocência, o devido processo legal e a isenção investigativa.

Nos momentos de maior histeria, o objetivo chegou a ser o mandato delegado pelo povo ao presidente da República. Mas desde o início da crise, de forma intensa e incessante, o peso principal de tamanha artilharia recaiu sobre o deputado José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-presidente do PT e ex-chefe da Casa Civil.

Não há contra este parlamentar indícios materiais que o vinculem aos recursos irregulares. A principal testemunha de acusação, o ex-deputado Roberto Jefferson, perdeu seu mandato, entre outras razões, porque denunciou sem provas a existência do chamado "mensalão", quebrando o decoro parlamentar. Um paradoxo que não pode calar: o mesmo colegiado que cassou um dos seus por acusação caluniosa pode expulsar de suas fileiras a principal vítima das calúnias de quem foi condenado exatamente por suas mentiras?

Não estão em questão os erros que o ex-ministro possa ter cometido ou sua responsabilidade política pela crise que atravessa seu partido e o país. A democracia prescreve, para esses males, o julgamento das urnas e a crítica dos correligionários. Imputam-se ao ex-ministro, isto sim, delitos que configurariam desrespeito aos compromissos exigíveis de um mandatário . A ausência de provas levou seus denunciantes a um eufemismo, apelidando de julgamento político um processo que fere garantias constitucionais e ameaça transformar as instituições parlamentares em tribunal de exceção.

A Câmara dos Deputados tem a oportunidade e o dever cívico de impedir esse retrocesso. O deputado José Dirceu não pode ser banido uma segunda vez da vida pública pelo projeto político que representa. Não pode ser punido para satisfazer o ódio dos que sempre foram inimigos das causas que abraçou. Não pode ser cassado para saciar a fome de vingança das forças que historicamente resistiram às mudanças e aos sonhos.

Defendemos o mandato do deputado José Dirceu. Não precisamos desculpá-lo por seus equívocos, concordar com suas atitudes ou subscrever suas idéias. Mas a cassação desse parlamentar seria uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício.

Por Fernando Rodrigues

Quem assinou o documento pró-Zé Dirceu

Abaixo, os signatários do abaixo-assinado a favor do ex-ministro de Lula:

abelardo blanco (arquiteto) >> afonso borges (jornalista e produtor cultural) >> afonso magalhães (coordenador da central de movimentos populares) >> aldo lins e silva (advogado e conselheiro da república) >> alfredo buso (arquiteto) >> aluisio palmar(jornalista) >> alvaro caropreso (jornalista) >> ana clara schemberg (bióloga) >> ana de hollanda (cantora) >> antonio abujamra (dramaturgo) >> antonio grassi (ator) >> antonio netto (presidente da cgtb) >> antonio pitanga (ator) >> argemiro ferreira (jornalista) >> ariovaldo ramos (pastor evangélico) >> aton fon filho (advogado) >> augusto boal (autor e diretor teatral) >> beth fleury (jornalista e escritora) >> caio rosenthal (médico) >> cecília vicente de azevedo alves pinto (escritora) >> cláudio cerri (jornalista) >> claudio kahns (cineasta) >> claudio tozzi (pintor) >> consuelo de castro (escritora) >> cosette alves (empresária) >> dalmo dallari (jurista) >> darcio pauperio serio (advogado) >> eduarda duvivier (arquiteta e escultora) >> eduardo fagnani (economista) >> emir sader (cientista político) >> fernando lyra (advogado) >> fernando morais (escritor) >> flávio tavares (jornalista e escritor) >> frederico mazzucchelli (economista) >> gianfrancesco guarnieri (ator e escritor) >> guilherme fontes (ator e cineasta) >> hildegard angel (jornalista) >> jards macalé (músico) >> joão felício (presidente da cut) >> josé de abreu (ator) >> josé roberto aguilar (artista plástico) >> laércio de almeida lopes (psiquiatra) >> lawrence pih (empresário) >> lia ribeiro dias (jornalista) >> luciano chirolli (diretor de teatro) >> luciano coutinho (economista) >> lucy barreto (produtora de cinema) >> luis vergueiro (publicitário) >> luiz carlos barreto (cineasta) >> luiz fernando emediato (jornalista e editor) >> luiz gonzaga belluzzo (economista) >> luiz paulo rosenberg (economista) >> malu alves ferreira (jornalista) >> manoel de serra (presidente da contag) >> márcia frazão (escritora) >> maria alice vergueiro (atriz) >> maria augusta carneiro ribeiro (socióloga) >> maria das graças sena (produtora de cinema) >> maria do amparo araújo (familiares de mortos e desaparecidos) >> maria helena moreira alves (cientista política) >> mariza leão (cineasta) >> olgária mattos (filósofa) >> oscar niemeyer (arquiteto) >> osmar prado (ator) >> ottoni fernandes jr. (jornalista) >> paulo betti (ator) >> paulo caruso (cartunista) >> paulo maldos (psicólogo) >> paulo ribeiro (jornalista e empresário) >> paulo thiago (cineasta) >> pedro paulo sena madureira (editor) >> radha abramo (crítica de arte) >> raimundo rodrigues pereira (jornalista) >> reinaldo guarany (artista plástico e escritor) >> ricardo kotscho (jornalista) >> rui goethe da costa falcão (jornalista e advogado) >> sérgio amadeu (sociólogo) >> sérgio rezende (cineasta) >> sérgio sérvulo da cunha (advogado) >> sérgio sister (jornalista e artista plástico) >> silvio da rin (documentarista) >> suzana keniger lisboa (familiares de mortos e desaparecidos) >> sylvia bahiense naves (diretora da cinemateca brasileira) >> tizuka yamasaki (cineasta) >> toni cotrim (publicitário) >> vanderley caixe (advogado) >> vanya guarnieri (socióloga) >> vladimir sacchetta (jornalista e produtor cultural) >> wagner tiso (músico) >> zélio alves pinto (artista plástico) >> ziraldo (cartunista)  carlos tavares (jornalista, advogado, bancário)

Leia a íntegra do abaixo-assinado 

Por Fernando Rodrigues

Renan e Lula iniciam operação 'abafa'

Lula e Renan tiveram um encontro rápido hoje de tarde no Palácio do Planalto. O petista estava com a agenda atrasada e Renan precisava voltar para presidir a votação no Senado. Por isso, o presidente da República e o presidente do Senado já marcaram nova conversa sobre o gerenciamento da crise política para amanhã de tarde.

Até agora não foi protocolada oficialmente, na mesa do Senado, a CPI do Caixa 2, proposta pelo PSDB. Forma-se rapidamente um consenso de que essa investigação morrerá antes de nascer. O Planalto não quer nem a oposição.

Por Fernando Rodrigues

Senado discute Zona Franca no PA e AP

O Senado discute neste momento a MP 255. É possível que seja aprovada ainda hoje. Vai criar uma Zona Franca no Amapá (defendida por Sarney) e outra Zona Franca no Pará. Há um impasse no momento, porque todos os outros Estados da região também querem criar uma Zona Franca.

Depois falta dinheiro para educação.

Por Fernando Rodrigues

Renan e Lula se reúnem agora;
Senado deve arquivar CPI do Caixa 2

Lula chamou Renan Calheiros agora para uma conversa a sós no Palácio do Planalto. O presidente do Senado saiu do Congresso há poucos minutos e já está com o presidente da República.

Pauta: a crise que não acaba, as CPIs que não devem ser prorrogadas, a cassação de Zé Dirceu, o desânimo de Renan nos últimos dias (irritado com a decisão do Planalto de entrar com uma ação contra o aumento de 15% dos salários dos funcionários do Senado) e, por fim, a tal nova CPI do Caixa 2, proposta pelo PSDB.

Se der a lógica, Renan vai dizer a Lula que a CPI do Caixa 2 foi preparada para não prosperar: não tem fato determinado e não poderá ser instalada. Esse é o consenso entre os caciques do Congresso. Se bobear, até dentro do PSDB essa deve ser a opinião majoritária...

Por Fernando Rodrigues

João Francisco Daniel foi procurado
pela oposição em 2002

João Francisco Daniel foi procurado em 2002 para dar depoimento para a oposição. Não aceitou. Gilberto Carvalho confirma.

Mas o assessor de Lula diz que isso só prova que há uso político do caso. Não faz sentido. Se havia uma hora para fazer uso político, essa hora foi em 2002.

De novo, nada modifica substancialmente a situação.

Por Fernando Rodrigues

Termina fase inicial da acareação

Termina a fase inicial da acareação, em que os acareados falam entre si.

Nada, nada, absolutamente, nada esclarecido.

Agora, vão participar os integrantes da CPI... Farão suas usuais perguntas inteligentes (sic) e bem preparadas (sic)... A chance de novidade tende a zero.

Frases dos irmãos:

“Gilberto, você está com a alma aprisionada”.

“Vamos acabar com essa palhaçada. Vamos nos dispor a fazer um teste [com um detector de mentiras]”.

Por Fernando Rodrigues

Acareação vira festival de negativas

Gilberto Carvalho negou ter levado dinheiro a Zé Dirceu.

Os irmãos de Celso Daniel sustentam versão.

Para Gilberto, “o processo” conduzido pelos irmãos “está servindo para um grande jogo político”. Pronto. Virou tudo só política.

Gilberto pega pesado. Diz que a família do prefeito petista morto “ignora uma filha de Celso Daniel”, apesar de laudos definitivos terem atestado a paternidade. Logo um palaciano, um lulista, falando de assuntos familiares – Lula tem reclamado recentemente de críticas jogadas contra seu filho Fábio, o que fez um contrato fan-tás-tico com a Telemar...

“Supostamente filha do Celso”, rebate Bruno Daniel. É necessário um “rito processual”, diz. Ah bom. “Estamos aguardando esse rito” e “você quer jogar uma cortina de fumaça” são duas respostas para o colo de Gilberto.

Mudança de assunto. Bruno Daniel entrou em outros detalhes sobre os momentos pós-crime : “Você esteve na nossa casa”. Disse que Gilberto viu fotos com as “marcas de tortura” no ex-prefeito. Outros do PT viram, disse. “Poderia colocar por terra a tese de crime comum”. Mas, o PT nada fez.

Por enquanto, o festival de acusações, negativas e reafirmações de acusações segue como o previsto.

Bom para os dois lados é que todos permanecem calmos. E vivam os genéricos do prozac.

Por Fernando Rodrigues

Acareação é palavra contra palavra;
vai ter espuma, mas pouca substância

A acareação entre os irmãos de Celso Daniel e Gilberto Carvalho segue o roteiro. Tensa. Palavra contra palavra. Espuma e mais espuma. Substância e informação nova, zero.

"Você se esquece que repetiu o bolo de aipim, Gilberto?", pergunta o irmão de Celso Daniel citando um dos supostos encontros que teve com o petista. "Enorme criatividade nas acusações que ele faz", responde Gilberto. E daí? Daí, nada. Palavra contra palavra. Bom para o espetáculo das CPIs. Só.

Tudo bem, não é bom para o governo. Há desgaste. Mas o tempo opera a favor do Palácio do Planalto. Se ninguém surtar até o fim do dia, sobretudo se Gil Carvalho permanecer calmo (como está até agora), na semana que vem vai ser tudo história.

Por Fernando Rodrigues

Zé Dirceu não tem saída

Está ficando chato, vai demorar um pouco, haverá outras manobras protelatórias... É do jogo. Mas o consenso hoje em Brasília é que Zé Dirceu não escapará da cassação. A dúvida é se será por um placar maior ou menor do que o de Roberto Jefferson – o único cassado até agora.

A propósito, a última anedota no Salão Verde da Câmara é que Zé Dirceu vai recorrer também à ABL (Academia Brasileira de Letras). Argumentará que o relatório que pede a sua cassação não passa de um festival de solecismos. Inconstitucional, portanto. A Carta Magna obriga todos os órgãos públicos a usarem corretamente a Língua Portuguesa. Como Sarney é um imortal da ABL, vai apoiar. Aldo Rebelo, autor de projeto de lei banindo palavras estrangeiras, também dará suporte. O duro vai ser achar um deputado para redigir o texto final da cassação de Zé Dirceu sem erros... Desse jeito, ele se salva.

Por Fernando Rodrigues

Silvio Pereira e Paulo Ferreira
Separados no nascimento

Silvio Pereira (ex-secretário-geral do PT) e o novo tesoureiro da sigla, Paulo Ferreira (que assumiu em outubro de 2005).

Conheça mais políticos da galeria em "Separados no nascimento". O link está do lado direito da sua tela. Mande sugestões desses gêmeos apartados pelo destino.

Por Fernando Rodrigues | Separados no nascimento
11h42 - 25/10/2005

Aldo Rebelo quer abrir contas de
todas as viagens do governo

O presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PC do B-SP), telefona e diz estar empenhado em solucionar o escândalo dos gastos de diárias em viagens de funcionários públicos federais. O caso foi revelado em excelente reportagem de Diego Escosteguy e Marcelo de Moraes, no “Estadão” de domingo: o governo Lula já gastou mais de R$ 1 bilhão com diárias.

É necessário ressaltar, como fizeram os repórteres, que o valor fica mais ou menos no mesmo nível do consumido durante os anos FHC. Mas o problema não deixa de ser grande apenas pelo fato de o erro ser antigo.

“Acho possível rapidamente dar total transparência aos gastos realizados com esse tipo de atividade. Vou conversar com a ministra Dilma [Rousseff, Casa Civil] para verificar como podemos fazer isso, numa colaboração entre os Poderes”, diz Aldo.

No caso do Poder Legislativo, onde os gastos também parecem ser altos, o presidente da Câmara pretende conversar com o seu colega do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para produzir um efeito quase imediato. A idéia é colocar nos sites da Câmara e do Senado um link que relacione, segundo Aldo, “a data da viagem, com sua duração, a agenda cumprida pelo servidor, e os gastos detalhados”. Ficariam de fora apenas algumas exceções como viagens de agentes secretos.

A medida, se vier a ser tomada, é positiva. Das duas Casas do Congresso, a Câmara já é a mais transparente. No Senado, os dados são mais difíceis de serem obtidos. Por exemplo, é sempre um calvário descobrir exatamente quais são os gastos diários do Congresso, o número de funcionários, os salários pagos e, sobretudo, os benefícios extras – além de como são, em detalhe, os orçamentos dos gabinetes dos congressistas. A disposição de Aldo Rebelo, quem sabe, pode desembocar numa eventual transparência total do Poder Legislativo.

Se derem o exemplo, deputados e senadores podem mais adiante avançar na votação de uma Lei de Direito de Acesso a Informações Públicas no Brasil, para todos os entes federativos e todos os Poderes. Mais de 50 países já têm essa legislação (na América Latina, México, Peru e Colômbia). Por aqui, o timing é outro.

Por Fernando Rodrigues

Marcos Válério, quem diria, agora dá
sugestões para a CPI do Mensalão

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza enviou um cardápio de sugestões para a CPI do Mensalão tirar o máximo da acareação entre ele próprio, Marcos Valério, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

É isso mesmo. A que ponto chegou a indigência das investigações no Congresso: talvez cansado de tantas sessões inúteis, um dos principais acusados, Marcos Valério, dá ele próprio instruções para os congressistas.

Ao oferecer o mapa com o “caminho das pedras” para que a CPI do Mensalão seja mais eficaz nas apurações, Marcos Valério é bem objetivo. Fala de documentos e registros bancários a serem obtidos para melhorar a apuração dos fatos. No “post” abaixo, a íntegra da carta que o mineiro mandou para o Congresso na semana passada.

Sim, é claro, o empresário pode estar usando a inépcia de parte das investigações para conduzir os inquéritos para o lado de seu interesse. OK. Só que não se enxerga reação das CPIs ao assombroso marasmo vigente dentro do Congresso. Nunca é demais lembrar: até agora, o único cassado foi Roberto Jefferson, o autor de todas as acusações. O caso começou em maio. Já estamos no fim de outubro.

Entre outras sugestões, o empresário mineiro diz à CPI o seguinte:

- antes da acareação entre ele e Delúbio (marcada para quinta-feira, dia 27), obter todos os documentos relativos aos empréstimos feitos em favor do PT pelas empresas de MV junto ao Banco Rural e ao BMG;

- buscar todos os recibos de saques e registros do sistema de acesso ao Shopping, onde fica a agência de Brasília do Banco Rural, registros de telefonemas, originários da quebra de sigilo telefônico determinada pela CPMI dos Correios.

Para o empresário, como ele próprio mandou divulgar, esses dados “contribuirão para tornar mais eficientes e produtivos os trabalhos dos parlamentares na acareação”.

É isso aí. Marcos Valério “ensinando” os congressistas a investigar.

(no “post” abaixo, a íntegra da carta de MV)

Por Fernando Rodrigues

As instruções de Marcos Valério para a CPI

A seguir, a íntegra da carta do advogado do empresário Marcos Valério à CPI do Mensalão:

EXMO. SR. SENADOR DA REPÚBLICA AMIR LANDO, DD. PRESIDENTE DA CPMI DA COMPRA DE VOTOS ("Mensalão") DO CONGRESSO NACIONAL.

MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA, por seu advogado infra-assinado, tendo em vista a notícia de designação de data para acareações entre o requerente, o ex-tesoureiro do PT (Delúbio Soares), a ex-diretora financeira da SMPB (Simone Vasconcelos) e beneficiários de repasses de recursos decorrentes de empréstimo feito ao PT, originários de empréstimos feitos por empresas de que era sócio junto a bancos privados (Banco Rural e BMG), vem propor a V. Exa. e ao ilustre e culto Relator, Deputado Federal Ibrahim Abi Ackel, sejam obtidos junto a CPMI DOS CORREIOS e junto a POLÍCIA FEDERAL (Inquérito n° 2245-4-MG/STF - composto de 12 volumes e 60 apensos), caso já não estejam em poder desta CPMI DA COMPRA DE VOTOS, os seguintes dados, registros e documentos, que tornarão mais eficiente e produtiva a atividade investigatória desta Comissão, por ocasião das acareações marcadas para quinta-feira próxima, 27/10/2005:

1 - os registros do sistema de acesso ao Shopping, onde está situada a Agência de Brasília do Banco Rural, relativos ao número de vezes e as datas em que ali deram entrada quaisquer dos acareados (seus prepostos, assessores, funcionários ou parentes).

2 - os recibos de saques, com respectivas datas e valores, assinados por quaisquer dos acareados (seus prepostos, assessores, funcionários ou parentes) nas agências do Banco Rural em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro [que foram apreendidos no Banco Rural pela Polícia Federal em diligência de busca e apreensão].

3 - as mensagens eletrônicas [e-mail] enviadas pela gerência financeira da SMPB para a Agência Assembléia de Belo Horizonte do Banco Rural e as mensagens eletrônicas e mensagens por fax enviadas por esta agência para as agências do Banco Rural em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, que contém autorizações para saques em nome de quaisquer dos acareados (seus prepostos, assessores, funcionários ou parentes) [que foram apreendidos no Banco Rural pela Polícia Federal em diligência de busca e apreensão].

4 - os registros de entrada, presença ou estada nos hotéis Gran Bittar, Nacional e Blue Tree de Brasília e Blue Tree, Sofitel, Intercontinental e Paulista Plaza em São Paulo, nas datas de recebimento de repasses constantes da lista datada de 01/08/2005 entregue pelo requerente a esta CPMI, de qualquer dos acareados (seus prepostos, assessores, funcionários ou parentes). [objeto de diligências investigatórias realizadas pela Polícia Federal].

5 - os registros, fruto das quebras de sigilo telefônico determinadas pela CPMI DOS CORREIOS, de telefonemas (dados ou recebidos) de telefones fixos e móveis em nome do requerente, da ex-diretora financeira da SMPB e das sedes da SMPB em Belo Horizonte e em Brasília para qualquer dos acareados (seus prepostos, assessores, funcionários ou parentes). [na lista apresentada em 01/08/2005 pelo requerente constam números de telefones de contatos].

Nestes termos, uma vez mais com o propósito de contribuir para o êxito das investigações desta Comissão, pede deferimento.

De Belo Horizonte p/ Brasília, 5ª feira, 20 de outubro de 2005.

MARCELO LEONARDO

OAB/MG n.º 25.328

Por Fernando Rodrigues
08h50 - 24/10/2005

Para Bolívar Lamounier, democracia
direta pode ser caixa de Pandora

O cientista político Bolívar Lamounier escreve para discordar do conteúdo de uma coluna publicada por este blogueiro na Folha de hoje (“A democracia avança”). Para assinantes da Folha e do UOL, o link é http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2410200505.htm.

Eis o comentário enviado por Bolívar:

“ (...) Escrevo-lhe para comentar e discordar um pouco de sua análise do referendo. Sendo a criminalidade assunto de discussão diária em todos os cantos do país e obrigatório o voto, é preciso cuidado para não superestimar o saldo de politização a que você se refere. E cuidado também com a utopia da "democracia direta", e mais ainda na formulação praticamente sem limites que lhe dá o Fábio Comparato. O que o Fábio vê como redenção ou "republicanização" da democracia representativa, eu vejo como uma caixa de Pandora com forte viés anti-democrático.

Abordei essa questão em diversas oportunidades e fiz muitas tentativas de debatê-la pela imprensa.

No livro “Da Independência a Lula : dois séculos de política brasileira”,  págs. 279-284, fiz uma crítica taxativa ao conceito e especificamente à formulação do Fábio Comparato,  endossada pela OAB.  Permito-me transcrever abaixo um trecho (pág.280).

Era essa a opinião discordante que queria lhe expressar. Com o apreço e a admiração de sempre, envio-lhe o meu abraço.

Bolívar

Trecho do livro (pág.280) :

"... a utopia da democracia “direta”  nutre-se de práticas vigentes num pequeno grupo de países. Nos Estados Unidos, é bem disseminado o recurso a iniciativas populares e referendos  - mas não em nível nacional. De “direta” ela tem muito pouco : no mais das vezes, trata-se de uma guerra entre lobbies, dissidências dos partidos e, não raro, de grupos racistas muito bem financiados ; em geral, visa amplificar a ressonância de propostas ou campanhas promovidas através dos canais políticos normais. Essa observação vale também para plebiscitos nacionais, tradicionais na Europa.

É certo que nas últimas duas ou três décadas alguns plebiscitos foram conduzidos com isenção e em clima de liberdade - sem dúvida  tiveram  importante efeito na restauração e contribuíram para a vitalidade da democracia no Chile e no Uruguai, nos anos 80.Mas a possibilidade de manipulação é inerente ao instrumento, pois a autoridade incumbida de propor os quesitos pode ficar muito aquém da neutralidade  [e, acrescento agora, devido à inevitável simplificação das matérias tratadas]. Disto existem abundantes exemplos históricos. Não por acaso, os autores das principais avaliações factuais mostram-se céticos ou francamente críticos em relação a tal instrumento. Desde que começaram a ser realizados, há cerca de dois séculos, plebiscitos e referendos foram quase sempre um jogo de cartas marcadas, com o objetivo de legitimar decisões autoritárias, ratificar ocupações de território alheio, e assim por diante".

Por Fernando Rodrigues

NYT conta história do não...
...a partir de Buenos Aires

O jornal norte-americano “The New York Times” publicou hoje em sua edição impressa a notícia do referendo no Brasil a partir de... Buenos Aires.

Não houve erro geográfico. É que o “NYT” priorizou a eleição para o Congresso, na Argentina, também realizada ontem. O repórter do jornal estava lá, e não aqui. Acompanhou pela internet, agências etc. e redigiu o texto.

Para assinantes (é grátis) cadastrados, o link da íntegra da nota do “NYT” é

http://www.nytimes.com/2005/10/24/international/americas/24brazil.html?pagewanted=all

A seguir, o início da reportagem da publicada na edição impressa do NYT:

Brazilian Voters Appear to Have Beaten Ban on Weapons
By THE NEW YORK TIMES
Published: October 24, 2005
BUENOS AIRES, Oct. 23 - In a national referendum on gun control, voters in Brazil appear to have overwhelmingly rejected a sweeping permanent prohibition on the sale of arms and ammunition.
With three-quarters of the vote counted there, the gun ban proposal, endorsed by President Luiz Inácio Lula da Silva and scores of actors, pop stars and other celebrities, was trailing by a ratio of almost two to one. Voting was obligatory, and nearly 120 million people in a country long plagued by high rates of crime and violence were expected to cast ballots.
(...)

Por Fernando Rodrigues

Vitória do "não"é derrota política
para todos os presidenciáveis

O "não" ganhou em todos os Estados e no Distrito Federal. O "não" ganhou em todas as capitais.

Essa expressiva vitória do “não” foi uma derrota para todos os presidenciáveis que já apareceram para 2006: Lula, Serra, Alckmin, Aécio, FHC e Garotinho. Todos defenderam o “sim”. Perderam feio.

Outros que se saíram mal são os congressistas que encamparam publicamente a campanha do “sim”. O nome à frente de todos é o de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Renan, mais do que ninguém, pressionou pela realização do referendo. Esperava lustrar sua imagem –ele tem um passado eclético, tendo apoiado Collor, Itamar, FHC e Lula.

Do ponto de vista prático, é claro, a derrota dessa turma toda precisa ser relativizado. Se todos perdem, ninguém perde de fato. O certo é dizer que sofreram um desgaste quase equivalente entre si. Anulam-se.

Na realidade, o derrotado maior é o que precisava melhorar a imagem de maneira imediata, desesperadamente. Por exemplo, Lula saindo do “mensalão”. Ou Renan Calheiros, necessitado de um lustro da reputação.

Fora os derrotados políticos, fica a lição sobre o referendo. Custou uns R$ 270 milhões para deixar tudo no mesmo lugar. Foi bom ou ruim? Este blog deixou Brasília ontem (domingo) e foi trabalhar no mundo real, em São Paulo, acompanhando a votação. Muita gente perto das seções de votação. Debates na calçada. É bom que o eleitorado discuta. Por essa razão, talvez tenha sido menos pior do que parecia essa consulta popular com cara de inútil.

E como bem escreveu Fábio Konder Comparato, a democracia direta é um dos passos para se construir uma verdadeira República.

Por Fernando Rodrigues
12h52 - 23/10/2005

PT analisa mídia no escândalo do "mensalão"

A nova direção do PT, que tomou posse no sábado (22.out.2005), começou sua gestão divulgando uma resolução. O site do partido faz a seguinte apresentação:

“O documento afirma que uma série distorções, meias-verdades e calúnias têm sido utilizadas ‘por boa parte da imprensa’ para criminalizar o PT e tornar irrelevantes as conquistas do governo”.

Eis os trechos da resolução que tratam da mídia:

“(...) A imprensa cumpre um papel importante na democracia, não pode e não deve, constitucionalmente, sofrer censura qualquer. Mas os órgãos de imprensa não são neutros nem isentos. Devemos, a partir desta compreensão, não só dialogar com ela e através dela, mas também informar diretamente a nossa base sobre os interesses políticos que estão representados nas suas opções informativas.”

“ (...) No caso concreto do debate político atual, boa parte da imprensa não está somente interessada em combater “desvios éticos”: tem sobretudo o propósito de “absolver”, previamente à campanha eleitoral, o governo tucano-pefelista, que representou na história do país os interesses mais mesquinhos da modernização conservadora. Não é de graça que o seu refrão é caracterizar que o “bom” no governo Lula é aquilo que é originário do governo FHC, do qual herdamos juros altos, anarquia nas contas públicas, inflação alta, políticas sociais e educacionais indigentes, dívidas brutais com os aposentados, exportações em crise, dívida pública quadruplicada”.

O texto, na íntegra da resolução petista, estava no seguinte endereço eletrônico na data de hoje (23.out.2005):

http://www.pt.org.br/site/noticias/noticias_int.asp?cod=39461

Por Fernando Rodrigues | Mídia

Para Lula, imprensa "está exagerando"

É bom deixar registrado. Lula acha que a imprensa “está exagerando”. Foi o que o presidente disse no seu discurso de 20.out.2005, na cerimônia de abertura do 11º Congresso Nacional do PC do B, em Brasília.

Eis algumas observações de Lula:

“(...) qual foi o primeiro embate que eu tive? Com menos de 30 dias de governo, foi a questão da Venezuela. Toda vez que eu acho que a imprensa está exagerando aqui no Brasil, eu me lembro o que a imprensa fazia com o Chávez”.

“Se você fizer uma comparação entre os artigos da imprensa internacional de qualquer país e a brasileira sobre política externa, vai perceber a diferença de tratamento. Isso porque, no Brasil, ainda temos uma parte de gente com a cabeça colonizada. Só é bom aquilo que é bom para os americanos, ou só é bom aquilo que é bom para a Europa. Olha, se é bom para a Europa, se é bom para os Estados Unidos, ótimo, vamos ver se é bom, vamos pegar para nós”.

A íntegra do discurso de Lula se encontra disponível na página da Presidência da República. Em 22.out.2005, a URL era a seguinte:

http://www.info.planalto.gov.br/download/discursos/pr928.doc

Por Fernando Rodrigues | Mídia
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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