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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

17h42 - 16/09/2005

Reforma política - para refletir 1

A semana vai acabando e este blog aproveita para deixar um texto mais alentado para os blogueiros refletirem sobre um dos temas do momento: reforma política. Apesar de serem mínimas as chances de vingar alguma reforma, há muito a ser dito sobre o assunto.

Fica o texto e um bom fim de semana a todos.

Se Severino não renunciar, se o PT não fizer haraquiri coletivo nas suas eleições internas no domingo e se não houver grandes bombas na política, até segunda-feira.

Vamos ao texto.

A Reforma Política

A “Folha de S.Paulo” promoveu ontem (quinta-feira), na sua sede, em São Paulo, um debate sobre reforma política. Participaram os deputados Ronaldo Caiado (PFL-GO), Michel Temer (PMDB-SP), José Eduardo Martins Cardozo (PT-SP) e João Almeida (PSDB-BA). Como esperado, não houve consenso sobre o que poderá ser votado ou aprovado pelo Congresso.

Senso comum: 1) há pouquíssimo tempo disponível para aprovar novas regras para a eleição de 2006 (o prazo termina dia 30 deste mês, um ano antes do pleito); 2) seria necessário aprovar uma emenda constitucional alongando o prazo até 31 de dezembro deste ano para que algo relevante possa ser aprovado. O que poderá ser aprovado? Dezenas de opiniões diferentes. É bom mudar a Constituição para esse fim? Certamente não. A simples discussão dessa hipótese é mais um traço do atraso institucional do país. Mudar a Constituição no varejo, a cada crise? Tenha dó.

Dentro da Câmara e do Senado, está mais ou menos definido que a reforma política sobreviverá apenas como discurso. O mais provável é que nada seja aprovado para 2006. Não é totalmente ruim que seja assim. Na atual conjuntura de crise, seria grande a chance de os congressistas aprovarem um sistema ainda pior do que o já existente.

Além do mais, há uma reforma política em curso. A cláusula de desempenho entrará em vigor a partir de 2006. Será uma revolução.

Essa cláusula determina que os partidos devem obter 5% dos votos para deputado federal no Brasil inteiro, além de 2% desses votos em, pelo menos, 9 unidades da Federação. Quem não passar por essa barreira, terá acesso limitado ao tempo de TV para fazer propaganda eleitoral e partidária, ficará com pouquíssimo dinheiro do fundo partidário (1% dividido entre todos os partidos que não passarem pela cláusula) e não terá direito a ter líder no Congresso.

O Brasil tem hoje 29 partidos registrados nacionalmente. Desses, possivelmente apenas no máximo 7 conseguirão passar pela cláusula em 2006. Os outros não serão extintos (é muito importante registrar). Os deputados, senadores, governadores etc. dessas siglas pequenas continuarão a tomar posse. Só que terão um espaço condizente com os votos obtidos nas urnas.

Em 1998, foram 7 os partidos que passaram pela cláusula de 5% (que ainda não estava em vigor). Pela ordem: PSDB, PFL, PMDB, PT, PPB (atual PP), PDT e PTB.

Em 2002, ainda com a cláusula não vigorando, também foram 7 os partidos que atingiram os 5% dos votos para deputado federal em todo o país: PT, PSDB, PFL, PMDB, PP, PSB e PDT. O PTB (de Roberto Jefferson) e o PL (de Valdemar Costa Neto) ficaram de fora. Posteriormente, o PL incorporou duas siglas nanicas e conseguiu passar pelos 5%.

(continua...)

Por Fernando Rodrigues

Reforma política - para refletir 2

Reforma política, continuação...

Um dos projetos em tramitação na Câmara propõe a redução da cláusula de 5% para 2%. Nessa hipótese, até 11 siglas teriam condições de cumprir as exigências. Em 2002, além dos 7 já citados no parágrafo anterior, a lista teria os seguintes: PTB, PL, PPS e PC do B. O Prona, de Enéas, bateria na trave e quase entraria também.

Só para lembrar, quem passar pela cláusula de 5% vai aparecer assim na TV:

-          1 programa de 20 minutos por semestre em rede nacional

-          1 programa de 20 minutos por semestre em rede estadual (ou seja, 27 programas por semestre).

-          40 minutos por semestre em rede nacional, divididos em inserções de 30 segundos ou de 1 minuto.

-          40 minutos por semestre em rede estadual, divididos em inserções de 30 segundos ou de 1 minuto (ou seja, como são 26 Estados e 1 Distrito Federal, serão, ao todo, 1.080 minutos por semestre em spots ao longo do dia em cada emissora de TV).

Para finalizar: esse tempo todo de TV é pago. Sim, pago. Quem paga é o contribuinte, pois as emissoras de rádio e de TV têm desconto no Imposto de Renda proporcional ao tempo cedido aos partidos. O presidente Lula reafirmou neste ano o direito de isenção fiscal das emissoras de TV e de rádio. O decreto de Lula passou quase em branco pela mídia. O link dá íntegra do texto é:

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5331.htm

Abaixo, imagens que resumem um pouco essas informações todas sobre reforma política. 

 

 

Por Fernando Rodrigues

A análise de João Paulo

Ameaçado de perder o mandato, o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) é um dos mais bem informados congressistas sobre o humor do Congresso. Nos últimos dias, ele conversou com mais de 60 colegas para saber como está o clima --sobre o caso dele e também a respeito da dessarumação geral.

Sua avaliação é que ficou quase impossível para o PT conseguri vencer o debate numa eventual eleição para a presidência da Câmara. João Paulo fala "eventual" porque acha necessário "respeitar a decisão do presidente Severino Cavalcanti", que ainda não renunciou. Aliás, um dos erros da maioria dos interessados na cadeira de Severino tem sido falar da herança antes mesmo do velório do milionário.

Dos ainta 89 deputados do PT, nenhum tem chance boa de se eleger presidente da Câmara. Quem for lançado, perde quase que com certeza.

O que pode fazer o Paláci do Planalto? Para João Paulo, três coisas:

1) esperar com serenidade a decisão a ser tomada por Severino Cavalcanti;

2) evitar demostrar qualquer esforço para que o atual presidente da Câmara renuncie ou deixe o cargo. Severino continuará a ter muito apoio do baixo clero, não importa o rumo que tome.

3) quando a situação clarear, o Planalto deve procurar todos os partidos e incentivar uma solução que possa resgatar a imagem da Câmara e do Congresso em geral.

João Paulo acha que é necessário para o governo e para o PT recompor um diálogo institucional com o PMDB, por meio do presidente peemedebista, Michel Temer. Não adianta apenas ter ministros do PMDB e deixar de lado a direção formal da sigla.

Enfim, se vai dar certo é outra história. Mas que o PT tem chance de sair perdendo se não se articular logo, isso tem. Lula poderá passar um ano e meio como presidente da República tendo de aturar um presidente da Câmara de oposição.

 

Por Fernando Rodrigues

Bancadas em fase de troca-troca

O PT é hoje (sexta-feira) a maior bancada da Câmara, com 89 deputados. O PMDB vem logo a seguir, com 86. Terá 87 ante do fim de semana.

A partir da semana que vem, haverá amplo troca-troca partidário. O PMDB será a maior bancada da Câmara, com 93 ou 94 deputados. O PT deve cair para 85 cadeiras. O novo "status quo" da Casa será um fator relevante na hora da escolha do sucessor de Severino.

 

Por Fernando Rodrigues

As chances e a estratégia de Temer

Num debate sobre reforma política, ontem à noite na sede paulista da “Folha de São Paulo”, o deputado Michel Temer (PMDB-SP) foi diversas vezes citado pela platéia como possível futuro presidente da Câmara.

Um dos palestrantes, deputado João Almeida (PSDB-BA), foi o primeiro a falar. Temer ficou em silêncio. Só cochichou: “Eu nem olhei na hora que ele me citou”.

É compreensível que o deputado Michel Temer tome cuidado com a indicação de seu nome para suceder Severino Cavalcanti. Ele nunca teve um relacionamento bom com Lula. O PT está desesperado para ficar com a cadeira de Severino. O clima anda crispado em Brasília.

O que vai determinar a chance de Michel Temer ser o escolhido? Quatro fatores:

1)       Tamanho da bancada – o PMDB pode se tornar nos próximos dias o estuário de muitos deputados. Pode virar a maior bancada da Câmara. Hoje, há 86 peemedebistas contra 89 petistas na Casa. Até o fim do dia, o partido de Temer deve chegar a 87;

2)       Diplomacia – Temer terá de se esforçar para azeitar suas relações com o Planalto;

3)       Acordão – o maior bloco de oposição (PSDB e PFL) precisam topar dar ao PMDB um poder raro no Congresso: o comando de Câmara e Senado (o peemedebista Renan Calheiros já preside o Senado).

4)       Apoio interno – pode parecer esdrúxulo, mas Temer ainda precisa obter apoio dentro sua sigla, o que, em se tratando de PMDB, nunca é uma missão simples.

A migração de deputados para o PMDB depende diretamente do resultado da eleição interna do PT, no fim de semana. Muitos petistas também podem deixar a sigla e facilitar a vida do PMDB.

Por Fernando Rodrigues

Jefferson no "New York Times"

Assunto relevante aqui, pouca importância acima do Rio Grande.

O jornal mais importante do planeta, o norte-americano “The New York Times” deu uma mísera nota sobre a cassação de Roberto Jefferson. Do tamanho da importância do fato no contexto das notícias internacionais.

A nota do “NYT”, redigida por uma agência de notícias:

AMERICAS

BRAZIL: LAWMAKER EXPELLED The lawmaker who set off a political crisis over bribes and illegal campaign financing has been thrown out of Congress, the first expulsion in a scandal that has shaken the government of President Luiz Inácio Lula da Silva. Roberto Jefferson, the leader of the Brazilian Labor Party, was expelled on the grounds that his party, a member of the governing coalition, took illegal funds from the president's Workers' Party. Mr. Jefferson first exposed the activities. (Reuters)

Por Fernando Rodrigues

Izar chega bem

Ricardo Izar chegou bem onte em São Paulo. O ferimento não foi tão grave. Uma das veias de sua perna ficou saltada devido ao impacto com ferro de uma cadeira na hora do tombo. A bolsa de gelo durante o vôo atenuou os efeitos do trauma.

Por Fernando Rodrigues
16h50 - 15/09/2005

A bruxa está solta

A bruxa está solta.

O deputado Ricardo Izar, presidente do Conselho de Ética, levou um tombo na sala de embarque do aeroporto de Brasília. Furou a perna na altura da coxa esquerda com um ferro de uma cadeira.

O médico do aeroporto recomendou que não embarcasse. Izar recusou o conselho e agora está sentado na cadeira 4-C do vôo 3723 da TAM com destino a São Paulo, segurando uma bolsa de gelo junto ao ferimento causado pelo tombo. O vôo vai decolar daqui a 5 min.

Deve ser muito "olho gordo" dos cassáveis que estão sob responsabilidade de Izar no Conselho de Ética.

Por Fernando Rodrigues

Governo articula sucessor de Severino dentro do Planalto

Severino Cavalcanti não dá sinais de quando exatamente vai renunciar, mas o governo não está nem aí. Para o Palácio do Planalto, a Câmara dos Deputados já está sem comando.

O ministro Jaques Wagner (Relações Institucionais) tem telefonado para vários ministros e marcado reuniões separadas para tratar de nomes que podem concorrer à sucessão de Severino. Jaques fala com os ministros nomeados politicamente, que, em tese, representam uma parcela dos partidos aos quais estão filiados.

Se já é difícil prever quando Severino sai, está quase impossível saber quem tem chance real de ser o próximo presidente da Câmara. Uma coisa é certa, a grande maioria dos nomes citados pela mídia até agora não tem a menor viabilidade dentro da Casa.

É uma situação constrangedora. O morto ainda não foi nem para a sala de velório e já estão discutindo quem ficará com a herança. É também um pepino político, pois quem conseguir fechar os acordos já pode ter chance real mais adiante. O governo não quer repetir a barbeiragem de fevereiro, quando o PT teve dois candidatos e ficou sem nada.

Por Fernando Rodrigues

Severino e sua estratégia

Severino Cavalcanti estava inteiro hoje ao receber deputados aliados. Não demonstrava cansaço nem disposição de renunciar ao cargo nas próximas horas ou dias. Sua saída da Câmara, se ocorrer mesmo, deve ficar para a semana que vem.

O quadro atual é o seguinte:

1) defesa - Severino está tentando consolidar uma boa (sic) explicação para o cheque de R$ 7.500 que sua secretária Gabriela Kênia recebeu em 2002. Será um reforço na tal história do dinheiro para a campanha eleitoral do filho Júnior. Vão aparecer notas fiscais de uma gráfica para justificar a despesa. Em resumo, o atual presidente da Câmara tentará dizer que não se tratava de mensalinho, mas de dinheiro de caixa 2 para campanha eleitoral.

2) vida política – não importa muito a Severino se a versão do dinheiro de campanha vai colar ou não em todo o país. O que ele precisa é um discurso para continuar na vida política. Pretende voltar a ser candidato no ano que vem, para deputado federal, em Pernambuco. Quer ter um discurso para o seu eleitorado. Vai dizer que foi injustiçado e que tentaram cassá-lo politicamente.

3) renúncia – consolidada a estratégia montada para vender a versão sobre o dinheiro de campanha, Severino também tentará fechar acordos pré-eleitorais para o ano que vem. Aí estará livre para renunciar, escapar da cassação e ser candidato em 2006.

Por Fernando Rodrigues

Decisão de Jobim abortou onda de renúncias

Os 16 que sobraram para ser cassados, mais Severino Cavalcanti, ganharam algum tempo com a liminar de Nelson Jobim, presidente do STF. O argumento dos cassáveis é que não foram ouvidos pelas CPIs, logo não poderiam ter sido alvos de pedido de cassação.

A decisão de Jobim foi a razão de terem sido abortadas as renúncias anunciadas para ontem –Vadão Gomes (PP-SP), Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR).

É ruim a decisão de Jobim? Mais ou menos. Vai atrasar um pouco os processos. Por outro lado, na hora da votação das cassações, ninguém poderá alegar que não teve todas as oportunidades de defesa.

Por Fernando Rodrigues
20h41 - 14/09/2005

A porteira foi aberta

A cassação de Roberto Jefferson por margem razoável de votos (313 a 156) abre a porteira para mais cassações. A queda quase certa de Severino Cavalcanti também pavimenta o caminho para outras punições.

Não dá para comemorar, até porque é preciso esperar a apuração de cada um dos 16 processos que ainda restam dos listados para cassação pelas CPIs dos Correios e do Mensalão. Eram 18. Roberto Jefferson já foi cassado. O deputado Carlos (ex-bispo) Rodrigues renunciou. Sobram 16.

É possível que outros renunciem para evitar a cassação. Mas agora os holofotes vão se voltar para Severino: quando e se ele renuncia. Hoje, Severino já decidiu que não sai. Amanhã, é outra história.

Por Fernando Rodrigues

Cassação incerta

A lógica é que Roberto Jefferson seja cassado. Mas política tem pouca ou nenhuma lógica.

O clima agora aqui dentro da Câmara é de incerteza. "Acho que o placar vai ser apertado, com a cassação vencendo com uns 15 votos", diz a este blog o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). "Eu não voto para cassar ninguém", declara o deputado Cleonâncio Fonseca (PP-SE). Páreo duro.

Ascensoristas e porteiros da Câmara pediam aos congressistas até agora há pouco, no início da noite, que não cassassem Jefferson. Incrível.

Por Fernando Rodrigues

Filho morto

Apareceu um morto na versão de Severino Cavalcanti para o cheque de R$ 7.500. O deputado pretende apresentar cópias de recibos de gráficas para justificar o que teriam sido empréstimos tomados, em 2002, por um filho seu, do empresário Sebastião Buani. O filho de Severino morreu em 2002. Essa versão da defesa do presidente da Câmara complementa o início do que já vinha sendo esboçado na parte da manhã. Sua secretária Gabriela deve contar essa versão à Polícia Federal.

Por Fernando Rodrigues

A versão de Severino

A versão de Severino

 

O presidente da Câmara dos Deputados trabalha para apresentar até o final do dia uma versão para rebater a acusação de mensalinho. O que poderá alegar Severino:

 

Data – Sebastião Buani apresentou um cheque de 2002. Antes, dizia que pagava a propina a partir de 2003. Severino vai alegar que é estranho que alguém pague propina e esqueça o período do pagamento

 

Cheque será apresentado como se fosse de empréstimo – O cheque foi, de fato, recebido por Gabriela, secretária de Severino. A moça está na residência de um familiar, em Brasília. O que será alegado: Gabriela dirá que não omitiu o cheque ao depor na PF. Alegará que simplesmente ninguém a perguntou sobre 2002. Além disso, a secretária dirá que o dinheiro não é para ela.

 

Na versão que deve ser divulgada por Severino, será sugerido que o empresário Buani fazia empréstimos cobrando juros de funcionários do Congresso. Uma pessoa –cujo nome ainda não se conhece– pediu a Gabriela para ir ao banco descontar o cheque. Essa pessoa será apresentada por Severino.

Qual a prova de que o cheque foi produto de uma operação de agiotagem? Para os assessores de Severino, uma anotação que aparece no verso do documento:

“( – 690,00)”

 

Esse número corresponde a 9,2% do valor total do cheque, que é de R$ 7.500 (perdão aos internautas que leram a versão anterior, com o percentual errado de 7,2%... coisas de um teclado pequeno, no laptop, da correria da cobertura da crise. mil perdões).

 

“Esse é o percentual que se cobra na Câmara nas operações de agiotagem na Câmara”, diz um assessor de Severino.

 

Eis a possível defesa de Severino. Vai colar? Tem verossimilhança? Não importa. O que é importante notar é que Severino, ao que tudo indica, por enquanto, ainda não pensa na renúncia como primeira opção.

 

Por Fernando Rodrigues

Eis o cheque do mensalinho

Frente

Verso

Por Fernando Rodrigues

Por enquanto, Severino resiste

Na residência oficial da Presidência da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), pensa no que fazer. Agora, está para começar uma reunião com seu advogado. Também está no local a secretária Gabriela, a que endossou o cheque de R$ 7.500 apresentado hoje pelo empresário Sebastião Buani, o do mensalinho.

Por enquanto, acredite se quiser, Severino busca algum argumento para resistir e não renunciar. Há 10 minutos, analisava em detalhes todas as datas mencionadas por Buani... O presidente da Câmara pode aparecer com uma versão de que não tem nada a ver com o tal cheque...

Por Fernando Rodrigues

O nome é Gabriela

No PP, a informação é a de que aparece o nome de "Gabriela" no verso do cheque de R$ 7.500 que Buani entregou à Polícia Federal.

Gabriela seria assessora direta de Severino Cavalcanti. A conferir.

Por Fernando Rodrigues

Onda de renúncias na Câmara

O deputado Vadão Gomes (PP-SP) deve renunciar ao cargo hoje. A cúpula do partido já foi avisada. Vadão deve aprofundar a onda de renúncias na Câmara.

Por causa do "mensalão", já renunciaram ao mandato Valdemar Costa Neto (SP) e Carlos Rodrigues (RJ), ambos do PL. Vadão será o 3º a renunciar. Outros que podem pedir o chapéu hoje são José Borba (PMDB-PR) e Paulo Rocha (PT-PA). O placar de degolas por renúncia antingirá a marca de 5 congressistas --superior os 4 que renunciaram ao mandato por causa da CPI do Orçamento (1993/1994).

Nunca é demais lembrar: os deputados que renunciam fazem isso para escapar da punição da cassãção, pois ficariam 8 anos sem poder concorrer a cargos públicos. Renunciando, essa turma pode disputar a eleição do ano que vem. Em 2007, todos têm chance de estar de volta ao Congresso.

Muitos deputados ficaram atônitos logo cedo hoje por causa da declaração de Sebatião Buani. O empresário disse que vai apresentar um cheque com assinatura de pessoa ligada a Severino Cavalcanti. Aí, realmente, ficará insustentável a posição do presidente da Câmara. "Se o Severino cair, fica muito difícil para todos os 18 da lista", disse há pouco a este blog o líder do PP, José Janene (PR).

Janene é um dos 18 da lista preparada pelas CPIs dos Correios e do Mensalão.

E Severino? Para Janene, o presidente da Câmara dificilmente renunciará. Vai sangrar até o final, com cheque e tudo. Será uma longa agonia, que pode durar até 90 longos dias...

E Roberto Jefferson? Com o terremoto da apresentação do cheque, difícil saber se será possível haver a sessão de cassação de Jefferson. Mas é uma questão de tempo. Desde o começo, ele dado como o nome mais certo para perder o mandato.

Por Fernando Rodrigues

O fim de Severino

Agora, sim. O empresário Sebastião Buani deu uma entrevista à 8h00 da manhã de hoje para a rádio CBN. Disse que o cheque de R$ 7.500 contém uma assinatura de uma da "extrema confiança" do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). Não quis revelar ainda o nome desse funcionário nem o cargo que ocupa (ou ocupava à época em que sacou o dinheiro na boca do caixa).

Buani está redigindo uma declaração nesta manhã a respeito do caso. Irá à Polícia Federal entregar a cópia do tal cheque. Depois, dará uma entrevista coletiva. Se tudo isso for fato, é o fim de Severino Cavalcanti. Estará provado que um funcionário do presidente da Câmara recebeu dinheiro do empresário que diz ter pago o mensalinho.

Severino pode: 1) renunciar imediatamente ou 2) resistir ao processo de cassação (é seu direito), o que pode prolongar o caso por até 90 dias (seria então ruim para o país, mas um preço a pagar pelo fato de a Câmara ter eleito Severino em fevereiro passado).

Mais algumas horas e a agonia sobre esse caso (sobre a verdade desse caso) vai terminar. Buani promete falar antes do almoço.

 

Por Fernando Rodrigues
19h54 - 13/09/2005

Ferve o Congresso

Pergunta ouvida agora em quase todos os corredores da Câmara e do Senado: se Sebastião Buani tem o cheque desde ontem, por que não o apresentou?

Especulações: 1) está negociando com algum político ou grupo político a forma de divulgação; 2) está negociando com algum veículo de comunicação.

Esconder, não dá. O microfilme está nos arquivos do Bradesco. Seria inútil tentar sumir com o cheque. Uma quebra de sigilo mostraria o documento de qualquer forma.

Por Fernando Rodrigues

Isto é PT

Deu no Alcemo Góis, no "Globo" de hoje:

"Pesca de jaú
Os deputados Zé Dirceu e Sigmaringa Seixas foram pescar jaú no fim de semana em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul.
Flagrados pelo senador Delcidio Amaral, que é da terra, Sig, meio na brincadeira, apelou: “Não vai contar para a imprensa que me viu ao lado do Dirceu.” "

O Painel, da Folha, no sábado, já anunciava:

"Linha e anzol
José Dirceu não perde tempo. Desembarcou ontem no aeroporto de Campo Grande em companhia do deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF), um dos cotados para presidir a Câmara e portanto a sessão de cassação do ex-ministro. Vão pescar juntos neste final de semana".

 

Por Fernando Rodrigues

Conexão internacional

Explode amanhã. Ou nos próximos dias: as ligações telefônicas feitas a partir dos telefones usados por Delúbio Soares e Silvio Pereira. Está nos arquivos da CPI dos Correios.

Por Fernando Rodrigues

As últimas do cheque

1) o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), ouviu de um alto dirigente do Bradesco que a cópia do cheque já está com Sebastião Buani (o empresário pagador confesso do mensalinho) desde ontem (12.set.2005)

2) o cheque, de R$ 7.500, foi endossado por uma pessoa, cujo nome vem sendo mantido em sigilo por Buani.

3) Severino Cavalcanti está abatido.

4) José Janene, líder do PP na Câmara, já terminou seu depoimento na PF há poucos minutos. Repetiu a versão oficial do caixa 2. Não ouviu nada sobre o cheque dentro da PF.

Por Fernando Rodrigues

O cheque, o céu e o inferno

O boato desde ontem à noite é que o empresário Sebastião Buani já recebeu cópia do tal cheque do Bradesco que teria entregue a um motorista de Severino Cavalcanti --como pagamento de parte do "mensalinho". Buani negou que tenha o cheque no início da tarde, aqui na Câmara, de onde está sendo redigida esta nota.

No Bradesco, um cidadão comum precisa esperar de 10 a 15 dias úteis para receber cópia de um microfilme de cheque emitido. Buani, a esta altura, não é um cidadão comum.

O cheque de Buani passou a ser o santo Graal da política. Será o céu ou o inferno para Severino.

Sem o cheque assinado pelo seu motorista, severinistas e até o Palácio do Planalto acham que o presidente da Câmara deve se salvar. Se o cheque aparecer, será o inferno: alto risco de cassação.

Essa dicotomia de "céu e inferno" também está sendo replicadada para a lista de 18 deputados cassáveis. Se Severino se salvar com base na falta de provas documentais (só haverá depoimentos orais contra ele), muitos congressistas vão usar o mesmo argumento. O inverso também vale.

Em tempo: Buani tem dito que a cópia do cheque será entregue a ele amanhã, dia 14. A ver.

Por Fernando Rodrigues
09h41 - 12/09/2005

Severinistas querem cassar acusadores

É isso mesmo. Se o documento original ou o cheque não aparecerem, os aliados de Severino Cavalcanti querem solicitar abertura de processo por quebra de decoro contra os deputados que deram declarações sobre o caso do mensalinho.

Hoje à tarde, cerca de 30 deputados do PP, partido de Severino, devem se reunir em Brasília. Nesse encontro, a hipótese de retaliação será apresentada. Entre os possíveis alvos, encabeçam a lista Fernando Gabeira(PV-RJ) e Roberto Freire (PPS-PE). Mas há outros.

Argumento dos severinistas: é falso o documento que teria sido assinado por Severino Cavalcanti (autorizando a prorrogação de um contrato da Câmara com um restaurante). Até agora, só se tem notícia de fotocópias desse papel. Já apareceram duas perícias. Uma, diz que é verdadeiro. Outra, que é falso.

Tudo bem que a história do mensalinho tem o maior jeito de ser verdadeira. Mas o que ninguém se dá conta é que é impossível periciar um xerox. Hoje, qualquer adolescente monta no microcomputador um documento com a assinatura de Lula, George W. Bush e Severino autorizando a prisão de Osama Bin Laden e de Paulo  Maluf. É fácil montar qualquer coisa na era digital.

Para saber se é verdadeiro o tal documento (tem muito jeito de ser...), é necessário que apareça o original. Segundo o empresário Sebastião Buani (o dono do restaurante e pagador confesso do mensalinho), o original teria ficado com Severino... Então...

Já o cheque que Buani teria dado ao motorista de Severino é outra história. Ninguém se lembra do caso com precisão. Nem Buani. Agora, só resta ao Congresso esperar que a equipe do arquivo do Bradesco (banco usado por Buani) forneça o microfilme do documento com a maior rapidez possível (o pedido já foi feito pelo próprio empresário, semana passada). O prazo para esse tipo de requerimento é de 10 a 15 dias úteis.

Se o cheque vier sem a assinatura do motorista de Severino, o caso do mensalinho ficará sem solução do ponto de vista formal... Os severinistas então vão retaliar apresentando os pedidos de cassação. Vai ser uma disputa e tanto.

 

Por Fernando Rodrigues

Severino quer terceirizar o constrangimento

Severino Cavalcanti não renuncia nem pede licença. Até quando? Até que apareçam provas documentais. Vão aparecer? Não se sabe.

O presidente da Câmara não sai da cadeira e quer repassar para a oposição o ônus de eventualmente atrasar os processos de cassação de 18 deputados (Roberto Jefferson à frente).

Para mais detalhes sobre a estratégia severinista, assinantes da "Folha de S.Paulo" e do UOL podem ir diretamente à versão da internet da Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1209200504.htm

Para facilitar, aí vai o texto:

Constranger a oposição vira tática de defesa

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Erraram todos os que previram a licença ou mesmo renúncia de Severino Cavalcanti,74, diante dos inúmeros indícios sobre corrupção envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados. O pernambucano resistirá até que apareçam provas documentais -as quais ele supõe não surgirão jamais.
Desde a semana passada, Severino costurou com cuidado a estratégia de defesa. Para tal, teve o apoio de parte significativa da bancada de seu partido, o PP, na Câmara dos Deputados, articulada pelo líder pepista, José Janene (PR).

Os severinistas sabem que a queda do presidente da Câmara abriria a porteira para outras cassações de membros do partido. A ajuda é mais por instinto de preservação coletivo do que por solidariedade ao seu mentor.

A idéia é repartir o constrangimento da situação atual com os partidos que tentam tirar Severino do cargo. O pernambucano sabe que várias siglas pretendem sair do plenário -ou não registrar presença- enquanto ele presidir as sessões da Casa. Nesse caso, haverá um impasse. Nada será votado.

O problema é vai ser apreciado nesta semana o processo de cassação de Roberto Jefferson (PTB-RJ). O plenário da Câmara poderia votar esse caso na quarta-feira. A oposição quer boicotar sob o argumento de que Severino não pode presidir a sessão, pois também é acusado de corrupção.

Ao fincar o pé e presidir a Câmara em todas as sessões, Severino pretende jogar para a oposição o ônus de atrasar o julgamento dos deputados acusados de envolvimento no esquema do "mensalão" -Jefferson encabeça uma lista com 18 nomes. Esse é o caminho que ficou acertado entre o presidente da Câmara, o líder do PP, José Janene, e mais alguns dos principais deputados da sigla, como Pedro Corrêa (PE), Pedro Henry (MT), Mário Negromonte (BA) e João Pizzolatti (SC).

Dos seus atuais 54 deputados, o PP deve ter, entre 35 e 40 totalmente fiéis a Severino -até o momento. Esse grupo foi convocado para uma reunião hoje à tarde em Brasília. O tamanho da bancada que comparecer ao encontro dará uma dimensão do apoio do presidente da Câmara. Menos de 30 será demonstração de fraqueza.

A idéia de Severino é a de atacar os que lideram a divulgação das acusações. Isso quando tiver segurança absoluta de que não haverá prova material contra si.

O presidente da Câmara acredita que só há duas provas materiais possíveis. O documento original autorizando a prorrogação de uma concessão para o restaurante do empresário Sebastião Buani dentro da Câmara e a cópia de um cheque endossado por um motorista seu, atestando o "mensalinho" pago por Buani.

No caso do documento prorrogando a concessão, acredita que nunca aparecerá o original. Até agora, só surgiu uma fotocópia. Severino continuará a sustentar a versão de que se trata de uma montagem. Sobre o cheque, tem dúvidas. A correligionários, diz não acreditar na versão de Buani. Vai esperar que o documento apareça para tocar nesse assunto com mais segurança.

Por Fernando Rodrigues

O partido da IURD

Esqueçam tudo. Mensalinho, mensalão, Severino e a prisão dos Malufs (esses já são história). Toda a atenção deve ir para o novo partido que acaba de receber registro definitivo do TSE (basta ir em www.tse.gov.br e escolher "partidos"; está lá). É o partido da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Existe oficialmente no Brasil inteiro desde 25 de agosto. O furo está em uma notinha na "Veja" deste fim de semana. É um fato da maior relevância.

O partido (chama-se Partido Municipalista Renovador) é o 28º com registro nacional. Em breve, o P-Sol, de Heloísa Helena, será o 29º. Abaixo, coluna de hoje na Folha (para assinantes da Folha e do UOL: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1209200505.htm):

FERNANDO RODRIGUES

O partido da IURD

BRASÍLIA - Esqueça o "mensalão" e o "mensalinho". Se o assunto é como o Brasil emergirá da crise, a notícia mais relevante da semana estava ontem em uma nota na revista "Veja" com o título de "O partido do bispo". Relata que a Igreja Universal do Reino de Deus obteve em 25 de agosto registro definitivo para a sua própria agremiação partidária.

Agora, o bispo Edir Macedo não precisará mais praticar "entrismo" no PL, PTB, PP e adjacências. Já tem a sua própria sigla, o PMR (Partido Municipalista Renovador).

Os políticos interessados em disputar a eleição de 2006 têm até o dia 30 deste mês para decidir em qual agremiação estarão. Nessa data será conhecido o tamanho exato da bancada de Edir Macedo.

Em resumo, depois de quatro meses de crise e acusações gravíssimas de corrupção generalizada em Brasília, o saldo mais objetivo é esse -uma igreja evangélica conseguiu montar o seu próprio partido político.

A aprovação da sigla demonstra também como é frágil a Justiça Eleitoral. O PMR usa trechos em seu estatuto copiados integralmente do documento equivalente do PL. O artigo 43, por exemplo, começa assim: "As bancadas do PL nas Câmaras Municipais de vereadores...".

É compreensível que os religiosos da IURD tenham cometido tal imprudência. Não é a praia deles. Mas o curioso é o Tribunal Superior Eleitoral chancelar o desleixo. No site do TSE (www.tse.gov.br) está escrito: "O Tribunal, por unanimidade, deferiu o registro definitivo do Partido Municipalista Renovador (PMR)".

Nada contra uma igreja fundar uma agremiação política. Ocorre que o PMR já é o 28º partido com registro nacional. O PSOL será o 29º, se Heloísa Helena e seus aliados tiverem a mesma sorte de Edir Macedo.

É improvável que a saída para os males da política nacional esteja apenas na criação do PMR e do PSOL. Assim caminha o Brasil.

Por Fernando Rodrigues
13h40 - 11/09/2005

Severino, como um cactus, prolonga crise

A entrevista de Severino Cavalcanti, hoje, mostra que ele está mesmo disposto a prolongar a crise. Decidiu resistir como um cactus, a planta típica da sua região. Custa a morrer.

Todos os seus aliados próximos acham que ele deve pagar para ver. A única prova material possível, a esta altura, é o tal cheque que o empresário Sebastião Buani diz ter dado a um motorista de Severino. Se o cheque não aparecer com o nome do motorista endossando, o presidente da Câmara ficará no cargo até o final. Serão 90 dias de processo...

Há no ar a informação de que o Bradesco prometeu para terça-feira uma fotocópia do cheque. O próprio Buani pediu. É possível que esse prazo não seja cumprido. O prazo normal para quem pede a localização de um microfilme de cheque é de 10 a 15 dias úteis... O que deve aparecer na terça-feira são os extratos da conta bancária de Buani. Mas esses documentos não trazem os nomes de quem saca os cheques... Continuará tudo na base do palavra contra palavra.

Diante da decisão do cactus Severino, resistindo à seca de apoio político, a oposição fica numa sinuca. Os deputados oposicionistas vão cumprir a promessa de sair do plenário enquanto Severino presidir as sessões? Se fizerem isso, estarão protestando contra o presidente da Câmara. Mas vão ajudar os 18 congressistas que aguardam o andamento de seus processos de perda de mandato.

Para punir o suposto "mensalinho" vão ajudar os acusados de "mensalão".

Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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