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Blog do Fernando Rodrigues

Cobertura política, eleitoral, pesquisas e notícias do poder

08h03 - 09/11/2009

"Cyber criminosos" atuam no Brasil e são destaque na CBS

A rede de TV norte-americana CBS deu ontem (8.nov.2009) extensa reportagem sobre as vulnerabilidades existentes nos EUA. Criminosos cibernéticos já teriam como invadir vários sistemas críticos daquele país.

 

Mas o Brasil também foi destaque (como informado no post abaixo). Segundo o programa "60 Minutes", o Brasil já foi vítima de ataques a suas empresas de energia por parte de invasores que usaram a web como porta de entrada. Abaixo, o vídeo do programa (em inglês). A parte sobre o Brasil está logo no início, após a fala de Barack Obama:

 

 


Watch CBS News Videos Online

 

A reportagem da CBS e outra já publicada pela Folha repercutiram na revista "Wired", que colocou em dúvida a certeza sobre a atuação de criminosos cibernéticos para apagar as luzes de cidades brasileiras. Aqui, o post da Wired sobre o assunto.

 

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Por Fernando Rodrigues
22h23 - 08/11/2009

Poder e política na semana – 9 a 13.nov.2009

 

Votações dos projetos do pré-sal devem dominar a Câmara na semana. Na internet, o PT lança seu novo portal (2a feira) e os partidos de oposição (PSDB, PPS e DEM) lançam (3a feira) conferências interativas na rede (o que é isso?).

 

Na Justiça, decisão sobre os novos 7.00 vereadores (tomam posse já ou em 2013?), a extradição do italiano Cesare Batisti e a cassação do governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP).

 

A seguir, o que move o mundinho da política na semana que começa:

 

 

Segunda (09.nov)
Pré-sal – o governo tem pressa. Deputados trabalham em plena 2a feira. Votarão o parecer de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) sobre o modelo de partilha.

 

Portal do PT – depois de dois adiamentos, estreia o novo portal do partido.

 

Lula e o Itaú – em São Paulo, o presidente recebe Roberto Setubal, diretor presidente do Itaú-Unibanco.

 

José Alencar na Fiesp – acompanhado pela ministra Dilma Rousseff e por Lula, o vice-presidente da República recebe o titulo de presidente emérito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

 

Censo do Senado – o recadastramento dos fantasmas terminou na última 6a feira. Dos 6.277 servidores efetivos e comissionados, 40 não concluíram o cadastro. Agora, falta saber se essa turma trabalha de fato. E se haverá demissões.

 

 

Terça (10.nov)

Rondônia no TSE – o Tribunal Superior Eleitoral decide se o governador de Rondônia, Ivo Cassol (PP), continua no cargo.

 

Shimon Peres no Brasil – o presidente de Israel desembarca em Brasília. Ficará no pais até domingo, onde passará ainda pelo Rio de Janeiro e São Paulo.

Expectativa do blog: o que falará Peres da visita ao Brasil no próximo dia 23 do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

 

Pré-sal – os 4 projetos sobre o marco regulatório começam a ser votados no plenário da Câmara.

 

Hackers no TSE – o tribunal inicia os testes públicos de urnas eletrônicas para as eleições de 2010.

 

Oposição na Internet – PSDB, PPS e DEM lançam série de 12 conferências interativas na rede. Com o nome de “E agora, Brasil? O país que somos e o que queremos ser”, elas devem ajudar na elaboração do programa dos candidatos.

 

 

Quarta (11.nov)

3 PECs – o Congresso Nacional tem sessão para a promulgação de 3 emendas à Constituição: 1) a que transfere os servidores de Rondônia para a União; 2) a que retira da DRU os recursos destinados à educação e 3) a que torna o presidente do STF também do CNJ.

 

PEC dos Vereadores – o STF julga se as mais de 7 mil vagas devem ser criadas agora ou em 2013.

 

Venezuela no Mercosul – plenário do Senado decide sobre a entrada do pais no bloco.

  

PAC a jato X TCU – Lula fará reunião com ministros do TCU e com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para falar sobre a paralisação em obras do PAC.

 

Drogas – projeto que estabelece a detenção para usuários de drogas estará em votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara.

 

 

Quinta (12.nov)

Battisti – o Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento sobre se devolve ou não o italiano para a Itália.

 

PTB – o partido de Roberto Jefferson e Fernando Collor terá 10 minutos gratuitos na televisão e no rádio.
expectativa do blog: Jefferson é anti-PT. Collor virou pró-Lula desde criancinha. Qual será o tom do programa?

 

 

Sexta (13.nov)

COP-15 reunião do presidente Lula com ministros para definir possíveis metas de redução de emissões de carbono para levar ao encontro em Copenhague no próximo mês.
comentário do blog: é possível que não saiam essas metas. O Brasil perderá chance de liderar o processo.

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Hackers invadem site do governo, praticam extorsão e podem até apagar luzes de várias cidades no Brasil

Hackers e crimes cibernéticos são uma ameaça do século 21. Nenhum país está inteiramente preparado. Alguns estão mais à frente. Outros, mais atrasados. O Brasil está caminhando com algumas medidas (como um departamento no Planalto só para monitorar essa área), mas ainda falta muito, como mostram esses textos de hoje, na Folha.

 

Hacker troca senha de servidor de
um ministério e exige US$ 350 mil

Criminoso, que estava no Leste Europeu, invadiu o servidor de computadores de um órgão federal em maio do ano passado

Dinheiro não foi pago, e hacker não foi capturado; computadores do governo federal sofrem, por hora, 2.000 tentativas de ataque

FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA 

Um hacker baseado num país do Leste Europeu invadiu o servidor de computadores de um órgão ligado a um ministério no ano passado. O criminoso trocou a senha do sistema. Paralisou a operação de acesso aos dados. Deixou apenas um recado: só recolocaria a rede novamente em operação após receber US$ 350 mil.
O ataque ocorreu em maio de 2008. Está até hoje cercado de sigilo. A Folha obteve a confirmação do crime, mas não a indicação de qual foi o ministério e o órgão atacado. O dinheiro não foi pago ao criminoso.


"Decidiu-se por não pagar. Esse órgão ficou 24 horas sem operar, com cerca de 3.000 pessoas sem ter acesso aos dados daquele servidor", relata Raphael Mandarino Junior, 55, o matemático no cargo de diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República.


Uma espécie de ciberczar da administração federal, Mandarino comanda cem pessoas no seu departamento, criado em 2006. Só no ano passado, entretanto, passou a existir uma política geral e específica a respeito de crimes cibernéticos na esfera federal. Ele relata como foram as providências tomadas após o mais grave ataque de hacker sofrido até hoje pelo governo brasileiro.


"Foram momentos tensos. Acionamos a Polícia Federal. Havia um backup [cópia] de todos os arquivos em outro lugar. Uma equipe reconstruiu o servidor com as mesmas informações que o hacker havia tentado destruir. Mas ainda demorou uma semana para quebrar os códigos deixados pelo criminoso no servidor original."


Uma vez decodificada a senha deixada pelo hacker, notou-se que a máquina da qual partira o ataque estaria localizada no Leste Europeu. "Foi possível descobrir isso pela natureza do IP registrado no servidor atacado", diz Mandarino. "IP" é a sigla para "internet protocol", o número individual de cada máquina e que serve para indicar a localização possível do equipamento.

Aqui, o texto completo (para assinantes).

 

Para EUA, hacker causou apagão no Brasil

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Agentes de segurança e informação do governo dos Estados Unidos têm vários indícios de que empresas de energia do Brasil já sofreram ataques de hackers. Alguns apagões que deixaram dezenas de cidades no escuro nos últimos anos podem ter sido obra de cibercriminosos, como mencionou de forma indireta o presidente americano, Barack Obama.


Num discurso em maio deste ano, Obama disse: "Nós sabemos que esses invasores cibernéticos têm colocado à prova nosso sistema interligado de energia e que, em outros países, ataques assim jogaram cidades inteiras na escuridão".


A referência a "outros países" feita pelo chefe da Casa Branca incluía o Brasil, segundo a Folha apurou.


De acordo com agentes de segurança que fazem relatórios para dar subsídios aos discursos de Obama, os apagões brasileiros que teriam ocorrido por causa da ação de hackers foram os de janeiro de 2005 e de setembro de 2007, entre outros, sempre atingindo regiões no Espírito Santo e no Rio.

 

A responsável por aquela região é a estatal federal Furnas. AFolha entrou em contato com a empresa, que negou ter conhecimento da ação de hackers em seu sistema. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) também afirmaram desconhecer o envolvimento de criminosos cibernéticos nos apagões. As quedas de energia são sempre atribuídas a fenômenos climáticos, falha de manutenção ou sobrecarga do sistema.

 

Autoridades dos EUA já chegaram até a mencionar o assunto em público. Em junho de 2007, o então secretário assistente de Defesa dos EUA, John Grines, numa conferência em Paris, disse o seguinte: "Não faz muito tempo, houve um ataque [de hackers] ao sistema de energia do Brasil, à chamada rede Scada [um tipo de sistema de gerenciamento], que causou grandes distúrbios".

 

No mês passado, em uma reportagem publicada pela revista norte-americana "Wired", um ex-assessor especial no governo de George W. Bush (que deixou a Casa Branca neste ano), também mencionou o Brasil. "Dado o grau de seriedade com que a administração Obama trata a segurança cibernética e a rede inteligente [de transmissão de energia], nós podemos nos preparar para acontecer aqui o tipo de coisa que aconteceu no Brasil, onde hackers conseguiram, com sucesso, derrubar o fornecimento de energia", disse Richard Clarke, hoje presidente da Good Harbor, uma empresa que faz consultoria nessa área.

 

Raphael Mandarino Junior, diretor do Departamento de Segurança da Informação e Comunicação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, diz ter checado o assunto com empresas de energia "sem encontrar rastros".

 

"Há sempre a possibilidade de um ataque de hackers para tentar derrubar uma subestação de energia, mas creio que estamos de certa forma protegidos pelo fato de termos chegado tarde aos avanços tecnológicos. As empresas não têm os seus sistemas operacionais conectados diretamente à internet. Isso dificulta muito a um hacker entrar na rede interna", diz Mandarino.

 

Mas ele acredita que quase todos os setores na administração pública no Brasil estão atrasados na preparação para enfrentar esse risco relativamente novo de ataques de hackers. "Quem trabalha na segurança muitas vezes é um gato gordo e lento. Quem está atacando é um rato magro e ágil, que sempre toma a iniciativa."

 

A fragilidade do fornecimento de energia no Brasil e o risco de ataques de hackers deve ser assunto hoje à noite no programa jornalístico "60 Minutes", da rede norte-americana CBS, segundo a Folha apurou.

 

A reportagem falará também das vulnerabilidades locais, mas o caso brasileiro será citado. Amanhã, a reportagem poderá ser assistida na internet, no site da emissora americana (www.cbsnews.com). (FR)

 

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Por Fernando Rodrigues
17h05 - 07/11/2009

Rubem Fonseca e um "trailer" do seu livro

"O Seminarista" foi lançado. Clichês, lugares-comuns e um escritor se repetindo, dizem alguns críticos.

 

Inveja, digo eu. Eis a narração de um trecho:

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
13h01 - 06/11/2009

UOL tem 6,7 milhões de visitantes no exterior

Uma informação para entender como anda a internet brasileira: cresce a atração de audiência de fora do Brasil.

 

Esse é o dado da ComScore divulgado nesta semana que indica 6,7 milhões de visitantes únicos ao UOL a partir do exterior em setembro passado. O Universo Online já é o líder no país entre os portais de notícias. Aqui, o dado medido pelo Ibope. Agora, sabe-se que o UOL é também o portal brasileiro líder de acessos vindos de outros países.

 

Abaixo, a tabela divulgada pela ComScre:

 

 

*Exclui a audiencia dos computadores públicos, tais como cafés de Internet ou acesso a partir de telefones móveis ou PDAs.

 

É importante notar que está excluída da conta uma audiência relevante em lan houses e cyber cafés. Ou seja, a audiência real é muito maior do que a descrita nesse quadro.

 

Alguém ainda tem dúvida sobre o efeito da internet nas eleições de 2010?

 

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Por Fernando Rodrigues
20h13 - 05/11/2009

Brasília terá moeda de R$ 5 para celebrar 50 anos

A capital da República completa meio século em 21 de abril de 2010. Entre outras homenagens, Brasília ganhará uma moeda emitida pelo Banco Central no valor de R$ 5. Serão cunhadas apenas 30 mil unidades _apenas para o consumo de colecionadores.

 

A peça será fabricada pela Casa da Moeda em prata, com 40 milímetros de diâmetro. Em um dos lados, a moeda terá o plano de Brasília (o formato das duas asas e a Esplanada dos Ministérios). Na outra face serão gravadas imagens sobrepostas do Congresso Nacional, Catedral de Brasília, Palácio do Planalto e da escultura Guerreiros (situada na Praça dos Três Poderes).

 

Embora o valor nominal da moeda seja de R$ 5, cada uma será vendida por R$ 110.

 

Eis as imagens da peça, que será lançada só em março do ano que vem:

 

 

 

 

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Lula recebe prêmio, mas as estatais pratrocinam

É da maior relevância a notícia de hoje (5.nov.2009) na Folha sobre quem patrocina o prêmio Chatham House 2009, concedido ao presidente Lula, em Londres. O presidente brasileiro foi agraciado por ser o "motor-chave da estabilidade e da integração na América Latina". A premiação é oferecida pelo Royal Institute for International Affairs. Mas estatais brasileiras estão listadas como patrocinadoras. As estatais alegam ter havido uma confusão --só teriam comprado o direito de estarem presentes ao evento. Enfim, uma confusão.

 

Abaixo, o início da reportagem da Folha. Aqui, a íntegra para assinantes do jornal e do UOL.

 

Estatais patrocinam prêmio

concedido a Lula em Londres

 

 

Premiação da Chatham House é co-patrocinada por Petrobras, BNDES e Banco do Brasil 


Presidente recebe prêmio hoje por ser "motor-chave da estabilidade e da integração na América Latina'; estatais negam ser patrocinadoras 


SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

ANA FLOR
DA REPORTAGEM LOCAL

 

A lista de empresas que patrocinaram ou apoiaram o prêmio que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe hoje em Londres inclui três estatais (Petrobras, BB e BNDES), três empresas privadas brasileiras (Bradesco, Itaú e TAM) e várias companhias estrangeiras com interesses comerciais no país.

 

Lula recebe hoje o prestigiado prêmio Chatham House 2009, em Londres, por ser o "motor-chave da estabilidade e da integração na América Latina". Oferecido pelo Royal Institute for International Affairs, o prêmio teve outros dois finalistas: o chanceler da Arábia Saudita, o príncipe Saud Al Faisal, e a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf. Lula ganhou em votação aberta realizada na instituição.

 

O site da Chatham House lista os patrocinadores. Além das estatais e das empresas privadas nacionais, aparecem a Royal Dutch Shell (patrocinadora principal), Anglo American, BG Group, Bloomberg, British American Tobacco, Chevron Ltda, Chivas Brothers, Eni S.p.A, GlaxoSmithKline, HSBC, Rolls-Royce, Santander e Telefonica. O site não informa o valor das cotas de patrocínio.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
20h04 - 04/11/2009

O Muro de Berlim e o Brasil: a queda veio atrasada

 

O Muro de Berlim caiu há 20 anos. Foi um evento simbólico para o fim do bloco soviético. Para o Brasil, veio tarde. O país tinha enfrentado 21 anos de ditadura militar (1964-1985). Estava em plena transição para a normalidade democrática. A Constituição redigida e promulgada em 1988 ainda foi idealizada dentro de um mundo bipolar que não existia mais na vida real –faltava apenas o Muro cair, o que ocorreu no ano seguinte.

 

Esse é mais um dos azares históricos do Brasil. Se o Muro de Berlim tivesse caído em 1987 –ou se a Constituição tivesse sido redigida só em 1990– o país seria outro.

 

Os políticos e a sociedade brasileira em geral ainda sonhavam com um mundo idílico que o Leste Europeu já sabia ser incompatível com a realidade. Por essa razão a Constituição de 1988 tabelava os juros em 12% (esse artigo já foi revogado) e garantia quase tudo para os cidadãos, sem saber exatamente como entregar a mercadoria.

 

Roberto Campos (1917-2001) costumava brincar. Dizia que após a Constituição de 1988 todos poderiam pedir um habeas corpus preventivo a Deus para nunca morrerem. “É que o artigo 5º garante ‘aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida’, ou seja, eu não tenho como morrer”, dizia ele, gargalhando.

 

Essa irrealidade ficou clara para todos logo depois da queda do Muro de Berlim. As misérias apareceram às claras nos países do antigo bloco soviético. Mostravam como foram ingênuos os deputados e os senadores constituintes de 1988. Alguns até bem intencionados, mas todos completamente descolados da realidade.

 

Mas o Muro de Berlim caiu e aos poucos as coisas foram aos poucos se ajustando. A ponto de a Constituição de 1988 já ter sido emendada 64 vezes. Dá uma média de 3,1 alterações por ano –outro possível recorde brasileiro.

 

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Por Fernando Rodrigues
11h39 - 02/11/2009

Poder e política na semana – 2 a 6.nov.2009

 

A semana é mais curta por causa do feriadão de hoje (2.nov). Mas muitas photo ops pela frente. Lula será recebido (na 5a feira) pela rainha da Inglaterra. Dilma Rousseff será incensada por centenas de prefeitos petistas em Guarulhos (6a feira). O mensalão mineiro será julgado pelo STF (4a feira). Na TV, o PP (Maluf, Dornelles et al) terá seu programa na TV (5a feira).


A seguir, um apanhado do que vai mover o mundinho da política nesta semana:

 

Segunda (02.nov)
Finados – o feriado esvazia Brasília.

 

PT no Roda Viva – o líder petista na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (SP), é o entrevistado do programa da TV Cultura. A entrevista vai ao ar às 16h30 pela web no site da emissora. Às 22 horas, íntegra na TV Cultura. Às 22h40, na TV Brasil.
Comentário do blog: Vaccarezza é o nome em alta no PT. Quer ser presidente da Câmara em 2011.

 

 

Terça (03.nov)
COP-15 – pela manhã, Lula participa de reunião sobre a Conferência de Mudanças Climáticas de Copenhague.

 

Lula em Recife – pela tarde, o presidente participa do 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva antes de embarcar para a Inglaterra.

 

Meirelles em Oxford – antes da chegada do presidente Lula à Inglaterra, o presidente do Banco Central dá palestra sobre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) na Universidade de Oxford.

 

Pré-sal – os relatórios das 4 comissões sobre o marco regulatório devem ser votados na Câmara.

 

 

Quarta (04.nov)
BNDES em Londres – o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, inaugura sede do banco em Londres. Junto a ele, estarão o presidente Lula, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

 

Battisti – o ministro Marco Aurélio de Mello deve fazer a leitura do seu voto sobre o pedido de extradição do italiano no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal).
dúvida do blog: como vai se decidir o novo ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli? Vai se dar por impedido ou vai votar?

 

Conselho de Segurança da ONU – na Câmara, o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), o ministro Nelson Jobim (Defesa), Marco Aurélio Garcia e Francisco Rezek a intenção do Brasil de ter assento permanente no conselho.

 

Contas de luz – o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, vai à Câmara explicar a cobrança indevida nas contas de luz.

 

Lula em Londres – janta com o primeiro ministro inglês, Gordon Brown. Antes, participa de audiência com o presidente da Arcelor Mittal, Lakshmi Mittal, e concede entrevista ao “Financial Times”.

 

Mensalão mineiro – STF julga ação contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e Marcos Valério. Os dois são acusados de fazer caixa 2 durante a campanha de Azeredo à reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998.

 

Novo site do PT – a nova homepage do partido estará online. Assunto já tratado pelo blog aqui e aqui.

 

PEC da Música – plenário da Câmara deve votar a proposta que isenta CDs e DVDs de impostos. Artistas inundarão os corredores do Congresso.

 

PT-PMDB – reunião com 10 integrantes de cada partido discute a aliança eleitoral para 2010, o apoio a Dilma e as coalizões nos Estados.

 

 

Quinta (05.nov)
Congresso do PC do B – comunistas se reúnem para o seu 12º Congresso. Ele vai até domingo (08) no centro de convenções Anhembi, em São Paulo.

 

Elizabeth II – Lula será recebido pela rainha.

comentário do blog: grande "photo op".

“Estadista do ano” – Lula recebe o prêmio na Chatam House, antes de retornar ao Brasil.

 

“Investindo no Brasil”seminário do “Financial Times” e do “Valor Econômico” terá o presidente Lula, os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dilma Rousseff (Casa Civil) e os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do BNDES, Luciano Coutinho.

 

PP na TV – o partido herdeiro da Arena, hoje na base de apoio de Lula, terá seus 10 minutos gratuitos na TV e no rádio.
expectativa do blog: como o PP tratará da sua relação atual com o governo Lula, do qual é aliado, e as possíveis indicações para apoio na eleição de 2010.

 

Segurança no Rio – o ministro Tarso Genro (Justiça), o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, vão à Câmara dos Deputados discutir a política de segurança pública no Estado.

 

Sexta (06. nov)
Encontro de prefeitos petistas – em Guarulhos (SP), parte dos 547 prefeitos do partido se reúnem sob os auspícios da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) até o dia seguinte.
comentário do blog: 2010 já começou.

 

 

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Por Fernando Rodrigues

O lobby tem vida fácil e livre no Brasil

Coluna de hoje (2.nov.2009), na Folha.

 

FERNANDO RODRIGUES 

O lobby descarado

BRASÍLIA - A Caixa Econômica Federal patrocinou parte da festa em celebração à posse de José Antonio Toffoli como ministro do Supremo Tribunal Federal, no dia 23 passado. Conforme relatou Frederico Vasconcelos, o mimo do banco estatal ficou em R$ 40 mil.


Neste fim de semana prolongado, 450 procuradores da República reuniram-se em Natal (RN). Tema do debate: "jurisdição constitucional e democracia". Os responsáveis pelas principais investigações no país receberam patrocínios da CEF e da Confederação Nacional da Indústria. Ontem, como ninguém é de ferro, o dia foi livre. 


Também neste feriadão, a Associação dos Magistrados Brasileiros fez seu congresso. Em São Paulo, mesmo sem resort à beira-mar, o encontro não dispensou a ajuda de Bradesco ("patrocinador master"), TAM e Vivo, entre outros.


A festa para Toffoli, o convescote em Natal e os juízes reunidos com a colaboração de empresas em São Paulo são apenas três episódios recentes de uma prática consolidada no Poder Judiciário e no Ministério Público: pedir patrocínio à iniciativa privada e ao Estado quando organizam algum evento. 


Confrontados sobre a conveniência desse costume impróprio, juízes e procuradores reagem sempre da mesma forma. Seria tosco imaginar, dizem, um fim de semana na praia comprar uma decisão judicial. O argumento é frágil, mas não é esse o único problema. 
O lobby descarado ocorre sem nenhum controle. É quase ocioso lembrar a raridade de patrocínios de entidades de defesa do consumidor para eventos de juízes ou de procuradores. Bancos e indústrias são os alvos prediletos. 


Há algumas semanas, Michel Temer falou sobre acelerar a tramitação do projeto de lei para regulamentar a atividade de grupos de pressão no país. O assunto morreu rapidamente. Uma regra clara não interessa a quem faz o lobby nem a muitos usuários dos benefícios. 

 

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Por Fernando Rodrigues
12h42 - 31/10/2009

Lula, o lixo e os valores do presidente: uma evolução

 

De fato, algumas coisas evoluem no Brasil.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na última 5a feira (29.out.2009) na Expocatadores, evento que reuniu catadores de rua que coletam materiais recicláveis. Em dado momento, segundo publicado, Lula fez uma crítica à elite e aos hábitos dos que não se preocupam em manter limpo o ambiente público. Eis o que disse o presidente:

 

"Essa gente, que eu diria, até de forma humilhante, não tinha vergonha de passar de carro e jogar um lixo qualquer achando que vocês eram de segunda categoria e tinha obrigação de catar o lixo deles (...) Vocês estão ensinando a essa gente pedante, a essa gente arrogante, que o ser humano não pode der discriminado pelo sua profissão".

 

É bom Lula falar assim em público. Generalizou-se no Brasil o péssimo hábito de jogar papel no chão, de arremessar lixo pela janela do automóvel ou de não cuidar dos espaços comunitários de maneira asseada. O presidente sabe bem disso.

 

Em 24 de novembro de 2004, Lula participou da cerimônia de inauguração de 4 turbinas da Usina de Tucuruí, no Pará. Enquanto ouvia a ministra Dilma Rousseff discursar, o presidente comeu um bombom de cupuaçu e jogou o papel no chão. O relato da época pode ser lido aqui. E, abaixo, as fotos da cena captada pelo excelente fotógrafo Luiz Carlos Murauskas:

 

 

Enfim, é muito bom Lula hoje se ocupar de incentivar os brasileiros a terem hábitos mais civilizados, cuidando da limpeza de espaços públicos. No passado, não era assim. O presidente evoluiu.

 

 

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Por Fernando Rodrigues
10h31 - 30/10/2009

Eis a tentativa de "viral" do Democratas contra Lula

No final da sua propaganda de ontem na TV, o Democratas mostrou um spot de 47 segundos. É para tentar vender a ideia de que a popularidade de Lula permite ao governo não governar ou tomar decisões contra a população. Falta dinheiro no Orçamento? Segura-se a restituição do IR da classe média. O MST invade fazendas e derruba pés de laranja? Deixa prá lá, pois a popularidade de Lula encobre tudo.

 

A lógica do comercial é curiosa. Ou polêmica. Se Lula tem perto de 80% de aprovação pessoal, quem o aprova está feliz com o governo. Então, o comercial do Democratas pode ter um efeito reverso: irritar esses eleitores em vez de tentar conquistá-los. Ou não, como diria o outro.

 

Aí vai o vídeo embedado no blog (link copiado do boletim diário "ex-blog" do ex-prefeito do Rio César Maia):

 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues

Brasil, seus feriados e um Estado disfuncional

Quarta-feira (28.out) foi dia do servidor público. Em Brasília, o governo antecipou a data para segunda-feira (26.out) e nada funcionou.

 

Mas o Poder Judiciário fez diferente. Em vez de antecipar para segunda-feira, os magistrados resolveram postergar para hoje, sexta-feira (30.out), a folga dos servidores. Por quê? Para obviamente emendar com o feriado de Finados (2.nov, na segunda-feira).

 

Esse é um episódio prosaico que revela toda a disfuncionalidade do Estado brasileiro. Na segunda-feira, nada funcionou porque os servidores públicos dos Poderes Executivo e Legislativo estavam de folga. Hoje, nada vai funcionar porque são os funcionários do Poder Judiciário é que estão sem trabalhar. Dezenas de processos que necessitam de interação entre Judiciário e os outros Poderes ficam paralisados.

 

Tudo porque uns quiseram uma folga prolongada mais robusta. Paciência. O pais para para alguns terem um dia a mais de descanso.

 

No fundo, sabe-se muito bem que toda a máquina pública funcionou de maneira precária nesta semana inteira por causa da proximidade dos feriados.

 

Não há como negar o avanço institucional do Brasil, que é grande, durante as últimas décadas. Mas há certos bolsões de atraso que resistem a tudo. Tucanos com FHC e petista com Lula fizeram muito pouco (quase nada) para alterar essa cultura atrasada na administração pública.

 

p.s.: a propósito, por que é necessário ser ponto facultativo no dia do servidor público? Por essa lógica, todas as outras profissões teriam de ter também um feriado próprio. Eis aí outra disfunção do Estado brasileiro.

 

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Por Fernando Rodrigues
21h01 - 29/10/2009

Democratas (ex-PFL) na TV fala em 2014, 2020...

O Democratas teve seus 10 minutos semestrais na TV hoje (29.out.2009) à noite.

 

Um pouco tosco o programa. A proposta principal é para 2014, 2020... Foi o que disse o presidente nacional do Democratas, Rodrigo Maia.

 

Além de Maia e de seu pai, o ex-prefeito do Rio César Maia, eis os outros personagens que apareceram na tela : deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO), senador José Agripino (DEM-RN), senador Heráclito Fortes (DEM-PI), prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e governador de Brasília, José Roberto Arruda.

 

Arruda falou de suas 2.000 obras em Brasília. Usou uma linguagem incompreensível. Falou de um tal P-Sul, uma tal QNL... Ninguém sabe o que é isso fora do Distrito Federal.

 

Entre as obras do Democratas foi apresentado o fato de muitos brasileiros hoje terem acesso a telefone celular e internet. Por quê? Porque o Democratas governou o Brasil com o PSDB... É um conceito bem elástico sobre a autoria de uma obra. 

 

Ao final, a propaganda termina com um comercial viral de 30 segundos falando que o governo deixa tudo como está por causa da alta popularidade de Lula. Personagens supostamente "do mal" falam que nada será feito para melhorar a segurança, que Lula nada fará para conter os atos criminosos de parte do MST etc. Por quê? Porque Lula está com a popularidade em alta. O blog tem dúvidas sobre a eficácia desse tipo de propaganda. Possivelmente, o Democratas não tenha garantido muitos votos com essa abordagem --reconhecer que Lula está com a popularidade em alta.

 

Tudo considerado, foi uma oportunidade perdida (mais uma) da oposição para dar um recado e tentar recuperar seu espaço.

 

p.s.1: o blog tentou embedar aqui a propaganda dos "demos", mas não está ainda na web... nada no google, no site dos "demos" nem no YouTube. É assim que essa turma quer pregar modernidade?

 

p.s.2: hoje (30.out.2009), achei o link da propaganda do Democratas. Aí está o vídeo: 

 

 

 

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Por Fernando Rodrigues
17h33 - 28/10/2009

Aécio e seus dilemas e estratégias

 

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves,  como se sabe, deu um ultimato ao seu partido, o PSDB. Reportagem da Folha de hoje informa que o tucano quer uma decisão sobre quem será candidato a presidente até dezembro. Se ele não for o escolhido, começa a se preparar apenas para ser candidato a senador.

 

É curiosa essa declaração de Aécio.

 

A rigor, o ultimato poderia ter sido feito em setembro, em agosto ou no começo deste ano. Não houve grandes mudanças no cenário até agora. O governador de São Paulo, José Serra, também do PSDB, continua irredutível a respeito de deixar a definição sobre se será candidato só para março de 2010.

 

O que poderia ter acontecido para Aécio ter mudado de opinião? Grandes reuniões políticas? Pouco provável. O mineiro apenas se reuniu com o presidente nacional do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ). Embora formalmente comandante dos “demos”, Maia não tem conseguido impor ao seu próprio partido –nem ao PSDB– uma antecipação do calendário eleitoral.

 

Por que então Aécio mudou de estratégia? Nenhum fato esclarece.

 

No fim de semana, o governador de Minas Gerais esteve a passeio no Rio de Janeiro, como relata a nota “Balada, publicada pelo site Glamurama, da excelente Joyce Pascowitch. Eis um trecho:

 

“O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, acaba de chegar à festa de Francisco Costa no Fasano, no Rio. “Fui ontem ao Jockey Club em uma caravana com minhas sobrinhas e minha filha”, contou. Do que elas mais gostaram? “De Wanessa com o rapper Ja Rule. E como ela é minha comadre, fiquei muito feliz de ver essa nova fase da carreira dela”.

 

Ou seja, continua um mistério a razão para a guinada política de Aécio.

 

Palpites?

 

P.S.: em 4.nov.2009, duas reportagens curtas na "Folha de S.Paulo" e no "Valor Econômico" devem ser consideradas para cálculos políticos. Pelo que embutem da estratégia eleitoral de agora até 2010. E pelos riscos que cada candidato enfrentará. Eis os links (para assinantes):

 

FolhaAécio afirma que é vítima de calúnia de blogs

 

Valor Econômico"Faço política num patamar superior a esse", diz Aécio

 

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Por Fernando Rodrigues
Perfil

Fernando Rodrigues, jornalista, nasceu em 1963. Fez mestrado em jornalismo internacional na City University, em Londres, Reino Unido (1986).

Na Folha desde 1987, foi repórter, editor de Economia, correspondente em Nova York (1988), Tóquio (1990) e Washington (1990-91). Na Sucursal de Brasília da Folha desde 1996, assina a coluna "Brasília", na página 2 do jornal, às segundas, quartas e sábados. Mantém uma página de política no UOL desde o ano 2000 – com informações estatísticas e analíticas sobre eleições , pesquisas de opinião e partidos políticos. Em 2007/08 recebeu uma fellowship da Fundação Nieman, na universidade Harvard (Cambridge, MA, nos Estados Unidos).

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